‼️ Venha participar de enquetes, conversas e receber mini spoilers de “O que eu deixei para trás?”‼️
★ Basta seguir o link abaixo:
https://discord.com/channels/410158562929803275/1479265891932967052
Capítulo 46: Tempestade Branca
⧙ O TEMPESTADE BRANCA... ⧘
A sombra avançou mais um passo, firme.
O rugido da multidão cresceu, quase histérico.
⧙ ELIAN MOREAU!!! ⧘
As luzes explodiram sobre ele.
A silhueta ganhou forma.
Sua pele era parda escura.
Seu cabelo preto, baixo, um corte militar bem aparado.
Seus olhos cianos pareciam brilhar sob os refletores.
Em seu rosto, uma grande cicatriz de queimadura se destacava no lado esquerdo, começando de cima da orelha e descendo por toda lateral do olho até a linha da mandíbula, deformando sua pele como vidro derretido.
Usava uma calça tática preta ajustada, botas reforçadas e uma camisa de manga curta cinza-escura, colada ao seu corpo firme e musculoso.
Aya, no topo do Domo Três, soltou:
— Então esse é Elian Moreau… o que é aquela cicatriz gigantesca no rosto dele?
— É a memória do dia em que ele perdeu tudo o que tinha.
— Então…
— Sim. Essa cicatriz vem da sua última missão, em dois mil e dez no Haiti.
Krauss, vendo o oponente parado no meio da arena, estalou o pescoço com um grande sorriso confiante.
Lysandra, observando a presa como uma cobra pronta para o bote, girou as lâminas entre os dedos, um sorriso sádico curvando seus lábios.
Elian não sorriu.
Não provocou.
Não mexeu nem sequer um músculo.
Apenas ficou parado no centro da arena.
O vento da Hexacúpula soprou contra ele.
E, por um breve instante, o concreto sob seus pés pareceu esfriar.
⧙ AGORA, ANTES DO ESPETÁCULO COMEÇAR, VAMOS RELEMBRAR AS REGRAS RAPIDAMENTE! ⧘
O apresentador estava suspenso em uma plataforma flutuante, se movendo sob o céu de arena de um lado para o outro.
⧙ Primeira regra: Não pode usar poderes Kaelums, a menos que seja para potencializar golpes físicos do próprio corpo! ⧘
Todos ficaram em silêncio, prestando atenção nas regras.
⧙ Segunda regra: NÃO EXISTE OUTRAS REGRAS! ⧘
A plateia gritou enlouquecida.
— E-e-espera… não matar não é uma regra!? — perguntou Aya, confusa.
— Óbvio que não. — respondeu Kael, sem tirar os olhos da arena. — Matar e morrer são coisas cotidianas aqui no Hexacúpula.
⧙ Agora... sem mais delongas, COMECEM A MATANÇA!!! ⧘
Num piscar de olhos, a dupla Avançou.
Krauss atacou pelas costas, lançando-se do alto com as garras expandidas.
★ Fúria Lupina (física)
O usuário transforma seu corpo em um cachorro de grande porte, aumentando significativamente força e agilidade, adquirindo também atributos lupinos. A aparência varia conforme a intenção do usuário: de um lobo musculoso e imponente a um cão de batalha ágil e letal.
— Segura essa, seu desgraçado! — gritou, enquanto seu braço duplicava de tamanho e suas garras cresciam ainda mais.
Já em sua frente, Lysandra lançava uma estocada dupla com suas adagas em linha reta, atenta a qualquer mínimo movimento do oponente.
★ Fúria Viperina (Fisico)
A usuária ativa os sentidos de uma cobra de forma sobre-humana, permitindo sentir qualquer movimento do inimigo. Capta vibrações, calor corporal, partículas do ar e sons ambientais, antecipando ataques e movimentos mesmo sem enxergá-los.
— “Já era pra ele. Esse idiota deixou a guarda totalmente aberta! Com o ataque do Krauss por trás e o meu de frente, ele não tem pra onde fugir. Essa luta já acabou!”
Krauss descia do alto como uma bala.
Lysandra avançava em linha reta, ambas as lâminas mirando a garganta do oponente.
E então… Elian respirou.
E, mais rápido do que esse próprio respiro, deu um único passo lateral.
