Chegando aos portões, eles percebem fitas, cartazes, festa e muita comemoração com a chegada deles.

    — Senhor Bauvalier, não fazia ideia de que tinha pedido uma festa de chegada — Roseta desacelera a carruagem um pouco.

    — Não pedi nada. Talvez estejam apenas querendo recepcionar bem seus convidados reais — Bauvalier diz, mais tranquilo.

    — Realmente… pode ser isso… — Roseta concorda, mas não soa muito confiante.

    Enquanto isso, Pionla olhava pela janela e sorria ao ver toda aquela comemoração.

    — Parecem ser bem animados… não me lembrava que eram assim — Pionla, com um movimento de mão, faz um arco-íris brilhar no céu. — Espero que nossa passagem seja tranquila.

    Há uma mulher à frente da grande multidão. Suas roupas são de marca, e sua altura era impressionante: três metros. Sua beleza era hipnotizante, e, até de longe, dava para ver as pupilas em forma de estrelas naqueles olhos grandes.

    Ré toma um susto ao vê-la.

    — Pionla… aquela ali é a… — não deu tempo de terminar, pois a própria mulher se aproxima da parte da frente da carruagem e sorri.

    — Olá, meu rei… olá, madame Roseta. Podem me chamar de Tulipán — sua voz é gentil e harmoniosa. — Podem descer, eu preparei um grande evento para vocês.

    — Que gentileza a sua, com certeza — Bauvalier estala os dedos, e a carruagem some. As meninas na parte de trás se equilibram, usando a tesoura de Pionla para se segurarem.

    Pionla anda até Bauvalier e dá um tapão na nuca dele.

    — Se fizer isso de novo, eu não vou usar a mão — ela, irritada, gira a tesoura.

    — Achei que estava atenta, mas acho que acabou ficando muito na zona de conforto. Não esqueça: estamos em uma missão, não em um resort de férias — ele se vira para Roseta, que olhava para Tulipán de maneira estranha. — Então vamos. Não queremos que os eventos que madame Tulipán preparou sejam jogados fora.

    Bauvalier, junto a Roseta e Tulipán, vai na frente, e Pionla se irrita.

    — O que será que deu nele? Ele tá tão espontâneo… — Pionla anda atrás deles, junto com as meninas — Simplesmente ele só confiou nela. Ele seria com certeza o primeiro a desconfiar.

    — Acho que talvez ele tenha escutado que Tupipán estava isolada há dois anos e quis ser gentil com ela. Além disso, um evento é um evento — Ré diz, usando só uma mão para segurar as mãos das amigas e alcançar os outros três.

    Tulipán arruma os assentos e coloca o grupinho nos lugares mais luxuosos, não tão perto nem tão distante. Seu sorriso era encantador. Os outros convidados se sentam, enquanto ela some nas cortinas do palco.

    — Parece realmente que ela quer nos mostrar que somos VIPs… realmente é impressionante — Roseta coça a cabeça. — Eu percebi que a maquiagem dela estava mal feita… as olheiras estavam marcadas… é tão estranho… — ela segura a cabeça, com dor. — Não entendo…

    As luzes se apagam, e as luzes do palco se acendem.

    — Queridos e queridas de todo o país cenográfico, estejam preparados para o primeiro show ao vivo após muito tempo! Pode vir, madame Tulipán! — a voz do apresentador ecoa, e uma melodia começa.

    Tulipán surge sob as luzes do palco.

    — Gostaria de fazer uma apresentação especial… para nossos convidados de honra — ela sorri e começa a cantar:

    — “Talvez, quando você quiser viver, eu não esteja mais lá,
    Quando se sentir que vai perder, olhe ao céu e verá.
    Sentindo o que vem, para demonstrar…
    Eu só vou cantar, mesmo que tudo venha a se desabar.

    Por você, eu vou brilhar,
    Só mais um pouco eu vou durar,
    Como uma estrela a brilhar,
    Mesmo que minha vida venha a apagar,
    Mesmo que diga que vai acabar… acabar… acabar…”

    Pionla, Ré e Locista acabam dormindo.

    Já Roseta tenta continuar escutando a música, mas se levanta, inquieta, e decide sair para tomar um ar lá fora.

