Capítulo 27: O Eco Que Rasga Dimensões
‼️AVISO‼️
O capítulo 27, O Eco Que Rasga Dimensões, anteriormente planejado para 19/01/26, será publicado hoje, 18/01/26, pois infelizmente tive problemas com meu celular. Como ele vai para o concerto na segunda-feira, estou enviando o capítulo adiantado.
Alguns minutos antes do golpe decisivo de Sethros...
(Final do capítulo 23: Chuva de Cinzas)
Após serem lançadas violentamente ao térreo, Zara e Arin suportaram um impacto de proporções catastróficas. A colisão abriu uma cratera colossal ao redor do Esqueletão, reduziu edifícios a ruínas e provocou um abalo sísmico sentido por grande parte do estado.
Os destroços do prédio foram arremessados para longe pela onda de choque, enquanto fachadas inteiras se desfaziam sob a pressão liberada.
Enquanto cinzas caíam como neve sobre o cenário devastado, uma figura encapuzada caminhava entre os escombros, cada passo fazendo o chão ceder sob uma força instável e opressora.
Do capuz violeta escapavam fios de cabelo tão negros quanto a noite, e olhos roxos que brilhavam intensamente sob a luz da lua.
Zara e Arin permaneciam de pé, mesmo sob a brutal pressão gravitacional, que aos poucos começava a ceder. Com o ar se estabilizando e os corpos aliviados, a zona de destruição revelava um campo aberto, iluminado pelo luar.
E ali, no silêncio tenso que precede o caos…
A tempestade se anunciava.
A menina encapuzada caminhava calmamente em direção às duas mulheres.
Seus passos rompiam o chão e esmagavam as ruínas ao redor, era como se, sob o belo manto lilás, aquela garota possuísse uma força imensurável.
As cicatrizes no solo, deixadas em cada pegada sua, confirmavam isso.
Ao se aproximar das Vigilantes, a garota parou. Ficou completamente imóvel. Não por temê-las, mas por aguardá-las, como uma máquina que espera uma ação para, enfim, reagir.
Arin e Zara, finalmente livres da pressão gravitacional que quase as esmagara segundos antes, trocaram um olhar rápido, ainda em silêncio.
— Haaah… mais um segundo naquela pressão, e minha irmãzinha idosa aqui teria câimbra nas costas. — disse Arin, quebrando o silêncio enquanto apontava para a irmã ao lado.
— Q-que?! Idosa?! — retrucou Zara, lançando um olhar furioso. — Nós temos a mesma idade, Arin!
— Não, não. Tu nasceu antes de mim. — continuou Arin, debochada.
— Foram só alguns minutos! — gritou Zara, ainda mais furiosa.
— Viu? Até tá mudando de assunto.
— Mudando de assunto!? — suspirou Zara, levando a mão ao rosto. — Aaah, deixa pra lá. Depois nós resolvemos isso.
— Claro, claro… — murmurou Arin, fazendo bico. — Então vamos acabar logo com isso!
Em um único gesto, Arin levou suas mãos juntas a frente de seu corpo, e, em um instante, seu poder: “Atmosphera” se ativou.
Nuvens cinzas desceram ao chão como uma cortina viva, preenchendo centenas de metros ao redor, mergulhando o cenário todo em uma neblina densa.
★ Atmosphera
(Elemento Natural)
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› Atmosphera permite o controle preciso da pressão e das camadas atmosféricas ao redor do usuário. Pode gerar barreiras de ar comprimido, zonas hiperdensas, redemoinhos, vácuos localizados e ataques invisíveis de ar condensado. Versátil e técnico, o poder é ideal para ofensiva, defesa e manipulação do campo de batalha. ‹
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Mesmo cercada pela névoa, a garota de olhos roxos permaneceu imóvel, sem demonstrar qualquer expressão ou emoção.
Seus olhos varriam lentamente os arredores, mas sem demonstrar qualquer emoção ou vontade.
Então, de repente, uma silhueta surgiu diante dela.
Não… não era apenas uma. Milhares de sombras começaram a tomar forma dentro da neblina, perfeitamente organizadas, formando um círculo completo ao redor da menina.
Eram como ilusões de ótica, quanto mais se olhava, mais tomavam forma.