Sem exagero.
Sem desperdício.
As garras de Krauss rasgaram o ar onde Elian estivera um instante antes.
As adagas de Lysandra atravessaram o vazio, cortando nada além do vento.
E então… ele tocou.
Sua mão esquerda encontrou o antebraço de Lysandra antes mesmo que ela percebesse o movimento.
— “Que rápido! Eu nem mesmo vi ou senti o movimento dele!”
A direita pousou leve contra o abdômen de Krauss enquanto ele ainda estava suspenso no ar.
— “Merda!”
Não houve impacto.
Muito menos explosão.
Apenas um simples contato.
E naquele segundo…
A própria arena sentiu.
O concreto sob seus pés se esbranquiçou.
Uma fina camada opaca se espalhou como geada sobre pedra.
A temperatura ao redor deles despencou brutalmente.
Não era um ataque lançado.
Não era um poder liberado.
Era apenas…
O próprio corpo dele.
Sua pele tornou-se levemente azulada.
Uma película cristalina começou a se formar sobre suas palmas.
E naquele pequeno instante, era como se a própria energia térmica dos dois estivesse sendo sugada à força.
Lysandra foi a primeira a perceber.
Seu braço inteiro perdeu sensibilidade em menos de um segundo.
O metal das adagas estalou.
Rachaduras microscópicas correram pelas lâminas.
— O quê?! — gritou, observando, enfim, suas adagas se partirem ao meio. — “M-mas… e-ele só tocou em mim…”
Krauss tentou girar o corpo para acertá-lo com a outra garra.
Porém, já era tarde demais.
O ponto exato onde Elian tocara começou a embranquecer.
O ar ao redor da pele de Krauss tremia, distorcido pelo choque térmico.
Ali, suas fibras musculares enrijeceram abruptamente.
O impacto do próprio movimento forçou o músculo congelado, como se tentasse torcer vidro sólido.
Um som horrível ecoou pela arena.
Crack.
— AAAARGH!!! — gritou, a dor latente se espalhando por seu corpo.
Ele cedeu ao chão, agonizando de dor, como se sua própria carne tivesse rachado sob a pele.
Lysandra tentou recuar com um pulo ágil para trás.
Seu braço pendia para baixo, sem a menor resposta.
Uma película cristalizada se espalhava do ponto de contato até o ombro, avançando pelo restante do corpo.
Seus sentidos de vibração gritavam em alerta:
O calor do próprio corpo estava sendo drenado.
Elian recuou dois passos para trás.
Nenhuma expressão.
Nenhuma pressa.
Apenas o vento da Hexacúpula que soprava novamente.
E pela primeira vez…
A arena ficou em silêncio total.
Krauss ainda tentou se levantar…
— S-seu… desgraçado! I-isso ainda não… acabou! — rosnou, tentando se erguer à força.
O próprio corpo respondeu com outro estalo seco e a falha.
Microfraturas visíveis se espalhavam pela camada congelada do músculo.
Lysandra caiu de joelhos, tentando se apoiar no chão, porém, sem o menor controle sobre o próprio corpo.
Sua pele estava intacta.
Mas sob ela…
Cristais se espalhavam.
Elian finalmente falou.
A voz baixa.
— Eu não aconselho se mexerem muito.
Seus olhos cianos brilhavam sob os refletores.
— Após um curto tratamento, vocês vão ficar bem. — disse, enfim se virando de costas e caminhando lentamente em direção ao portão.
O apresentador se manteve em silêncio por alguns segundos.
E então, a plateia explodiu.
Aya se apoiou na grande parede de vidro em sua frente.
— M-mas ele congelou eles! Usar poder externamente não era contra as regras!?
— Não. — Kael respondeu, ainda analisando. — Ele congelou a si mesmo… e usou seu próprio corpo para congelar eles.
Por onde Elian passava, o frio deixava sua assinatura.
E assim, a semi final teve seu fim.
Alguns minutos depois...
A luta já havia terminado.
A plateia já havia gritado até perder a voz.
Os funcionários já tinham levado os dois derrotados.
E mesmo assim o ar gélido parecia soprar dentro da arena.
Enquanto isso, na zona VIP, todos se mantinham em um silêncio assustador.
