O jogo recomeça rápido.

    O escanteio do Time U não resulta em nada.
    Genjiro corta de cabeça, a bola sobe e cai na intermediária.

    Akira chega primeiro.

    Domínio limpo.

    No primeiro tempo ele teria acelerado.
    No começo do segundo tempo ele teria tentado o chute.

    Agora…

    ele olha.

    Não pro gol.

    Pro campo.

    A Visão Astral se abre como um mapa vivo.

    Linhas surgem.
    Movimentos possíveis aparecem.

    E no meio de tudo isso…

    Renji.

    Correndo pela direita.
    Ritmo quebrado.
    Corpo leve.

    Akira toca.

    Simples.
    Rasteiro.

    Renji recebe já girando.

    — Heh… então você aprendeu. — ele sorri.

    Freestyle Monster.

    Um passo falso.
    Uma pedalada solta.
    O corpo dança em volta da bola.

    Zan tenta acompanhar.

    Tarde demais.

    Renji solta de volta.

    Akira já está em movimento.

    Passe de primeira.

    Sem dominar.

    TAC.

    A bola volta pra Renji.

    Um-dois.

    Mas não é só troca de passes.

    É ritmo.

    Aizawa percebe.

    — Eles estão criando fluxo…

    Renji corta pra dentro.

    Akira acompanha pelo meio.

    Hiori se projeta pela esquerda.

    Três linhas ofensivas.

    Baraki fecha o centro.

    — Vocês não passam. — ele rosna.

    Renji não desacelera.

    Freestyle Monster muda de direção de novo.

    Mas dessa vez…

    não é pra driblar.

    É pra criar ângulo.

    Ele toca curto.

    Akira recebe de costas.

    Aizawa já chega.

    Mas Akira não tenta virar.

    Ele só escora.

    De calcanhar.

    A bola volta pra Renji.

    Livre.

    A defesa do Time U trava por um instante.

    Porque ninguém esperava aquilo.

    Renji arma o chute.

    Freestyle Shot.

    A bola sai girando, com efeito absurdo.

    O estádio prende o ar.

    Aizawa mergulha.

    A bola passa por ele.

    Vai…

    vai…

    CLANG!

    Explode na junção da trave com o travessão.

    O estádio solta um grito coletivo.

    Renji cai de joelhos.

    — AAAAH! QUASE!

    Akira para, olhando o lance terminar.

    Não frustração.

    Avaliação.

    — Funcionou.

    Renji olha pra ele.

    — De novo.

    Akira responde na mesma hora.

    — De novo.

    Do outro lado do campo…

    Aizawa se levanta lentamente.

    Respiração pesada.

    Ele olha para os dois.

    Akira.

    Renji.

    E entende algo que não tinha entendido até agora.

    — Eles não estão tentando me superar individualmente…

    — Eles estão tentando me fazer escolher.

    E se Aizawa tiver que escolher…

    alguém vai ficar livre.

    Baraki estala o pescoço.

    — Então esse é o novo Akira…

    Agi gargalha.

    — Ahhhh… agora ficou perigoso.

    O jogo continua.

    Mas uma coisa está clara para todo mundo em campo:

    Akira não está mais tentando ser o melhor jogador.

    Ele está tentando…

    fazer o campo inteiro jogar melhor.

    E isso…

    é muito mais difícil de parar.

    A bola volta para o Time Z.

    Hiori recebe no meio.

    Ele não olha para frente.

    Olha para Akira.

    Akira não pede a bola.

    Só levanta dois dedos.

    Sinal.

    Hiori entende.

    Passe curto.

    Akira domina… mas não segura.

    Toca de primeira para Renji.

    Renji já vem correndo.

    Freestyle Monster ativa.

    O corpo dele inclina para a esquerda, mas a bola escapa pela direita.

    Zan trava.

    — “Que—?!”

    Renji não avança.

    Ele puxa a bola para trás.

    Akira já está ali.

    TAC.

    Passe rápido.

    Akira gira.

    Hiori dispara pela esquerda.

    Renji corta pelo meio.

    É uma dança.

    Três jogadores.

    Seis movimentos.

    Nenhuma palavra.

    Akira toca para Hiori.

    Hiori nem domina.

    Passe de calcanhar.

    Renji recebe girando.

    Aizawa fecha o espaço.

    — “Agora eu peguei vocês.”

    Mas Akira já passou.

    Renji levanta a cabeça.

    — “Vai!”

    Passe enfiado.

    Akira dispara.

    Sniper Dash.

    A defesa se fecha inteira no centro.

    Era exatamente o que eles queriam.

    Akira não chuta.

    Ele vira o corpo e toca aberto.

    Lateral direita.

    Tsubasa.

    Livre.

    O estádio percebe antes da defesa.

    — “ABERTO!”

    Tsubasa domina.

    A Pantera Vermelha surge.

    O corpo dele inclina para frente como se fosse disparar.

    Mas ele não corre.

    Ele cruza.

    Não é um cruzamento comum.

    É um disparo curvo.

    A bola sobe, gira, corta o ar em diagonal perfeita.

    Um cruzamento impossível.

    Akira já está entrando na área.

    Ele calcula o quique.

    — “Agora!”

    Chute de primeira.

    BANG.

    Mas antes da bola sair…

    uma sombra atravessa o caminho.

    Kira.

    Ele desliza.

    Intercepta com a perna esticada.

    A bola explode para o meio-campo.

    — “VOCÊ NÃO MARCA NA MINHA FRENTE!” — Kira grita.

    Ele levanta com a bola já dominada.

    Agi aparece ao lado dele.

    Sorriso largo.

    — “Contra-ataque?”

    Kira toca.

    Agi devolve.

    TAC.

    TAC.

    TAC.

    Os dois avançam em velocidade absurda.

    Troca de passes rápida demais.

    Genjiro tenta fechar.

    Falha.

    Akira corre atrás.

    Mas eles já passaram da linha do meio.

    Agi ri.

    — “Tá vendo? Isso é futebol de verdade.”

    Kira se prepara para receber de volta.

    Gol praticamente aberto.

    Agi toca.

    Mas a bola não chega.

    Um pé surge no caminho.

    Intercepção brutal.

    Baraki.

    Ele simplesmente tomou a bola do próprio time.

    Silêncio.

    Agi freia.

    — “Oi?”

    Kira arregala os olhos.

    — “BARAKI?!”

    Baraki nem olha para eles.

    — “Vocês dois são barulhentos demais.”

    Ele pisa na bola.

    Levanta a cabeça.

    E toca.

    Passe limpo.

    Direto para Nikoji.

    — “Agora joga sério.” — Baraki diz.

    Nikoji recebe.

    A Visão Astral explode no campo.

    Linhas surgem.
    Movimentos aparecem.
    Probabilidades se alinham.

    Ele vê.

    O espaço.

    Entre Genjiro e Daichi.

    Exatamente onde ninguém está olhando.

    — “Achei.”

    Passe cirúrgico.

    A bola corta a defesa como bisturi.

    Baraki já está correndo.

    Ele recebe dentro da área.

    Domínio perfeito.

    Chute seco.

    A bola entra no canto.

    Sem chance.

    Rede balança.

    O estádio explode.

    O narrador grita:

    “GOOOOOOOOOL DO TIME U!”

    Baraki nem comemora.

    Só olha para Kira e Agi.

    — “Se vão brincar…”
    — “Saiam do meu campo.”

    Placar muda.

    Time U: 3 — Time Z: 2

    Akira observa tudo em silêncio.

    Mas dessa vez…

    não é desespero.

    É cálculo.

    O jogo ficou mais perigoso.

    Muito mais.

    O placar eletrônico brilha no alto do estádio.

    Time U — 3
    Time Z — 2

    O barulho da torcida não diminui.

    Pelo contrário.

    O estádio parece sentir que o jogo entrou em um novo nível.

    No lado do Time Z, os jogadores se reúnem rapidamente.

    Renji passa a mão no cabelo, irritado.

