Índice de Capítulo

    A face do velho sujeito ficou tão branca quanto uma folha de papel ao ver aquele rosto. Ao mesmo tempo que estava cheio de medo, também se encheu de fúria.

    “Seu desgraçado!” gritou, quando se levantou de forma abrupta e estava prestes a correr em direção ao Capitão.

    Lerona, que estava atenta a qualquer movimento suspeito do sujeito, reagiu imediatamente, quando moveu o pulso, retirando sua lança e atacando.

    Swish! Bang!

    “Ah!”

    Usando o lado sem ponta da arma, a mulher o atingiu violentamente na região da barriga, o jogando de volta no sofá, completamente sem fôlego.

    “Eu disse para não tentar nada engraçado.” A mulher ruiva falou, franzindo a testa.

    Mesmo que ela tivesse se comovido com a história do sujeito e até tivesse alguma aversão a Raul e suas ações, ambos infelizmente estavam trabalhando juntos.

    “Hahaha!” Raul apenas riu com gosto ao ver a cena inusitada. “Quem diria que o famoso Adaga Mortal se tornaria tão patético após alguns poucos anos. Aldebran, você não deveria ter relaxado em seu treinamento.”

    Nesse momento, o jovem pálido, que estava sentado, apenas observando a situação em silêncio, tomou a palavra.

    “Senhor Raul, o que esse homem disse, é verdade?” perguntou, quando comentou a respeito dos Sarnentos, bem como do fato dele ter roubado todo dinheiro do velho e o mandado a Yandou sem nada.

    “Oh, quanto a isso… É tudo verdade.” respondeu, de forma despreocupada.

    A expressão de Aldebran era de uma mistura de choque e raiva, pelo sujeito ter admitido tão facilmente.

    “Você… eu confiei em você!”

    Lerona e Fernando tinham olhares estranhos em direção ao sujeito.

    “Ei, ei! Por que estão me olhando assim?” Raul perguntou, de forma apática, então voltou-se para o velho homem, com uma expressão fria. “É verdade que peguei todo o seu dinheiro, mas você acha que foi tão simples tirar as Tropas Táticas do seu pé? Eu gastei boa parte daquele valor apenas subornando pessoas e limpando seus rastros. É verdade que eu não consegui cuidar dos seus assuntos em Yandou ou preparar um ambiente favorável para você viver, mas o que esperava? Que eu fosse cuidar de você feito um filhote indefeso? Além disso, você me pediu ajuda e eu te ajudei, em nome da nossa velha amizade, mas se tivesse feito o mesmo pedido a qualquer um dos outros membros, qual acha que teria sido o resultado? Acha que eles teriam colocado o próprio pescoço em risco para te salvar? Aldebran, é melhor você deixar de ser um velhote mimado e começar a ser grato a única pessoa que lhe estendeu a mão!”

    Ao ouvir a argumentação do sujeito, bem como sua pergunta, a expressão do velho excêntrico mudou completamente. Ele sempre pensou nas dificuldades que passou e nos problemas que teve nesse lugar, mas realmente nunca havia parado para pensar nos riscos que o seu velho companheiro havia corrido ao ajudá-lo. Se Raul tivesse sido descoberto, ele seria caçado e morto da mesma forma.

    “I-isso… Eles teriam me matado.” respondeu honestamente, abaixando a cabeça, finalmente percebendo que talvez tivesse sido um pouco injusto em suas conclusões de achar que ele apenas havia o enganado e pegado todo o seu dinheiro para si. “Então você gastou todas minhas economias limpando meus rastros? E-eu, não imaginava…”

    Nesse momento, até mesmo Fernando e Lerona sentiram que haviam julgado mal o Capitão moreno e até se sentiram mal pelo pré-julgarem, porém, isso mudou assim que ouviu suas próximas palavras.

    “Oh, eu não diria tudo, mas com certeza precisei usar uns 40% disso.” Raul comentou.

    “Espera, 40%, mas e o restante?” O velho perguntou, surpreso.

    “Eu gastei em bebidas e outras coisinhas mais, afinal, ninguém, é de ferro, né? Hahaha!”

    “Seu desgraçado!” Logo o velho levantou-se novamente, tentando avançar novamente em direção ao sujeito, mas foi novamente derrubado por Lerona, que dessa vez suspirou.

    Ambas a Capitã e Fernando tinham expressões levemente enojadas em seu rosto e até se arrependeram de ter dado um pequeno voto de confiança no sujeito.