O vidro diante deles estava levemente embaçado.
— É como se… — Aya murmurou, sentindo um arrepio subir pela espinha — como se o topo inteiro do Domo Três tivesse congelado também…
Kael manteve os olhos na arena.
— Quase isso.
Seu olhar deslizou pelo salão.
— Ele pode remodelar um campo de batalha inteiro em segundos. Perto disso, essa demonstração não foi nada.
Aya respirou fundo.
— Ele tem mesmo tanto poder assim?
— Tu não viu nem metade. — Kael respondeu, simples. — E é exatamente por isso que viemos buscá-lo para a missão.
Antes que Aya pudesse continuar…
Um som metálico ecoou atrás deles.
Ding.
As portas do elevador privativo se abriram e, no mesmo instante, o salão inteiro reagiu.
O burburinho cessou.
Uma atmosfera silenciosa e carregada de tensão tomou o ambiente.
O motivo dessa mudança repentina era simples e tinha nome.
Era Elian Moreau.
Usava um moletom preto de tecido grosso, o capuz projetando sombra sobre os olhos, as mãos nos bolsos e passos lentos.
Logo atrás, uma silhueta que não combinava com o silêncio emergia:
— Eu ainda acho que você exagerou no final. Não precisava ter machucado tanto eles!
A voz feminina quebrou o silêncio pesado como uma risada atravessando um funeral.
Ela saiu do elevador colada em seu lado.
Seus cabelos longos e lisos desciam até a cintura, vermelhos intensos como fogo.
Mas o que realmente atraía os olhares não era o cabelo, tampouco o jeito despreocupado que ela mantinha ao lado daquele homem tão temido pelos demais presentes.
O que atraía a atenção… eram seus olhos.
Quando a luz do salão a atingia de lado, tornava-se impossível ignorá-los.
No direito, o azul profundo ocupava metade da íris, atravessado por feixes carmim que pareciam vibrar sob a superfície.
No esquerdo, o contraste surgia em verde-esmeralda intenso nas bordas, fechando-se em um centro âmbar quente.
Ela caminhava alegre, sem perceber os olhares ao redor.
Seu casaco assimétrico preto-azulado moldava-se ao corpo, marcado por discretos traços prateados.
Nas costas, duas espadas duplas cruzadas completavam o visual com estilo.
Em sua orelha esquerda, um brinco em forma de clave de sol balançava suavemente a cada passo.
Até que enfim, ela olhou ao redor e notou todos desviando o olhar.
Ao perceber isso, um sorriso surgiu em seu rosto.
— Uau… olha só isso. — comentou, animada. — O pessoal daqui é tudo frouxo.
O silêncio do salão brilhava amarelo diante de seus olhos.
Sempre ficava assim quando a prepotência aparecia.
Entre as pessoas espalhadas pelo local, fios esverdeados serpenteavam pelo ar.
Ela odiava aquela mistura.
Pois aquilo… era inveja.
— Tu deitou uns dois Kaelums de segunda e o pessoal já fica de queixo caído. Bando de patéticos invejosos.
Elian não respondeu.
Apenas continuou andando.
Os olhares aumentavam conforme os dois atravessavam o ambiente.
Alguns invejosos.
Outros ressentidos.
Para ela, aquelas auras vibravam como uma nota desafinada que arranhava seus ouvidos.
A garota inclinou o corpo discretamente para o lado, falando baixo o suficiente para só ele ouvir.
— Você sabe que as cores só pioram quando você anda em linha reta assim, né? Tão te taxando pra Boss final de jogo.
Entretanto, sua resposta foi apenas o silêncio.
Nem mesmo uma reação.
Mas Diana não precisou de palavras.
Ao redor dele, o azul se tornava ainda mais frio.
Ela conhecia aquela cor.
Percebendo isso, suspirou.
— Ahhh… então é assim que tu vai responder? Que tu não se importa? Claro, claro. Porque quem se ferra tendo que ver essas cores desagradáveis sou eu!
Elian seguiu quieto até o balcão de bebidas.
Sentou-se calmamente em frente ao bartender, que o observava com um olhar mal compreendido.
— Vai querer o de sempre?
Ele fez um leve aceno afirmativo.
