Índice de Capítulo

    Estou revisando, refazendo e remodelando todos os capítulos iniciais de “O que eu deixei para trás?”. Então, já peço desculpas caso vocês percebam uma mudança drástica de qualidade entre os primeiros capítulos e os que virão em seguida.

    Quero trazer a melhor versão possível da obra para o Volume 1 físico, que sairá em breve. Por isso, vou tentar concluir toda essa melhoria o quanto antes e peço a compreensão e paciência de vocês durante esse processo.

    Muito obrigado pelo apoio de sempre. Vocês são o que me motiva a continuar escrevendo todos os dias!

    A noite se alongava em silêncio, envolta por um frio cortante. Luzes distantes tremeluziam ao longe, refletindo no asfalto molhado e nas janelas fechadas das casas.

    “Quem era aquele sujeito de agora a pouco? Pela forma como falou, parecia me conhecer há muito tempo…”

    Os pensamentos de Louie não cessavam. Uma verdadeira tempestade de incertezas o arrasava, impedindo qualquer respiro de tranquilidade.

    Acima de tudo, porém, aquela maldita sensação persistia. As ruas continuavam vazias e sombrias, ainda assim, algo estava fora do lugar. Como se estivesse sendo constantemente observado.

    Analisou brevemente ambos os lados, as pupilas varrendo cada canto da estrada deserta. O vento gelado batia em seu rosto, arrepiando os fios de cabelo preto e fazendo dançar as mechas esbranquiçadas.

    Lá no fundo do peito, as dúvidas só aumentavam a cada segundo.

    — Aaaah, tô ficando louco! — resmungou, fitando o céu noturno. — …o que será que a mãe fez pra janta?

    Sua voz ecoou pelo vazio, solitária. Mas não por muito tempo. Cortando a quietude, o som de um carro surgiu ao longe, vibrando pela avenida e ficando cada vez mais próximo.

    O garoto virou rapidamente o pescoço, tentando rastrear a origem do barulho repentino. Quando percebeu, os faróis explodiam contra seu rosto, cegando-o por um instante.

    — Que cara maluco. Mesmo com tão pouco movimento, andar a essa velocidade… — murmurou, erguendo o braço para proteger a visão.

    Mas havia algo errado. O veículo não acelerava pela via.

    “Espera, a direção…” — quando enfim notou, já era tarde demais. — “M-m-merda!”

    Assim, movido pelo mais puro instinto, deu um passo para trás e então correu.

    Seu estômago se revirava a cada batida dos pés contra o chão. O medo e o desespero cresciam junto com as sombras, engolindo qualquer tentativa de entendimento.

    “T-tá rápido demais! Não ão vai dar tempo de desv—”

    O automóvel o atravessou em um instante, cortando seu pensamento. Ou assim pareceu. Logo depois, freou bruscamente à sua frente; o som dos pneus rasgou a penumbra ao redor.

    As portas se abriram quase ao mesmo tempo, e quatro homens desceram do carro. Todos vestiam mantos escuros.

    O jeito como o encaravam era frio, vazio. Para os encapuzados, o garoto não passava de um objeto.

    Ele percebeu na mesma hora. Havia algo estranho naqueles sujeitos. E a última coisa que fariam ali era um bate-papo amigável.

    — Avancem! Peguem-no com vida! — gritou um, apontando diretamente para o menino. — Não deixem que escape!

    Seu coração quase saltou pela boca. Não havia tempo para pensar. Girou nos calcanhares e disparou rua abaixo, tomado pelo medo.

    “Por que eles estão correndo atrás de mim!?”

    A expressão denunciava tudo de uma vez: pavor, confusão e desespero. Porém, em meio ao caos da própria mente, algo despertava dentro dele. Seu sangue borbulhava, prestes a romper a pele e escapar pelos poros.

    Os passos em seu encalço vinham rápidos, firmes e precisos, determinados a alcançá-lo.

    Mesmo sem entender a situação, uma certeza se formava. Se não reagisse, seria alcançado naquele instante.

    Logo atrás, um homem magro, porém veloz, diminuía a distância. A mão estendida já quase tocava sua blusa.

    Foi então que sentiu: a ansiedade apertando o peito, as células vibrando, o coração pulsando com força. Naquele breve lapso, pareceu compreender tudo, mesmo sem saber nada.

    — Por favor… funciona! — gritou, girando de forma abrupta e estendendo as mãos para a frente, como se empurrasse o próprio ar em meio a sua trajetória.

    O calor subiu pelos braços, vazando em faíscas dispersas.

    ZZRRRRAAAAAAAACK!!

    Um raio azul disparou de seus dedos, rasgando o ar e inundando a rua com um clarão intenso.

    A descarga atingiu em cheio o homem mais próximo, arremessando-o para trás como se não pesasse nada. O corpo bateu contra o chão com violência, ecoando alto pelo asfalto.

    Seu corpo congelou.

    “O-o que foi isso?”

    O peito subia e descia em respirações inconsistentes. Seus olhos permaneciam arregalados, presos à cena à sua frente.

    Baixou lentamente a mão trêmula, como se temesse que o poder pudesse escapar outra vez. Mas a surpresa não durou muito. Quase no mesmo segundo, o homem voltou a se erguer.

    Nenhum grunhido. Nenhum sinal de dor. Seus movimentos eram estáveis, como se o impacto não tivesse passado de um tropeço trivial. Apenas deu um leve tapa na própria roupa, livrando-se da poeira.

    Um estalo ecoou quando ele inclinou o pescoço de um lado para o outro.

    — Tsc… — avançou um passo, a expressão fria fixa na presa. — Por que não desiste logo?

    O garoto se manteve paralisado, tentando entender o que tinha feito. No entanto, a dúvida dele não significava nada para o segundo homem, que investiu com brutalidade.

    Era grande e musculoso. Mesmo sob a sombra do capuz, seus olhos escuros brilhavam. À medida que se aproximava, o corpo começou a mudar. A pele reluziu em um tom de esmeralda, enquanto os músculos cresciam descontroladamente, expandindo-se até forçar o tecido ao limite.

    O pano não resistiu. Rasgou-se sob a pressão, revelando uma monstruosidade que avançava, já desprovida de qualquer humanidade.

    Louie recuou um passo, engolindo em seco.

    — Isso… q-que porra é isso?!

    O capanga não hesitou. Em um único movimento, lançou um soco direto contra o tórax do jovem, arrancando-o do chão.

    O mundo girou ao redor do garoto.

    “Não…consigo…respirar…”

    Seu corpo foi arremessado por dezenas de metros, até colidir violentamente contra a parede de um prédio antigo.

    O impacto reverberou por inteiro, e a dor veio imediata. Sua respiração falhou, engasgada pelo sangue que escapava de sua boca e narinas.

    Fortaleza Física (fisico)

    Fortaleza Física (poder do tipo físico): A “Fortaleza Física” é um poder de aumento extremo da força física. O usuário pode aumentar a sua musculatura de maneira ilimitada, permitindo-lhe realizar feitos sobre-humanos, como destruir estruturas, levantar objetos pesados e esmagar inimigos com facilidade. No entanto, a habilidade exige controle, pois o uso excessivo da força pode prejudicar o próprio corpo.

    — Que… merda. — sussurrou, apoiando-se nos pedaços de concreto ao redor enquanto tentava se levantar. — Droga! Minha visão tá embaçada…

    À sua frente, o homem avançava novamente, cortando a distância em milésimos.

    “Entendi, ele está vindo de novo. Então, é assim que eu vou acabar? É uma pena. Tinha tanta coisa que eu queria fazer…”

    As lembranças vieram de repente, atropelando seus pensamentos.

    Nina, sempre elétrica, puxando seu braço de um lado para o outro durante o passeio no zoológico. Emi, que, em vez de salvá-lo da irmãzinha maluca, apenas ria da situação.

    Respirou fundo, em lamento.

    “Como será que elas estão agora? Aposto que a mãe fez alguma coisa boa e devem estar me esperando pro jantar.”

    Uma risada fraca escapou de seus lábios, enquanto o punho do gigante se aproximava cada vez mais.

