CAPÍTULO 18: OS GUARDIÕES (1/4)
Depois de ter sido aceito como membro temporário da organização, Noah foi apresentado a outro novato ali dentro. Ele tinha uma aparência delicada, como se bastasse levar um tapa para ser derrubado no chão em uma luta; seu rosto era fino e todo o seu corpo também lhe parecia ser, o cabelo liso e todo ajeitadinho, os seus olhos verdes e a sua expressão calma e despreocupada.
O seu estilo de roupa chamava muito a atenção, eram roupas elegantes, e o que mais chamava a atenção de suas vestimentas era o casaco sobretudo que utilizava. Ele se apresentou a Noah como Kevin, e havia acabado de começar as aulas preparatórias para fazer o exame para se tornar um recruta.
Kevin, responsável por mostrar o lugar, começou pelas duas primeiras portas nas quais se depararam ao saírem da sala do Diretor e do Vice-Diretor, à direita deles havia o armário de limpeza, um armário normal, exceto pelo fato de conter uma passagem secreta em casos de emergência.
À esquerda, a cozinha, uma cozinha normal que era um pouco maior que o armário de limpeza. No corredor, à direita deles, estavam os equipamentos, de um lado as armas e um espaço para montagens, desmontagens e reparos desses armamentos, e do outro a mesma coisa, mas com os equipamentos auxiliares.
No corredor da esquerda deles, estavam os armários da equipe, onde ficavam os uniformes feitos especialmente para cada um, uniformes que combinavam com o estilo de combate de cada membro da organização e com os equipamentos pessoais deles, os quais também ficavam nos seus armário, e na outra porta estava o banheiro, onde poderiam tomar banho e fazer suas necessidades, era um banheiro espaçoso e confortável.
Por fim, antes de chegarem ao elevador, ele mostrou a Noah as duas últimas portas que faltavam: de um lado estava todo o sistema de segurança, e alguém ali monitorando a cada inversão de turno, e na outra porta havia uma escada caso o elevador parasse de funcionar.
— Pode falar, isso não é nem um pouco o que você estava esperando, certo? Ou estou errado? — contestou Kevin, com toda a certeza do mundo.
— Bem, eu esperava uma base gigantesca, com, ao menos, centenas de pessoas, mas pelo que eu vi não deve ter nem vinte pessoas aqui.
— Isso é porque trabalhamos em turnos, nós também precisamos de um descanso.
— E isso é trabalho? — perguntou enquanto entravam no elevador.
— Se exige esforço e somos remunerados por isso, então é um trabalho, pelo menos é como eu penso — contou ao apertar o botão que os levaria para o andar térreo.
— Então vou receber um salário por isso?
— Não exatamente… Você vai receber de acordo com a dificuldade de cada tarefa que for concluída, como adquirir informações, ajudar alguém, essas coisas. Também têm as tarefas da empresa, que, apesar de ser só uma empresa de fachada, ainda rende dinheiro e nos ajuda a nos manter — explicou.
— Então eu ganho por comissão?
— É isso!
— E o que fazemos nessa “empresa”, exatamente?
— Fazemos de tudo, desde achar um gatinho perdido na rua, por exemplo, até serviços de guarda-costas, varia muito… Mas rende bastante dinheiro!
— Saquei. E eu começo a fazer essas budegas quando?
— Não faremos nada realmente rentável enquanto não formos recrutados, só trabalhos simples para nos adaptarmos ao ambiente e termos uma noção de como as coisas funcionam aqui dentro. Logo pela manhã teremos aula e à tarde iremos trabalhar, mas fique tranquilo, isso só vai durar três meses. Agora chega de perguntas, deixa eu te mostrar o condomínio onde você vai ficar, até poder comprar a sua própria casa, e o local onde teremos nossas aulas. Temos um longo caminho pela frente.
Com o andar do caminho, Kevin foi lhe apresentando parte da cidade, ele fez a rota mais longa para que pudesse mostrar tudo o que tinha de bom na humilde região, além de todos os lugares sob o domínio de membros da organização.
