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    Mudando o local da conversa, o mestre da filial guiou Alexander para sua sala. Ofereceu-lhe uma poltrona acolchoada de frente para seu sofá pessoal, de modo que pudessem conversar de forma adequada e confortável.

    — Então, meu jovem, que tipos de materiais de grau superior você teria? — indagou o homem de meia-idade com um olhar afiado. — Além disso, devo informá-lo que é preciso atender a pelo menos três comissões para ter seu status elevado ao nível de extrator, coletor ou minerador de grau superior.

    — Três comissões, três recompensas — apontou o jovem de forma sagaz, sorrindo. — Se estiver disposto a aceitar os meus termos, não acho que qualquer um de nós sairá perdendo.

    — Então diga os seus termos — disse o homem, intencionalmente ou não, tocando os pingentes amarelo-alaranjados de suas identificações.

    — Os meus termos são diretos e simples: desejo que nenhuma informação sobre a natureza dos meus materiais seja revelada, tanto quanto possível; desejo que me introduza a uma certa pessoa, que logo vai entender; e desejo que me ensine e dê tutoria sobre a habilidade |Síntese| — respondeu Alexander assertivamente. — Como obviamente deve ser capaz de supor, não vim aqui à toa, nem esperando por uma chance de ter compatibilidade com essa habilidade. Eu já tenho a habilidade de |Síntese| e apenas quero refinar e aperfeiçoar o meu uso dela.

    — Você sabe realmente pedir, não é, rapaz? — disse o mestre da filial com uma voz mais solta, cansada e informal. — Aceitar os seus materiais de procedência duvidosa não seria difícil se eu os usasse pessoalmente; e mesmo gastar algum tempo lhe ensinando não seria um grande problema, se os seus materiais valerem a pena… Mas lidar com aquele velho tradicionalista é sempre uma chatice sem tamanho.

    Suspirando e se recostando amplamente no sofá, como se estivesse se resignando, o homem pareceu superar suas reservas. Em seguida, apontou: — Você mostrou que sabe pedir, mas ainda não mostrou as suas cartas… Então, o que de bom você tem para mim?

    Sorrindo como se conhecesse as profundezas do coração do homem, o jovem puxou dois grandes frascos de vísceras marginais, três frascos de sangue conservado e ainda não coagulado, e penas. Tudo do {Pássaro Imortal das Chamas Infernais}, ainda conservado e irradiando certo poder.

    Ele sabia que a |Síntese|, enquanto habilidade e estudo, se dividia principalmente em três campos principais (animal, vegetal e mineral). O sujeito à sua frente era um artesão arcano do campo animal, louco por recursos assim.

    Rapidamente avançando, o mestre da filial verificou a autenticidade e o grau dos materiais apenas para, em seguida, armazená-los com toda a presteza, evitando qualquer degradação.

    O homem então lançou um olhar estranho para Alexander, como se aqueles recursos tivessem gerado muito mais perguntas do que respostas, mas acabou por aceitar a transação pelo seu valor agregado. Sobretudo, aqueles insumos tinham um grande valor pessoal para ele no caminho que trilhava.

    — Tudo bem. Você venceu, rapaz — suspirou ele, levantando as mãos em sinal de rendição. — Espere um pouco que vou preparar a papelada da sua promoção para o nível de extrator de grau superior. Você pode voltar amanhã para irmos ver aquele velho, e depois de amanhã para começarmos a praticar.

    — Muito obrigado, mestre da filial. Estarei aqui amanhã pela manhã, sem falta, quando a guilda abrir — respondeu Alexander com um sinal de cortesia. — Dito isso, vou ter que incomodá-lo uma última vez para me ajudar a conseguir um caldeirão adequado para esse tipo de prática…

    — Não posso mais desprender recursos deste nível, mas valores justos em dinheiro não devem vir a ser um problema para mim — informou bem confiante.

    Assentindo de forma neutra, mas com sua besta interior já agitada em seu coração, o homem aceitou ajudá-lo com o caldeirão. Enquanto isso, pensamentos sórdidos de como cobrar pequenos interesses da outra parte já fervilhavam em sua mente.

    Estranhando a estrutura e a disposição das coisas na cidade em que estava, o jovem se sentiu meio à deriva quando saiu da Guilda dos Artesãos. Estava à procura de uma casa ou pátio privativo.

    Felizmente, seu recém-obtido pingente amarelo — e algumas boas perguntas — não apenas mostravam caminhos, como também abriam muitas portas.

    Após achar um lugar para alugar e servir como sua moradia na cidade, Alexander decidiu explorá-la para se acostumar um pouco mais com sua estrutura. Sua meta era ver a disposição dos estabelecimentos; algo bem mais difícil sem asas.

    Um ponto interessante que veio a descobrir é que a iluminação principal da cidade era artificial, através de ladrilhos e magia estrategicamente posicionados por conta de estar dentro de uma caverna. Porém, ainda haviam aberturas e enfoques de luz natural do céu acima, dando o tom da iluminação e mantendo-a bem síncrona com a de fora.

    Na manhã seguinte, de pé junto com os primeiros raios de sol a alcançarem a cidade, o jovem lutador-artesão — ao menos na persona desse empreendimento que estava realizando — arrumou-se e preparou-se antes de ir para a Guilda dos Artesãos logo cedo. Não queria dar chance ao azar com o sujeito que ia conhecer.