    “Acho que… não vou conseguir chegar a tempo hoje, mãe.”

    E então—

    KABOOOM!!

    A explosão engoliu tudo ao redor.

    O impacto rasgou o ar, varrendo a rua com violência. O chão cedeu, abrindo uma pequena cratera enquanto poeira, destroços e a onda de choque se espalhava para todas as direções.

    “…?”

    Por um instante, a ausência de som dominou. Existindo apenas um vazio estranho.

    “Eu… ainda estou vivo?”

    Os olhos se abriram devagar, pesados, como se o próprio corpo estranhasse conseguir se mover.

    Fragmentos de concreto flutuavam antes de cair. Poeira pairava no ar. Faíscas azuladas dançavam ao redor dele, estalando suavemente.

    Até que, enfim, ele viu.

    A sua volta, uma camada translúcida o envolvia, pulsando em um batidas ordenadas, como as de um coração.

    “O que é isso?”

    Ele ergueu levemente a mão, hesitante, observando a barreira ondular junto com o movimento.

    “Isso…?”

    A alguns metros dali, o grandalhão era lançado para trás como se tivesse colidido contra uma parede invisível, atravessando o ar antes de se chocar contra um edifício. A estrutura cedeu no impacto, abrindo uma cratera na fachada e espalhando destroços pela rua.

    Louie arregalou os olhos.

    “…fui eu?”

    Seu olho esquerdo brilhava. Era como encarar o centro de uma tempestade furiosa.

    Já o direito, vermelho como o inferno, havia sido reduzido a um mero globo ocular.

    Ali estava ele, parado. Respiração acelerada, mente em disparada, os pulmões inflando e esvaziando o ar de forma irregular.

    O escudo que o protegeu começava a desaparecer, fragmentando-se em moléculas tão pequenas que se tornavam invisíveis a olho nu. Ainda assim, deixava para trás a confirmação definitiva de que o garoto precisava: ele podia sobreviver. Ele conseguia lutar.

    Os danos causados no choque entre ele e o brutamontes foram tão grandes que até os outros encapuzados pararam por um instante, encarando o menino sem saber se avançavam ou recuavam.

    Porém, o soar de uma voz mudou tudo.

    O líder deles, um sujeito de cabelo curto e espetado, olhos verdes como esmeralda e um terno tão chamativo que parecia saído de uma festa de gala, deu um passo à frente e, com um gesto simples da mão, ordenou como um maestro de ópera:

    — Sejam elegantes e avancem. Capturem-no, custe o que custar!

    Foi o suficiente para os outros se moverem novamente, preparando a próxima investida.

    Só que, antes mesmo de qualquer um dar o segundo passo, alguém apareceu.

    Sem o menor som ou alarde, mas com uma presença tão pesada que todos congelaram no lugar. O ar ficou denso, sufocante.

    Tudo por causa de um único homem de meia-idade, que caminhava com tranquilidade entre os capangas imóveis e os destroços do confronto.

    Assobiava baixo, em um ritmo estranhamente lento.

    — fiu, fiu-fiufiu, fiu…

    O som ecoava no fundo do peito de todos os presentes, penetrante como uma lança, paralisante como veneno.

    Seus cabelos grisalhos refletiam a luz pálida da lua. Seu olhar castanho, firme, por vezes cintilava em um dourado reluzente, como ouro. Em sua expressão séria não havia o menor traço de medo. Apenas a confiança de anos de experiência carregados nas costas.

    O assobio continuou mesmo enquanto ele observava atentamente a cena.

    Então, com um movimento leve como o vento, estendeu a mão em direção a Louie.

    Então—

    VUUUM.

    A energia púrpura tomou forma, e uma parede psíquica surgiu entre o jovem e os encapuzados. Sua simples ativação os fez recuar inconscientemente.

    Defesa Mental (psíquico)

    “Defesa mental” permite que o usuário crie uma barreira psíquica que defende contra ataques físicos e mentais. A barreira pode bloquear golpes e até mesmo impedir que informações sejam lidas ou manipuladas mentalmente. A intensidade do campo depende do foco e da concentração do usuário, mas ele é limitado pela energia mental do portador.

