Índice de Capítulo

    Shymphony observa seu escudo por um momento e começa a caminhar até ele.

    Helvetia se vira para eles, e olha primeiramente para Adão.

    — O arqueiro? — Ela o indaga.

    — Não se preocupe, logo se juntara as raízes dessa floresta. — Ele também se move, indo em direção ao centro.

    Sarah continua ali parada, observando os novos detalhes do ambiente com olhar vago.

    — Fico surpreso que nada tenha se danificado. — Ele passa reto e encarando o saco com a comida e para ao lado do tronco com água.

    — Eles evitaram propositalmente os suprimentos. — Helvetia lança um novo olhar para o homem com linhas brancas caído ao centro da clareira. — No final eram só ladrões mesmo.

    — Más é estranho, por que eu ou ele dificilmente erramos a quantidade de pessoas ao nosso redor. — Shymphony explana em voz alta já carregando o escudo e se aproximando.

    — Eles provavelmente estavam aqui desde antes da gente chegar, esperando por uma emboscada. O grupo que vocês enfrentaram, era só um chamariz. É uma tática bem antiga que aprendi ainda criança. — Helvetia explana olhando para algum canto da mata.

    — Como assim? — Shymphony indaga olhando para ela.

    — Quando eu ainda fazia parte da família, eles ensinavam alguns conceitos e táticas de emboscada. Era assim que eles capturavam aqueles que não pagavam as moedas. Essa que a gente sofreu, é uma emboscada de nível dois. Mas me lembro que já naquela época, estavam pensando em rebaixá-la para nível um, pela sua baixa eficiência contra indivíduos minimamente preparados. — Helvetia até se senta de pernas cruzadas enquanto fala.

    — Sua família é barra pesada em. — Adão pensa em dar mais alguns passos, mas ao olhar para Helvetia, para instantaneamente ao encarar o olhar sério dela. Então ela aponta para baixo na direção dos pés dele. E ao olhar, se depara com alguns espinhos a centímetros de distância.

    — Adão, vou ser bem honesta com você. — Helvetia ainda olha com seriedade. — Daqui para frente, não enfrentaremos só animais irracionais. Existem feras que preparam armadilhas tão mortais como essa. Sem contar os ladrões e outros que podem estar à espreita em qualquer lugar querendo nossas cargas, ou seja lá oque.

    Helvetia suspira e volta seu olhar para Sarah que vem caminhando devagar olhando para o chão.

    — Se você não mantiver o foco no máximo que puder, não posso garantir que irar sair vivo dessa missão. — O olhar dela agora vaga até Shymphony que está recolhendo os espinhos que encontra com cuidado. E ao lado dela, o escudo volta a chamar sua atenção. Ela sorri sutilmente ao vê-lo.

    Adão fica em silêncio, com o olhar voltado para os espinhos. Então também se abaixa para pegá-los.

    — Uma pergunta. — Sarah fala olhando para os três. — Vocês mataram todos?

    Os três olham ao mesmo tempo para ela paralisados por um momento.

    — Quantos? — Helvetia a indaga, após dar um suspiro e um sorriso.

    — Eram três. Matei um e desmaiei os outros dois. — Sarah responde olhando de volta para a direção que estava.

    — Eu fui com tanta força para cima, que não nem tive tempo de pensar em algo assim. — Shymphony encara os espinhos em sua mão. — Quando me dei conta, já tinha finalizado. — Então ela olha para Helvetia com olhar levemente mais sério.

    — Aqui fora, esse admirável mundo cruel, sempre vai querer cobrar seu preço. — Helvetia fala com olhar calmo voltado para o céu.

    — Quantos? — Adão indaga sem olhar, ainda coletando espinhos.

    — Eram dois, mas por algum motivo, demoraram tanto para vir atrás de mim. Que eu tive que ir até eles.

    — Comigo o mesmo. Eram três, e até já estavam correndo para longe quando os alcancei. — Ele termina de falar olhando para Sarah.

    Shymphony também olha para ela. Eles veem que ela está deixando e corpo cair para trás e se deitando enquanto olha para o céu de braços abertos.

    — Eles nem pensaram duas vezes, vieram com tudo para cima. — Ela fala enquanto fecha os olhos parecendo querer dormir.

    — Eles devem ter reconhecido esses dois de alguma forma e desistiram no meio da emboscada. — Helvetia explana olhando para Sarah. — Como você é desconhecida, te subestimaram.

    — Um arco, uma mini besta e adaga. — Sarah levanta a mão para o alto enquanto fala. — Eles se moviam com tanta sincronia… foi difícil quebrar a formação deles. Quase fui pega uma hora ou outra. — Ela solta o braço, o deixando cair esticando sobre à terra avermelhada.

    Helvetia a observa com olhar sério e distante.

    — O que foi? — Shymphony a indaga ao perceber tal expressão.

    — Alguma coisa não está batendo. — Helvetia coloca a mão no queixo e olha para o chão.

    — Por que diz isso? — Adão se aproxima para entregar os espinhos.

    — Primeiro esse indivíduo aqui. As marcas no braço dele dizem que faz parte da minha família. A formação de emboscada, mesmo sendo antiga e fraca contra pessoas como nós, foi bem executada. Coisa que ladrões corriqueiros não seriam capazes de fazer, exceto rara ocasião. E para finalizar, uma formação perfeita de curta, média e longa distância. — Helvetia volta a olhar para Sarah que já está sentada a olhando de volta.

    — Perfeita? — Sarah a encara de volta.

    — Eu li em alguns livros, que uma das formações mais difíceis de serem vencidas quando se está sozinho, é contra oponentes que podem lutar em várias distâncias ao mesmo tempo, e ângulos variados. Uma das mais recomendadas, é exatamente essa combinação que você descreveu.

    Shymphony após entregar os espinhos para Helvetia, se aproxima de Sarah e agacha bem perto.

    — Me admira ter saído ilesa. — Ela estende a mão para ajudá-la a levantar. — Agora para de preguiça e bora pegar esses espinhos e dar o fora daqui.

    Helvetia também se levanta enquanto estica nos braços.

    — Se não saímos logo daqui, teremos outra batalha. — Adão já está entregando mais alguns espinhos.

    Sarah olha para eles como se estivesse perdida em uma explicação de algum professor.

    — Essa floresta é o lar de várias espécies de animais Hematófagos. — Helvetia explana enquanto pega seu pano e vai desenrolando-o com alguma pressa, e guardando os espinhos.

    — Tipo, morcegos e sanguessugas? — Ela indaga ao ar já recolhendo os poucos espinhos que encontra.

    —   De onde você vem mesmo? — Helvetia a indaga, após uma bufa de ar.

    — A pergunta certa, é de quando ela vem! — Shymphony responde já se aproximando do saco.

    — O quê? — Helvetia até para e olha primeira para Sarah e depois para ela.

    — Ela vem do futuro, se acredita? — Adão a responde já colocando o tronco nas costas.

    — Realmente existe isso? — Ela suspira relaxando novamente enquanto espera a Sarah chegar até ela.

    — Nem eu sei como, mas aqui estou. — Sarah responde e estende a mão com os últimos espinhos e um sorriso gentil.

    — Esse mundo é mais loco do que eu pensava. — Helvetia pega os espinhos e já acelera para guardar tudo.

    Os três fazem uma última varredura pelo ambiente com os olhos antes de seguir caminho.

    — Se perderem os cantis, vão passar cede. — Helvetia murmura já assumindo a frente. — Sarah, você veio dali certo. — Ela aponta para uma direção em meio a mata.

    — Sim. — Ela responde terminando de ajeitar os dois troncos médios nas costas.

    — Bom! Assim a gente vê se eles ainda estão lá, e decide o que fazer com caso estejam. — Helvetia já vai adentrando a mata.

    Os três a seguem, mas tudo que encontram são rastros de sangue e alguns pedaços roupas rasgadas. Sem muito o que fazer, seguem caminho evitando a trilha que vinham seguindo desde então.

    — Ei Sarah, nesse teu futuro aí, nunca ouviu falar de nenhuma ferreira lendária com meu nome? — Helvetia chega bem perto dela com a cara estampada de curiosidade.

    — Infelizmente não. — Sarah até faz um bico com a boca para o lado.

    — Poxa! — Helvetia murmura desanimada.

    — Nos humanos, vivemos isolados do resto do mundo por causa dos androides. — Sarah encara vagamente o chão tortuoso marcado por pedras e raízes à frente. — Mesmo que você tenha se tornado algo assim, seria muito difícil eu ter conhecimento de tal feito.

    O olhar de Helvetia volta a brilhar como uma forja em temperatura máxima.

    Já o olhar de Shymphony se perde distante para frente. Adão continua atento ao redor. Todos já estão novamente em formação

    — Além do mais, uma arma ou armadura lendária, não é encontrada facilmente por aí. Então, quando fizer uma, leve ela para um lugar que seja mais difícil pegá-la do que foi de fazê-la. — Sarah termina de falar lançando um olhar de canto para Helvetia.

    — Eu nunca tinha parado para pensar nisso. — Helvetia olha para Sarah por um momento e volta a olhar para frente, para o escudo de Shymphony. — Uma arma não é só lendária por que foi feita com material poderoso, mas também pela dificuldade de se consegui-lo, e até de seus feitos. Uma arma sem feitos, não passa de uma decoração em algum lugar. — Agora ela coloca a mão no queixo e fica pensativa por um momento.

    — Se eu não me engano, uma das criações de Nor, tornarão um dos Hagads no Rei Deus Dragão, um título concebido exclusivamente por ter se tornado imbatível, mesmo entre sua espécie. — Sarah explana ao vento olhando para a mata ao seu redor.

    — Tive uma ideia, mas é bem maluca. — A voz de Helvetia até sai mais firme e com convicção.

    — Vou forjar algo que eu mesma irei usar. No que eu ainda não sei. Mas tem que ser um feito que marcará meu nome na eternidade.

    — Por que não viaja para o norte ajudar os Besbedesk a enfrentar demônios? — Shymphony olha por cima do ombro por um instante.

    — É uma boa, e tudo indica que não são só lendas. — Helvetia até aponta o dedo de leve para Shymphony. — De toda maneira, eu ainda preciso criar uma capaz de tais feitos.

    Assim, eles seguem caminho pela floresta. E tudo indica, que as coisas não serão mais fáceis daqui para frente.

    Um passo de cada vez, mas sempre para frente, é o que o mundo exige para aqueles que anseiam sobreviver e evoluir.


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