Mesmo estando fora de sua realidade financeira, Noah, decidido, seguiu em frente e passou todas as informações que a atendente lhe pediu, se informou de tudo o que podia e então, com a cabeça sobrecarregada por inquietantes pensamentos, saiu de casa para se distrair e se preparar psicologicamente para o que estava por vir dali em diante.

    O primeiro lugar ao qual veio em sua mente enquanto se arrumava para sair de casa foi a mesma cafeteria de sempre e, ao chegar lá, se deparou com uma placa de “fechado” pendurado na entrada, lhe deixando surpreso, ainda assim podia ouvi-las lá dentro, por isso bateu na porta trancada esperando que o notassem.

    Levou um tempo para que se manifestassem, mas não foi bem da forma que estava esperando. A Giulia pôs a cabeça para fora da janela de sua casa, que ficava logo acima da cafeteria. Ela estava claramente aliviada, demonstrava isso tanto em suas palavras ao ver que era só ele na porta, quanto no jeito que agia, até quando gritou para a André avisando que podia abrir a porta.

    Confuso com tudo aquilo, sequer conseguia pensar em uma única possibilidade sabendo com o que trabalhavam por baixo dos panos, por isso não era capaz de imaginar no que poderia ser tão assustador assim para estarem tão desesperadas, de qualquer forma, agiu normalmente, comprimentando-as logo em que abriram a porta. Estava tudo uma completa bagunça do lado de dentro.

    — Nossa… — murmurou, surpreso. — O que é que está acontecendo aqui para todo esse alvoroço? — contestou ainda perplexo. — Finalmente encontraram alguém com quem não consigam lidar? — perguntou sarcasticamente para descontrair.

    — É… você acertou! — confirmou Giulia, descendo com uma caixa em mãos. — E é por isso que estamos indo embora — contou pondo a caixa no balcão.

    — O que? Quem? — perguntou, horrivelmente surpreso. — Se for piada, isso não tem um pingo de graça.

    — Não é piada! Se ficarmos aqui nós morreremos… — reforçou André, que terminava de ajeitar as coisas da cozinha dentro das caixas.

    — O que houve? — perguntou, curioso, sentindo o medo nos olhos dela, largando a sua mochila justo aonde ela deixaria a pesada caixa para atrair a sua atenção.

    — É arriscado! — alertou André.

    — Somos melhores amigos, não importa o que seja, eu quero saber para tentar ajudar, assim como me ajudaram até então.

    — Ele tem o direito de saber, afinal, foi ele quem começou com tudo isso, nós estamos nessa situação por que nos intrometemos onde não devíamos! — expôs Giulia.

    — Tem razão — concordou André, largando a caixa pesada no chão.

    — Do que é que vocês estão falando? Não sei se perceberam, mas eu caí paraquedas no meio do problema de vocês.

    — No início, achávamos que era uma piada, uma tentativa sua de nos zoar, mas então vimos que você estava falando sério, que realmente acreditava em suas palavras…

    — Fala dos supers!? — ponderou Noah, cortando a Giulia.

    — Isso…! Resolvemos te apoiar por ser o nosso amigo, só que conforme você chegava cada vez mais perto de uma resposta, vimos que não era só sua imaginação, ainda mais com esses constantes casos que vêm acontecendo, que começaram antes que você passasse por aquele incidente. Então nós resolvemos buscar respostas por conta própria, nos baseando nas suas descobertas, e descobrimos que se tratava de uma espécie de arma vendida no mercado negro, que todos os maiores traficantes usavam para dominar mais e mais territórios, foi a causa da devastadora guerra dos traficantes que destruiu parte de uma cidade, mas o buraco é bem mais fundo do que pensávamos… Se lembra daqueles clientes que vieram aqui outro dia?

    — E tem como esquecer? — perguntou, sarcasticamente, para descontrair.

    — O negócio é sério — disse André.

    — Desculpa, é meu jeito de lidar com essas coisas! Continue.

