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Capítulo 191 — Tristeza
O estrondo de árvores tombando reverberava por toda a extensão da arena. Troncos gigantescos colidiam contra o solo encharcado como trovões sucessivos, espalhando aves negras risonhas e fazendo o chão vibrar sob raízes profundas.
O terceiro grupo ouviu, logo depois, um impacto ainda mais violento vindo da direção por onde o segundo grupo, liderado por Redgar, havia avançado.
Tály, que conduzia o maior dos quatro grupos formados por Cassian, não diminuiu o passo.
Seus olhos permaneceram fixos à frente.
Ela entendeu.
A primeira etapa do plano havia funcionado.
Eles haviam chamado a atenção.
O caminho… estava livre.
Seu pelotão reunia quase metade dos sobreviventes e carregava a missão mais arriscada: avançar o mais profundamente possível, aproximando-se do coração da floresta.
Quando Cassian interrogara os participantes mais experientes sobre as criaturas citadas por Sue, um deles explicou que os monstros das duas primeiras arenas eram elementais criados por magia antiga. Seres poderosos, porém instintivos, e que provavelmente haviam se mantido afastados ao perceber que o nível daquela Corrida de Ascensão superava qualquer presa que pudessem enfrentar.
A criatura da Arena das Árvores, contudo… era diferente.
Segundo o veterano, tratava-se da última de sua espécie ainda viva no continente do Oeste. Todo o restante havia recuado para a lendária Ilha Mítica, domínio das bestas mais antigas e mortais do mundo. Aquela não era uma entidade elemental. Era uma fera primordial. Territorial, consciente… e imprevisível.
Foi ao ouvir essa história que Cassian concebeu sua ideia.
E agora, aquele grupo carregava a responsabilidade de encontrar, a besta da floresta.
— É sério que vamos mesmo fazer isso? — resmungou um homem mais velho, a respiração pesada, a mão pressionando o lado ferido do corpo. — Já participei de uma Corrida de Ascensão antes… e ninguém jamais tentou algo assim. Esse príncipe excêntrico está nos levando direto para a morte.
— A maioria aqui pensa o mesmo — respondeu uma mulher, mantendo o arco firme enquanto avançava entre as raízes retorcidas. — A diferença… é que o plano dele faz sentido.
Ela desviou de um tronco caído sem sequer olhar para baixo.
— E, neste momento… não temos nenhuma ideia melhor.
O grupo continuou avançando.
Mais fundo.
Mais perto do centro.
Mais perto do desconhecido.
Acima das copas das árvores, a voz de Sue irrompia poderosa pelas arquibancadas.
— Senhoras e senhores!!! Os desafiantes se dividiram em quatro grupos, cada um avançando de uma forma completamente diferente! — Enquanto anunciava, os telões suspensos acima da floresta, visíveis apenas ao público, exibiam a movimentação estratégica de cada equipe. — Dois grupos avançam com cautela, um segue de forma discreta… mas o quarto está fazendo uma verdadeira bagunça e chamando a atenção de todos os desafiados ao redor!
Ela fez uma breve pausa, deixando a tensão crescer antes de continuar:
— Neste momento, os desafiados que perderam seus oponentes já recuaram para a Cidade de Ferro. Restam agora trinta de cada lado! E entre esses trinta… há uma competidora que eu sei que todos estão ansiosos para ver em ação…
A voz de Sue subiu, vibrante, carregada de expectativa:
— Celina ThunderBlade!
Mais uma vez, sobre o solo de terra encharcada, o grupo de Redgar se viu subitamente cercado — ao menos sete desafiados emergindo das sombras da floresta.
Marco se moveu primeiro, encostando as costas nas de Redgar, firmando posição.
— Manas poderosas… e alguns sem mana alguma. Provavelmente ARGENTECs. — avisou, sem tirar os olhos do cerco que se fechava. — Mantenham-se firmes! Precisamos segurá-los o máximo possível!
Vell engoliu em seco, mas assumiu postura de combate. Ajustou a lente vermelha diante de seus olhos e fixou o olhar na escuridão entre as árvores, analisando cada movimento inimigo.
Yssa saltou para o centro da formação e puxou a corda de seu arco branco, marcado por runas rubras. Da tensão da corda, uma flecha de fogo puro começou a se formar, crepitando em calor e luz. Seus olhos varriam todas as direções, localizando cada presença hostil ao redor.
