Índice de Capítulo

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    De volta aos dias atuais

    “Façam valer meu tempo.”

    As palavras vindas do passado ecoaram na mente de Morgan no momento em que ele recebeu mais um dos golpes de baixa temperatura de Celsio.

    Seus Demolidores já criavam pequenas lascas de gelo ao redor de si e o ar ficava cada vez mais frio.

    — Vamos moleque! Me mostre aquilo de novo! Eu quero enfrentar aquele poder! — Celsio esbravejou enquanto golpeava com ataques firmes, fortes e gelados.

    Morgan sabia, sabia que se o antigo mestre quisesse já o teria matado incontáveis vezes. Mas ele queria ver o auge que ele poderia oferecer.

    Morgan se lembrava da luta contra Zlatan, lembrava que havia lutado de igual para igual até que o ARGUEM de Zlatan começou a desequilibrar a luta com sua magia de debuff que drenava a força de Morgan lentamente.

    Ele lembrava de Celsio assistir o combate com cara de nojo, como se estivesse decepcionado com os dois combatentes.

    Ele se lembrava de conseguir disparar pela primeira vez uma singularidade da anã azul, frutos de seu treinamento, que quase matou Zlatan em um instante.

    Ele se lembrava de ter se recusado a dar o golpe final e dizer para que o homem seguisse para o deserto com suas próprias pernas.

    Ele se lembrava de Celsio esbravejando xingamentos e palavras decepcionadas para Morgan que se recusava a executar o desafiante.

    Ele se lembrava de estar esgotado e do erro fatal de dar as costas para o adversário.

    E então ele não se lembrava de mais nada.

    Apenas de estar sentado dentro do CSR no caminho de volta para Ossuia, Celsio dirigia a seu lado com um olhar distante e reflexivo.

    Dias depois ele havia renunciado ao cargo e desaparecido de sua vida.

    O presente voltou como um choque.

    O som seco do metal rangendo sob o gelo, o ar cortante queimando os pulmões, o peso real do corpo prestes a ceder. Morgan cambaleou um passo para trás, os Demolidores raspando no chão petrificado pela queda abrupta de temperatura.

    Ele piscou.

    O deserto de lava solidificada à sua volta não era o deserto dos condenados.

    Era o agora.

    Por anos, Morgan nunca havia parado para pensar no que realmente acontecera depois daquele erro. No instante em que deu as costas para Zlatan. No momento exato em que o velho fora da lei atacara por trás.

    A explicação sempre fora simples demais.

    Celsio o matou.

    Era isso que fazia sentido. Era isso que ele aceitara. O Pilar da Força interveio. O combate acabou. O mundo seguiu em frente.

    Mas agora… algo não se encaixava.

    O frio se intensificou.

    Morgan sentiu os músculos responderem mais lento do que o normal. O gelo não o prendia, o enfraquecia. Tornava cada reação um passo atrás do que deveria ser. Exatamente como naquela luta.

    Ele respirou fundo.

    E a lembrança veio incompleta… mas diferente.

    Não havia a sensação de ser atingido.

    Não havia dor.

    Havia resistência.

    Uma defesa instintiva. Um movimento que não fora pensado, apenas executado.

    Seus punhos se fecharam por reflexo.

    Os Demolidores vibraram levemente, como se reconhecessem o pensamento que ainda não se formara por completo.

    Morgan sentiu um arrepio que não vinha da temperatura.

    Ele não se lembrava como havia se defendido.

    Não se lembrava o quê havia feito.

    Mas, pela primeira vez, a certeza começou a se romper.

    Celsio não o salvara.

    Celsio apenas… olhara.

    A lâmina azul desceu mais uma vez, e o chão à volta deles estalou, a lava antiga se transformando em pedra morta sob a queda da temperatura.

    Morgan ergueu os braços a tempo de bloquear o golpe.

    Dessa vez… não foi apenas instinto.

    Algo dentro dele respondeu.

    O impacto veio outra vez.

    A lâmina de Celsio desceu em um arco curto e pesado, e Morgan ergueu os Demolidores por reflexo. O choque fez o gelo se espalhar como estilhaços ao redor dos punhos, e a força o empurrou vários metros para trás, os pés riscando a pedra congelada.

    Ele arfou.

    O ar queimava dentro dos pulmões, frio demais para entrar, quente demais para sair. Cada respiração parecia errada.

    — Ainda não é isso! — Celsio rugiu, avançando sem dar espaço.

    Morgan tropeçou, quase caiu. O chão sob seus pés rangia, a antiga lava agora quebradiça, morta. O mundo inteiro parecia rígido demais para acompanhar o ritmo daquele combate.

    Façam valer meu tempo.

    A frase ecoou outra vez.

    Não como lembrança.

    Mas como sensação.

    O braço de Celsio veio primeiro. Depois a lâmina. Depois o frio, não o frio do gelo, mas o frio que roubava tempo, que fazia tudo chegar um instante tarde demais.

    Morgan ergueu os punhos… e parou.

    Não por escolha consciente.

    Algo dentro dele simplesmente cessou.

    O impulso de atacar.

    A ânsia de vencer.

    A necessidade de provar qualquer coisa.

    Por um segundo, ele apenas… ficou quieto.

    O golpe passou a poucos centímetros do seu rosto.

    Celsio franziu o cenho.

    — …O quê?

    Morgan sentiu.

    Não poder.

    Não força.

    Sentiu encaixe.

    Como se o mundo, pela primeira vez, estivesse se movendo na velocidade certa.

    O próximo ataque veio mais rápido, carregado de mana gélida, a lâmina vibrando com intenção real de ferir. Morgan não pensou em bloquear.

    Seu corpo se moveu.

    Um passo curto.

    Um giro mínimo do tronco.

    O Demolidor tocou a lâmina apenas o suficiente para desviá-la.

    Não houve explosão.

    Não houve choque.

    A espada de Celsio passou onde Morgan não estava mais.

    O silêncio que se seguiu foi mais pesado que qualquer impacto.

    Celsio recuou meio passo, instintivamente.

    — …De novo. — murmurou, não como ordem, mas como pedido.

    Morgan sentia o frio ainda ali. Seus dedos ainda doíam. O corpo ainda gritava.

    Mas algo tinha mudado.

    Ele se lembrou.

    Não em imagens.

    Em sensação.

    O peso atrás de si.

    O ar se movendo errado.

    O ataque vindo quando ele já havia virado as costas.

    Zlatan.

    “Eu não pensei…”

    O mundo havia desacelerado naquela fração de segundo. Não porque ele quis. Mas porque precisava.

    Morgan sentiu a mesma coisa agora.

    O ataque de Celsio veio.

    E Morgan respondeu.

    Não com força.

    Com precisão absoluta.

    O Demolidor encontrou a lâmina de lado, o impacto desviando o golpe para baixo, e o punho livre avançou em um movimento curto, comprimido e certeiro.

    A mana azul se condensou sozinha.

    Não explodiu.

    Ela colapsou no exato momento em que Celsio tentou se defender.

    Celsio foi lançado para trás como se tivesse sido empurrado por algo invisível, os pés riscando a pedra congelada até ele fincar a espada no chão para não cair.

    Silêncio.

    — Algo em você mudou, moleque. — Celsio comentou baixo. — Finalmente está começando a entender a si mesmo e a sua mana, não é?

    Sim. A resposta era sim.

    Morgan percebeu. Ele sempre tentou forçar sua mana ao máximo de poder destrutivo possível para que pudesse usar o máximo de sua força, mas isso na realidade o limitava. Ele havia começado a perceber que sua mana não era dessa natureza brutal e impulsiva.

    Ele não era Celsio.

    Ela na realidade pedia calma e paciência para que pudesse se liberar em sua verdadeira força de forma suave e fluída. Ela não podia e não aceitaria ser forçada.

    Então na mente de Morgan ele começou a se lembrar de um brilho dourado que irrompeu entre ele e Zlatan naquela luta de cinco anos atrás.

    Celsio observava. Uma aura diferente do comum começou a emanar de Morgan. Diferente de sua mana azulada de costume, uma aura amarelada começou a tomar forma. Ele já havia visto aquilo antes. Apenas uma vez. Contra Zlatan, no momento derradeiro que culminou no poder que assustou até mesmo o Pilar da Força.

    — É ISSO MOLEQUE!!! — Ele esbravejou como se estivesse em êxtase. — DESPERTE E ME ATAQUE COM TUDO QUE TEM, POIS EU FAREI O MESMO!!!

    A aura de Celsio transbordou.

    Somada à de Morgan, a pressão mágica se tornou esmagadora, forçando todos os presentes a sentirem as colunas se curvarem sob um peso invisível e descomunal.

    Dos combatentes que subiam as escadas rumo à próxima arena aos espectadores nas arquibancadas, a quilômetros dali, ninguém passou ileso àquela presença opressora.

    A voz de Sue ecoou pela cratera, tomada por pura exaltação:

    — PELOS MALDITOS QUATRO DEUSES!!! Vamos testemunhar um golpe sério de Celsio Farenheith em primeira mão!!!

    Houve uma breve pausa, antes de seu tom assumir a responsabilidade de quem entendia o perigo do que estava por vir:

    — Aqueles que não possuem nível para suportar essa pressão mágica, retirem-se imediatamente pelos elevadores de emergência. Náuseas, desmaios e colapsos são esperados.

    Ainda assim, ninguém desviou o olhar.

    Mesmo com o corpo protestando, todos permaneceram fixos no embate que prometia se decidir no próximo movimento.

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