    — “Sério mesmo… aquele Baraki roubou a bola do próprio time.”

    Genjiro bate a mão na própria perna.

    — “Isso foi puro domínio. Ele manda até nos aliados.”

    Hiori respira fundo, tentando manter a cabeça fria.

    Akira chega por último.

    Silencioso.

    Todo mundo olha para ele.

    Por um instante ninguém fala.

    Até que Nakki quebra o silêncio.

    — “A gente quase fez dois gols seguidos…”
    — “Mas ‘quase’ não muda o placar.”

    Keo encosta no poste imaginário da conversa, braços cruzados.

    Observando.

    Calculando.

    Akira finalmente fala.

    — “A defesa deles não é perfeita.”

    Renji levanta uma sobrancelha.

    — “Sério?”

    Akira continua.

    — “Mas ela só quebra de um jeito.”

    Ele desenha no ar com a mão.

    Movimentos.
    Linhas.
    Trocas rápidas.

    — “Troca de passes rápida.”
    — “Movimento constante.”
    — “E finalização limpa.”

    Genjiro concorda na hora.

    — “Fluxo ofensivo.”

    Hiori completa:

    — “Forçar Aizawa a escolher.”

    Renji estala os dedos.

    — “E quando ele escolher… alguém fica livre.”

    A maioria do time balança a cabeça.

    Faz sentido.

    Akira olha para todos.

    — “Se jogarmos juntos, a gente marca.”

    Nesse momento…

    uma voz surge atrás deles.

    — “Então vamos jogar juntos.”

    Todos se viram.

    Koa.

    Ele estava no banco até agora.

    Alto.
    Postura relaxada.
    Mas os olhos… completamente sérios.

    — “Vocês precisam de mais um cérebro no campo.”

    Renji sorri.

    — “Finalmente resolveu entrar?”

    Koa dá de ombros.

    — “Tava esperando o jogo ficar interessante.”

    O juiz autoriza a substituição.

    Koa entra.

    O Time Z ganha uma nova peça.

    Mas nem todo mundo parece convencido.

    Keo observa em silêncio.

    Depois olha para Nakki.

    — “Você acredita mesmo nisso?”

    Nakki cruza os braços.

    — “Troca de passes… fluxo… jogo coletivo…”

    Ele olha para o gol adversário.

    — “Demora demais.”

    Keo sorri de lado.

    — “Exatamente.”

    Akira continua explicando o plano.

    — “Se a gente manter a bola rodando—”

    Mas Keo já está andando para longe.

    Akira percebe.

    — “Keo.”

    Keo para.

    Olha por cima do ombro.

    — “Que foi?”

    Akira fala direto.

    — “Você vai jogar fora do plano.”

    Não é pergunta.

    É afirmação.

    Keo sorri.

    — “Claro.”

    Nakki também se afasta.

    Girando a bola no pé.

    — “Se aparecer a chance…”

    Ele encara o gol.

    — “Eu vou chutar.”

    Akira observa os dois se afastando.

    Renji suspira.

    — “Ótimo… agora temos dois planos.”

    Hiori murmura:

    — “Ou duas bombas-relógio.”

    Akira fecha os olhos por um segundo.

    Ele entende.

    Não pode controlar todo mundo.

    Então diz apenas:

    — “Se vocês roubarem a bola…”

    Keo e Nakki olham de volta.

    — “Não desperdicem.”

    Silêncio.

    Keo dá um pequeno sorriso.

    — “Relaxa.”

    Nakki gira a bola no pé mais uma vez.

    — “Se a gente pegar a bola…”

    Ele olha para o gol.

    — “A gente faz ela entrar.”

    O juiz apita.

    O jogo vai recomeçar.

    Mas agora…

    o Time Z não é mais um único plano.

    São três forças diferentes no mesmo campo:

    O fluxo de Akira.

    O caos de Keo.

    A obsessão de Nakki.

    E contra eles…

    Aizawa ainda está de pé.

    Observando tudo.

    O juiz apita.

    A bola volta a rolar no meio de campo.

