Índice de Capítulo

    Sarah é a última a passar pela porta.

    Olhando mais atentamente, repara que agora tem um caminho em meio ar margaridas, feito de terra batida. Os demais já estão vários passos à frente.

    Conforme vai se aproximando, a pequena clareira de grama que rodeava Méter, ganhou vários metros de diâmetro.

    Uma mesa larga e cumprida se apresenta convidativa.

    Ao seu redor, Pollos, Pietro e Apollo já sentados em bancos cumpridos. Riem e bebem.

    Mais ao fundo, algumas estacas de madeira se levantam ao redor de uma fogueira feita em um buraco. E no alto, pedaços de carne e alguns peixes repousam sobre uma grade improvisada de galhos verdes.

    Ao lado da fogueira, de frente para uma pequena mesa, Nova esta virada de costas para cá e fazendo movimentos rápidos com a mão.

    — Eu juro, ele veio com toda velocidade, e pulou por cima da canoa. Eu pude até sentir o gosto da vitória. — Pollos termina de falar e já vai virando a caneca e depois limpando a espuma que ficou ao redor da boca.

    — Não desiste não! — Helvetia se aproxima sorrateiramente da mesa e fala com sorriso proposital na boca.

    — É claro que não vou. — Ele resmunga enquanto vai se virando para ver quem falou.

    Então ele cerra os olhos.

    — Fiquei sabendo que pegou um dos grandes. — Ele retorna o olhar para o fundo da caneca amadeirada.

    — Beemmm grandão. Quase não consegui trazer embora. — Ela continua em pé e o encara também de olhos serrados.

    — AH! — Ele suspira. — Admito, você é melhor pescadora que eu. — Ele volta a olhar para ela. — Satisfeita?

    Ela sorri de olhos fechados sem dizer nada.

    — Mas ainda continuamos sendo melhores ferreiros. — Nova se aproxima da mesa com alguns pedaços de carne picados, e algumas folhas verdes de decoração.

    — Por enquanto. — Ela fala dando uma piscadela e apontando o dedo para ela.

    — Você está confiante. O que está planejando? — Pollos a indaga enquanto vai petiscando um pedaço de carne.

    — Eu acho uma tarefa um tanto complicada superar esses dois na arte da forja. — Apollo se intromete na conversa, já com um pedaço de carne em mãos. Mas logo o pedaço de carne se torna mais um pedaço de carvão do que qualquer outra coisa. Então ele manda para dentro.

    — Esses são Apollo e Pietro. — Orpheus vem chegando junto de Sarah, Shymphony e Adão.

    — É um prazer. — Pietro estica a mão para ela.

    — Me chamo Helvetia, é um prazer. — Ela retribui o gesto e também cumprimenta Apollo.

    Adão vai logo se sentando do lado de Pollos e de frente para Pietro e Apollo.

    — Bom te ver meu caro felino. — Pollos acerta alguns tapas nas costas dele, o fazendo ficar sem jeito.

    — Bom te ver também. — E volta o olhar para frente. — Como estão?

    — A quanto tempo, Adão! — Apollo fala olhando pro lado.

    — Não liga não. — Ele ficou chateado de você ter ido embora sem se despedir. — Pietro faz um sinal de positivo com o polegar, e um sorriso no rosto.

    — Desculpa… — Adão mais murmura do que fala. Então dois braços penosos envolvem o pescoço dele.

    — Ele é um gato sem sentimentos. E merece ser punido. — Orpheus o olha de cima, e ele a olha de baixo. Seu rabo até balança.

    Sarah que acabou de sentar na ponta da mesa, observa tal cena com sorriso de boca fechada.

    — Desde que eram pequenos, eram inseparáveis. Um defendia o outro com garras e bicadas. — Shymphony se senta do lado dela e fala em um tom bem baixo.

    — Eu sempre ouvi histórias sobre ele. Mas achei que ele era mais experto. — Helvetia se senta perto delas.

    — Os instintos dele são bons, mas só isso mesmo. — Shymphony até sorri de leve.

    Adão cerra os olhos por um momento, mas volta ao normal enquanto vai aceitando a caneca que Nova trouxe para ele. Orpheus se senta ao lado e sem tempo a perder finca sua garra em um pedaço de carne.

    — Seja bem-vinda! — Shymphony fala olhando para Helvetia. — Foi o que ela disse. — Ninguém sabe da onde, mas uma caneca apareceu na mão dela.

    — Ela qu… — Então seu olhar vislumbra o tronco branco e as folhas escarlates. A voz foge de sua boca, e seu coração acelera.

