Roseta batia sua rapieira contra a outra, mais e mais vezes.

    — Você não morre… não entendo como tem tanta sorte.

    Roseta é acertada no braço, mas logo se regenera. Ela se defende, se distanciando do próximo golpe inimigo.

    — Sua fala estonteada, embasada em nada… pouco formada… mas logo acabará.

    Roseta apara o golpe e devolve um contra-ataque, que a outra também bloqueia, avançando junto.

    — Tente a sorte, eu não vou cair sem lutar… pode anotar.

    Essa Tulipán gira e tenta um chute em Roseta, mas ela desvia.

    — Vamos ver do que é feita… rosa que se diz perfeita.

    As duas tentam se acertar, mas não conseguem.

    — Ninguém é perfeito. Todos temos falhas e erros… já deveria saber. Porque você também deve ter.

    Roseta aproveita uma brecha e acerta o braço da inimiga, rasgando e cortando por inteiro.

    — Ágil… isso já era esperado… mas não vencerá sem temer.

    Mesmo com um só braço, a outra pula em cima de Roseta, forçando a lâmina contra o pescoço dela. Mas Roseta consegue usar a própria arma para segurar a rapieira inimiga.

    — Temer é para quem sente… — ela sorri. — E eu não sinto.

    Ela se joga para trás e, usando sua técnica, se aproxima rapidamente e decapita aquela Tulipán. A cabeça cai no chão, e a música para.

    — O resultado já estava claro… — ela limpa a lâmina e guarda a rapieira na bainha. — Agora… onde será que eles estão?

    Ela se aproxima da porta e dá um chute, quebrando-a, e passa por ela.

    — Se eu fosse supor onde eles estão… — ela respira fundo e continua — não vou me desesperar. Primeiro passo: achar aquela Tulipán… e eu já tenho uma ideia de onde ela pode estar.

    Ela olha para um grande prédio, com o último andar em forma de estrela.

    Roseta caminha pelas ruas coloridas, torcendo para que nada atrapalhe seu caminho.

    Mas, longe dali, em um pesadelo vivo, a corrida pela sobrevivência continuava.

    A grande criatura ainda avança, rodando e rodando, enquanto mais alfinetes disparam contra as meninas.

    — Se continuarmos assim, não vamos durar para sempre! — Pionla diz, movendo a tesoura para cima, depois mergulhando e desviando para os lados.

    — Não temos aquele talismã? — Locista pergunta, abrindo janelas para evitar alguns ataques.

    — Não sei se será útil para esse situação — Pionla continua desviando

    — Não é como se tivéssemos outra opção — Ré diz cansada

    Ré pega o talismã do chapéu.

    — Mas precisamos ativá-lo antes, mas como? — Ré olha aquele objeto pensado como

    — Não tivemos tempo para descobrir! — Locista mexe nas janelas, procurando qualquer coisa útil.

    Elas nem percebem a aproximação da Tulipán gigante. Um sorriso cresce em seu rosto, e seus braços se estendem para capturá-las.

    Mas Ré, usando tudo que tem, cria uma toca de coelho à frente delas e as lança para longe, fazendo a criatura perdê-las de vista.

    — Ré! — Pionla a segura nos braços.

    Elas estão agora no topo de um prédio. Ao longe, a criatura pisa nos edifícios, tentando encontrá-las.

    — Tô bem… — Ré cospe sangue no chão. — Isso… é pouco… pra nos impedir de sobreviver.

    — Se você continuar se esforçando assim, vai acabar morrendo — Pionla cria um kit médico e tenta cuidar dos ferimentos de Ré e Locista. — Eu não quero perder vocês… se eu trouxe vocês até aqui, eu também tiro vocês daqui.

    Pionla pega a tesoura nas mãos.

    — Eu vou ganhar tempo com aquele negócio… vocês descobrem um jeito de sairmos desse inferno.

    Ela usa a tesoura para voar direto em direção à criatura.

    — Não vai fugir mais? — a criatura questiona, girando a cabeça para encará-la, depois o corpo inteiro.

    — Sem dúvidas… você não sabe com quem está mexendo — Pionla transforma a área ao redor delas.

    Alfinetes são lançados contra ela, enquanto a criatura se aproxima, tentando pegá-la com as mãos. Mas Pionla cria escadas e paredes, saltando de um lado para o outro, tornando impossível que a criatura a alcance.

    — Se me alcançar… talvez tenha chance de me matar — ela ri, tentando não demonstrar o medo.

    — Sorte não te dará chance de ganhar… você não terá chance de revidar — a criatura prevê o movimento de Pionla e lança um alfinete que, por pouco, acerta apenas seu chapéu.

    O suor escorre frio pelo rosto de Pionla, mas ela continua se movendo, rezando para que Ré e Locista encontrem uma forma de escapar.

    Enquanto isso, as duas analisam o talismã, tentando descobrir como ativá-lo.

    — Já falamos palavras antigas, esticamos, batemos, até beijamos… o que será que falta? — Locista mexe nos dados de sua janela, frustrada. — Você tem alguma ideia, Ré?

    — Olha… isso foi feito por uma fantasma. Fantasmas, nas histórias que eu li, buscam um corpo… talvez precisemos dar algo para ele funcionar — Ré segura o talismã, pensativa.

    — Podemos tentar… mas o que, nesse momento, podemos oferecer? — Locista olha ao redor, ansiosa.

    Ré encara o chão, onde havia cuspido sangue.

    — Já sei.

    Ela encosta o talismã no sangue, e ele começa a brilhar em um tom ciano. Aos poucos, toma forma de uma mulher de cabelos brancos, com um sorriso alegre.

    A figura faz alguns gestos e puxa um selo de proteção que cobria um de seus olhos. Ela entrega o selo para Ré e aponta para o olho.

    — Entendi… valeu — Ré pega o selo.

    A mulher desaparece. Ré coloca o selo no olho, e, naquele instante, o lugar estranho começa a ruir.

    — Graças aos deuses! — Pionla cria uma mola e salta até perto delas.

    A criatura se aproxima, quase alcançando as três, mas, antes disso, o cenário inteiro se quebra e tudo desaparece.

    Elas acordam.

    Estão em uma cama enorme, bem arrumada. Há uma mancha de sangue perto do travesseiro de Ré.

    — Conseguimos! — Ré abraça as duas, eufórica. — Mas… que lugarzinho bem arrumado, né?

    — Então esse tempo todo estávamos em um sonho… isso explica como você conseguiu usar a toca de coelho — Pionla passa a mão na coberta macia. — Independente disso, me alivia não ver aquele bicho nos perseguindo feito doida.

    — Também — Locista se levanta da cama. — Independente de sonho ou não, já foi um inferno.

    As outras duas se levantam, e Ré guarda o selo no chapéuzinho novamente.

    — Pelo visto, só nós três estamos aqui… então temos que achar rápido Bauvalier e Roseta. Porque, se isso foi o que passamos, imagina o inferno que eles estão passando — Pionla ajeita o chapéu, olhando para as amigas. — Vamos ser rápidas… tenho até pena do que devem estar fazendo com meu irmão. Deve estar sendo muito difícil pra ele.

    Em outro lugar, outros olhos se abrem.

    Ele olha para o lado… e vê Tulipán o encarando.

    Dá um pulo de susto, mas, por estar amarrado, não consegue se mover.

    — Tá pronto pra me dar um beijinho? — ela diz, lambendo os lábios.

    — Nem fudendo. — ele responde, irritado.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 0% (0 votos)

    Nota