    — Eles apareceram, cumprimentaram a gente e falaram que estavam viajando ao redor do país experimentando comidas diferentes, mas aquilo era apenas um disfarce. Os dois eram profissionais, de alguma maneira, sem que percebêssemos, eles haviam nos prendido nesse lugar depois que voltamos do hospital, estava tudo trancado, até a porta no topo das escadas tinha sido trancada. E só depois que nos trancaram que eles deram as caras e logo percebemos que não estavam sozinhos. Achavam que fazíamos parte de uma tal de organização, provavelmente rivais deles… Os supers e as armas não são o que pensávamos que eram… Se não tivéssemos um alarme silencioso para pedir socorro as gangues que nos protegem para afugentá-los, nós não estaríamos aqui agora.

    “CLACK-CLACK-CLACK-CLACK…!”

    Ao tentarem abrir a porta, todos se calaram e o som da maçaneta mexendo tomou conta do ambiente enquanto, apreensivos, a encaravam. Então, logo em que pararam de mexer nela, Giulia sussurrou falando para começarem a levarem as coisas mais importantes para o porão e pediu a ajuda de Noah para que eles terminassem o mais rápido que pudessem, enquanto aturavam todo o barulho que os supers faziam na tentativa de entrarem.

    Porém, sendo pessoas que estão mexendo constantemente com o perigo, elas haviam reforçado todo o lugar, só que não sabiam o quanto desse reforço aguentaria o poder dos invasores, por isso, perante ao desespero, elas concordaram em deixar diversas caixas para trás, só pegando o essencial e tudo o que continha um grande valor sentimental, além de acionarem o alarme silencioso para receberem o suporte das gangues.

    Ao terminarem trancaram a escondida entrada para o porão, torcendo para que não descobrissem tão cedo que o carpete em frente à escada não era somente um enfeite bonitinho e sim a passagem para o porão, onde elas continham um túnel com um caminho amplo o suficiente para uma pessoa passar confortavelmente, além de ser bem reforçado e iluminado, que seguia por baixo de três quadras de distância, que os levaram até uma casa abandonada.

    Com tantas coisas para carregarem, eles tiveram que usar de um carrinho de puxar grande para cada um para que pudessem levar tudo de uma vez, no entanto, antes que seguissem em frente, esconderam a passagem com um armário acoplado à parede, no qual a sua única função era de cobrir a passagem, para só então, por fim, eles seguirem em frente, dando amplas passadas para assim se distanciar o mais rápido possível enquanto continuavam de onde pararam a conversa.

    — As informações que nós conseguimos são muito rasas, mas o bastante para atrair a atenção indesejada. As pessoas dessa organização, que estão atrás de nós, são as mesmas pessoas que comercializam algo que chamam de fragmentos. À primeira vista se parecem com pequenas e insignificantes pedrinhas coloridas, com múltiplas cores e tonalidades, mas, pelo que parece, comportam uma massiva quantidade de energia dentro…

    — Uma espécie de bomba? — comentou Noah, interrompendo a Giulia. — Quando fui até a Game-Fox, o que havia dentro da maleta explodiu, destruiu as minhas roupas e quebrou a minha câmera.

    — Ah não, destruíram o presente que importei dos Estados Unidos no seu aniversário — interrompeu André, chateada com a informação.

    — Sim, foi mal, eu fiquei tão focado em não deixar nada passar que não a segurei com força o suficiente, então ela saiu voando da minha mão com a explosão.

    — Tudo bem, não dava para você saber.

    — O que houve depois? — perguntou Giulia, curiosa.

    — Eu tinha desmaiado com a explosão, só que quando acordei, uma mulher estava lá, ela havia ido atrás daquele fragmento. Ela estava sendo muito cautelosa para pegar o fragmento que tinha dentro daquela maleta e guardá-lo. E então eu apaguei.

    — Uma super? — perguntou Giulia.

    — Não sei… — disse Noah.

    — Nós chegamos! — avisou André, de frente para uma escada de mão presa na parede. — Vamos acabar com isso logo. — disse, nervosa.

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