Aos perturbados que leem isso, por favor comentem e avaliem a obra para que eu saiba que estão gostando. Se possível procurem acessar a comunidade do Reddit: r/InterRegna e façam suas perguntas por lá. Compartilhem essa obra para seus piores inimigos, e bebam água.

    Assim que descemos a colina, tropas inimigas nos renderam. Eles executaram o soldado Fragark restante. Quanto a nós, os escravos, fomos acorrentados e postos em uma carroça — pelo menos não teríamos mais que marchar. E nessa carroça, tendo pouco barulho e com a chuva cessando, dormi um pouco.

    No sonho, eu estava nu e no escuro. O chão era molhado e refletia tudo, a pouca luz que existia vinha das minhas cicatrizes, e graças à elas podia ver minha silhueta por completo. Eu caminhava por aquele espelho enorme sem uma direção, procurando algo que não podia achar naquela escuridão.

    “Então deixe que eu te guie”

    “Guiar para onde?” Pensei.

    “Para onde quiser, basta pedir”

    “Para a felicidade” Pensei.

    “Então ilumine o caminho”

    Então duas figuras apareceram na minha frente, eram Fidel e Sagi — estavam ajoelhados, nus e encarando o chão. Uma faca luminosa surgiu de uma cicatriz em minha mão direita, eu devia iluminar o caminho com ela.

    “Não posso, eu preciso deles” Pensei.

    “Eles apenas te atrasam, se liberte e poderá ir aonde quiser”

    Não precisei pensar muito, apenas neguei a oferta e virei as costas. Quando fiz isso, duas lâminas me atravessaram, eram de Fidel e Sagi.

    — Nunca abaixe a guarda — Disseram ambos.

    Acordei, estávamos chegando em uma cidade em ruínas, tomada por doenças e pragas. Pior que a vila usada como acampamento militar pelos Fragarks. Não havia vida entre as plantas, o chão era seco e parecia queimado. Pessoas iam e vinham tomadas por uma doença que as deixava cheias de bolhas e ferimentos nos rostos e mãos. Havia uma pilha com os corpos de recém-nascidos queimados logo na entrada, e mais outra com os corpos depredados de habitantes para serem queimados. As casas estavam caindo tomadas por um mofo que parecia as corroer.

    — Que lugar horrível… — Disse Naarus, não podendo conter o desgosto pela visão que tinha.

    O soldado não o repreendeu, parecia concordar com o comentário. Alguns dos habitantes se aproximaram da carroça e os soldados bateram neles para que se afastassem.

    — Soldado, onde estamos? — Perguntei.

    — Gargataul — Respondeu o soldado.

    Seguimos mais adiante por aquela cidade fétida, cujo odor se misturava em fezes, sangue e enxofre. A multidão era violenta e desesperada. Seus gritos por socorro ecoavam de todos os cantos, o choro e os pedidos de misericórdia eram uma sinfonia horrenda. Os soldados nos levaram até a mansão do prefeito, a única estrutura que não parecia estar sendo corroída pelo mofo. Os muros altos e portões de aço estavam cercados por outra multidão pútrida pelo flagelo que condenava aquela terra. Os soldados tinham que espetar, bater e até mesmo matar para mantê-los longe da mansão. Da mesma forma fizeram para abrir nosso caminho e podermos entrar sem intrusos.

    Do lado de fora, o prefeito já nos aguardava. Ele vestia um gibão azul rasgado e manchado, seus cabelos estavam caindo, a expressão cansada, olhos fundos como de alguém que não dormia. Ele estava acompanhado de mais dois soldados, que assim como aqueles que nos renderam, vestiam armaduras gastas e corroídas.

    — Esta é a nova remessa dos Fragarks? — Perguntou o Prefeito.

    — Sim, os capturamos no pé da colina — Respondeu o Soldado.

    — Poucos, não? Tinham nos garantido trinta — Disse o Prefeito, enquanto nos analisava.

    — Nós emboscamos os Fragarks como pediu. Atiramos apenas neles, tentamos ao máximo não atingir os escravos, porém acabou tendo um deslizamento e alguns morreram — Disse o Soldado.

    — E quanto aos Fragarks? Morreram todos? — Perguntou o Prefeito me encarando.

    — Matamos o último deles no pé da colina, nenhuma baixa de nossa parte. — Disse o Soldado.

    — Muito bem, enviarei uma carta aos Fragarks dizendo que houve um deslizamento e a mercadoria não chegou. Mantenham a formação da colina, e dessa vez podem usar flechas, quero o mínimo possível de perdas. — Disse o Prefeito — Vocês escravos, venham comigo.

