Capítulo 332 – O Nascimento de Órion
Nota do autor: Salve, gente. Nós estamos de volta \O/…
O notebook segue à ponto de explodir, quase em crash e funcionando com uma gambiarra, mas está aí.
Bom capítulo a todos.
Feliz em causar certa confusão e estranheza nos demais alunos com sua presença ao acompanhar Diana em suas aulas práticas, Alexander conseguiu ficar ao lado dela algum tempo antes que a notícia da reinserção de sua noiva na academia — e dele residindo ali — se difundisse demais.
Quando isso aconteceu, ele tomou como sinal para partir e evitar as pessoas que inevitavelmente viriam atrás dele.
Despedindo-se dos amigos e, especialmente, da sua adorável demi-canídea com pesar, o dragonoid abriu suas asas e alçou voo bem alto.
Depois de algum tempo, ninguém mais poderia dizer ou mesmo supor seu paradeiro.
Para o Império e para o mundo, foi como se naquele voo ele tivesse desaparecido no céu por meses.
O efeito colateral mais estranho — e ironicamente cômico — do súbito desaparecimento dele foi que, sem qualquer confirmação sobre seu verdadeiro paradeiro, com o tempo, todo e qualquer evento sem maiores explicações passou a encontrar nele a explicação mais conveniente; talvez até como forma de forçá-lo a se mostrar.
A lógica que se espalhou pelo Império era bem simples e preguiçosa: se algo ocorrera fora do esperado, então, de algum modo, o dragonoid devia estar envolvido.
O fato de não surgir para negar, refutar ou sequer reagir às acusações apenas reforçava a narrativa. Sua ausência passou a ser tratada como prova definitiva de sua suposta culpa.
O burburinho foi tamanho que acusá-lo deixou de ser desculpa e virou quase um passatempo.
Em tavernas, feiras e mesas de jogo, seu nome era lançado ao ar como piada recorrente.
Suas supostas atividades assumiram proporções que, em outros mundos, seriam chamadas simplesmente de meme.
Quanto mais o tempo passava, menos o motivo precisava ser convincente; bastava alguém citar seu nome, e pronto: ali estava a causa.
Mulheres engravidando de crianças sem pai? A culpa automaticamente iria parar na conta dele.
Só de “filhos atribuídos”, surgiam mais de dez por dia; todos convenientemente órfãos de qualquer boa explicação.
A situação atingiu um nível tão absurdo e conspiratório que até aqueles plenamente conscientes de que tudo não passava de boato, vez ou outra, se pegavam hesitando: o que realmente poderia ter sido obra dele… e o que claramente não fora?
A verdade, no fim, talvez fosse mais simples e cruel: ele possivelmente ainda seria culpado de inúmeros esquemas e artimanhas no futuro, usando suas capacidades muito acima da média. Mas, naquele momento, seu maior “crime” era apenas ser poderoso demais para ser ignorado e conveniente demais para não servir de bode expiatório.
Ironicamente, apesar de todo o burburinho, ninguém levava muito a sério qualquer boato sobre sua possível morte.
Era como se aquele jovem fosse uma praga tão difícil de exterminar — ao menos não sem alardes ainda mais estrondosos do que as falácias que o público conhecia — que apenas o tempo e boatos infundados ainda não fossem suficientes para alguém acreditar nessa possibilidade.
Enquanto isso — ou melhor, antes mesmo disso —, apenas alguns dias depois de deixar a Academia dos Combates Gêmeos, alheio ao que viria a se seguir e já fora do Império em sua forma humana, Alexander estava em uma das maiores cidades do Reino dos Anões; em uma área de interlúdio próximo ao Império e ao Reino Vulcânico.
Ele havido se infiltrado nela despercebido e sem identificação, usando suas habilidades de ocultação momentos antes.
Por mais caricato e clichê que pudesse parecer para quem ouvira histórias fantasiosas sobre anões na Terra, aparentemente, as grandes áreas deles realmente eram dentro de montanhas.
Contudo, longe de serem atrasadas e rudimentares, construções de todos os tipos, formas e estética se estendiam pela cidade, mostrando que os anões eram mesmo plurais e artesãos natos.
Sem falar na primorosa segurança, devido ao número limitado de entradas e suas camadas de matrizes e encantamentos que permitiam sentir, até certo ponto, a região em questão se a montanha fosse perfurada.
A grande cidade em questão, na qual Alexander estava, chamava-se Draupnir.
Diziam as lendas dela, que remetiam a tempos imemoriais daquele mundo — antes mesmo do último ||Imperador das Bestas|| a assolar o continente, e mesmo do que veio antes dele — que seu fundador enterrara ali um artefato forjado por ele tão poderoso que este transbordava energia, fazendo a montanha da cidade ser próspera, livre de infestações de criaturas e vermes monstruosos parasitários.
Devidamente informado mediante pesquisa prévia sobre o reino, a região e a cidade, Alexander seguiu como um jovem qualquer em direção à sede local da Guilda dos Artesãos do Reino dos Anões.
