Índice de Capítulo

    O efeito de nostalgia pairou por seu corpo. As mesmas sensações e o mesmo cenário se repetiram, mas, dessa vez, ele já estava acostumado, e a surpresa não tomou conta de seu ser.

    Levantou-se aos poucos e percebeu algo trágico: sua dimensão estava mais destruída do que da última vez. A noite mais escura, buracos incontáveis e o mar mais seco.

    — Mais que porra! 

    A incredulidade tomou conta de sua face. Foi então que o sombrio apareceu a seu lado, com o corpo cansado e sangrando. Disse:

    — Não queria admitir, mas essa coisa é forte demais.

    — O que… vamos fazer?

    — Ahhhhh! Droga! — gritou. — Não tenho mesmo escolha.

    Enquanto isso, o escorpião continuava a perfurar cada vez mais a dimensão. O sombrio olhou para Max, com remorso, e perguntou:

    — Mas como vieste aqui tão rápido? Aconteceu algo?

    Ele hesitou por um momento, mas contou para sua outra parte. O sombrio não acreditou e começou a gargalhar enquanto observava o escorpião ignorá-los.

    — Mas faz sentido isso afetar o seu orgulho. Para nós, ser chamado assim é uma ofensa muito grande, mas, a ponto de fazer o que fizeste, é inacreditável. O seu orgulho é foda mesmo, mas eu sou mais!

    — Estou preocupado — disse, tremendo. — Não sei como estão… talvez eu tenha matado todos eles…

    Na mente dele, passava a última visão: ativava sua explosão galante até que suas memórias ficassem negras.

    — É realmente uma pena, queria comer aquela peituda por mim mesmo.

    — …

    O sombrio, ao ver sua outra parte desanimada, apontou o dedo para ele e disse:

    — Se está tão preocupado assim, volte, seu estorvo.

    — Mas… eu tenho medo…

    — Estou pouco me fodendo para o seu medo. Apenas volte, eu cuido dessa coisa.

    Max lambeu os lábios e engoliu seco, e perguntou, hesitante:

    — O que vais fazer?

    O dedo do sombrio brilhou, e ele refletiu:

    — Essa coisa está afetando as suas ações no mundo real e está lascando com a minha dimensão. Não posso deixar isso acontecer.

    Atirou na testa dele, fazendo-o cair no chão. A outra parte virou-se de costas e complementou:

    — Vou selá-lo! 

    Mesmo sem querer, Max sentiu que desaparecia daquela dimensão. Pelo visto, podia voltar ao mundo real se uma parte desejasse e a outra morresse. No entanto, não parava de desejar não retornar à sua realidade e ver pessoas mortas.

    Lágrimas escorriam de seus olhos enquanto os fechava. Mesmo de olhos fechados, percebeu que havia voltado ao mundo real ou talvez estivesse em outro plano; as vozes de pessoas conversando deixavam claro que aqueles que achou ter matado estavam vivos.

    As lágrimas continuavam a cair. Mesmo sem abrir os olhos, sentia o conforto em sua cabeça. Dessa vez, acreditava que não erraria. Cobriu o rosto com o braço.

    Do canto, viu os grandes peitões que bloqueavam a visão da mulher. As lágrimas escorriam sem controle, e ele lutava para limpá-las enquanto pedia desculpas.

    Abraçou-a na barriga e continuou a pedir desculpas.

    — Desculpas? — perguntou Dam. — Se fosse o suficiente.

    Max, ao ouvir a voz dele, ficou feliz por não matá-lo sem querer, embora, no fundo, quisesse.

    — Acalma, Dam — disse Ui. — Já passou. Ele não estava bem, e prometemos não tocar no assunto. Graças ao Izumi, tudo terminou bem.

    O atirador simplesmente virou o rosto, insatisfeito com a situação. Max, ao ouvir a voz de todos, sentiu alívio por estarem bem, mas, no fundo, percebeu que precisava dizer algo.