    No momento em que o mestre da filial chegou e o encontrou, eles se juntaram e prontamente foram até a pessoa para quem a introdução formal havia sido pedida. 

    O destino deles foi uma grande loja e oficina de ferreiros. O sujeito em questão era um anão ferreiro que atendia pelo nome de Vulcans, o ex-líder da filial dos Artesãos.

    — Bom dia, mestre. Assim como o senhor gosta dos seus encontros, chegamos antes do expediente — introduziu-se o atual mestre da filial com uma certa estranheza e astúcia na voz. — Hoje vim apresentar-lhe um jovem promissor que disse que ficaria feliz em comprar um dos seus caldeirões para treinar |Síntese|… Aí pensei que talvez o senhor pudesse vender-lhe aquele seu caldeirão superior de alto grau que ficou por aqui parado sem comprador.

    — É um pouco caro, é verdade, mas entrega o que promete. E este jovem disse que dinheiro não deveria ser um problema — adicionou o homem, como se explicasse o negócio a ambas as partes.

    — Para de fingir e corta a besteira, ou você me toma por um tolo? — respondeu o anão de forma bem áspera. — O caldeirão está aí, e o valor você já sabe qual é…

    — Agora, se vocês esperam que eu me venda tão fácil quanto você provavelmente se vendeu para ensinar-lhe minha |Síntese| apenas por uma suposta boa venda, vocês devem estar muito mais do que loucos — completou Vulcans.

    Em toda a cidade, ele era o maior mestre da síntese do campo mineral.

    Impassível, como se esperasse uma resposta daquela do velho ferreiro, Alexander adiantou-se e declarou seu ponto com calma e firmeza: — Estou sim interessado na sua |Síntese| e nunca pretendi esconder isso, mas também estou realmente precisando de um caldeirão adequado para práticas mais cotidianas…

    — Se o seu item realmente entregar o que promete, estou disposto a pagar um preço justo por ele, mesmo que não me ensine qualquer coisa em virtude dessa compra — garantiu ele de forma firme.

    — O caldeirão é bom, eu garanto. Seu preço é mil grandes moedas de Diamante Negro — disse Vulcans, atestando sua qualidade e anunciando o valor que fizera o item ficar em sua loja por tanto tempo.

    A cena foi grande, mas só para ver o jovem à sua frente retirar o pagamento e empilhar as moedas sem nem hesitar.

    — Falar é fácil, todo mundo fala. Arcar com o que diz é difícil — apontou o velho anão, agradavelmente surpreso. — Diga-me a verdade, garoto: qual é o seu verdadeiro nível de proficiência como artesão?… Eu sei que esse enfeite branco no seu pescoço não condiz com a aura e postura que você passa.

    — Pode-se dizer que estou no nível avançado de |Forja| bruta — respondeu Alexander após pensar um pouco, e então contextualizou. — Com o meu nível atual, sou capaz de produzir itens de grau único com consistência, talvez até refinada, em tempo hábil; e itens de grau élite brutos, focados em capacidade… Criar itens élites consistentes em um tempo hábil ainda está aquém do meu nível, quiçá itens élites mais refinados.

    Assentindo de forma pensativa enquanto alisava a barba, como se consultasse toda a sua experiência, o ex-líder da Guilda dos Artesãos analisou-o de cima a baixo antes de, por fim, se pronunciar: — Tudo bem. Vou aproveitar a presença do líder da filial aqui para lhe oferecer uma comissão.

    — Eu quero dez mil itens normais, mil itens refinados, cem itens únicos e dez itens élites, com ao menos um de cada sendo refinado — requereu Vulcans, sério. — Se você produzir todas essas peças para minha loja em tempo hábil, prometo ensinar-lhe sobre a minha área da |Síntese|.

    Prontamente aceitando sem hesitar, o jovem “Órion”, ainda armadurado, foi para a forja da loja. Colocou um avental de trabalho e suas luvas, sacou seu martelo e passou a aquecer seus próprios lingotes de metal para iniciar a fabricação dos itens.

    Mesmo em seu primeiro dia, e sem conhecer ou conversar com ninguém ali, poucas foram as vezes em que alguém viu Alexander parado.

    O velho anão não sabia com quem havia entrado naquela espécie de aposta. Mesmo sem a forma draconiana, a energia dele era gigantesca para o padrão de qualquer outro ser do seu nível.

    Forjando tal qual uma máquina ou um espírito maligno incorporado, em um único dia de expediente, ele fabricou incríveis mil itens normais antes que o turno da loja encerrasse.

    Ele fez tudo isso, e ainda saiu para receber suas aulas de |Síntese| com o mestre da filial, uma vez que o turno deste também havia acabado.

    Surpreso ao se pegar olhando abismado para os novos itens com um padrão de lua como assinatura no armazém de sua loja, Vulcans não sabia se ria ou se chorava por ter dado de cara com tal monstro.

    No entanto, uma coisa era certa: a esse ritmo, e com o número crescente de itens marcados pela lua em sua vitrine requisitada, o nome “Órion, o Caçador da Lua” não iria demorar a se tornar famoso em toda a cidade.

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