Índice de Capítulo

    Percorrendo o céu como se fosse uma corrida que vale muito mais que realmente vale, os balões se aventuram em busca de superar seus próprios limites.

    A maioria encontra seu fim na escuridão infinita do Lago da Redenção.

    Alguns até conseguem chegar as margens.

    Os mais resilientes chegam até sentir a areia molhada do deserto.

    E tem aqueles.

    Raros.

    Abençoados pela sorte.

    Agraciados pelos ventos.

    Eles se distanciam tanto, que mal dá para se afirmar que realmente vieram de onde vieram.

    Mas assim como tudo tem fim, a jornada deles finaliza de forma silenciosa em algumas dunas mais elevadas.

    Nesse ponto, o sol já ilumina tais lugares. Revelando o tom avermelhado da areia.

    E a cada minuto, mais e mais dunas vão acordando.

    Não só elas, os animais que até pouco estavam confortáveis, precisam enfrentar a realidade.

    Está na hora de caçar ou ser caçado.

    Ainda relembrando desse hábito, Nero também vai despertando em meio a palha.

    Palos já se encontra ali do lado, cortando algumas melancias do deserto para o café da manhã.

    Ao bater os olhos na casca alaranjada, e depois na polpa rosada, ele se levanta a todo vapor enquanto sacoleja a calda e bota a língua para fora.

    Quando o primeiro pedaço se desprende, ele nem deixa repousar no chão, e começa o banquete.

    Palos sorri e passa a mão na cabeça dele e depois nas costas.

    — Ele não para de crescer não? — Helvetia aparece ali escorada na cerca.

    Ele coloca a mão no coração após se virar repentinamente e depois dar uma relaxada enquanto bufa um pouco de ar.

    — Se eu morrer, você que vai cuidar dele.

    — Você fala como se vaso ruim quebrasse. — Ela sorri de leve.

    — Está muito cedo para uma briga você não acha?

    — Concordo. Eu vim aqui por outro motivo.

    — E qual seria? Se quiser mais ervas, vai ter que pagar.

    — Urânus.

    Esse nome faz até Nero parar de comer e olhar para ela.

    — Venha.

    Palos, já respira com mais calma, e com o olhar vago, abre o caminho para dentro.

    — Você ainda dorme aqui? — Helvetia apalpa o colchão. — Do que é feito? — Ela até se senta, e depois se deita. — Preciso de um desses.

    — Eu comprei de um mercador que diz ter vindo das tundras. — Ele se senta na cadeira perto da bancada de trabalho após virar ela na direção da cama. — É feito do pelo de algum animal de lá, e misturado com feno. — Ele cruza a perna direita sobre a esquerda.

    — Acho que vou ter que visitar o Norte algum dia. — Ela vai se sentando a beira da cama e retomando a compostura.

    — O que você quer conversar sobre aquela criatura?

    — Eu vou partir em uma missão amanhã, para coletar um pouco do veneno dela.

    — Não sabia que era possível coleta-lo. — Palos volta a se perder em pensamentos.

    — Com isso aqui é possível. — Ela retira a pedra de uma pequena bolsa do lado da cintura, e entrega para ele.

    Após algumas explicações.

    — Entendi, já cheguei a ver uma Zonodros, mas isso daqui é a primeira vez. — Ele devolve para ela.

    — Mas o problema é que eu não faço a mínima ideia de onde ela possa estar. — Ela se levanta da cama e calmamente anda até perto da mesa se encosta de lado na parede enquanto olha para alguns potes de madeira sobre a mesa.

    — Mesmo que você saiba, isso só a levaria para morte certa. — Ele também observa um dos postes.

    — Como você é uma pessoa que vive indo para aquele lugar miserável, e atende muitos viajantes. — Ela pega um dos potes, e o traz para perto do nariz.

    — Sou grato por nunca cruzado o caminho com aquilo. — Palos estica a mão e pega o pote da mão dela. — Já ouvi alguns dizerem que viram ela. Mas só relatos vagos de mais.

    — Acho que vou dar um pulo no anel externo, ver se encontro algum mercador que veio pelo deserto.

    — Você realmente quer isso? — Ele encara com seriedade a face dela.

    — Não é algo que você possa entender. — Ela o encara de volta por um instante e volta seu olhar para o chão e cerra os punhos.

    — Se me prometer que vai tentar ao máximo, não morrer. Eu posso marcar um encontro para você com alguém que provavelmente sabe onde é a toca dela.

    Ele termina a fala, e suspira, e chacoalha de leve o pote enquanto olha para dentro dele.

    — Por que eu deveria prometer algo que eu já pretendo fazer?

    — É só uma mera formalidade. E também não ache que será de graça. — Ele vai colocando o pote sobre a mesa e olhando novamente para ela.

    — Agora sim, estamos falando a mesma língua. — Helvetia até consegue ver nos olhos dele, o que ele deseja.

    — Aqui estão! — Ela coloca um pequeno saco sobre a mesa.

    Ele cabe na palma da mão de Palos. Ao abrir, até esquece de respirar.

    — É o suficiente?

    — É o suficiente! — Ele se recompõe, e se levanta após colocar o saco sobre a mesa. — Sabe aquele píer no norte?

    — Aquele cumprido?

    — Sim, esse mesmo. — A essas horas ele já deve estar lá.

    — E como ele é?

    — Quando chegar lá vai saber. — Ele sorri de leve, enquanto vai se aproximando da janela. — O nome dele é Adão.

    — Hmm. Beleza. — Helvetia vai se aproximando da porta. — Há… Eu prometo que vou tentar não morrer.

    Ele nem se quer olha para ela, só permanece em silêncio.

    Ela não se importa muito e vai se retirando do lugar.

    Nero encara a face preocupada de Palos, e se aproxima para receber mais u pouco de carinho.


    Em uma ponte que liga a ilha central ao anel interno norte.

    — É sério? — Sarah até sorri enquanto caminha.

    — Orpheus que disse. Todo dia ele vai lá. — Shymphony não compreende muito bem o sorriso dela. — Acho que ele deve estar precisando de umas moedas.

    — Falando em moedas, eu também vou precisar arrumar algumas. — O sorriso dela, logo some.

    — Vai mesmo. Por que já gastei de mais com sua armadura. — Shymphony observa um navio que vem passando e passa por baixo.

    — Novamente, muito obrigada por isso. — Agora é Sarah que o vê despontar pela esquerda. — Talvez eu devesse tentar pescar também.

    — A guilda vem crescendo bastante. Se você demorar muito, os preços podem cair bastante. — Shymphony até gesticula um pouco com as mãos.

    Sarah permanece em silêncio. Mais à frente uma carroça sendo puxa por dois Truz – Truz chama sua atenção.

    — Não sabia que eles serviam para isso também. — Os olhos dela chegam a brilhar

    — Além de serem rápidos, são bem fortes. — Shymphony também os observa já distantes.

    Elas continuam caminhando por vários minutos.

    Ao chegarem no anel externo, vão andando com mais calma e olhando para todos os lados.

    — Ali eles. — Shymphony aponta com dedo para um píer que se destaca por ser bem mais longo que os outros.

    Elas caminham com um pouco mais depressa. Ao ver a cena de longe, Adão sente seus pelos se arrepiarem ao vê-las com aquelas passadas ligeiras, até ajeita a cadeira mais para lá.

    — Ih! O que você fez dessa vez? — Orpheus que está sentada do outro lado, fala com a voz baixa enquanto foca sua visão na boia a sua frente.

    Ele permanece em silêncio enquanto alterna o olhar para a boia que vagueia de um lado para o outro na sua frente, e para elas.

    Ao chegarem perto o suficiente, ele nem olha mais para elas.

    — Oi! Adão! — Shymphony sorri propositalmente ao ficar bem atrás dele. A sombra dela se projeta sobre Orpheus, que se vira para vê-la. Mas primeiro encontra Sarah, alguns passos para trás com sorriso no rosto.

    — Tudo bem? — Sarah a cumprimenta.

    — Sim, e você?

    — Tudo sim. — Ela sorri gentilmente. Orpheus até se distrai por um momento.

    — O que você quer? — Adão a responde sem olhar.

    — Eu vim te convidar para uma festa. — Ela se senta do lado dela e coloca os sapatos dentro d’água.

    — Sério? — Adão murmura.

    — Sim, vamos dar uma festa no jardim do castelo. — Shymphony balança os pés.

    Sarah também se aproxima dele, e observa com a mão na boca para esconder o riso.

    — Acho que ele não está falando disso. — Orpheus aparece ali do lado dele com cadeira e tudo, sem ninguém perceber.

    Shymphony esboça uma expressão de dúvida e lança um olhar para face dele.

    Ele está cabisbaixo e de olhos fechados.

    — Acho que você acabou de atrapalhar a pescaria dele. — Sarah permanece em pé enquanto fala e sorri.

    Shymphony rapidamente retira os pés d’água e se levanta. Com a mão tampando o rosto, ela está prestes a se ajoelhar do lado dele, quando do nada a boia afunda com tudo.

    Ele puxa com força e a vara até enverga. Empurrando a cadeira para trás, até fica em pé. Elas ficam em silêncio e apreensivas. Orpheus que estava prestes a jogar a isca, até espera.

    Após alguns segundos de luta, ele puxa o peixe para fora com até certa facilidade.

    Ele cai sobre o píer, um pouco após romper a linha.

    Não é muito grande, e nem se mexe muito.

    — Isso é um peixe ou uma pedra? — Adão indaga para o vento salgado.

    Antes mesmo que possa pegá-lo.

    Um remo aparece entre ele e o peixe.

    Arremessando-o de volta para água.


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