Bane respirava pesado. Os fios ligados de sua coluna até a boca se esticaram, vibrando como cordas prestes a se romper. Seus músculos se contraíram violentamente, e as veias passaram a brilhar em um negro pulsante, atravessado por lampejos roxos.
— Vamos nessa! — rugiu, disparando em um salto brutal contra um inimigo oculto na copa de uma árvore.
No instante seguinte, a floresta explodiu em caos.
A batalha havia começado.
Bane atravessou o ar como um projétil vivo. O impacto contra o desafiante na copa da árvore sacudiu o tronco inteiro, espalhando folhas e estilhaços de casca. O inimigo mal teve tempo de reagir antes de ser lançado contra outro galho, mas, antes que Bane pudesse finalizar, duas silhuetas surgiram por entre as folhas. Lâminas rápidas, coordenadas e mortais miravam sua face.
No solo, Yssa soltou a corda.
A flecha de fogo cortou a escuridão como um raio incandescente, forçando um dos desafiados a recuar ao erguer uma barreira translúcida. O calor iluminou brevemente o campo, revelando posições e Marco percebeu mais oponentes.
— À esquerda! Dois avançando!
Vell girou o corpo, a lente vermelha brilhando. Símbolos luminosos surgiram diante de sua visão, traçando trajetórias, prevendo movimentos. Ele ergueu a mão até um botão na orelha direita, e um disparo concentrado de energia comprimida explodiu contra o primeiro atacante, vindo diretamente das lentes vermelhas. O primeiro foi pego em cheio de surpresa, mas o segundo veio logo atrás, descendo em golpe vertical.
Redgar interceptou.
Não com força brutal, mas com um simples olhar triste e desanimador. O atacante não percebeu a transição, mas de repente ele se encontrava em uma sala dentro de uma casa de madeira velha e podre, no distrito mais pobre e precário da Muralha Externa.
Ele via a si mesmo com quatorze anos encarando a própria mãe pendurada pelo pescoço por uma corda. Ele se lembrava de como ela o amava, mas não podia aceitar ser o motivo que prendia o próprio filho na pobreza. Ela sabia que se morresse o filho não ficaria preso a Muralha Externa e poderia ascender. Ela acreditava no seu potencial e deu a vida para que ele pudesse viver algo melhor sem peso na consciência.
Aquela visão tomou a mente do combatente que foi tomado por uma tristeza tão profunda que não pode mais erguer sua espada. Tudo o que ele ouviu foi a voz melancólica de Redgar no seu ouvido.
— Ela morreu por sua causa. Sua vida custou a dela. Não se sente culpado? Não foi aquela corda… Não… foi você que matou sua mãe.
O desafiado derramou lágrimas negras e pôs um fim a própria vida enfiando a própria espada no estômago.
Redgar não demonstrou vitória.
Apenas abaixou os olhos… como se sentisse a dor do outro.
Acima, Bane rugia.
Cercado por três, seus golpes eram selvagens, quase monstruosos. Um dos desafiados tentou perfurá-lo com uma lança de energia, mas os fios ligados à sua coluna vibraram violentamente e o golpe desviou por centímetros. Bane agarrou o inimigo pelo braço e o arremessou contra o tronco com força brutal. O tronco grosso da árvore se envergou com o impacto.
No solo, o cerco se fechava.
Sombras se moviam entre as árvores. Um disparo passou raspando pelo ombro de Marco. Outro cravou no chão ao lado de Yssa.
— Eles estão testando nossa defesa — Marco rosnou. — Ainda não vieram com tudo.
Yssa já puxava outra flecha. O fogo iluminava seu rosto tenso, as chamas contrastando com seus cabelos brancos.
— Então vamos forçar eles a vir.
Ela disparou três vezes seguidas.
O primeiro tiro explodiu contra uma árvore, espalhando chamas. O segundo obrigou dois inimigos a se revelarem. O terceiro…
Acertou.
O fogo não queimou comumente, ele consumiu instantaneamente a carne do alvo e os gritos ecoaram na floresta.
Por um instante, apenas um, o ritmo da batalha mudou.
E foi nesse instante que Marco sentiu.
Algo… errado.
Uma presença.
Mais forte que as outras.
Algo maior estava por vir.

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