Capítulo 26: Fáça por merecer
Tulipán se afasta um pouco da cama e olha para ele.
— Às vezes o que você precisa é de uma musiquinha. — Tulipán canta uma nota alta, fazendo Bauvalier ser desamarrado, mas o deixa tão fraco que ele nem consegue pensar com clareza.
— O que você fez, sua… — Bauvalier é carregado, e ela o segura pela cintura.
Ela canta uma melodia enquanto obrigava Bauvalier a dançar junto a ela, em uma dança de salão.
— Me solte… sua… — Mesmo em ameaça, a voz de Bauvalier sai errada.
— Não se preocupe, é só uma dança. Além disso, meu destino precisa de você para que eu seja salva. — Ela segura Bauvalier pelo rosto.
— Por favor… pare. — A Tulipán azul segura o braço da Tulipán de verdade.
Ela o solta e se senta na cadeira da penteadeira. Usando malhas felpudas, deixa Bauvalier no chão, fazendo-o apagar.
— Eu não vou mais fazer isso… — ela diz para Ballet.
— Sério? — Ela se aproxima, seus olhos no alfinete. — Prefere perder tudo do que apenas fazer um ato ruim?
— Eu tenho certeza de que deve haver outra forma, não pode haver apenas uma forma… — Ela se olha no espelho da penteadeira. — E não é apenas que eu não queira, só que…
— Mesmo sob o efeito da gema, ela ainda questiona… talvez deva aumentar a quantidade. Vou anotar para os próximos. — Ballet pensa, olhando o reflexo da jovem.
— Será que devo te relembrar o seu futuro? — Ela anda lentamente até Tulipán e segura sua cabeça, fazendo-a encarar o espelho.
A imagem muda: milhares, milhões de vidas e destinos ruins, todos terminando da mesma forma — uma forma horrível, de dor e perda.
— Eu não quero ver isso de novo, por favor…
— Quando as pessoas esquecem, nós costumamos ajudá-las a lembrar. — Ela aperta ainda mais a cabeça de Tulipán.
Tulipán fecha os olhos, mas se vê em sua própria mente: uma Tulipán sem rosto, apenas com um sorriso, sua aura roxa.

— Não de novo, não, não… — Tulipán segura forte o microfone e canta, lançando uma onda de música que destrói o corpo da criatura.
Ela suspira, aliviada, mas o alívio desaparece ao sentir outra daquelas coisas atrás dela. E mais uma. E mais uma… até haver tantas que fica difícil reagir.
— S-sumam… parem de rir… não me toquem… de novo, não… — Ela se debate, mas as criaturas a seguram, rindo e rindo.
Elas começam a puxar o rosto dela, quebrando a fina camada de plástico. Batem e batem, até seu corpo se partir.
— Por favor… parem…
Elas quebram totalmente seu corpo enquanto riem, arrancam suas cordas vocais, impedindo-a de gritar, roubando sua voz. Dizem que ela é inútil, a xingam e a comparam, fazendo-a reviver o passado novamente.
Só param quando ela está completamente destruída, uma boneca sem valor para brincar. Então vão embora, rindo e rindo.
Tulipán abre os olhos.
— Foi só um dos finais. Quer que eu te relembre os outros milhões? — Ela passa a mão, limpando as lágrimas que caem dos olhos de Tulipán. — Não chore, você sabe… eu estou fazendo isso para te ajudar. E eu já mostrei como resolver isso.
Os olhos dela caem na figura quase quebrada de Bauvalier, e ela sorri.
— T… tudo bem… eu vou continuar isso… — Ela toca o próprio rosto e o pescoço, olhando-se para ter certeza de que ainda estava inteira. — Acho que talvez um beijo possa ajudar… confio que essa magia divina me permita isso.
Ela olha para o espelho de mão e percebe que as meninas tinham fugido das armadilhas.
— Dr… droga. — Ela respira fundo. Bauvalier começa a despertar.
Ela olha para trás, pega Bauvalier e o joga na cama.
— Eu não estou com tempo para conversa, sinto muito. — Ela suspira uma melodia, prendendo os braços e as pernas de Bauvalier. — Vamos ser rápidos.
— N… ouse… — Notas musicais abrem as pernas dele. — Eu… vou… t… m…
Ela se posiciona entre as pernas dele e se aproxima de sua boca.
— Não guarde rancor… — Ela fica a centímetros da boca dele.
A porta é arrombada, e Tulipán se assusta, afastando-se um pouco.
Mas como isso aconteceu? Vamos ver o que aconteceu com as nossas meninas, que acabam se encontrando nas ruas.
— Roseta, finalmente te achamos! — Pionla dá um abraço nela.
— É bom ver vocês, mas onde está o Bauvalier? — Ela pergunta, afastando-se um pouco do abraço.
— Não sei, eu achei que ele estava com você… — Pionla se afasta, pensando em algo.
— Então temos que achar ele, mas onde? — Ré questiona.
— Eu já estava indo a um lugar, mas já que nos encontramos vai ficar mais fácil. — Roseta aponta para o prédio. — Acho que a chave para achar o Bauvalier é procurar quem vimos por último: Tulipán.
— Mas será que ela estaria em um lugar tão óbvio? — Ré olha para aquele prédio estranho.
— Não acredito que tenha outro caminho, e não temos tempo de ficar pensando. — Roseta segura a rapieira.
Elas entram e veem uma recepção muito chique.
— Isso aqui eu resolvo. — Pionla se aproxima da recepcionista. — Precisamos subir até o último andar.
— Infelizmente, madame Star não permite visitas — ela diz, tranquila.
— Não, querida, isso não é um pedido de uma pop star. Eu sou a rainha, então abra o nosso caminho. — Ela diz com um sorriso no rosto e mostra a tesoura que qualquer um reconheceria.
— Claro, claro, mil perdões, madame Pionla. Eu não me toquei que era você. — Ela aperta um botão, e o elevador abre.
— Agradecida. — Ela diz antes de ir com as meninas até o andar.
Elas desembarcam do elevador e veem uma única porta, com uma estrela nela. Estava trancada por um sistema de música.
— Que estranho… como abre isso? — Locista abre uma janela para identificar o tipo da porta. — Ela só abre com música. Quem se qualifica para cantar?
Roseta dá um passo à frente.
— Não vai ser necessário… mas, se quiser, eu posso fazer ambos. — Ela se aproxima. — OLHA A EXPLOSÃO!
Roseta dá um chute na porta, fazendo-a ser arrombada.
Tulipán toma um susto e se afasta um pouco de Bauvalier.
As meninas veem a cena e tentam entender, mas a primeira a falar é Roseta:
— O que você pensa que está fazendo, garota? — Ela aponta a rapieira para ela.
— Eu… eu… eu… — Tulipán se levanta na cama, mas Bauvalier permanece preso e fraco. — Estou apenas tentando mudar meu final, não podem me julgar!
— Sim, podemos. E além disso, você amarrou meu irmão e estava tentando fazer o quê? — Pionla diz, irritada, fazendo a tesoura voar ao lado dela.
— Eu só ia dar um beijo nele, nada demais! Eu não sou má a ponto de fazer o que vocês estavam pensando… eu só precisava que ele se apaixonasse por mim… — Ela diz, começando a se desesperar.
— Independente se era apenas um beijo, você ainda amarrou ele. Além disso, não é assim que o amor funciona. — Roseta se aproxima, segurando firme a rapieira.
— O que você entende de sentimento? E também, eu só estou tentando evitar meu fim! — Ela gesticula, irritada.
— Solte-o e podemos esquecer isso. — Pionla abaixa a tesoura. — Podemos resolver isso de forma pacífica, mas, se não quiser, sempre tem outra forma de agir.
— Eu… não posso… — Ela olha para elas e vê apenas aquelas Tulipáns roxas, com suas bocas rindo e rindo. — Não posso… sinto muito… — Ela segura a própria cabeça em desespero. Ela relembra aqueles finais.
A figura de vermelho passa a mão pelo alfinete no cabelo de Tulipán.
— Pelo que vejo, finalmente chegou a hora de um show mais interessante. — Ela pega e coloca o alfinete inteiro nas costas dela. — Veremos se essa bonequinha consegue ser mais útil se dermos corda. — Ballet ri em deboche, passando a mão pela pérola para aumentar os sentimentos de Tulipán.
Tulipán segura a cabeça com mais força.
— Eu não vou ser humilhada! Eu não vou morrer! Eu não vou perder minha voz! Eu não vou perder tudo! Eu tive que me mudar, aprender, apagar quem eu já fui para ser melhor… eu não vou desperdiçar esse esforço! E VOCÊS NÃO VÃO FAZER MEU FIM SE TORNAR O PIOR!
Tulipán ganha um pequeno véu nos olhos. Suas roupas ficam mais elaboradas, assumindo algo parecido com um vestido de noiva. Seu microfone ganha asas, passando a voar ao lado dela. O alfinete começa a brilhar cada vez mais, retornando para o coque em seu cabelo.
— O alfinete… temos que pegar aquilo rápido! — Pionla diz, correndo para tentar pegar antes da transformação total. Sua tesoura avança, mas é lançada para longe.
Tulipán flutua com um sorriso leve. Ela segura firme o microfone, enquanto, ao lado, Bauvalier permanece fraco.
— Vamos ver… — Ela cria uma enxurrada de panos, formando um chão macio que se estende ao longe, afastando-se das meninas. — Bem melhor.
Ela lança outra onda de panos, agora empurrando as meninas para trás. Sorri enquanto ajeita o microfone.
— Vamos fazer um show mais brilhante que as estrelas.
Pionla corta os panos que avançavam.
— Vamos ver se é capaz de rivalizar com as próprias estrelas! — Pionla cria uma gigantesca tesoura.

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