    — “Então, quando lembrar que alguém esteve a te esperar,
    Nesse mar de luzes, nessa terra que diz eterna… que se faz eterna…”

    Bauvalier também cai no sono, e o show acaba.

    Roseta volta para dentro, mas não vê ninguém. As portas se trancam.

    — O que será que aconteceu? — Roseta pega a rapieira e a segura firme.

    De trás das cortinas do palco, surge uma Tulipán, vestida com roupas em um padrão de rosas, e seu microfone toma a forma de uma rapieira.

    — Visto como pode se demonstrar, a vida sempre tem seu jeito de contar… — essa Tulipán canta tranquilamente, enquanto segura a rapieira de forma ameaçadora. — Como eu dito nesse lugar, tenha certeza que cairá…

    Ela avança, mas Roseta apara o golpe.

    — Rápida… — Roseta diz, em choque, antes de surgir atrás dela e iniciar uma sequência de golpes, que a outra desvia com facilidade.

    — Cópias, repetidas e repetidas… sempre teu valor… então deixe-me demonstrar meu rancor… — a voz dela continua melodiosa, enquanto uma batida de fundo começa.

    — Veremos quanto você aguenta! — Roseta avança, e as rapieiras se chocam repetidamente, emitindo sons afiados.

    Em outro lugar, Locista, Pionla e Ré abrem os olhos em uma rua cheia de prédios cinzas e gigantes. O céu está coberto por nuvens escuras, mas, ainda assim, um ponto parece levemente iluminado.

    — Que lugar é esse? Onde tá o resto? — com um movimento, Pionla invoca sua tesoura. — Estávamos escutando a música… aí dormimos e…

    Todas escutam um grande barulho.

    Uma enorme Tulipán surge, muito maior que os prédios ao redor. Seu sorriso é macabro. Com passos longos, seu olhar se fixa nas três, e ela começa a andar na direção delas, destruindo tudo por onde passa.

    — Subam! — Pionla faz a tesoura flutuar, e todas sobem. Com velocidade, elas passam acima dos prédios, mas percebem que, mesmo assim, a criatura continua vindo. Agora, enormes alfinetes são arremessados na direção delas.

    — Mexe isso! — Ré, usando os dois braços, direciona a tesoura para o lado, desviando — mas isso faz com que ela sinta uma dor horrível.

    — Ré, não faça esse tipo de coisa! — Pionla, com um movimento de mão, faz escudos de ferro surgirem enquanto continuam voando.

    Os alfinetes perfuram os escudos. Pionla continua criando mais e mais defesas, mas tudo é atravessado. Ainda assim, ela move a outra mão para desviar a tesoura dos ataques.

    — Esse lugar parece infinito! — Locista tenta encontrar algo diferente no horizonte, mas tudo é uma repetição de prédios.

    — Agora, visto como vi… veja como é… e saiba como quer… e assim cairá! — a voz dessa Tulipán ecoa de forma profunda, enquanto mais e mais alfinetes surgem, acompanhados de uma batida pesada no ar.

    — Isso já está cansando a minha beleza — Pionla aponta para a criatura, e milhões de estilhaços avançam, atingindo-a… mas nada acontece. Ela sorri e, com um giro, destrói todos os fragmentos.

    — Como isso é possível?! — Locista cria uma janela à frente delas, elevando-as ainda mais. — Como vamos sobreviver a essa coisa?!

    — Pionla, não voe em linha reta! — Ré aponta para a esquerda. — Mesmo que esse bicho venha nos atacar, vamos tentar desorientar ela!

    Pionla concorda e vira bruscamente, entrando entre os prédios.

    — Sua fuga é infundada… ela será fadada a um fim… não há chance de escapar… desista… desista… desista… — a voz da criatura ainda canta, mas agora soa irritada.

    O ritmo pesado some de repente.

    Olhos brancos se abrem… e encaram olhos grandes, rosa, com pupilas em forma de estrelas.

    — Bom dia, Bauvalier… — a voz é harmoniosa e alegre.

    As pupilas estreladas se tornam pequenos corações. Bauvalier tenta se mexer, mas está preso.

    — Não se preocupe… nós vamos ter muito tempo, querido… — ela sorri e segura o queixo dele, forçando-o a olhar diretamente para ela.

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