    Esse cara… ele não tem jeito. pensaram, ao mesmo tempo.

    Pouco tempo depois, o velho homem parecia mais calmo. Mesmo que ainda estivesse furioso com Raul por tê-lo roubado não uma, mas duas vezes, incluindo algumas de suas posses na pousada, ele parecia ter aceitado melhor a situação e diminuído seu rancor.

    Apesar de odiar Raul, tinha que admitir que não era fácil cobrir os rastros de alguém perseguido pelas Tropas Táticas. Como um ex-membro, ele sabia bem disso. Na verdade, quando parou para pensar melhor, percebeu que nem mesmo todas suas economias seriam suficientes apenas para comprar esse tipo de segunda chance e o Capitão provavelmente estava apenas tentando irritá-lo.

    “E então, que merda você quer em Yandou?” Aldebran finalmente perguntou, com uma carranca, enquanto suspirava de resignação.

    Vendo que o assunto finalmente havia sido resolvido, Fernando e Lerona finalmente abaixaram a guarda.

    “Isso não é da sua conta velhote.” Raul respondeu, com indiferença. “Apenas consiga três quartos para nós, vai ser por menos de uma semana. E da última vez que vim aqui eu vi aquele espaço no subsolo, vou querer usá-lo também.”

    Ao ouvir que o sujeito sabia até mesmo sobre seu abrigo secreto, a expressão do homem mudou, ficando cheio de raiva, perguntando-se até onde ele havia vasculhado sua pousada da última vez que havia estado ali, já que ele havia escondido a entrada tão perfeitamente.

    Tsk! Tudo bem, você pode usar o abrigo do subsolo, mas quanto aos quartos, só tenho dois disponíveis.” falou, com alguma indiferença.

    “Dois?” Raul perguntou, surpreso. “Isso não é suficiente, chute alguém e libere o quarto para nós.”

    “Você…! Seu fodido! Acha que sou algum tipo de servo seu?! Além disso, os quartos restantes foram reservados por pessoas importantes com dias de antecedência. Se eu tentasse voltar atrás, minha cabeça rolaria! Se virem com os dois restantes!” disse, quando moveu o pulso, jogando duas chaves para ele. Em cada chave havia um chaveiro com o número do quarto. “Se é tudo que quer, suma da minha vista, tenho coisas a fazer. E… mantenha essa mulher longe de mim.” disse, olhando para Lerona, com alguma hesitação, enquanto massageava seu estômago dolorido.

    Após dizer isso, o velho de óculos escuros levantou-se e saiu, enquanto murmurava e bufava, ainda cheio de raiva.

    “Vocês ouviram ele, parece que vamos ter que dividir os quartos.” Raul disse após o sujeito sair, enquanto balançava as duas chaves na ponta do dedo, então olhou para Fernando com um leve sorriso. “Moleque, parece que você e eu vamos ser colegas de quart-”

    Antes que ele terminasse de falar, Fernando levantou-se da cadeira e pegou uma das chaves.

    “Vou dividir o quarto com a Capitã Lerona.” disse, com uma expressão calma. “Tem algum problema com isso, Capitã?”

    A mulher ruiva balançou imediatamente a cabeça, em negação.

    “Nenhum.”

    A verdade é que nenhum dos dois estava disposto a dividir um quarto com Raul, então mesmo sem combinar nada, ambos pareciam sintonizados na resposta.

    “O quê? Mas vocês são homem e mulher, não podem dividir um quarto! Vamos lá moleque, é nessa hora que os rapazes têm que se unir! Sabe, ficar juntinhos, como unha e carne!”

    Ouvindo as palavras ambíguas do homem, Fernando não pôde deixar de olhar para ele de forma estranha, sentindo alguns calafrios.

    “Eu dispenso.”

    Tsk! Tanto faz.” falou, parecendo decepcionado, então moveu o pulso, quando dois grandes sacos apareceram em sua mão, entregando um para cada um deles. “Esse é o lucro dos minérios do Sapo Bronze. Havia muito ferro e outras impurezas infundidas no meio do bronze e prata, então não demos muita sorte dessa vez.”

    Lerona e Fernando pegaram os sacos, que estavam consideravelmente pesados, quando conferiram o conteúdo. Dentro havia em torno de 500 moedas de prata. Ou seja, o minério do Sapo Bronze havia rendido 1500 moedas!

    “Isso é mais do que eu imaginei.” A mulher ruiva falou, assentindo, com um leve sorriso de satisfação, quando guardou sua parte.

