Capítulo 27: Vislumbre de um mundo novo
Voltando ao momento em que Sarah estava para chegar ao fim da escada.
Quando chega ao fundo do buraco, se depara com um chão de cimento e um túnel parecido com o de uma mina, porém sem os trilhos, com os pilares de madeira nas laterais e vigas em cima. Há pares de lamparinas uma de cada lado e estão apagadas. Uma história que seu pai contou uma vez vem em sua mente. Antigamente essa região onde eles moram, foi uma zona de mineração que os nobres de Ônia usavam para procurar riquezas, porém misteriosamente eles a abandonaram do nada.
Ela se indaga sobre a possibilidade de seu pai ter encontrado um dos túneis, e do porquê a manter em segredo. Um sentimento de ansiedade misturado com tristeza toma conta de si, uma aventura bem debaixo de sua casa que poderia ter tido há muito tempo se apresenta.
Ao caminhar pelo túnel, lâmpadas de lede vão acendendo em um tom rosa choque nos cantos lá no alto, e em seguida apagam após serem deixadas para trás. Após andar por uns cinquenta metros, chega ao fim do túnel que já não tem mais ledes ascendendo, só um curto escuro antes de desembocar em outro, agora na transversal, sendo esse quatro vezes maior.
Olhando com mais atenção à sua frente, existem outros túneis parecidos com aquele em que está. Cada um com números em cima, 125, 127, 129. Lá no alto, luzes vermelhas nas laterais dão um ar estranho e pesado.
Então uma voz vinda da esquerda surge vinda do fundo.
Com um leve recuo enquanto se abaixa, ela vai se escondendo na sombra do pequeno túnel em que acabou de sair, logo um rapaz jovem e moreno, juntamente de um senhor aparentemente mais velho, também moreno com barba e cabelo grisalho, atravessam de um lado para o outro.
— Hoje você poderá escolher quantas quiser! Afinal, é seu aniversário! — O senhor do cabelo grisalho exclama enquanto ergue o braço e o balança. Ambos estão vestidos com roupas sociais de grife.
Eles vão se distanciando até sumirem da vista. Sarah começa a caminhar com cautela na mesma direção. Olha para trás e observa o número 128 acima do túnel em que estava. Caminhando de forma sorrateira, vai de túnel em túnel se escondendo na escuridão deles. 132, 134, 136, ela continua por volta de 7 minutos, e quanto mais avança, uma pequena luz no fim do grande túnel vai ficando maior.
Depois do túnel 479 há um portal grandioso, então se aproxima dele.
Seus olhos se estarrecem com o que vê.
Após o portal, há um gigantesco salão arredondado. Ha sua frente e para baixo, uma larga escadaria desce em linha reta intercalando vários pequenos degraus com um grande, esse esquema aparenta se repetir até seu fim. Lá embaixo, no centro de tudo, um pilar largo como um prédio redondo todo cinza se ergue imponente, ao correr o olhar nele, a cabeça de Sarah vai de uma posição diagonal para baixo para uma em diagonal para cima até avistar o teto. O pilar se funde com o teto arredondado em formato de cúpula.
Nas laterais da escadaria, paredes de cimento se erguem e acompanham descendo os pequenos degraus e cessam no maior, depois voltam após o grande degrau, assim esse esquema se repete até o fim. As paredes se dobram e seguem para esquerda, sumindo atrás da parede anterior, assim se repete do lado direito e ao longo de toda a escada.
Ao voltar seu olhar para o lado esquerdo procurando ver o que tem além da parede cinza, observa que as paredes fazem parte de blocos de cimento que percorrem circularmente por todo o lugar como um anel. Existem pequenas salas em seus interiores, pois lá na frente do outro lado do salão, dá para se observar pequenas janelas e portas uma do lado da outra como quartos.
Existem várias camadas desses anéis, cada uma abaixo da outra, anéis divididos por escadarias como aquela em que ela está, que também levam até o pilar central. No topo das escadarias também existem portais, o primeiro a sua esquerda tem o número 3 bem grande desenhado acima dele. O segundo tem o número 4.
Correndo seus olhos pelos anéis e passando pelo pilar, depois dele à sua direita, um novo portal agora com o número 6, depois mais um, agora o número 7. Dali em diante ela já não consegue mais enxergar, pois, a parede de cimento tampa a sua visão. Ao olhar em panorama, percebe que ali se parece um estádio de arredondado, onde nos lugares de arquibancadas foram colocados quartos. Já no lugar do campo, o grande pilar.
Voltando seus olhos para a escada, percebe alguém lá embaixo vindo em sua direção. Ela volta a se esconder novamente, agora mais afundo em um pequeno túnel. Um homem grande de pele negra, com terno preto e cabelo baixo, chega ao portal e ali fica parado como uma estátua.
Já se passaram quarenta minutos desde que se escondeu. Ele ainda não moveu nenhum centímetro de sua posição. Agachada no canto quase pegando no sono, Sarah de repente escuta uma voz.
— Eae Fernando, como vai? — Indaga um homem branco baixo de cabelo castanho.
Então o segurança abre um sorriso.
— Há quanto tempo Luiz! Está tudo ótimo comigo. E com você? — Ele responde com outra indagação.
— Estou bem sim! — Responde Luiz. — Se você está no portal um quer dizer que…
— Sim, sou o chefe dos guardas agora!
— Parabéns meu amigo!
— Veio se divertir hoje? — Indaga o guarda.
— Opa, hoje eu vou tirar o atraso!
— Acompanhe-me, por favor!
— Cara que legal! Agora você é o guarda chefe! — O homem exclama sorridente enquanto sua voz vai sumindo conforme descem os lances de escada.
Os dois descem a escadaria e Sarah vê a oportunidade de entrar no salão, ou voltar para seu túnel, novamente se deixa levar pela curiosidade e atravessa o portal, descendo rapidamente o primeiro lance de pequenos degraus. Ao olhar para trás, avista o portal que acabara de passar, nele há o número 1 acima. Quando olha para as laterais da escada para ver de perto o que havia depois das paredes?
Confirmando sua suposição, uma sequência de portas e janelas com grades. Em cada porta tem um número e uma letra, na primeira porta a esquerda há a letra F e o número 01, na seguinte F e o número 02, depois F 03, F 04.
Há mais portas e janelas, porém, não consegue enxergar suas numerações. Quando olha para a direita, tem a mesma coisa, uma porta com a letra F e o número 48, na outra F 47, depois F 46. Descendo para o segundo lance da escada, ali a letra E surge agora, com mais números. Mais um lance, D, mais um, C, então logo raciocina que se descer até o final o alfabeto diminui até a letra A.
Ela desce mais um lance de escada, entra na fileira B à direita, tenta abrir uma porta e falha. Tenta outra e nada, mais uma e novamente nada. Corre até o fim daquele bloco e olha para cima pelas escadas, então vê o número 8 acima do portal. Sobe dois lances de escadas até chegar na fileira D.
Entrando a esquerda, a primeira porta é a D 35, quando vai tentar abrir a porta, percebe que já está se abrindo. Uma rápida corrida é iniciada em direção a escadaria na tentativa de conseguir se esconder atrás da parede. Um homem barbudo e gordo sai do quarto, ele encosta a porta e sai andando para o outro lado. Uma oportunidade se apresenta e ela corre para ver o que tem atrás dela.
Ao abri-la, a escuridão toma conta de seu olhar, buscando pelas paredes perto da entrada, encontra um pequeno núcleo arredondado e acoplado a parede. Enquanto encosta a porta, vai pressionando o núcleo. No teto, uma lâmpada ilumina o ambiente com uma luz branca e fraca. A claridade revela uma pia, um espelho e um vaso do lado esquerdo à sua frente.
Também há uma pequena mesa no canto direito ao seu lado. Já a frente da mesa, há uma cama com os pés chumbados ao chão e uma argola presa a um deles, e presa a argola existe uma corrente, que se amontoa por vários centímetros até que sobe e se enfia por debaixo de uma coberta toda branca.
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