O homem pegou o copo rapidamente, passando um leve pano antes de despejar a bebida.
A menina de cabelo vermelho ficou imóvel por um instante.
Olhou para o copo.
Olhou para ele.
Voltou a olhar para o copo.
— Aaaaaaah, não!
Deu um passo à frente, abrindo os braços, ficando entre ele e o balcão.
— Você acabou de sair da luta… — disse, sustentando os braços abertos. — E a primeira coisa que você faz é vir beber?!
O bartender suspirou, como se aquela situação fosse algo mais do que recorrente.
A garota apontou para Elian com o polegar.
— Tá querendo deixar teu fígado preto, é?
Elian finalmente virou o rosto em sua direção.
Seus olhos cianos brilhavam sob o capuz.
Frios.
Mórbidos.
O ar do salão inteiro ficou pesado, como se a umidade se petrificasse.
Mas, para a garota, aquilo era insignificante. Já conhecia muito bem a cor dele.
Ela estreitou os olhos.
— Não me olha assim. Eu não sou uma das tuas fãzinhas, não!
O silêncio ficou denso.
— Você prometeu que ia diminuir! — ela continuou, agora mais baixa, mas ainda tagarela. — “Ah, Diana, é só às vezes.” “Ah, Diana, eu não sou viciado.” Não é? Porque, se isso não for vício, eu não sei o que é!
Diversos olhares se desviaram para os copos, fingindo um interesse repentino nas próprias bebidas.
Aya observava tudo, completamente surpresa.
— Kael… e-ela… — murmurou.
— Nem me pergunte. Nem mesmo tenho certeza sobre quem seria essa menina. — Kael respondeu, sorrindo, surpreso.
Elian moveu o braço em direção ao copo, mas foi impedido por Diana, que segurou firmemente seu pulso.
Seu olhar era sério e afiado.
Não como ameaça, mas como aviso.
— Se você beber isso, eu juro que conto pra Aura o verdadeiro motivo de tu estar lutando na Hexacúpula!
Os olhos cianos encararam os dela.
Azul profundo com carmim.
Verde-esmeralda com âmbar.
O ar ficou pesado.
Então…
Uma mão surgiu no ombro de Elian.
E, por um único segundo, a sala inteira tremeu.
Duas auras assassinas esmagadoras colidiram, espalhando sua pressão por todos ao redor.
Copos e garrafas congelaram.
O líquido dentro deles cristalizou em estalos secos.
O hálito das pessoas virou vapor.
Combatentes tremeram, os dentes rangendo sob o frio súbito.
Ao mesmo tempo, a energia oposta explodiu.
A tela da TV ondulou, a imagem se distorceu, e se apagou por um instante.
Os fios nas paredes cuspiram faíscas, luzes piscaram e cabelos se arrepiaram com a carga no ar.
Aya sentiu o peito se comprimir, como se algo esmagasse seus pulmões por dentro.
Diana via o impacto do ciano gélido contra o dourado perfeitamente diante de seus olhos.
A aura fria que escapava das cores deixava um gosto de metal na língua.
O capuz se moveu lentamente.
Os olhos cianos brilharam sob a escuridão que o encobria.
Frios.
Mortais.
Até que—
Ele reconheceu.
A pressão simplesmente desapareceu, como se jamais tivesse existido. O brilho assassino se dissipou, seu olhar suavizou, e um sorriso surpreso surgiu lentamente em seus lábios.
— …Kael?
À sua frente, o comandante se revelava por completo, os cabelos agora grisalhos, o corpo robusto marcado pelo tempo e pelas batalhas.
— Há quanto tempo… Elian.
⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟EXTRA⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟⋰⋞⋆⋟
↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓
CURIOSIDADE 18:
Sinestesia é uma condição neurológica em que os sentidos se misturam de forma natural, permitindo à pessoa ver cores ao ouvir sons ou associar palavras a sabores e formas.
Diana possui sinestesia, porém sua percepção foi amplificada graças ao corpo Kaelum. Permitindo que ela enxergue emoções e intenções através de cores e desenhos no ar, ultrapassando os limites da sinestesia comum e transformando essa característica em uma habilidade única quando fundida ao seu poder “★ ### (Elemento Figurado.)“.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.