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    Maldição, um tipo específico de Magia da Escuridão, derivada do Mana Caído e da Corrupção, que são dois tipos que normalmente não se misturam, devido a suas diferenças intrínsecas.

    No entanto, em Maldições, elas funcionam de forma simbiótica, onde o Mana Caído e da Corrupção alimentam um ao outro, enquanto, ao mesmo tempo, lutam por espaço, criando um certo equilibrio.

    Apesar de não ser tão experiente e ter um conhecimento limitado, Fernando já havia lido um pouco sobre a árvore de Magias da Escuridão e lembrava-se disso. Mesmo que os livros em que leu a respeito não detalhassem as implicações ou o que exatamente isso significava, o rapaz sabia que definitivamente não era algo bom!

    “Você tem certeza?” perguntou, com um olhar sério e assustado.

    Mesmo que as Doenças de Mana fossem assustadoras e perigosas, simplesmente não se comparavam ao risco de uma Maldição.

    Alfie Caiman tinha uma expressão solene, mas assertiva.

    “Tenho certeza, estou estudando formas de curar o doutor há anos, mas foi somente há cinco anos que percebi esse fato. Quando chegamos numa vila isolada, ele teve uma piora significativa e mal respondia a estímulos. Somente depois descobri que havia um Mago das Trevas escondido lá que se especializava em Maldições.” O assistente disse, suspirando. “Naquele momento eu liguei finalmente os pontos. Maldições não são detectadas por Magos de Cura e geralmente são praticamente imperceptíveis enquanto estão dormentes no corpo de alguém, explicando o porquê de ninguém descobrir o que ele tinha. Quando percebi o que estava acontecendo, tentei capturar o Mago das Trevas para entender melhor, mas ele se matou antes que eu conseguisse…”

    O jovem Tenente franziu as sobrancelhas em preocupação ao ouvir a respeito, perdido em pensamentos, então olhou para Alfie.

    “Ele sabe disso?”

    O homem de óculos e barba escura balançou a cabeça, em negação.

    “Não é sensato compartilhar esse tipo de informações com alguém contaminado. Maldições possuem resquícios de Corrupção e Mana Caído. Além disso, o doutor é um poderoso Mestre de Runas, se ele souber que há uma chance de cair, ele não ficará parado.” falou, com um significado ambíguo.

    “Cair?” O rapaz pálido perguntou, não entendendo nada do que o sujeito estava falando. Mesmo que ele tivesse lido um pouco sobre essas Magias, os livros só possuíam descrições vagas e pouco detalhadas.

    Alfie olhou para Fernando com um olhar incomodado, suspirando consigo mesmo para a inocência e falta de conhecimento do jovem Tenente, pensando se realmente poderia confiar nele quanto a um assunto tão importante.

    Mesmo que seja tão leigo, esse garoto ainda é um aluno do doutor e sua maior esperança. Além disso, com o talento que ele demonstrou, se há alguém capaz de fazer algo a respeito no futuro, só pode ser ele! pensou, reafirmando sua determinação.

    “Há uma diferença entre Magos da Escuridão e Magos das Trevas ou Negros. O primeiro é do tipo que pratica magias ‘permitidas’. Como Escuridão, Desordem, Teleporte, Controle, Leitura, Mental, Tempo-Vida ou Sombras, são magias que apesar de possuírem um certo grau de perigo, é controlável. Entretanto, o assunto é totalmente diferente para as demais. Corrupção, Criaturas, Mana Caído, Morte, Lavagem, Maldição, Loucura ou Mutação, são magias abomináveis que interferem na mente do mago, com exceção de Lavagem, que é apenas considerada perigosa. Para um Humano, a Corrupção e magias derivadas dela são especialmente arriscadas, já que somos naturalmente suscetíveis a desejos como poder, ganância ou vida eterna. A Corrupção aflora esses desejos e te faz buscar cada vez mais por ela e uma vez que siga esse caminho, não há retorno.”

    Ouvindo atentamente toda a explicação, Fernando respirou fundo, não imaginando que as coisas seriam graves a esse ponto.

    Então a Corrupção é algo como drogas? pensou, fazendo um comparativo mental. Já que em ambos os casos, uma vez que se experimentava, sempre buscaria por mais.

    “E o que exatamente acontece se alguém ‘cair’?” O jovem Tenente perguntou.

    “Alguém contaminado pela Corrupção ira ansiar por mais poder, a ponto de que isso se torna sua obsessão. Ao mesmo tempo, seu corpo irá acompanhar as mudanças em sua mente, perdendo pouco a pouco sua humanidade. Em alguns casos a pessoa pode se tornar uma Criatura das Trevas, em outros, pode vir a se tornar um Mago das Trevas. Dependendo de sua força, pode até mesmo virar um Necromante.” Alfie explicou, enquanto ajustava os óculos em seu rosto. “Agora imagine quais seriam as consequências de alguém como o doutor, um Mestre de Runas, que possui tanto conhecimento e poder acumulados, se tornando um Mago das Trevas ou até… algo pior. O resultado seria desastroso para a Humanidade.” falou, com a voz pesada.

    O jovem Tenente respirou fundo ao ouvir tudo, enquanto seu coração batia com força, mas forçou-se a manter um rosto calmo, enquanto pensava em algo.

    “E o que eu posso fazer a respeito? Não acho que você me contaria algo assim sem motivos.”

    Apesar de se conhecerem por tão pouco tempo, Fernando já sabia bem o tipo de pessoa que Alfie Caiman era. Alguém cuidadoso, desconfiado e meticuloso. Uma pessoa assim não confiava em outros facilmente, principalmente qualquer coisa referente a Wedsnagauer, que era alvo de sua idolatria.