Então, de uma dessas supostas sombras, uma massa de ar comprimido disparou em alta potencia, atingindo em cheio o rosto da garota de manto lilás.
Ela cambaleou ao receber o choque, mas, em um piscar de olhos, já estava firme outra vez, com a mesma posição e expressão robótica.
Após isso, diversos outros golpes vieram, um atrás do outro. Acertavam em cheio no abdômen, no ombro, nas pernas. Mas a menina, mesmo tropeçando levemente, não caía ou reagia a nada.
— “Por que ela não está reagindo a nenhum dos ataques?!” — pensou Zara, observando pela visão de uma das ilusões de Mirageon. — “A Arin usou a Atmosphera para gerar a neblina, eu projetei as silhuetas com Mirageon para camuflar os ataques de ar condensado dela, mas essa garota está recebendo todos sem ao menos se mover… não é como se ela não conseguisse reagir aos golpes, é mais como se ela estivesse esperando algum comando. O Kael disse que o nosso objetivo aqui é tentar nocauteá-la com a menor quantidade de danos possíveis, então se continuar assim, vai ser bem vantajoso para nós!”
— Zara! — a voz de Arin ecoou pela neblina. — Presta atenção na mão dela!
Uma pequena esfera roxa se formava na mão da garota encapuzada. Seu tamanho era menor que uma bolinha de gude, mas emanava uma pressão absurdamente forte.
A menina, ignorando os ataques, ergueu o braço em câmera lenta. Um gesto tão pequeno e delicado quanto o passo de uma dança, e, ainda assim, o suficiente para mudar tudo.
A esfera roxa começou a girar de pouco em pouco.
E, em um instante, a neblina inteira foi sugada violentamente em sua direção. Correntes de vento rodavam ao redor dela como anéis.
Tudo dentro de quinhentos mestros era puxado com força. Pedaços de concreto, aço, até partes do chão começaram a subir como micro fragmentos de um planeta que estava se despedaçando.
— Aquilo… é um buraco-negro?! — gritou Zara, os olhos arregalados.
A própria luz da lua estava sendo sugada para dentro daquela pequena esfera, completamente distorcida frente aquele
•♦• Horizonte Sintético
[Manipulação de Fe (EA) + manipulação de Massa (Fis)]
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› Horizonte Sintético é uma técnica capaz de criar uma singularidade gravitacional artificial a partir de um núcleo hiperdenso, gerando um horizonte de atração com força equivalente à de um buraco negro. Tudo ao seu redor é violentamente puxado para o centro, incluindo matéria e energia. Diferente de um buraco negro real, ele existe apenas enquanto é sustentado pela usuária. Extremamente poderoso e instável, sendo uma síntese externa perigosa até mesmo para o usuário. ‹
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As irmãs começaram a ser puxadas com brutalidade, e o chão sob seus pés passou a ceder e se fragmentar.
— IRMÃ, CUIDADO! — gritou Arin, condensando camadas atmosféricas em rotação oposta na tentativa de gerar uma força contrária. — Atmosphera!
Em um movimento pesado, ela apontou o braço em direção a Zara, criando uma parede espessa de ar hiperdenso à frente da irmã, uma barreira moldada pela manipulação da pressão atmosférica.
Zara colidiu com força contra a parede, se firmando sobre ela.
— “Droga! Mesmo com a Arin usando a barreira de ar, eu duvido que ela consiga me sustentar por muito mais tempo… isso parece estar ficando cada vez mais forte!” — pensou Zara, sentindo a pressão absurda aumentar. — “Talvez… o Mirageon seja a melhor opção agora!”
Zara ergueu seus olhos com esforço, lutando contra a força que puxava tudo ali. Seu olhar agora brilhando em um ciano intenso.
— MIRAGEON: Cisão Mental! — gritou ela, olhando diretamente nos fundos dos olhos da garota.
A esfera gravitacional tremeu no mesmo instante.
— “ Irmã… — murmurou Arin, com o rosto surpreso. — “O Mirageon básico já é um dos poderes psíquicos mais poderosos e versáteis catalogados entre os Kaelums…”
Ela observava Zara, ofegante, mas determinada, encarando fixamente a oponente.
— “Mas o que ela acabou de usar agora… é uma variação que levou anos para ela conseguir dominar. A Cisão Mental.”
Por um breve momento, o roxo nos olhos da garota foi engolido por um brilho ciano, espelhando o olhar de Zara.
— “Ela cria múltiplas realidades na mente do inimigo. Cada ataque que deveria atingi-la acontece em outro plano, outra realidade. Nosso mundo permanece intocado quando esse poder é ativado. Parece uma defesa perfeita… e, por um tempo, ela realmente é.”
Os braços de Arin começaram a tremer enquanto ela se forçava a manter sua barreira de ar hiperdensa.
— “Mas o corpo da usuária não sai ileso. Ele sente o peso de todas essas realidades simultâneas, e isso causa uma sobrecarga mental absurda. A própria Zara só consegue manter essa habilidade ativa por aproximadamente um minuto e acaba desmaiando ao final desse tempo. Então, no exato momento em que ela ativar…”
Ela fechou os punhos.
— “… eu e a Zara vamos ter que nocauteá-la dentro desse tempo.”
★ Mirageon (Psíquico)
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› Mirageon é um poder psíquico de ilusão extremamente avançado, capaz de alterar a percepção da realidade de diversas formas. Seu uso permite confundir sentidos, simular cenários e até distorcer ataques. Entre suas variações está a Cisão Mental, que cria múltiplas realidades dentro da mente do alvo, desviando ataques físicos e energéticos para planos ilusórios. Contudo, essa técnica gera uma sobrecarga mental severa no usuário, que consegue se mover livremente enquanto a habilidade permanece ativa, mas desmaia após sua desativação. ‹
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Após alguns breves segundos, a visão de Zara escureceu subitamente, como se sua consciência tivesse sido arrancada de seu corpo.
Quando seus olhos finalmente se reabriram, ela já não se encontrava mais no palco da luta anterior, entre as ruínas do esqueletão.
Sob seus pés, havia um solo rochoso e irregular, marcado por rachaduras profundas e poças escuras.
O ar era denso, impregnado pelo cheiro de sangue fresco.
Zara ergueu seu olhar, confusa, sem entender onde estava.
Ao redor dela, uma cena saía diretamente do mais assustador pesadelo…
Milhares de pessoas dançavam a sua volta. Mas não era uma celebração, era um massacre coreografado.
Corpos se moviam em ritmos coordenados, mas grotescos. Havia sangue escorrendo pelas pernas dos dançarinos, alguns com braços quebrados, outros com colunas e ossos expostos.
Mesmo assim… dançavam sem pausa, com os rostos forçando sorrisos largos e dissimulados.
Ao chão, milhões de corpos serviam de palco para a apresentação macabra. Alguns já estavam mortos, outros ainda vivos, contorcendo-se em agonia, acorrentados a sorrisos perturbadores.
Ossos estalavam em sequência. Gargantas eram esmagadas sob passos ordenados.
Era uma dança sem fim, uma coreografia de dor eterna.
— “Onde… onde eu tô?! Esse é… o Reino Mental da garota!? Mas por que a Cisão Mental me trouxe pra cá?! Isso não faz sentido nenhum!” — pensou Zara, o pavor subindo pela garganta.
Foi então que uma voz sussurrou.
Baixa e calma. Mas tão presente que se sobrepunha à música, aos gritos e à selvageria ao redor. Como se fosse uma voz acima da própria realidade.
— Que poderzinho… interessante.
Zara girou rapidamente, ofegante.
— Q-quem é você!? — gritou, tentando encontrar a origem. — E como eu vim parar aqui?!
O sussurro voltou, agora mais próximo, como se a voz viesse de dentro dela.
— Eu te trouxe. E, honestamente… realmente importa quem eu sou? Só digo que não sou a mesma menina com quem você estava lutando mais cedo… — cada palavra entoada por aquela doce voz feminina soava como uma ordem divina. — Senti algo curioso no seu poder… achei que fosse um velho “amigo” meu… mas me enganei.
— E o teu poder em si também não é nada de mais. Ainda assim, até que é interessante… para um mero humano.
Zara cambaleou. Seu corpo tremia sem parar, e a cabeça vibrava incessantemente.
Mesmo sem ver quem falava, algo primal dentro dela, mais antigo que a própria razão, sabia. Seja lá o que era aquilo… não era um simples humano normal.
Aquilo não deveria existir.