Em forma humana, sua pele continuava de um marrom claro com leve tendência ao amarelo de couro de dragão, mas seus traços pareciam mais jovens. O traje era um conjunto preto de placas leves para lutador, luvas-manoplas de garras e seu cabelo vermelho havia sido cortado em um estilo mais rente e militarizado.
Quando chegou ao balcão de atendimentos após esperar um pouco na fila, ele colocou uma grande moeda de ouro no guichê e disse: — Gostaria de me juntar à sua Guilda dos Artesãos.
— Na categoria artesão, ou na categoria extrator/coletor/minerador? — indagou, reflexivamente, o atendente (claramente um meio anão, meio homem fera) antes de notar que não conseguia ver direito através do conjunto de armadura.
— Senhor, apesar de seu elmo coroado ser uma peça muito bonita e singular, vou precisar pedir que o senhor o retire para se registrar — anunciou o homem fera com calma, mas sério.
O sujeito até foi bem solícito, como se soubesse que a peça fora forjada por um companheiro anão.
Sorrindo como se genuinamente não tivesse notado que aquilo poderia acontecer — mesmo usando um conjunto de dissociação de presença, aura e aparência —, Alexander atendeu ao pedido compreensivo do anão homem-fera e retirou o elmo antes de completar: — Vou querer me inscrever em ambas as categorias. E, se possível, coloque na minha ficha que aceito e procuro conhecimentos específicos em troca de minhas comissões.
Assentindo e puxando uma nova ficha, que preencheu com extrema eficiência, o atendente mostrou sua destreza ao terminar rapidamente e indagar: — Gostaria de declarar alguma proficiência em sua ficha?
Ponderando um pouco, o jovem tamborilou seus dedos, pensativo, antes de declarar com assertividade: — Não… Desejo começar do zero e galgar minhas posições.
Mesmo surpreso com aquela escolha — já que a outra parte estava ao menos trajada como um lutador experiente —, o atendente híbrido não disse muito, fazendo apenas algumas pequenas notas antes de acrescentar: — Para finalizar, diga-me seu nome e a alcunha de artesão que deseja utilizar, caso forje itens nomeados.
Com a resposta para essa pergunta na ponta da língua, o jovem prontamente respondeu: — Órion. Alcunha: ||O Caçador da Lua||.
Processando todas as informações e pormenores do seu mais novo colaborador de Guilda, o anão homem fera levou a ficha para a cunhagem da identificação. Pouco tempo depois, ela já estava pronta para ser vinculada ao sangue.
O processo em si era semelhante ao da Guilda dos Aventureiros, mas a identificação era bem diferente: o colar tinha pingentes distintos para representar ambas as categorias — artesão e extrator/coletor/minerador.
Ainda em divergência com a Guilda dos Aventureiros, a Guilda dos Artesãos não se ancorava em metais, mas em cores de pingentes referentes à qualidade dos itens produzidos e materiais obtidos:
Branco para membros iniciantes/normais.
Verde claro para membros refinados.
Azul forte para membros da classe única.
Rosa avermelhado para membros de elite.
Amarelo alaranjado para membros da classe superior.
Vermelho vivo para a classe transcendente.
E um suposto dourado radiante para a classe divina.
Munido de ambas as identificações de pingentes brancos, Alexander foi ao quadro de comissões da sua nova Guilda e aceitou uma série de pedidos de obtenção de materiais; apenas para voltar pouco depois ao mesmo atendente com uma pilha de recursos para completá-las.
Atônito com tudo aquilo, o anão homem fera lhe lançou um olhar indagatório. Não tinha como ter obtido tudo aquilo por meios naturais em tão pouco tempo.
Alexander apenas deu de ombros e respondeu: — Preciso aumentar meu rank o mais rápido possível… As comissões que aceitei não pedem nada fresco ou que eu mesmo cacei; apenas querem os itens.
— Aqui estão eles, provando que, de um jeito ou de outro, sou capaz de fornecê-los — disse o jovem sorrindo.
Não sabendo bem como responder aquilo, o homem se viu processando as comissões, apenas para ver aquilo se repetir vez após vez, até que, por tabela e essência, o número de comissões chegasse ao nível de ser indicado para o grau elite.
O atendente então teve que chamar o mestre daquela filial para resolver a situação. Aquela forma de agir estava acima do escopo dele.
Chegando ao salão após ser chamado, o mestre daquela filial da Guilda revelou-se um humano aparentemente normal, possivelmente com algum sangue de anão, e puxou a ficha dele para ler, apenas rindo no final.
Para ele, o que aparentava era que um jovem rico batia à sua porta, jogando riqueza por títulos.
— Diga-me, meu jovem, não teria materiais de grau superior para continuar o que vem fazendo, teria? — indagou o homem de meia-idade com olhar afiado.
— Realmente tenho alguns destes aqui comigo — respondeu Alexander, dando de ombros. — Mas não compensa entregá-los sem a certeza de elevar meu rank e obter o que quero.
Ouvindo que o jovem à sua frente ainda tinha recursos de grau superior aos quais estava disposto a se desfazer, os olhos do mestre da filial começaram a brilhar.
Que artesão não queria mais recursos assim, seja por um motivo ou por outro?

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