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    — Tem mais três se aproximando por trás. — Lafral segura o tom da voz que sai trêmula.

    Miguel é o primeiro a se preparar para o combate enquanto seu olhar despenca para o chão e procura um pouco de ar para seus pulmões.

    — Sarah, Bernardo e Iris. Vocês ficarão responsáveis pelos dois a frente. Sebastian e Lafral me deem cobertura. — Enquanto fala, seu olhar vai se levantando e se direcionando para Miriane que já segura sua espada longa para cima com as duas mãos e olhos fechados enquanto começa a sussurra alguma coisa.

    — Mil noites e Mil dias.

    Infinitas mortes e uma só vida.

    Diante daqueles que atentam contra mim.

    Eu lhe usarei para um único fim.

    E quando o sangue derramado.

    Que esse ato, possa ser perdoado.

    Quando termina abre os olhos e respira de forma mais prolongada.

    A lâmina branca reluz pedindo por sangue enquanto os detalhes dourados em seu centro, parecem sofisticados de mais para tal desfecho. Na ponta do cabo, um núcleo rustico de n2 avermelhado que mais parece um cristal clama por seu momento de ação.

    — Você já sabe o que fazer! — Miguel deixa as palavras enquanto solta uma pequena mochila de primeiros socorros ao lado de Sarah e já vai se virando em direção a Lafral.

    — Bernado e Iris, vocês descem pela esquerda, eu vou pela direita. Sarah, quando eu passar da primeira árvore, tente acertar qualquer um dos dois, e depois volte a mira para o milharal. — Miriane explana já dando alguns passos para o lado e saindo da sombra de uma das árvores.  Quando pisando no começo da descida da colina lança um olhar para o outro lado e vê Iris logo atrás de Bernardo já fazendo a descida.

    Então ela espera mais alguns segundos, até que eles alcancem metade do percurso, quando o fazem, ela dispara com uma arrancada que faz Sarah desviar o olhar por um momento diante de tanta potência.

    No tempo exato em que Bernardo e Iris atravessam por entre duas árvores, Miriane faz o mesmo do outro lado. Pela visão periférica, Sarah percebe que seu momento chegou.

    Quando o primeiro deles aparece por entre um espaço livre as copas das árvores, o primeiro tiro ecoa por toda a planície abaixo. Enquanto corre em direção aos mercenários, Miriane consegue ver por entre os galhos e troncos aquele que está em cima de uma árvore mais à frente. Ele segura um arco longo enquanto vira sua mira para o topo da colina.

    Nesse momento ela faz uma freada brusca que chega a arrancar alguns matos baixos e finos com um dos pés. Então se vira com a testa franzida buscando olhar para Sarah, mas tudo que encontra é a algumas árvores fazendo sombra para nada mais que terra seca. Quando vê um leve movimento por de trás de uma arvore, solta o ar que prendia até agora, e já vai se virando para seu objetivo inicial, e com outra arrancada dispara enquanto segura a espada mais firme do que antes.

    Após alguns metros, quando vasculha o cenário a frente, o que ela vê tira um leve sorriso de canto de boca e a faz mudar a rota da corrida indo em direção ao arqueiro na árvore.

    Um dos mercenários ali naquele trecho de mata, está escondido atrás de uma árvore grossa enquanto segura um punhal curvado com a mão direita e um pequeno escudo arredondado está preso a mão esquerda. Ele respira ofegante enquanto olha para o cadáver de seu parceiro caído a seu lado. O sangue escorre por um buraco onde deveria ser o olho direito.

    Sem tempo para pensar, vira a cabeça na direção de Bernardo que a passos calmos, se aproxima já de viseira fechada e espada para frente empunhada com as duas mãos. Pelas frestas na faixa de metal, ele observa atentamente o tronco da árvore onde o mercenário está.

    Iris está a alguns passos atrás, ela encara o cadáver por mais tempo que o necessário enquanto seus passos, ao contrário dos de Bernardo, mal fazem barulho.

    Do outro lado da colina, na parte íngreme. Sebastian com o coração mais acelerado do que nunca, dispara a toda velocidade em direção ao mercenário que vem pelo meio. O homem de barba rala, corpo entroncado e músculos a vista, empunha um machado de dois lados que descansa sobre o ombro esquerdo. Com o olhar calmo e um sorriso de canto de boca, continua andando a passos calmos, até aproveita um momento para massar a mão no cabelo e jogar os fios castanhos e médios para trás.

    Miguel que está escondido atrás de uma pedra cravada na colina, primeiro observa por um lado, a correria de Sebastian e o posicionamento de Lafral a vários metros para trás e acima de Sebastian. Depois mais ao fundo, outro mercenário, empunhando uma cimitarra larga, se movimenta de forma que deixa claro suas intenções de atacar Lafral no momento de entrar no alcance.

    E por último, do outro lado da pedra, à espreita, o terceiro mercenário, está parado a vários metros colina abaixo, ele segura um arco médio feito de uma madeira toda irregular e marrom. A flecha está armada em tons brancos que contrasta com suas vestes escuras de couro e tecido.

    Miguel respira fundo e coloca o capuz verde-escuro sobre a cabeça.

    Ele pega uma flecha que tem a ponta negra e achatada, mas diferente das flechas comuns, essa tem penas só de um lado da base. Ainda encostado na pedra, ele arma a flecha e aponta para esquerda na direção para onde o mercenário da cimitarra estava indo, ele ainda não apareceu no campo de visão, mesmo assim ele dispara.

    A flecha inicia a trajetória, mas não demora e começa a se desestabilizar e mudar a direção a ponto de fazer uma curva em direção ao mercenário que não tem visão de Miguel. Mesmo perdendo potência, a flecha ainda acerta em cheio na panturrilha do homem que cai gritando de dor ao ponto de largar a arma.

    Nesse momento o arqueiro abaixo se descuida e perde o foco por um instante, tempo o suficiente para Miguel já com outra flecha armada, essa com todas as penas no lugar, se posicionar já disparando. Quando o arqueiro percebe seu erro pela visão periférica, já e tarde demais. Nem gritar lhe é permitido, pois a flecha está atravessada em sua garganta. Logo o sangue toma conta de tudo por dentro, o fazendo se afogar justo da mesma forma que já fez com tantos outros.

    No instante seguinte, uma flecha negra passa voando por cima de Sebastian que só a percebeu o mercenário a frente a bloqueou com a lâmina do machado.  O homem perde o sorriso enquanto seu olhar foca por um momento em Lafral, e depois no seu parceiro rastejando ainda com a flecha na perna.

    Ele solta uma bufa de ar com as bochechas cheias e empunha o machado com a mão direita. Então dá um passo à frente no momento em que Sebastian entra no seu alcance. Com um movimento mais rápido e contundente do que se espera de alguém que usa tal arma, ele executa um golpe horizontal bem na direção da cabeça dele.

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