    O assistente sorriu fracamente ao ouvir isso.

    Parece que ele não é tão ingênuo, afinal. pensou, satisfeito.

    “Não tenho certeza, ainda estou investigando. Mas percebeu algo diferente no doutor ultimamente?”

    O jovem pálido parou por um momento, mas não precisou de muito tempo para chegar a uma conclusão. Mesmo ele tinha notado as mudanças de seu professor.

    “Ele parece mais saudável?” respondeu, em dúvida.

    Alfie assentiu.

    “Exatamente. Desde o processo de criação das Veias de Mana Artificiais, ele tem estado muito melhor. Mas mesmo antes disso, os episódios de confusão estavam em menor número. Inicialmente achei que era devido ao seu bom-humor em ter novos aprendizes, mas não me parece o caso. Não, é como se algo estivesse o influenciando, contendo a Magia de Maldição e isso tem acontecido mais precisamente… desde que conhecemos você, Tenente Fernando.”

    O rapaz pálido foi pego de surpresa com as palavras do sujeito.

    “O que você quer dizer com isso? Que minha mera presença tem feito o professor melhorar? Como algo assim seria possível?”

    O homem balançou as mãos, enquanto analisava o rapaz.

    “Talvez não seja você exatamente, mas algo que carrega. Algum tipo de item, talvez?” sugeriu, olhando-o fixamente.

    Fernando recebeu o olhar com cautela, era como se Alfie estivesse o sondando e isso o deixou extremamente desconfortável.

    Ao mesmo tempo, sua mente divagou. Ele carregava muitos segredos, mas se havia algo que fosse digno de sua maior atenção, algo que poderia influenciar até mesmo o ambiente ao seu redor, essa coisa só poderia ser a Pedra de Mana!

    Desde que Wedsnagauer ativou uma Pedra de Mana para ele e pôde compará-la a sua própria, ele imediatamente soube que a sua Pedra não era normal.

    “Eu não sei do que esta falando, não tenho nada assim comigo.” O jovem Tenente respondeu, com um olhar frio.

    Vendo a reação indiferente, calma, mas levemente opressiva do rapaz, Alfie levantou uma sobrancelha, hesitante.

    “Entendo…” disse, ainda o olhando firmemente. “Se você tivesse algo assim, saiba que isso poderia salvar a vida do doutor. Gostaria que tivesse isso em mente.”

    “Avisarei se encontrar algo do tipo.” Fernando respondeu secamente. “Bem, se isso é tudo, estou indo. Me informe se descobrir algo novo sobre a situação do professor.”

    “É claro.” Alfie Caiman concordou, enquanto observava o rapaz dar as costas a partir. “Parece que fui muito direto?” falou, suspirando.

    Apesar de ter suas suspeitas, ele não queria pressionar o jovem Tenente, já que em sua visão, ele era o sucessor do legado de Wedsnagauer, alguém que deveria ser protegido a qualquer custo. Sendo assim, não poderia afastar o rapaz, não importa o que acontecesse.

    “Deixarei essa decisão em suas mãos, Fernando.” falou consigo mesmo, enquanto retornava a sala de Matrizes.

    Ao longe, o rapaz respirava pesadamente, enquanto seu coração palpitava.

    Saber que ele possuía algo que poderia ajudar seu professor o fazia querer revelar sobre a Pedra de Mana, mas, ao mesmo tempo, algo gritava em sua mente que absolutamente não deveria fazer isso!

    Por mais que gostasse de Wedsnagauer e o respeitasse, devendo muito ao velho homem, a Pedra de Mana era seu maior segredo. Em relação a ela, seja as Veias de Mana Expandidas, a Aptidão Absoluta, o Anel de Aprisionamento, a Carne de Delgnor, ou qualquer um dos outros itens, nada disso importava. A Pedra era a base de sua força e de suas conquistas.

    Fernando duvidava que teria alcançado um décimo sequer de onde estava sem ela. Ou seja, a Pedra de Mana era o principal motivo pelo qual ele havia sobrevivido tanto tempo, assim como aqueles ao seu redor.

    O que eu faço…? pensou cheio de dúvidas, mas logo sua expressão firmou-se. Não importa, o doutor parece saudável. Não devo me deixar levar pelas palavras do senhor Alfie.

    Ao pensar até aí, começou a lentamente se acalmar, recolocando seus pensamentos no lugar, mas antes que pudesse se recuperar completamente, um Soldado apareceu correndo a sua frente, com uma expressão desesperada no rosto.

    “T-tenente! Algo está acontecendo no portão!”

    Fernando foi pego de surpresa, mas agiu com calma.

    “O que houve?”

    “Na entrada, na entrada do prédio, algo aconteceu! É melhor ver por si mesmo!”

    O jovem Tenente ergueu uma sobrancelha, em dúvidas, mas seguiu o homem.

    Ambos correram rapidamente em direção à parte mais alta do prédio, subindo alguns lances de degraus.

    “Bem ali, senhor.” O Soldado falou, indicando que o rapaz se aproximasse da janela, onde era possível ver toda a parte do campo de treinamento e entrada do prédio do Batalhão Zero, bem como as ruas no entorno.

    Fernando olhou de forma desconfiada para o homem, mas deu um passo a frente, averiguando a situação por si mesmo e assim que o fez, sua expressão mudou completamente.

    “Que merda é essa?” falou, chocado. “Estamos sendo atacados?”

    Na entrada do Batalhão Zero, havia uma gigantesca multidão, com centenas e centenas de pessoas, ocupando não só parte do pátio de treinamento, como abarrotando toda a entrada e ruas próximas.

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