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Capítulo 186 — Passado que Abalou um Pilar II
Quando Celsio e seu aprendiz chegaram ao portão da Muralha Externa, depararam-se com um CSR de placas de blindagem reforçada, já preparado para partir.
Ao lançar um olhar pelas aberturas do compartimento traseiro do corcel, Celsio encontrou os olhos de alguém que ainda não havia aceitado o próprio destino. Um idoso, sim, mas naqueles olhos ardia a chama inconfundível de um guerreiro.
Então aquele era o criminoso que ele deveria escoltar até o Deserto dos Condenados.
Fixadas nas laterais do veículo, duas lâminas curtas chamavam atenção: armas de três pontas, com a lâmina central mais longa que as demais. O metal negro e as inscrições rúnicas não deixavam dúvidas.
Era o ARGUEM do prisioneiro.
Na outra lateral havia mais um suporte para segurar um ARGUEM e ali Celsio depositou sua espada, grande de mais para entrar no corcel.
— Senhor Celsio, tudo está pronto para a sua partida. — disse um soldado de armadura vermelha, curvando-se em reverência. — Pensei em preparar um local de descanso para o senhor na Cidade Externa, mas a Imperatriz deixou claro que o senhor não iria querer—
Celsio já havia se virado antes mesmo do fim da frase.
— Claro que não vou descansar. — Rosnou. — Quanto mais rápido eu me livrar desse estorvo, largando-o para morrer naquele deserto amaldiçoado pelos deuses, mais cedo posso voltar à minha missão nas Montanhas de Patrock.
Alguns passos atrás, Morgan bebia uma poção de Peace, observando com atenção os próprios dedos. O líquido mágico — uma criação dos anões, capaz de curar ferimentos e restaurar o vigor — já deveria ter devolvido suas mãos ao estado normal. No entanto, os ossos ainda insistiam em se alinhar lentamente.
Ele suspirou.
Pelo gosto metálico, era evidente: Celsio havia lhe dado uma das tentativas mal sucedidas do Departamento de Pesquisa e Estratégia de replicar a técnica anã. O efeito funcionava… mas era irritantemente lento.
— Mestre — disse Morgan, por fim, flexionando a mão com cuidado —, o senhor comentou que tinha assuntos importantes nas Montanhas de Patrock, mas acredito que nada seja mais importante do que uma ordem direta da Imperatriz.
Não havia desafio em seu tom. Soava mais como alguém tentando alertar um amigo.
Celsio lançou-lhe um olhar gélido.
— Calado, moleque. — respondeu. — Você não faz ideia da importância dos meus assuntos quando não estou em serviço. Então não opine.
Ele apontou para o veículo com um gesto seco.
— Agora anda. Entra.
Após a ordem, o Pilar da Força também subiu no CSR e girou a válvula principal. O veículo respondeu com um rugido metálico, como uma fera despertando.
Morgan sentou-se ao lado do mestre. Assim que o corcel de aço partiu em alta velocidade, ele lançou um olhar discreto para trás, pelas aberturas do compartimento.
Viu o rosto do homem condenado.
Na mesma hora entendeu com que tipo de homem lidavam.
— Um membro dos grupos de traidores… — murmurou. — Pela sentença, deve ser um dos líderes da rebelião.
— Traidor? — a voz rouca de Zlatan ecoou do interior da cela. — Os verdadeiros traidores são os que apoiam aquela mulher imunda!
Celsio não reagiu.
— Ela não honra Ossuia! — Zlatan continuou, inflamado. — Tudo o que fez não foi por ambição de poder, mas por caprichos pessoais! Em poucos anos de mandato, criou leis que favorecem os fracos, roubando espaço daqueles que são fortes por natureza! Isso, meu jovem… isso é traição.
Morgan abriu a boca para responder, mas não teve tempo.
— Moleque, não gaste saliva com um homem morto. — Celsio falou sem desviar os olhos da estrada irregular de terra seca, já longe dos domínios de Ossuia. — No fim, tudo aqui se resume à lei do mais forte.
O Pilar fez uma breve pausa, quase didática.
— Rhyssara tomou a Coroa pela força. Logo, o que o mais forte decreta é lei. Quem se opõe e não pode provar seu ponto através da força… é traidor. Simples assim.
