Índice de Capítulo

    Você realmente vai levar frutas? — Touka encara as cerejas com a testa franzida.

    — Só elas. — Helvetia faz um bico pro lado com a boca.

    — Vou ver se ainda tem alguma caixa pequena vazia. — Ele já vai se virando.

    — Vou até o lugar que combinei com o pessoal, já volto. — Ela caminha com passos um pouco mais acelerados que de costume.

    Vários minutos de caminha e chega até a uma das pontes que liga o anel intermediário a ilha central.

    — Bom dia! — Ela os cumprimenta com um sorriso.

    — Bom dia! — Sarah ainda boceja enquanto fala. A mochila que repousa perto dos pés chama a atenção de Helvetia por um momento.

    — Bom dia! — Adão veste uma armadura que mais parece incompleta, as únicas partes que ela cobre são os braços, peitoral, costas e canelas.

     — Bom dia! — Symphony olha por um instante para ela, e volta sua atenção para o grande escudo escorado em um pilar de madeira ao lado da ponte.

    Primeiro Helvetia se aproxima de Adão e examina cada detalhe de sua armadura. Ela a olha com estranheza. Depois ela vai até Shymphony que chega a abraçar o escudo. Também o examina minuciosamente.

    — Eles realmente são muito bons no que fazem. — Helvetia até suspira enquanto olha vagamente para o chão.

    — Quer ver uma coisa bem legal? — Shymphony retoma a compostura e equipando o escudo. Metade dele tampa seu braço e a outra metade fica projetada para frente do punho. Ele tem um formato alongado e pontudo dos dois lados.

    Quando ela vira o escudo na direção de Helvetia, alguns raios de sol batem diretamente nele, resplandecendo o metal dourado. Revelando mais nitidamente algumas sombras derivadas de tiras do próprio metal que saltam e depois retornam para a superfície.

    Adão e Sarah colocam a mão no ouvido e se afastam um pouco.

    Helvetia seguindo o instinto após ver os dois, até pensa em fazer o mesmo, mas já é tarde.

    Com um soco de leve na lateral enquanto vibra o punho, Shymphony faz o escudo inteiro vibrar como se fosse uma extensão de seu corpo. Então o metal ressoa continuamente por alguns segundos, vibrando o ar ao redor.

    Adão e Sarah relaxam a postura estranhando a cena.

    — Já estou pegando o jeito. — Shymphony sorri como se fosse a pessoa mais feliz do mundo.

    — Ainda bem! Mais um daqueles, e o mercador ali te jogava correnteza a baixo. — Adão ela de relance para o mercador ao fundo que os observa com desconfiança.

    — Ele é muito compatível com você, mas um problema para quem está perto. — Helvetia coloca a mão no queixo e volta a olhar mais atentamente para o escudo. — Já tenho o papel perfeito para você.

    Agora quem olha com estranheza é Symphony.

    — Vamos? — Helvetia começa a caminhar. — A nossa carga nos espera.

    Quando chegam até o estabelecimento de Touka, encontram um toco comprido de madeira ao lado da porta.

    — Adão esse aqui é para você — Helvetia nem se vira enquanto aponta para o toco.

    Ele olha com estranheza e vê uma corda presa nele, tanto em cima com em baixo, ao agarrá-la para levantá-lo, sente o peso e o chacoalhar da água ali dentro. Ele abre a pouco um pouco surpreso. Mas logo se adapta ao peso e o coloca nas costas se fosse uma mochila de uma alça só.

    — Sarah, percebi que essa coisa sua, pode guardar coisas dentro. — Helvetia já está perto do balcão, olhando para uma pequena caixa de madeira. — Consegue colocar isso aí dentro? — Enquanto fala, ela repara na adaga presa na cintura dela, mas disfarça.

    — Acho que sim. — Ela responde enquanto se aproxima e abre a mochila.

    Helvetia fica fascinada pelo zíper.

    — O que tem aí? — Shymphony a indaga.

      — Cerejas, querem experimentar uma? — Helvetia abre a caixa, revelando um punhado de feno misturado com vários pedaços de gelo.

    Shymphony, Sarah e Adão pegam uma cada.

    Helvetia os observa com neutralidade.

    Quando as primeiras remeladas de olho surgem, ela já está perdendo a compostura. Os três olham para ela segurando o riso com a boca.

    — Credo, você gosta disso? — Adão a indaga, ainda cuspindo o que pode.

    — Pensem nelas como um amuleto da sorte. — Ela fecha a caixa e entrega para Sarah. — Conto com você! — Ela sorri ao ver que dos três, ela foi a que menos fez caretas.

    — Vou colocar no fundo, então. — Sarah já está enfiando a caixa com cuidado.

    — Porquê? — Helvetia a indaga.

    — O tecido e mais grosso ali. — Ela explica ainda olhando para dentro da mochila.

    — Falando em tecidos. — A gente precisa dar uma passada no mercado para comprar alguns para vocês.

    Eles olham para ela ao mesmo tempo, como se estivessem pensando na mesma coisa.

    — O que foi? — Ela retruca os olhares.

    — Você tem bastante moedas em. — Shymphony solta no ar as palavras esperadas.

    — Ah! Eu tinha bastante. Quando deixarmos Atlântis, estarei falida. — Ela faz um bico com a boca enquanto coloca a mão em uma pequena bolsa presa na cintura.

    — E eu? Carregarei o quê? — Shymphony a indaga enquanto puxa um dos bancos perto do balcão para se sentar.

    Nesse momento Touka aparece como um fantasma ali.

    — Aqui está. — Ele coloca no balcão um grande saco de couro e cinza. Ele é amarrado no alto por uma corda. E duas alças de couro saltam dele.

    — Obrigada. — Helvetia da alguns tapas na lateral do saco. — Você será a responsável pela nossa carne. — Ela fala encarando o olhar violeta dela com convicção. Que é retribuído com outro olhar convicto.

    Adão encara o saco por alguns segundos, até a Sarah entrar na frente dele.

    — Vou ficar de olho em você! — Ela olha no fundo dos olhos dele, enquanto ativa sua presença.

    — Nesse momento Helvetia e Touka paralisam ao sentir. Helvetia sente menos, mas ainda olhara para Sarah com cautela sem fazer nenhum movimento brusco.

    Shymphony repara nisso, mas logo disfarça.

    — Sarah! — Shymphony a chama.

    Nesse instante ela desativa a presença, fazendo o ambiente ficar mais leve. E liberando os dois para voltar a respirar. Adão suspira aliviado.

    — Desculpem! Eu me esqueci de vocês. — Sarah olha para os dois com cara de coitada. Eles a encaram por alguns segundos. Touka com medo, e Helvetia com admiração.

    A cada segundo com eles, seu horizonte parece se expandir cada vez mais.

    Seu coração até volta a acelerar um pongo enquanto fecha o punho.

    — Damas, com licença, vou buscar o restante das coisas. — Com uma deixa ligeira, Touka some tão rápido quanto apareceu.

    — Você consegue fazer isso a hora que quiser? — Helvetia pergunta se aproximando de Sarah.

    Ela responde com um aceno positivo de cabeça.

     Helvetia desvia o olhar um momento para o chão e logo o volta para Sarah, depois para Symphony e por último para Adão. Os três a encaram a espera de algo.

    — Acho que já tenho o papel de cada um quando chegar a hora. — Ela sorri enquanto coloca a mão no ombro de Sarah.

    Shymphony a observa atentamente e disfarça quando ela vem se aproximando novamente.

    — Até chegarmos no território dela, cada um vai carregar uma parte de nossa carga.

    Ela se vira para Adão primeiro

    — Você será o mais importante. Então peço que ande sempre na retaguarda.

    Ele acena positivamente com a cabeça e o olhar sério.

    — Você fara a frente. — Ela se vira para Shymphony. — Por ter mais sensibilidade com sons e vibração. E a pessoa certa para evitarmos animais submersos e areia movediça.

    Shymphony a encara atentamente.

    — E mesmo que a gente perca você. É mais fácil caçar no deserto do que achar água.

    Ela olha com seriedade para Shymphony.

    — É a posição mais arriscada. Tudo bem?

    Ela levanta o escudo bem alto!

    — Um passo de cada vez,

    Eu darei por ti.

    E mesmo que sucumba na escuridão

    Serei a canção

    Que guiará seu coração!

    Algumas palmas surgem vindas do lado. Ao olharem de onde elas vêm, Touka apare sorrindo

    — Já tinha ouvido falar de sua poesia. Mas ouvi-la presencialmente, entoada por voz tão bela. Realmente foi uma honra.

    Shymphony fica levemente corada nesse momento.

    — Sarah, esses são seus. — Helvetia se aproxima de Touka e pega dou troncos de madeira menos, um terço do tamanho do que Adão irá carregar

    Sarah os pega e percebe o quão vazio estão.

    — Peço também que cada um pegue um desses pequenos. — Helvetia aponta para alguns cantis pequenos, feitos de bambu-verde.

    Depois que cada uma pega o seu, Helvetia se aproxima do balcão e pega um rolo de tecido grosso e enrolado. Algumas cordas o envolvem como se o selasse. Uma alça de couro desponta dele. E em uma das pontas, várias estacas de madeiras despontam. Ela o puxa para si, colocando-o no pescoço.

    — Vamos? — Ela encara os três mais uma vez.

    Eles acenam positivamente com a cabeça.

    — Touka, novamente, muito obrigada.

    — O pagamento foi justo. — Ele sorri esticando a mão para ela. — Fiz o meu trabalho.

    — Guarde alguns pedaços para quando voltarmos. — Helvetia fala já puxando a caminhada.

    — Guardarei. — Ele sussurra mais para si mesmo do que fala

    Após passarem pelo mercado e comprarem vestes adequadas para o deserto e mais alguns tecidos. Eles embarcam rumo a vila dos canoeiros.

    A cada metro que se distanciam de Atlântis, Shymphony sente seus batimentos acelerarem.

    Adão olha o horizonte com olhar distante e semblante sério.

    Sarah segura a sua adaga como se estivesse prestes a usá-la.

    Helvetia olha para cada um deles, lidando com a situação da sua maneira.

    Ela sente a seriedade do momento, que não pode falhar.

    Se isso acontecer, será o fim.

    Mal sabe ela.

    Mas esses sãos os últimos de uma vida, que ela nunca mais terá de volta.

    Mal sabe eles.

    Que a verdade do mundo será revelada diante de seus olhos, da pior forma.

    Mal sabe ela.

    Que mais uma vez, a realidade cruel desse mundo.

    Cobrará seu preço.


    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota