Índice de Capítulo

    O casal havia encerrado a sessão de sexo selvagem; o interior da tenda permanecia impregnado pelo calor do ato, e as roupas, rasgadas, espalhavam-se pelo chão como vestígios. 

    Idalme, com o corpo ainda úmido de suor, cobriu-se com um novo vestido vermelho, tecido leve que deixava entrever o contorno das curvas e a pele marcada pelo toque. Max vestiu uma camisa branca, parcialmente aberta no peito, um calção preto e sapatos de couro.

    Quando saíram da tenda, todos os olhares voltaram-se para eles, desconfortados, incapazes de disfarçar o que sabiam. O som que veio de dentro: gemidos fortes, misturados a suspiros e batidas contra o chão, pareceu mais o de uma luta intensa do que o de prazer partilhado.

    A mulher de peitos fartos, que em outros momentos se mostrava tímida, lançou-lhes um olhar sedutor e deixou escapar um leve sorriso ao fitar Dam. Loi sentiu o incômodo crescer-lhe no peito; não gostou do que viu, mas nada pôde fazer.

    — Hum… tenda? — Max murmurou, ao franzir o cenho.

    — Quem será que montou isso? — A peituda questionou, inclinando a cabeça, curiosa e desconfiada.

    Metediça, Idalme abriu as cortinas e viu um casal; o que seus olhos viram a deixou surpresa, contudo, era evidente que aquilo poderia acontecer.

    — Bom proveito.

    Fechou as cortinas, levou a mão à boca e sorriu de canto, incrédula com até onde Ui chegou. Em sua mente, refletia sobre a ousadia dela, impressionada com a audácia demonstrada.

    — Aaaaaaaaahhhhhhhhhhhh! Nãaaaaaaaoooooo!

    As cortinas se abriram. Ui aproximou-se de sua amiga, segurou-a pelos ombros e sussurrou:

    — Não é o que estás pensando… aquilo… não é o que parece…

    — Eu não pensei nada — Idalme desviou o olhar.

    A mão dela tremia enquanto afastava as mãos da amiga. Ao olhar para o chão, continuou:

    — Eu… só estava limpando… não é o que parece…

    A peituda pousou a mão no ombro dela, com um meio sorriso:

    — Não se preocupe… dessa boca sexy não sairá nada.

    — Sexy?

    Max, ao lado, perguntava-se sobre o que teriam sussurrado entre si; logo depois, viram-se abraçando-se com sorrisos. Em seguida, Ui despediu-se com um joinha, Idalme retribuiu o gesto e voltou para dentro da tenda.

    Alguns minutos haviam se passado, e o grupo se reorganizou para seguir viagem. Caminhavam sobre um terreno irregular, coberto de pedras de vários tamanhos, que faziam cada passo exigir cuidado. À frente, erguiam-se montanhas que, embora grandiosas, não exigiam escalada: ao lado estendia-se uma planície suave, coberta por gramíneas baixas. Ao longe, o contorno denso de uma floresta surgia, suas copas escuras balançando suavemente ao vento.

    — Ham, estava pensando… você é ferreiro, certo?

    — Sim… por quê?

    — Bem, passamos por bastante minério de Terrania.

    — Terrania?

    — Sim… um minério usado para forjar armas.

    Dam, que avançava carregando a cabeça de Slother, parou de repente, incrédulo, observava o entorno com cautela. Pegou uma das pedras do chão e tentou aquecê-la, mas, para seu espanto, ela se incendiou e se desfez em chamas quase instantaneamente.

    — Não, esse não… aquele — disse, apontando.

    Enquanto Dam erguia outra pedra, o restante do grupo, que avançava à frente, voltou-se preocupado e perguntou o que ocorria. Ninguém respondeu, apenas Léo escreveu:

    Estão testando um minério.

    — Minério? — perguntou Max.

    Dam, ao segurar a pedra, engoliu em seco ao tentar aquecê-la, mas o minério se partiu em dois. O grupo ficou surpreso; todos esperavam tratar-se de mais uma pedra comum. Loi, naquele instante, sentiu o desespero tomar conta de si.

    — Isso… tenho certeza de que era minério de Terrania. O que faço, Ham?

    — Fica calada! — cortou, sem tirar os olhos do minério.

    Com o outro pedaço da pedra quebrada, Dam tentou aquecê-lo novamente, mas o resultado repetiu-se; a pedra resistia apenas para se desfazer. 

    Pegou outro fragmento e, desta vez, ele se partiu em múltiplos pedaços, espalhando pequenas faíscas ao redor. Nesse instante, sorriu e deixou o riso crescer lentamente, até explodir em uma gargalhada.

    — Ham?

    — Dam finalmente pirou de vez? — Ui provocou, um sorriso cruel nos lábios. — Bem que achei que suas amiguinhas não fariam bem para a sua saúde mental. Que pena.