    Soldados continuaram nos conduzindo até o salão da mansão. Era um belíssimo salão, com paredes e tapetes vermelhos, adornado com entalhes dourados e tapeçarias com diversas imagens gloriosas de um passado muito distante. Removeram nossas correntes e nos puseram à mesa. Serviram-nos com boa comida e vinho, enquanto isso o Prefeito organizava tudo e nos observava.

    — Estão bem servidos? — Perguntou o Prefeito.

    — Acho que sim! — Respondeu Fidel com excitação.

    Outros fizeram o mesmo comentário, mas eu me mantive calado. Comi aquela comida tendo um amargo na boca, apesar de termos sofrido até chegar ali, talvez essa boa comida pudesse ser dada às pessoas do lado de fora desta mansão. E não só isso passava em minha mente, como também a conversa anterior e a forma como executaram aquele Fragark rendido. O decapitaram sendo que ele sequer os atacou, e agora sabia que eles, os soldados dessa cidade e os Fragarks trabalhavam juntos.

    — Bom, senhores, espero que aproveitem a estadia em minha mansão. Como vêem não quero o mal de nenhum de vocês, porém tenho um favor à pedir — Disse o Prefeito.

    — Quando a esmola demais o santo desconfia… — Eu disse.

    — Perspicaz… enfim, direi a vocês mais tarde. Por ora, meus soldados prepararão um banho e darão roupas limpas — Disse o Prefeito.

    Nos levaram até a extremidade esquerda da mansão, onde havia uma enorme sauna e nove banheiras exatas. Esfregadeiras nos limparam e posteriormente nos vestiram. Um concierge nos guiou até o andar superior, e apresentou nossos quartos — sendo que dois quartos divididos entre dez, e Fidel ficaria com um só para si, mas trocou comigo. Demorei para pegar no sono, o quarto e a cama eram excelentes, mas ainda podia ver da janela os pobres flagelados tentando entrar na mansão. E mesmo não ouvindo seus gemidos, apenas saber que o que nos separava era um muro mofado e guardas cansados me deixava alerta.

    “Você com certeza não deve se aproximar demais deles” Disse Sagi “Essa doença é semelhante, mas pior que lepra”

    “Sabe o que é?” Perguntei em pensamento.

    “Não tenho ideia, nunca vi algo tão horrível. Só que em Tarfryet esse tipo de anomalia é normal” Disse Sagi.

    “Por que?” Perguntei em pensamento.

    “Não sei a história direito, mas algum rei dessa terra ofendeu um deus superior e desde então essas maldições vem surgindo” Disse Sagi.

    Terras abandonadas pelos deuses. Isso explica muita coisa, mas durante a marcha passamos por muitos lugares cuja paisagem era saudável. O que havia de diferente nessa cidade? Era como se um flagelo tomasse não somente as pessoas, mas tudo nesse lugar.

    Pensei nas possibilidades até dormir. Tive novamente o mesmo sonho anterior. Sagi e Fidel ajoelhados em minha frente, a faca de luz surgindo de uma cicatriz. Dessa vez, tive um pouco de relutância, queria cortar suas gargantas. Não as cortei, e no mesmo instante que abandonei a faca, novamente ambos me perfuraram.

    — Não confie… — Disseram ambos.

    Na manhã seguinte, o Prefeito nos preparou um desjejum matinal farto. Havia leite, vinho, chá e mesmo cerveja para beber; já de comer havia pão fresco, bolos, tortas, presunto e frutas. Um verdadeiro banquete, ele não comia, mas nos observava comer e perguntava se estávamos satisfeitos ou se queríamos algo mais.

    — Eu gostaria de um pouco de geleia! — Pediu Fidel erguendo a mão.

    Num instante os guardas serviram geleia para todos. Diferentes tipos para todos os gostos, Fidel se deliciava, e bradava para mim que eu deveria aproveitar mais a cortesia de nosso anfitrião — para mim Fidel não agia diferente de um porco tendo sua última refeição antes do abate.

    — Imagino que os senhores estejam bem descansados, acomodados e satisfeitos. Então posso ter a atenção de todos para um pedido? — Disse o Prefeito.

    — Sim — Responderam todos.

    — Pois bem, peço que morram por essa cidade — Disse o Prefeito.

    Aos perturbados que leem isso, por favor comentem e avaliem a obra para que eu saiba que estão gostando. Se possível procurem acessar a comunidade do Reddit: r/InterRegna e façam suas perguntas por lá. Compartilhem essa obra para seus piores inimigos, e bebam água.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota