Capítulo 18
— Se certifiquem de me dar apoio, não sabemos do que esse cara é capaz. — disse Eleonor, mantendo o olhar fixo em Bruno enquanto sua postura mudava de forma clara, abandonando qualquer resquício de análise passiva e assumindo uma configuração ofensiva, com o corpo levemente inclinado à frente e o peso distribuído para resposta imediata.
Suas faixas metálicas se reorganizaram ao redor do corpo com maior agressividade, ampliando o alcance e a velocidade de reação, oscilando no ar como extensões vivas prontas para avançar a qualquer abertura. Não havia mais espaço para teste ou leitura prolongada — a presença de Bruno havia ultrapassado esse estágio.
— Vou tentar neutralizar ele sem que eu destrua o coração dele. — disse Eleonor, a voz baixa e firme, como quem já havia definido seus próprios limites dentro daquele cenário instável, enquanto iniciava a marcha em direção a Bruno com passos controlados, medidos, evitando qualquer desperdício de movimento.
Seu avanço não era direto ou impulsivo; cada passo era calculado, testando o terreno, ajustando o eixo do corpo e mantendo distância suficiente para reagir a qualquer desaparecimento repentino do adversário. As faixas metálicas acompanhavam esse deslocamento com precisão, flutuando ao redor em uma formação mais fechada, prontas para interceptar ataques ou prender membros no menor sinal de abertura.
Por fim, Eleonor rompeu a distância com um arranque explosivo, abandonando a cautela em troca de velocidade pura, seu corpo projetando-se para frente com precisão agressiva enquanto o impacto inicial de seus pés contra o asfalto levantava detritos e uma nuvem densa de poeira ao redor, criando um rastro de deslocamento que denunciava a intensidade de sua investida. Suas faixas metálicas acompanharam o movimento como extensões naturais, alinhando-se ao redor do corpo em formação ofensiva, prontas para atacar no exato momento do contato.
Ao fundo, o tanque de guerra ajustava sua posição, manobrando em círculos largos para manter distância segura do epicentro do confronto, suas esteiras esmagando o terreno irregular enquanto a torre permanecia girada, a mira travada em Bruno de forma constante. O canhão acompanhava cada micro deslocamento do alvo, aguardando o momento exato para intervir sem comprometer Eleonor, operando em um limite fino entre apoio e risco de fogo amigo.
O campo de batalha, já devastado, parecia encolher ao redor daquele ponto, pois agora, ambos iriam colidir novamente.
Bruno voltou a desaparecer no meio do avanço de Eleonor, sua presença quebrando o espaço em sequências curtas e imprevisíveis, surgindo e sumindo em pontos distintos como se ignorasse completamente qualquer lógica de deslocamento, e foi nesse intervalo instável que ele encurtou a distância de forma abrupta, reaparecendo à frente dela com precisão suficiente para romper o ritmo de sua investida e forçá-la a reagir no limite.
Eleonor foi pega de surpresa por uma fração de segundo, o suficiente para quebrar sua linha de ataque inicial, mas não o bastante para desestabilizá-la por completo. Seu corpo respondeu imediatamente, reposicionando-se com um giro seco enquanto lançava o peso para a lateral direita, recriando sua base em movimento e evitando um possível contra-ataque direto.
No mesmo fluxo, ela converteu a defesa em ofensiva.
Avançou sobre Bruno com uma sequência direta de socos potentes, cada golpe direcionado ao tronco do rapaz, buscando interromper seu padrão de movimentação e testar a resistência daquela nova estrutura que ainda se reconstruía de forma instável. Seus punhos avançavam com precisão e força, acompanhados pelo deslocamento do corpo, sem abrir espaço, sem recuar — impondo pressão contínua para impedir que ele voltasse a desaparecer naquele mesmo instante.
Bruno respondeu no limite do tempo, posicionando ambos os braços em paralelo e os dobrando à frente do corpo para proteger a região do tronco que Eleonor pressionava, absorvendo parte do impacto dos socos enquanto mantinha a estrutura firme o suficiente para não ser deslocado imediatamente. A defesa, no entanto, abriu uma brecha lateral no exato instante em que ele priorizou a contenção frontal, e Eleonor percebeu sem hesitar, conduzindo suas faixas metálicas pelas laterais em uma movimentação fluida que contornou o corpo do rapaz e se fechou ao redor dele como um casulo restritivo, limitando sua mobilidade e criando a abertura perfeita para um golpe decisivo, enquanto ela girava o quadril e projetava o braço em um soco direto à face de Bruno, carregando força suficiente para encerrar aquela troca.
O impacto, porém, não aconteceu, pois Bruno desapareceu no exato instante anterior ao contato, sua presença sendo arrancada daquele ponto sem qualquer transição visível, e no mesmo intervalo ele reapareceu às costas de Eleonor, já em avanço, com o corpo alinhado de forma agressiva e o punho vindo em trajetória direta à nuca da mulher, buscando encerrar o confronto em um único golpe. Ainda assim, a resposta de Eleonor foi imediata, suas faixas metálicas reagindo por instinto e se projetando para trás com rapidez suficiente para formar uma barreira densa entre o ataque e o ponto crítico, interceptando o golpe e absorvendo sua força, embora a pressão ainda se transferisse para seu corpo, obrigando-a a firmar a base para não ser deslocada mais uma vez.
O tanque de guerra abriu fogo com a metralhadora, uma sequência contínua de disparos rasgando o ar em direção a Bruno enquanto os projéteis atravessavam a poeira e atingiam seu corpo em pontos variados, arrancando fragmentos de carne e interrompendo momentaneamente seu avanço, ainda que de forma sutil diante da velocidade de sua regeneração. O impacto não foi suficiente para pará-lo, mas o bastante para quebrar seu ritmo por um breve instante, criando uma janela mínima de contenção que logo se desfazia conforme ele começava a desaparecer e reaparecer de forma cada vez mais frenética.
Seu deslocamento tornou-se caótico, sem padrão linear, surgindo em pontos distintos a cada fração de segundo enquanto encurtava a distância em direção a Eleonor, ignorando completamente a linha de tiro do blindado. A imprevisibilidade de seus movimentos obrigou a equipe do tanque a cessar os disparos, já que qualquer tentativa de manter o fogo ativo aumentaria drasticamente o risco de atingir a própria Eleonor, que permanecia no epicentro daquele avanço descontrolado, agora novamente sob pressão direta.
— Ele é rápido, ou é uma técnica? — pensou Eleonor, mantendo-se em uma linha extremamente tênue entre o raciocínio e a reação, enquanto seu corpo continuava em movimento constante para não oferecer uma abertura fatal.
Seus olhos acompanhavam cada distorção no ar, cada micro atraso deixado pelas aparições de Bruno, tentando encontrar um padrão onde aparentemente não havia nenhum, analisando se aquilo se tratava de velocidade pura ou de uma quebra mais profunda na lógica de deslocamento. A ausência de trajetória, o desaparecimento sem transição e a reaparição já em posição ofensiva não correspondiam a um simples aumento de agilidade — havia algo além, algo que ignorava o espaço entre um ponto e outro.

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