    Vendo a Capitã sorrindo dessa forma, Fernando ficou um pouco surpreso, já que ela sempre era tão rígida.

    Até que ela tem um sorriso bonito. pensou, de forma sincera. Mesmo alguém como ela parecia ficar contente ao receber algum dinheiro extra.

    Porém, quando ele olhou para o saco em sua palma, não ficou muito impressionado.

    É muito pouco… pensou, sentindo que o valor não era suficiente para ser isca de sapo. Além disso, atualmente, ele possuía 151 moedas de ouro, mais 500 moedas de prata não eram uma grande diferença. Apesar disso, ainda guardou sua parte, mesmo sendo pouco, ainda era dinheiro.

    “Moleque, você e eu vamos dar uma volta e você, ruiva, organiza os quartos.” Raul disse, jogando sua chave para ela.

    Ouvindo isso, a mulher franziu a testa.

    “Você quer que eu fique aqui?”

    “Não me leve a mal, mas o lugar para onde vamos… não é muito indicado para uma senhorita como você.”

    “Não me subestime!” Lerona falou, com uma expressão fulminante.

    Raul franziu levemente a sobrancelha, quando deu de ombros.

    “Você quem sabe.”

    Algum tempo depois, após o trio cruzar por algumas vielas sujas e caminhos estreitos, cujos quais, Raul parecia estar habituado, chegaram a um prédio velho, onde dois homens grandes e fortes pareciam estar guardando a entrada.

    Assim que se aproximaram, os dois sujeitos imediatamente ficaram em alerta.

    “Quero três entradas.” Raul falou, de forma natural.

    Os dois homens logo olharam para o trio, os analisando. Eles não viram nada de errado no sujeito moreno baixinho ou no rapaz pálido, mas estranharam ao ver a mulher ruiva junto a eles. Apesar disso, não comentaram nada.

    “São 200 moedas de bronze para acesso ao térreo e 500 moedas de bronze para a área VIP para cada hora dentro do recinto.” Um dos homens explicou.

    Raul não hesitou, quando moveu o pulso, retirando 1 moeda de prata.

    “Quero entradas VIP e vamos ficar por duas horas.” falou, entregando o pagamento, então olhou para Fernando e Lerona. “O que estão esperando? Eu não vou pagar para vocês.”

    O jovem Tenente e a Capitã ruiva pareciam confusos, perguntando-se o que o sujeito queria nesse lugar estranho, mas rapidamente pagaram uma moeda de prata cada.

    Logo após receber o pagamento, o segurança entregou uma pulseira branca para cada.

    “Essas pulseiras estão carregadas com um tipo especial de mana que durará por duas horas. Quando seu tempo acabar, elas ficarão pretas e vocês devem sair. Se não saírem no tempo determinado, elas passarão a contabilizar o tempo a mais e terão que pagar a diferença para deixar o local. Acho que não preciso explicar, mas se não tiverem dinheiro nessa hora…” O sujeito disse, de forma ameaçadora, fazendo o gesto de corte no pescoço.

    “Tá, tá, anda logo.” Raul falou, com impaciência.

    Vendo isso, o segurança de trás abriu a porta e o da frente saiu do caminho, logo os três entraram.

    Assim que o trio desapareceu na entrada, um dos seguranças olhou para o outro.

    “E pensar que até uma mulher como aquela frequenta esse tipo de lugar.”

    “Bem, tem gente com todo tipo de gosto estranho. Não é algo da nossa conta.”

    Dentro do prédio, os três seguiram por um extenso corredor escuro, enquanto ouviam um som abafado de música ao longe.

    A atmosfera estranha fez Fernando se sentir apreensivo. Mesmo Lerona também parecia incomodada.

    “Que tipo de lugar é esse?” A Capitã ruiva perguntou.

    “Oh, eu não falei para vocês?” O sujeito moreno perguntou, com um largo sorriso, quando finalmente chegaram ao fim do corredor. Logo um amplo espaço se abriu, quando várias luzes fracas puderam ser vistas. Um clima estranho logo se revelou, havia homens bebendo por todos os lados, mulheres seminuas servindo bebidas e algumas dançando, tudo ao som de uma música alta, misturada a sons longínquos de gemidos suaves. “Estamos no melhor bordel de Yandou.”

    Quando essas palavras foram ditas, Fernando e Lerona se entreolharam, chocados.

    Apoie o Projeto Knight of Chaos

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (5 votos)

    Nota