Depois disso, o silêncio se impôs.
O caminho foi mudando aos poucos. O pouco verde que ainda resistia nos arredores de Ossuia desapareceu por completo, dando lugar a uma vastidão árida e sem vida. Lagartos cruzavam o terreno visíveis pelas janelas do CSR, enquanto o vento começava a carregar poeira e areia.
Horas depois, mantendo velocidade máxima, dunas surgiram no horizonte.
— Chegamos. — Celsio disse, por fim.
O CSR parou.
— Ora… só isso? — Morgan comentou ao descer, coçando a cabeça. — Se era só uma escolta, por que mandaram logo o senhor?
— Uma perda de tempo sem precedentes. — respondeu Celsio, descendo logo em seguida.
Ele retirou a espada presa à lateral do corcel de aço e abriu o compartimento onde Zlatan estava acorrentado.
— Algum sádico, nos primórdios de Ossuia, decidiu que condenados à morte poderiam recorrer a um julgamento por combate contra o Pilar da Justiça. — disse, com desprezo. — Já os condenados ao exílio…
Celsio sorriu de lado.
— Ganham uma chance se vencerem o Pilar da Força.
Ele riu baixo ao terminar a frase, como se aquilo fosse mais uma piada de mau gosto do que uma tradição sagrada.
Zlatan desceu do compartimento do CSR e ficou de pé diante do Pilar da Força.
Não havia medo em seus olhos.
Celsio expirou em deboche. Com um gesto displicente, retirou as lâminas presas à lateral do veículo e as lançou ao chão, aos pés do prisioneiro. O metal negro afundou levemente na areia seca.
— Tenta não tornar isso entediante.
Zlatan se abaixou sem tirar os olhos de Celsio e recolheu as lâminas.
— Prefiro seguir até meu destino com minhas próprias pernas.
Celsio arqueou uma sobrancelha.
— Vai se acovardar e aceitar o exílio? — havia algo de quase acusatório em seu tom, como se julgasse a escolha que o homem fazia.
Morgan observava em silêncio. A decisão de Zlatan era tudo, menos covarde. Celsio era invencível, o ser mais poderoso que ele já tinha visto, excetuando a Imperatriz BloodRose. Ir inteiro ao deserto aumentava, ainda que pouco, as chances de sobreviver à primeira noite.
Zlatan não respondeu. Apenas deu um passo na direção das dunas, rumo ao que provavelmente seria seu túmulo em poucos dias.
— Nem pensar que atravessei tudo isso pra não arrancar ao menos alguns membros! — Celsio rosnou, irritado. — Ei. Tenho uma proposta pra você.
Zlatan parou.
— Não tenho interesse em morrer pelas mãos de um cão da Usurpadora.
— Que se dane aquela ruiva peituda. — Celsio cuspiu as palavras. — Apenas ouça.
Morgan sentiu o rosto queimar.
— Mestre… tenha respeito—
— Mestre? — Zlatan riu, rouco. — Então é esse o garoto em quem ela disse ver potencial? Aquele que confiou ao Pilar da Força?
O olhar de Morgan se fechou.
— Você sabe o que isso significa, não sabe?
— Sei. — Celsio respondeu, indiferente. — Mas o moleque não chega nem perto do meu nível. Não me importo.
Ele apontou levemente para Morgan.
— Então escuta bem. Se você derrotar o meu aprendiz… está livre. Pode ir para qualquer buraco deste mundo.
Morgan deu um passo à frente, incrédulo.
— VOCÊ TÁ MALUCO SEU MESTRE DE MERDA?! Esse homem foi líder da rebelião! Ele é nível Cidade de Ferro, talvez mais!
— E você vai matá-lo. — Celsio sorriu, satisfeito. — Ou ele te mata e me livra de um peso.
Seu sorriso se alargou.
— Em qualquer cenário… eu ganho.
Celsio retirou de um dos seus bolsos um par de placas de metal negro rúnicos, os Demolidores de Morgan e os arremessou ao aprendiz.
— Façam valer meu tempo.
FELIZ ANO NOVO MEUS AMADOS LEITORES <3

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