    — Me perdoe…

    — Disse alguma coisa, Max? — perguntou Idalme.

    Izumi, que tinha boa audição, escutou o que ele disse e sorriu de canto de boca. Logo percebeu Ui olhando para ele, sorrindo também. Ao notar que ele havia percebido sua presença, aproximou-se e segurou seu braço.

    Mesmo sentindo a energia opressora que emanava dela, tolerou, embora por dentro seu corpo desejasse trucidar aquela mulher em pedaços. Ativou o Speed Iz e olhou para Ui; sua aparência feliz não coincidia com a energia que emanava.

    Foi então que começou a ter mais certeza de que algo dentro de seu corpo queria se opor a todos. Ao perceber isso, sentiu-se ainda mais motivado a resistir a esses sentimentos.

    — O que aconteceu depois? — perguntou Max.

    — Hum?

    — Como conseguiu escapar da minha explosão galante?

    — Ham, isso…

    Idalme então contou a ele que, no momento em que estava para explodir, Izumi apareceu como um flash e o chutou para os céus. Naquele instante, todos entenderam que a façanha foi dele, embora ninguém tivesse conseguido ver o momento exato.

    As emoções de Max pareciam se estabilizar; o corpo não estava tão tenso como antes, e a mente ficava mais clara. Ele afastou-se dela e disse:

    — Me chame de viado.

    — Hum? Como assim? Do nada?

    — Só diga — pediu, fitando.

    Idalme, mesmo hesitante, concordou:

    — Seu viado…

    Ele colocou a mão na boca, sorriu de canto e, em seguida, apontou para Dam, dizendo a mesma coisa.

    — Me chame de viado!

    Dam balançou a cabeça, como se não acreditasse no que aquele homem lhe pedia.

    — Seu viado do caralho, comedor de c*!

    Mais uma vez, não sentiu como antes, embora tivesse sido afetado um pouco. Levantou-se e disse:

    — Me desculpe, pessoal, agora estou melhor.

    Ui, ao fundo, levantou a mão e perguntou:

    — Max, o que é comedor de c*?

    — Isso… — Max ficou sem jeito. — Melhor não saber…

    — Ui, comedor de c* são degenerados que comem o c* de outros homens.

    A mestiça, ao escutar aquilo do Dam, tapou a boca, incrédula, e olhou para Idalme, que naquele momento compartilhava da mesma surpresa.

    — Ma-ma-max, você… nunca fez isso… né?

    — Acalma, Idalme — disse, levantando as mãos. — Eu gosto de mulheres.

    — Mas… já comeu? De uma mulher — o rosto da peituda ficou vermelho.

    Ele olhou para o lado, com um sorriso falso, e disse:

    — Eu… nunca fiz isso.

    Os dois ficaram vermelhos, olhando de canto um para o outro, envergonhados. Foi então que Izumi quebrou o gelo, caminhando em direção a algum lugar aleatório.

    — Não é por ali — disse Dam, olhando o mapa.

    Ele parou subitamente e perguntou:

    — Onde?

    — Por aqui — respondeu, apontou para outra direção.

    Com Ui, ele começou a andar naquela direção e na sua mente várias coisas passavam.

    Não acredito… esses malucos não têm vergonha de falar isso? É um c*, não é? Não foi feito só para cagar? Não acredito que eles fazem isso por lá!

    Ao lembrar do seu pai, Castiel, e como ele foi pervertido, a imagem da mãe sendo suja por ele invadia sua mente repetidas vezes. Lutava para impedir esses pensamentos, mas não conseguia.

    Ui percebeu que seu amado estava estranho, avançou sorrindo enquanto dava voltas e perguntou:

    — Izumi, está interessado em c*?

    Naquele momento, sentiu a vida em risco, mas a mente ainda o perturbava, principalmente ao ver a bunda de Ui, fazendo-o pensar que talvez, no fim, fizesse aquilo. No entanto, ao perceber que não sentiu nada, começou a se acalmar.

    — Ufa, ele não se levanta…

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