    Louie olhou em volta, atordoado, sem entender de onde havia surgido aquela barreira estranha. Sua visão percorreu o ambiente com cuidado até, enfim, encontrar o homem, que agora se aproximava ao seu lado.

    — Você… você é o mesmo cara de antes! Aquele estranho de alguns minutos atrás! — indagou Louie, lembrando-se do que havia acontecido.

    O sujeito de cabelos grisalhos lançou um olhar calmo, quase indiferente, em direção ao garoto. As veias em sua testa saltaram levemente.

    — Primeiro “bombando”, agora “estranho”? Tsc. Deixa pra lá. — resmungou, soltando um suspiro cansado. — Sabe o tempo que tu pediu pra pensar?

    — Sim.

    — Não vai rolar. Vai ter que me acompanhar agora, se quiser sobreviver.

    Louie ainda estava cheio de dúvidas, o corpo tenso e a mente a mil, mas naquele momento, ao olhar em volta, só havia uma certeza: não existia outra escolha.

    Sem pensar demais, ele assentiu com a cabeça e correu atrás do homem, entrando com ele em um dos becos estreitos de Porto Alegre.

    O som dos passos atrás deles e dos motores ao longe foi ficando cada vez mais distante.

    “Que estranho. Depois que esse cara chegou, os outros desistiram de nos seguir. Será por… medo?”

    Mantinha a atenção fixa no sujeito à frente.

    “Quem é esse cara, afinal?”

    Assim, seguiram por diversas ruas e avenidas até que, enfim, o homem de cabelos grisalhos parou diante de uma porta de metal escondida sob uma construção velha, esquecida no meio da cidade.

    Com uma mão firme, girou a maçaneta enferrujada, que se abriu com um rangido baixo, revelando um túnel escuro à frente.

    — Vamos. — disse, sem desviar o olhar do caminho por onde vieram. — Por agora, é o lugar mais seguro para onde posso te levar.

    Louie engoliu seco. O coração disparava no peito, a respiração saía pesada.

    Ainda assim, entrou.

    A passagem subterrânea era estreita, abafada e tomada pelo cheiro de umidade misturado à ferrugem. As paredes de pedra eram cortadas por tubulações antigas e fios expostos que desapareciam na escuridão.

    Cada passo ressoava pelo corredor apertado.

    “Onde esse cara tá me levando…? Bom, querendo ou não, ele me salvou. Então acho que posso confiar nele.”

    Seu corpo finalmente começou a relaxar.

    “De alguma forma, pelo menos a dor passou. Nem sei como saí inteiro depois de um soco daquele bicho…”

    Depois de vários minutos caminhando, o homem parou diante de uma parede enferrujada no fim do túnel. Sem dizer nada, colocou a mão sobre uma pequena alavanca escondida entre os canos e a forçou para baixo.

    CLANK!

    Um estalo seco ecoou pelo corredor, seguido pelo som travado de engrenagens antigas voltando a funcionar. A superfície começou a se mover suavemente para o lado, espalhando poeira pelo ar e revelando uma plataforma escondida logo atrás.

    O garoto arregalou os olhos.

    — Q-que lugar é esse?!

    O homem coçou a nuca com calma.

    — Uma passagem secreta abandonada há algumas décadas.

    — E leva pra onde?

    — Você verá logo.

    Ao atravessarem a entrada, uma sala com iluminação fraca se revelou. Placas antigas estavam espalhadas.

    E, ao fundo de tudo aquilo, parado sobre trilhos magnéticos desgastados pelo tempo, havia um pequeno trem mecânico.

    A pintura estava descascada, partes da estrutura acumulavam crostas grossas de sujeira e uma das luzes frontais piscava sem parar.

    Louie ficou alguns segundos imóvel.

    “Isso não parece nem um pouco seguro…”

    O homem, sem qualquer delicadeza, abriu a porta do vagão, arrancando um rangido alto da velha estrutura.

    — Entra.

    O garoto olhou para o trem outra vez.

    — Isso ainda funciona?

    — Funciona.

    — Tem certeza?

    — Só entra logo.

    Após se sentarem, o homem apertou um botão ao lado da entrada.