Não ali.
Era como encarar o vazio por trás da realidade…
Era como ver de perto o berço de toda criação.
— “O que é isso…? Eu… eu vou morrer? Só de ouvir essa voz parece que meu corpo tá se quebrando… eu… EU PRECISO FUGIR!!!” — pensou, completamente aterrorizada.
Por fim, outro sussurro ecoou em Zara…
Era como se o próprio sangue dela decretasse sua sentença.
— Não acha que já deu tua hora de desaparecer, humana estúpida?
Não foi um pedido.
Nem mesmo uma ameaça.
Foi uma ordem.
O mais absoluto… Decreto.
Os dançarinos ao redor pararam. Todos ao mesmo tempo.
Os corpos quebrados e ensanguentados se viraram lentamente em sua direção.
Os olhos vazios… escorriam sangue.
As bocas esboçavam sorrisos de dor.
Todos sorriam… com prazer na dor de seus semelhantes.
O silêncio dominou o ambiente por um instante, tão presente quanto o mais belo e cruel grito de dor.
E então, como se o mundo inteiro se unisse em um único veredito contra a pobre mulher impotente, a multidão gritou com uma só voz…
— D E S A P A R E Ç A❗
A palavra explodiu em Zara como um decreto absoluto.
E, no mesmo instante, ela caiu. Sua existência foi sugada por um abismo sem fim, como se tivesse sido rejeitada pela própria voz da realidade.
A luz sumiu.
O som sumiu.
O ser sumiu.
Sua visão… se apagou completamente.
Do lado de fora do Reino Mental, Arin sentiu antes mesmo de entender.
Uma pressão… diferente, completamente diferente da gravidade feita pela menina de olhos roxos.
Era como se… o mundo parasse de respirar.
Era como se suas próprias regras fossem deixadas de lado naquele curto e ínfimo momento.
Era como se… a morte falasse.
Junto disso, a força que puxava as duas em direção ao Horizonte Sintético enfraqueceu por uma fração de milésimos. E isso… foi mais do que o bastante para sua intuição gritar.
Seus olhos, assustados pelo sentimento, se voltaram rapidamente para a pequena esfera.
E o que viria momentos depois a faria arregalar os olhos.
O pequeno vórtex gravitacional tremia sem parar, instável, como se fosse se quebrar em pedaços.
Mesmo com o pressentimento ruim, o que viu a tranquilizou, afinal… os olhos são facilmente manipuláveis.
— “Ela conseguiu…?”
O pensamento mal se formou e Arin já desfazia a barreira de ar hiperdenso que sustentava à frente de Zara.
Seu corpo inteiro relaxou no mesmo momento, um pequeno suspiro de alívio escapou.
— Hah… Zara, sua teimosa… você fez mesmo…
Mas quando olhou para a irmã… algo dentro dela congelou.
Dos olhos e da boca de Zara, escorriam diversos fios de sangue, lentos, contínuos, como se sua própria alma estivesse escorrendo.
Seus olhos tão negros quanto a noite, antes vivos e cintilantes em ciano graças a seu poder, agora pareciam mortos, sem cor… vazios.
Como faróis apagados em meio à tempestade.
Então, os joelhos de Zara, cederam. Como se seus ossos tivessem desaparecido de dentro dela.
Seus braços caíram, pesados, imóveis.
E ela tombou de lado, sem força alguma para contrariar a gravidade.
Como uma árvore antiga, arrancada pela raiz…
…e lançada ao esquecimento.
— Q-quê…? — murmurou Arin, um sussurro trêmulo escapando fracamente de seus lábios. — Não, não, não…
Ela deu um passo em direção à irmã, o coração acelerado, os olhos tremendo.
— Zara?! Ei, ZARA! Fala comigo!
Mas o corpo da irmã permanecia imóvel no chão.
Foi então que Arin sentiu, de novo, uma pressão intensa.
Virou-se e viu a pequena esfera roxa na mão da menina.
Girando novamente.
Maior.
Mais brilhante.
E mais perigosa…
— Não…
O vórtex surgiu como uma peça revirada do avesso no tabuleiro.
E, com ele, tudo ao redor voltou a ser puxado com ainda mais força.
Destroços. A terra. O ar.
E o corpo de Zara.
— Não… P-por favor… Não… — repetiu Arin, como um disco quebrado.
— NÃO! — soltou um grito tão forte que a voz saiu rasgando sua garganta. — Z-ZARA!!!
#087#
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FRAGMENTO HISTÓRICO 10:
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⟬ ARQUIVO DE ESTÁGIO 2 — Nº 200 ⟭
Diário pessoal — Teoria
Autor: Marek Aurellum — Ano XL após a morte de Cristo.
(Documento confidencial. Extraído dos registros centrais da OPKM.)
Originalmente compilado por Marek Aurellum no quadragésimo ano após a morte de Cristo, como parte da obra “Crônica de Um Poder que Não Compreendo”.
Arquivo perdido de Marek Aurellum.
Teoria própria da OPKM.
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TEORIA DO REINO MENTAL DE MAREK AURELLUM:
Arquivo perdido…
Arquivo feito pela OPKM sem base nos dados do “Crônica de Um Poder que Não Compreendo”, Estágio 2 — Nº 200.
Teoria Oficial da OPKM — Regnum Mentis
(Reino Mental)
Aquilo que veio a ser informalmente denominado Reino Mental constitui, sem dúvidas, o maior e mais obscuro mistério já associado aos poderes Kaelums.
Registros históricos indicam que uma teoria preliminar sobre esse fenômeno teria sido formulada por Marek Aurellum, em algum ponto dos anos XL após a morte de Cristo.
Todavia, nenhum fragmento verificável de sua pesquisa sobreviveu ao tempo. Não se sabe com precisão quais eram suas conclusões, métodos ou mesmo até que ponto seu entendimento se aproximava da realidade do fenômeno. Assim, qualquer reconstrução direta de sua teoria é, por definição, impossível.
Apesar disso, a existência do Reino Mental deixou de ser considerada mera hipótese a partir de um evento singular ocorrido em 17 de julho de 2012, na região do Amazonas.
Na ocasião, Daltro Kaede tornou-se o único Kaelum, até o presente momento, com confirmação empírica de ter adentrado esse reino ilusório.
A descrição fornecida por Daltro Kaede após o evento permitiu à OPKM estabelecer uma compreensão funcional mínima do fenômeno, ainda que desprovida de base experimental contínua.
Segundo seu relato, o Reino Mental não se manifesta como um local físico, tampouco como uma simples construção imaginativa comum. Trata-se, antes, de um espaço interno estruturado a partir da totalidade do indivíduo Kaelum, incluindo seus poderes, vivências, memórias, emoções e estado mental.
Tal conclusão deriva do fato de que o ambiente descrito por Daltro apresentava correspondência direta com seus atributos Kaelums conhecidos, bem como com eventos significativos de sua história pessoal. O Reino Mental, portanto, aparenta refletir e reorganizar esses elementos de forma integrada, ainda que por mecanismos desconhecidos.
Deve-se ressaltar que Daltro Kaede atingiu tal estágio apenas uma única vez. Em razão disso, as informações disponíveis permanecem extremamente limitadas e não replicáveis. Ainda assim, os efeitos observados após o evento são inegáveis. Seu poder elevou-se a patamares jamais registrados anteriormente, culminando no maior nível de domínio do Corpo Kaelum já documentado, incluindo velocidade de inércia zero e do poder Kaelum em estado bruto.
Segundo as próprias palavras de Daltro Kaede, a experiência foi acompanhada por um aumento abrupto e exponencial de compreensão sobre seu próprio corpo. Ele descreveu a sensação como se, em um único instante, passasse a compreender cada célula e cada molécula de si mesmo de forma total, abrindo caminho para uma evolução acelerada, sem limites aparentes ou imediatamente perceptíveis.
Até o presente momento, isso constitui a totalidade dos registros confiáveis acerca do Reino Mental. Não se sabe o que provoca seu surgimento, quais critérios permitem que um Kaelum o adentre, quais são seus efeitos colaterais a longo prazo, nem, em última instância, o que ele realmente é.
Tudo o que resta são vestígios históricos, um único testemunho moderno e a certeza de que, quando o Reino Mental se manifesta, o Kaelum deixa de apenas possuir poder, e passa a entender algo fundamental sobre sua própria existência.
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⟬ FIM DO FRAGMENTO ⟭
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