    — Vocês não entendem — disse Dam, firme. — Isso… é uma obra de arte.

    Os olhos dele brilhavam de animação.

    — Loi, me diga… como consegues diferenciar essas pedras dessa joia rara?

    — Bem… sinto o vento ao redor, consigo perceber o peso, a densidade… ou às vezes como elas reagem quando o vento bate.

    — Interessante, Loi! — exclamou, com o rosto iluminado.

    — Sério?

    — Sim! Me ajude a encontrar mais dessas!

    — Claro! Eu ajudo!

    Dam sentiu uma alegria intensa naquele momento; o sonho que o motivava a percorrer o mundo parecia finalmente se concretizar. As pedras que tanto desejava estavam tão próximas, ao alcance de suas mãos, e ele ainda não se dava conta disso completamente. 

    Contudo, algo em Loi chamou sua atenção de forma inesperada: era como se ela fosse uma joia rara, dotada de uma habilidade única de localizar aquilo que ele tanto buscava.

    Naquele instante, sentiu-se tomado por uma estranha admiração pela utilidade daquela mulher. Sem perceber, aproximou-se, envolveu-a em um abraço e murmurou:

    — Eu amo demais!

    Loi, naquele momento, corou intensamente com a declaração, sem saber que o afeto de Dam se dirigia à sua utilidade e não a ela própria.

    Ele afastou-se rapidamente, voltando a procurar pelas pedras e perguntou quais seriam aquelas que desejava. A cada fragmento encontrado, colocava-o cuidadosamente em seu espaço espacial.

    — Ei, não temos tempo para isso. Precisamos avançar — disse Max, firme.

    — Não fale comigo, escória.

    — Quê? Como é que me chamou?

    Dam levantou-se e o encarou:

    — A droga do seu pau ficou tão murcho que os seus ouvidos também ficaram para baixo?

    Max cerrou os punhos, tomado pelo desejo de enfrentar Dam, mas logo se conteve, percebendo que não valeria a pena atacar um ser visivelmente mais fraco que ele.

    — Não importa o que digas… colecionar pedras agora não é prioridade.

    — Tem certeza? As duas atrás de você parecem pensar diferente.

    Idalme e Ui permaneceram confusas, trocando olhares em busca de alguma explicação. O mestiço observou-as em silêncio, mas nenhuma resposta surgiu.

    — O que queres dizer com isso?

    — Pense com essa sua cabeça de jumento — disse, batendo levemente o dedo indicador na própria testa.

    Max, contudo, permaneceu em silêncio, aguardando uma resposta convincente. Dam apontou para Idalme e disse:

    — As tuas flechas e arcos seriam melhores que ferro reforçado — falou ele, observando o minério. — O ataque ficaria mais devastador e nunca se destruiriam; pela minha análise, esse metal tem grande condução de aura.

    — Isso quer dizer…?

    — Sim — concordou, apontando para Ui. — A perda de aura seria mínima. Posso fazer um bracelete resistente, capaz de aguentar ataques pesados. Se preferirem outra coisa, faço espadas melhores para o Izumi.

    Quando os mestiços ouviram Dam mencionar Izumi, ambos se sentiram seguros o suficiente para apostar nisso.

    — Sim! Sim! Sim! Faça isso, Dam! Vamos fazer! — Ui começou a vasculhar as pedras no chão, quase saltitando. — Seria essa? Ou essa? Qual delas, Dam? Me diga! Estou tão empolgada! Mal consigo esperar para ver como vai ficar! Eu quero escolher a certa, Dam! Me ajude, por favor!

    Naquele instante, a mente de Dam se abriu. Ele olhou para Loi e pensou:

    Talvez essa seja a fórmula…

    Ele apontou rapidamente para Loi:

    — Ela pode dizer onde está.

    A mestiça, apesar da felicidade que transparecia, fechou o rosto e mergulhou em reflexão, como se lutasse contra algo que fervilhava dentro de si.

    — Vai, Ui… isso é pelo Izumi… esquece o ódio, só por agora… — murmurou. — Faz só o que pedem, sorri, mexe nas pedras, finge que não vês nada… depois, quando tudo estiver no lugar. A gente resolve do jeito que souber — Pausou. — Depois podemos matá‑la, se for preciso. Por agora, confia em mim: faz aquilo por ele. — Um sorriso maleficamente cresceu nos cantos da boca.

    A mestiça voltou-se para Loi, sorriu, um sorriso claro, quase infantil, e disse:

    — Tudo bem. Vamos fazer isso, Loi!

    — Certo…

    Idalme fitou a amiga com pesar; Ui, antes tão pura, agora forçava um sorriso em busca de algo em troca. A peituda sentiu crescer-lhe uma fúria gelada, a convicção inquietante de que aquela mulher deveria morrer.

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