    Nada aconteceu.

    Um silêncio constrangedor tomou conta do lugar.

    Então, ele apertou outra vez.

    Novamente, nada.

    Louie começou a encará-lo.

    — Funciona mesmo, né? — alfinetou, soltando um riso curto.

    Ferido pela provocação, o homem estreitou os olhos para o painel por alguns segundos e, sem aviso, deu um tapa forte na frente do veículo.

    O trem inteiro tremeu.

    Desestabilizado pelo impacto repentino, o menino levou os braços à frente do rosto.

    — O-o que tu tá fazendo?!

    Momentos depois, as luzes piscaram violentamente e o motor tossiu uma fumaça escura antes de finalmente despertar.

    — Hã? — Louie fitou o painel agora aceso.

    — Viu? — disse, com um sorriso vitorioso no rosto. — Eu falei que funcionava, não falei?

    — Não sei se isso conta como funcionar…

    Assim, as portas se fecharam e o trem começou a avançar pelos trilhos. A estrutura inteira vibrava, enquanto parafusos chacoalhavam sem parar.

    Por um segundo, Louie teve certeza de que aquela coisa desmontaria no meio do caminho. Indiferente a isso, o veículo acelerava cada vez mais pelas profundezas subterrâneas.

    As luzes azuladas do túnel cruzavam rapidamente pelas janelas estreitas, pilares gigantescos surgiam na escuridão por breves instantes antes de desaparecerem outra vez.

    O tempo começou a se perder ali dentro.

    Dez minutos… meia hora… talvez mais.

    Louie já nem conseguia dizer.

    Então, de repente, o trem desacelerou.

    Os freios soltaram um chiado estridente antes do veículo finalmente parar.

    Assim que desembarcaram, Louie percebeu que haviam chegado a uma antiga central ferroviária abandonada. O lugar parecia apodrecer havia anos.

    As paredes estavam corroídas pelo tempo, antigos assentos jaziam destruídos e parte das luzes piscava sem parar, iluminando o ambiente de forma instável. Trilhos esquecidos desapareciam na escuridão, enquanto lixo e pedaços de sucata se acumulavam por todo o local.

    — Isso era algum tipo de estação de trem subterrânea de Porto Alegre?

    — Bem… sim. Mas não de Porto Alegre.

    — Como assim?

    — Vem.

    Sem perder tempo, o homem caminhou até uma parede aparentemente comum no fim da plataforma.

    Louie franziu a testa.

    “… outra parede?”

    Então o homem puxou uma pequena alavanca escondida entre os velhos e desgastados canos, fazendo uma parte do cenário se desprender e deslizar lentamente para o lado, revelando uma visão aparentemente impossível.

    Escondida sob a Grande Porto Alegre, uma gigantesca cidade subterrânea surgia à frente dele.

    Luzes douradas se espalhavam entre estruturas colossais. Passarelas cruzavam o vazio como teias suspensas. Carros flutuavam entre prédios imensos, enquanto painéis e letreiros luminosos pulsavam por toda parte.

    Era como observar outro mundo.

    — Essa… é Áurea. — disse o homem.

    Louie deu um passo à frente, completamente boquiaberto.

    Mesmo sem entender nada, uma coisa era certa.

    Seja lá o que fosse aquele lugar… era maior do que qualquer coisa que já havia presenciado.

    CURIOSIDADE 1:

    Muita gente pode achar que a “Grande Porto Alegre” e “Porto Alegre” se referem à mesma cidade, mas não é o caso.

    A Porto Alegre é, como já se imagina, uma cidade e capital do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Tudo que acontece dentro dos limites dela (bairros, centro, zonas) faz parte apenas dela.

    No entanto, quando falamos da Grande Porto Alegre, estamos nos referindo a uma região metropolitana, ou seja, um conjunto de várias cidades ao redor que funcionam de forma integrada. Com uma área de aproximadamente 10.000 km², ela inclui municípios como Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Gravataí e Viamão.

    Essas cidades possuem economia, transporte e rotina conectados com Porto Alegre. Muita gente, por exemplo, mora em uma delas e trabalha na capital.

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