O lugar mais próximo deles era o “Bar do Sebastião”, um lugar onde podiam se divertir, descansar e encher a cara. Logo em seguida foram até uma biblioteca, na qual escondia uma sala sob os pés de quem entrava lá, onde tinham acesso através de uma passagem secreta logo abaixo do carpete. E nessa pequena sala continha centenas de livros sobre a história dos “guardiões”, nome esse que aparecia no título da maioria dos livros; aquele era o lugar favorito de Kevin, tanto que ele ia constantemente lá, e ficava conversando com a Maria, dona e recepcionista da biblioteca.
E então seguiram em frente, passaram por lugares vandalizados, mal cuidados pelo governo, sorveterias, lanchonetes, lojas e mais lojas que haviam no belo centro da cidade, o único lugar que a prefeitura mantinha reformado, passaram por uma praça que havia por perto e compraram um pastel em uma barraquinha famosa na rua.
No entanto, nada daquilo era tão importante quanto o “Torres Restaurante”, pertencente a um outro aposentado membro da organização, o velho Torres, como Kevin o chamou logo quando entraram no movimentado lugar; ali era onde geralmente se reuniam quando necessário, tanto que o lugar era fechado algumas horas antes da reunião.
E, por fim, chegaram aos condomínios. O terreno era enorme, com uma garagem a céu aberto na frente, com espaço para dez carros grandes, o mesmo número de portas que ficava à vista de quem olhava de fora.
A segurança não era das mais reforçadas, pois tudo o que impedia de alguém entrar ali eram as grades, o grande portão de entrada e saída para os veículos e outro pequeno portão para as pessoas, a cerca concertina em cima das grades e o porteiro que ficava controlando o fluxo do cortiço, anotando todas as movimentações.
Das dez habitações, cinco ficavam embaixo e as outras cinco em cima, havendo uma escada para chegar até elas. Por dentro, os habitats eram todos iguais, retangulares e bem pequenos, continha uma cozinha do outro lado da porta, onde ficava a enorme janela e outra porta um pouco antes do meio daquele retângulo, onde ficava o compacto banheiro, outro retângulo que completava o apartamento.
Apesar de ser um acanhado espaço, Noah já conseguia imaginar como que deixaria aquele lugar, separaria a cozinha do espaço que seria seu quarto/sala de estar, colocando uma parede de madeira repleta de quadrados que dessem para ver do outro lado, apenas por estilo, deixaria a cozinha pequena para ter mais espaço onde dormiria, colocaria uma cama de chão e uma cômoda com uma tevê em cima, ao lado da porta do banheiro.
Na cozinha, tudo o que precisaria era de uma mesa que não ocupasse tanto espaço, uma pequena geladeira e um pequeno fogão, que nem era na sua antiga casa, o resto pensaria depois, mas só com isso ele já havia ficado animado, o suficiente para tirar de dentro de si um pouco do nervosismo.
Só de imaginar algo melhor do que o colchão dobrável e o travesseiro que havia sido deixado ali para que ele passasse a noite, o deixava mais relaxado. Ser capaz de vislumbrar um futuro decente era reconfortante.
— Sei que não é muito o que você tem aqui, mas com o tempo você vai deixar isso do jeito que preferir, ao menos dentro dos limites do apartamento — disse Kevin. — E caso queira alguma coisa, eu moro no terceiro apartamento.
— Bem, se você tiver algum video-game portátil para me emprestar, ou alguma história em quadrinhos, ou um livro, qualquer coisa que faça essa noite não ser tão tediosa o quanto parece que vai ser; seria uma boa.
— Sei como é uma merda ficar sem nada para fazer. Mas eu tenho um livro que vai ser útil para você e matar a sua curiosidade sobre a organização, digo isso porque eu vi o quão interessado nisso você estava na biblioteca.
— Deu para perceber?!
— Só faltava estar escrito na sua testa — brincou Kevin. — Eu vou lá buscar. Se quiser vir junto, eu não me importo.
— Admito estar um pouco curioso — confessou, o seguindo.

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