    — Ela mesma. — Shymphony mal termina a fala e já está virando a caneca.

    — Eu posso chegar perto? — Helvetia fala sem tirar os olhos.

    — Vai lá! — Shymphony fala sem tirar a caneca da boca.

     A cada passo que ela dá, seu coração parece querer parar, e até o ar ali parece mais puro para seus pulmões. Uma leveza indescritível toma conta de seu corpo.

    Com a mão ela toca o tronco, no momento do toque ela paralisa. Então olha para cima e vê os galhos sacudirem com suavidade, e algumas folhas caírem ao seu redor. E em um movimento mais instintivo que qualquer outra coisa, ela abre os braços e dá um abraço em volta do tronco.

    Todos ao redor da mesa, em silêncio, apreciam tal cena. Shymphony até deixa escapar algumas lágrimas.

    — Como eu sou grata por existir. — Essas palavras ecoam, mas nem todos podem ouvir.

    Quando Helvetia volta, ainda sentindo uma leveza incompreensível, observa desconfiada que agora Adão e Orpheus estão sozinhos no canto da mesa, Pollos, Nova e Shymphony parecem ter iniciado uma competição de bebida no outro canto. Apollo, Pietro e Sarah estão mais no centro conversando e gesticulando. Apollo parece arremessar algo imaginário e Sarah desvia com um gingado de pescoço.

    A expressão de dúvida fica estampada em sua face.

    Chegando à mesa, ela se senta a frente de Adão e Orpheus.

    — Então, o que me diz da proposta? — Ela olha no fundo dos olhos amarelos dele.

    — É complicado. — Ele coça atrás da orelha e desvia o olhar para a caneca em sua mão. — Eu tive sorte, não sei vale a pena arriscar novamente.

    — Se quiser não precisa entrar, é só me guiar até lá. — Helvetia olha pros pedaços de carne, mas se mantém centrada.

    — E mesmo assim, precisamos de pelo menos mais uma pessoa que esteja disposta a entrar com você, e outra para ficar comigo do lado de fora. — O olhar sério dele, muda um pouco o clima ali.

    — Eu também pensei nisso. Acho que dá para contratar alguns homens na vila dos canoeiros. — Ela fala enquanto vagueia o olhar para o horizonte e volta nele.

    — Pode dar certo. — Orpheus toma voz após terminar de engolir um pedaço de peixe. — Alguns homens são bem acostumados com o deserto.

    — Uma coisa é ser acostumado com deserto, outra é entrar em um território extremamente perigoso. — Adão suspira após a fala.

    — Você diz isso por causa dela? — Helvetia suspira e coloca o cotovelo sobre a mesa e apoia a cabeça no punho fechado. — Mas pelos relatos, nessa estação ela é bem menos ativa.

    — Agora imagina esse lugar, que só os animais mais inteligentes, fortes e mestres na camuflagem, conseguem sobreviver. E mesmo assim, todos se escondem quando ela está por perto. — O olhar dele até se perde em pensamentos e lembranças.

    — E agora que ela está menos ativa, esses animais aproveitam para ocupar esse espaço. — Helvetia até cruza os braços sobre a mesa e esconde o rosto no meio deles.

    Adão aproveita para buscar um pedaço de peixe.

    — O que aconteceu? — Sarah se aproxima e senta do lado de Helvetia.

    — Estou prestes a entrar em um território altamente mortal, e aparentemente, não vou conseguir ninguém para ir junto. — A voz de Helvetia sai abafada.

    — E quanto você está pensando em pagar para quem for? — Sarah fala enquanto vagueia o olhar em meio aos peixes e pedaços de carne.

    — Sério? — Adão até olha com mais seriedade para ela.

    — Por que não? Preciso de algumas moedas. — Ela até sorri quando encontra.

    — Sabia que você não ia resistir. — Shymphony aparece do nada ali do lado de Orpheus.

    Sarah nem se da ao trabalho de responder, enquanto aprecia cada mastigada.

    — Você gosta de batatas? — Helvetia já de cabeça levantada, observa o olhar de satisfação de Sarah.

    — Essa daí se pudesse, viveria delas. — Adão explana com sorrio de leve. — Agora se você disser que tem maracujá dentro daquela toca, é capaz dela invadir sozinha. — Ele até solta uma gargalhada.

    Sarah até para de mastigar, e olha para ele como se procurasse algo. Então cerra os olhos e volta o olhar para Helvetia.

     — Olha, não sei o que são maracujás, mas posso te pagar algumas moedas de ouro. — Ela até assume um tom otimista.

    — Quantas?

    Essa voz ecoa de algum lugar que ninguém consegue dizer.

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