    Hiori toca curto para Akira.

    Akira nem domina.

    Passe rápido para trás.

    Koa.

    Primeiro toque dele no jogo.

    O estádio observa curioso.

    Koa domina com calma absurda.

    Nenhuma pressa.

    Nenhum nervosismo.

    Aizawa observa de longe.

    — “Então esse é o cérebro novo…”

    Koa levanta a cabeça.

    Akira já se move.
    Hiori gira para abrir espaço.

    Koa toca.

    Passe limpo para Akira.

    Akira devolve de primeira.

    TAC.

    Hiori entra no fluxo.

    Passe curto.
    Passe rápido.
    Passe sem olhar.

    O trio começa a rodar a bola.

    Não é velocidade física.

    É velocidade de decisão.

    Renji sorri vendo de longe.

    — “Olha só…”

    A bola volta para Koa.

    Ele gira o corpo.

    Passe vertical para Akira.

    Akira tenta devolver para Hiori.

    Mas uma sombra surge no meio da linha.

    Intercepção.

    Zan.

    — “Muito lento.”

    Ele estica o pé e rouba.

    A bola escapa para o meio.

    Mas antes de qualquer contra-ataque…

    alguém já está lá.

    Keo.

    Ele domina a bola como se estivesse esperando por ela.

    — “Valeu pelo presente.”

    Aizawa já começa a se mover.

    Mas Keo não fica.

    Ele toca.

    Nakki.

    Passe seco.

    Nakki devolve na mesma hora.

    TAC.

    TAC.

    Troca rápida.

    Nada de plano coletivo.

    Nada de construção elaborada.

    Só instinto.

    — “Vamos quebrar isso.” — Nakki diz.

    Keo recebe de novo.

    A defesa do Time U começa a fechar.

    Zan se posiciona.
    Baraki observa.

    Keo respira fundo.

    A relíquia desperta.

    Copiar & Colar.

    A memória do primeiro tempo aparece na mente dele.

    Movimentos.
    Ritmo.
    Postura.

    Renji.

    Freestyle Monster.

    Keo move o corpo.

    Um passo falso.
    Quadril solto.
    Mudança brusca de eixo.

    Zan trava.

    — “Espera… isso é—”

    Tarde demais.

    Keo passa por ele.

    Freestyle Monster copiado.

    Genjiro tenta fechar o espaço.

    Keo gira o corpo.

    Outra mudança de ritmo.

    Ele passa também.

    O estádio reage.

    — “OOOOOOH!”

    Renji ri do outro lado do campo.

    — “Você é descarado, Keo…”

    Baraki avança.

    Keo não tenta enfrentar.

    Ele toca.

    Nakki já está correndo.

    Passe perfeito no espaço.

    Nakki recebe.

    Domínio limpo.

    Ele devolve imediatamente.

    TAC.

    Keo já disparou para frente.

    A bola volta para ele.

    Agora eles estão perto da área.

    A defesa do Time U recua.

    Aizawa finalmente entra no caminho.

    Mas Keo não para.

    Ele toca outra vez.

    Nakki aparece ao lado dele.

    Um-dois.

    Passe curto.

    Devolução instantânea.

    Outro.

    Outro.

    Outro.

    A troca de passes acelera absurdamente.

    É rápida demais para qualquer leitura.

    O campo inteiro prende o ar.

    Eles atravessam a última linha defensiva.

    Agora… estão na entrada da área.

    Keo recebe.

    Nakki já se projeta para frente.

    Aizawa fecha o ângulo.

    Baraki vem rasgando por trás.

    Mas Keo sorri.

    Ele toca.

    Nakki devolve de primeira.

    A bola volta para Keo…

    E pela primeira vez no jogo…

    a defesa do Time U está completamente desorganizada.

    Keo levanta a cabeça.

    Nakki dispara para dentro da área.

    E por um único segundo…

    o gol está aberto.

    Keo arma o corpo para decidir.

    Passe?

    Chute?

    Ou algo pior?

    E o estádio inteiro prende o fôlego.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota