Índice de Capítulo

    Silêncio.

    Depois de tantos impactos, explosões e gritos de energia…

    o silêncio pareceu mais violento do que qualquer golpe.

    O campo, antes tomado pelo caos, agora carregava apenas restos da guerra que tinha acabado de acontecer. Crateras abertas. Fumaça subindo em linhas lentas. Fragmentos espalhados. O ar pesado de eletricidade, sangue e derrota.

    Kaede Shizuma estava caído.

    Imóvel.

    A aura vermelha que antes explodia ao redor dele agora surgia em falhas curtas, como brasas morrendo depois de um incêndio.

    Mais distante—

    Naki Senrou também permanecia no chão.

    As chamas ciano tinham desaparecido por completo, deixando só marcas queimadas ao redor do corpo dele e os rastros dos disparos que o atravessaram.

    Dois pilares… derrubados.

    E no centro daquele cenário—

    quatro presenças ainda permaneciam de pé.

    Renji Asakura respirava pesado, a forma monstruosa ainda ativa, as garras manchadas e o sorriso torto carregado de violência mal contida.

    Sander Shimo mantinha a postura relaxada, como se a destruição ao redor fosse apenas parte natural do ambiente.

    Karaku Sabito girava a arma entre os dedos com calma irritante, os olhos já voltando ao normal, como se prever o futuro fosse algo trivial.

    E atrás deles—

    San Ryoshi.

    Parado.

    Intacto.

    Observando.

    Como uma montanha encarando a tempestade sem se mover um centímetro.

    Do outro lado…

    restavam dois.

    Tsubasa Hayashi ainda segurava a lâmina, embora o sangue escorresse do corte lateral aberto por Renji. A respiração estava mais pesada agora, mas a postura seguia firme.

    E ao lado dele—

    Ryuji Arata.

    Cabeça baixa por um instante.

    Respiração funda.

    O sangue ao redor dele girava lentamente, menos agressivo do que antes… porém mais denso. Mais pesado.

    Os olhos dele passaram por Kaede.

    Depois por Naki.

    Sem falar nada.

    Sem expressão clara.

    Só registrando.

    O custo.

    O vento cruzou o campo.

    Frio.

    Levando a poeira entre os dois lados.

    Tsubasa limpou o sangue do canto da boca com o polegar, sem tirar os olhos dos quatro à frente.

    — Dois contra quatro.

    A voz saiu baixa.

    Direta.

    Sem drama.

    Ele ajustou a pegada na lâmina.

    — Então me responde uma coisa.

    Pausa.

    O olhar dele deslizou pro lado.

    Parando em Ryuji.

    — Você ainda consegue lutar?

    Silêncio.

    Pesado.

    Ryuji não respondeu de imediato.

    Ele ergueu lentamente a cabeça.

    Os olhos encontraram os de San Ryoshi ao longe.

    Depois passaram por Renji.

    Karaku.

    Sander.

    Por fim—

    voltaram pra frente.

    O sangue ao redor dele começou a acelerar.

    Girando.

    Vibrando.

    Respondendo.

    Um leve sorriso surgiu no rosto dele.

    Pequeno.

    Mas perigoso.

    — Consigo?

    A voz saiu calma.

    Quase decepcionada com a pergunta.

    Ele deu um passo à frente.

    O chão rachou sob o peso da intenção.

    A aura subiu.

    Mais profunda do que explosiva.

    Mais afiada do que violenta.

    — Eu nem comecei a lutar a sério.

    Silêncio.

    Mas agora…

    diferente.

    Do lado oposto, Renji arreganhou o sorriso.

    Karaku estreitou os olhos.

    Sander perdeu a expressão relaxada por um segundo.

    E San Ryoshi…

    sorriu.

    Real.

    Pequeno.

    Mas real.

    Como alguém que finalmente ouviu o que esperava.

    O campo respirou.

    Porque a guerra que parecia acabar…

    talvez só estivesse começando.

    O sorriso de San Ryoshi ainda pairava no campo.

    Pequeno.

    Quase imperceptível.

    Mas suficiente para deixar claro:

    ele estava interessado.

    Do outro lado, Ryuji Arata já pensava.

    Rápido.

    Frio.

    Quatro adversários.

    Dois aliados.

    Não existia espaço para confronto prolongado.

    Só decisões corretas.

    Tsubasa percebeu no mesmo instante.

    Sem precisar perguntar.

    — Quem?

    A voz saiu baixa, curta, objetiva.

    Ryuji não tirou os olhos da formação inimiga.

    Karaku no fundo.

    Sander à direita.

    San imóvel.

    Renji avançado demais.

    Exposto demais.

    Instável demais.

    — O monstro primeiro.

    Tsubasa entendeu.

    Na hora.

    — Renji.

    — Renji.

    As duas vozes saíram juntas.

    Silêncio.

    Plano formado.

    Sem mais palavras.

    Renji inclinou o pescoço, sentindo a intenção dos dois cair sobre ele.

    O sorriso abriu mais.

    — Heh…

    A aura vermelha explodiu novamente.

    — VEM.

    Ele disparou.

    Selvagem.

    Sem freio.

    Como uma besta sendo solta.

    Mas dessa vez—

    eles estavam prontos.

    Ryuji avançou de frente.

    Tsubasa pela lateral.

    Renji escolheu o alvo óbvio.

    Ryuji.

    Erro.

    No momento em que a garra desceu, Ryuji travou o impacto com uma muralha de sangue comprimido enquanto Tsubasa surgia no ponto cego, a lâmina cortando o tendão atrás do joelho de Renji.

    Sangue espirrou.

    O corpo vacilou.

    Ryuji sorriu.

    — Achou que era um contra um?

    O punho veio logo em seguida.

    Direto no rosto.

    Impacto seco.

    Renji foi lançado de lado—

    mas girou no ar e voltou ainda mais agressivo.

    As garras rasgaram o espaço em sequência brutal.

    Ryuji bloqueava.

    Tsubasa punia.

    Cada investida de Renji era respondida por dois ângulos diferentes. Cada avanço abria uma brecha nova.

    A ferocidade dele era absurda.

    Mas agora…

    estava cercada.

    — MAIS!

    Renji rugiu, atravessando um corte no braço para tentar alcançar Tsubasa.

    Ryuji já estava lá.

    Uma corrente de sangue se enrolou no braço monstruoso dele, travando o movimento por um segundo.

    Tempo suficiente.

    Tsubasa entrou.

    Baixo.

    Preciso.

    A lâmina cruzou em diagonal.

    Peito.

    Ombro.

    Mais um passo.

    Outro corte.

    Perna.

    Renji cambaleou.

    Mas ainda tentou avançar.

    Ainda sorrindo.

    Ainda quebrado.

    — Vocês… tão bem pra caralho…

    Ryuji ergueu a mão.

    O sangue ao redor dele se condensou em quatro lanças densas.

    — Valeu.

    As lanças dispararam.

    Uma atravessou o ombro.

    Outra a perna.

    Duas prenderam o tronco ao chão rachado.

    Renji rugiu, tentando arrancar tudo na força.

    Tsubasa apareceu à frente dele.

    Olhos frios.

    Sem hesitação.

    — Fim.

    Um único corte horizontal.

    Limpo.

    Seco.

    Na base do pescoço.

    O impacto não arrancou a cabeça—

    mas desligou o corpo.

    Os olhos vermelhos perderam foco.

    A aura monstruosa falhou.

    As garras tremeram.

    E Renji caiu.

    Pesado.

    Inerte.

    Silêncio.

    O monstro… derrotado.

    Tsubasa exalou lentamente.

    — Uma peça.

    Ryuji já virou.

    Procurando a próxima.

    Karaku.

    Sander.

    San—

    San?

    O campo gelou.

    Não havia presença à frente.

    Não havia aura parada atrás do grupo inimigo.

    Não havia peso algum—

    porque ele já estava atrás.

    Ryuji percebeu.

    Tarde demais.

    Uma presença surgiu nas costas dele como se sempre tivesse estado ali.

    Calma.

    Imensa.

    Inevitável.

    San Ryoshi falou baixo, quase ao ouvido:

    — Boa escolha.

    Ryuji tentou girar.

    Tentou reagir.

    Tentou erguer o sangue.

    Nada foi rápido o bastante.

    O chute veio.

    Curto.

    Preciso.

    Na lateral do tronco.

    Mas a força…

    não parecia humana.

    Impacto.

    O som ecoou pelo campo inteiro.

    Ryuji foi lançado como um projétil vivo, atravessando metros e metros de arena enquanto o ar explodia atrás dele. O corpo quicou uma vez no chão, arrastou, bateu em destroços—

    e cruzou a linha final.

    Zona de Eliminação.

    Silêncio absoluto.

    Tsubasa arregalou os olhos por um segundo.

    Só um.

    Erro fatal.

    Karaku já estava mirando.

    — Você pensou demais.

    O primeiro tiro atravessou o ombro de Tsubasa.

    O segundo acertou a coxa.

    O terceiro veio no abdômen.

    Depois vieram vários.

    Rápidos.

    Cirúrgicos.

    Sem intervalo.

    Tsubasa tentou mover a lâmina.

    Outro tiro na mão.

    Tentou saltar.

    Dois nas pernas.

    Tentou respirar.

    Mais um no lado do corpo.

    O sangue explodiu no ar em múltiplos pontos.

    O corpo dele recuou cambaleando, sendo perfurado sem conseguir formar defesa completa.

    Karaku não errava.

    Nem um.

    Nem por acaso.

    O disparo final veio no centro do peito.

    Impacto seco.

    Tsubasa travou.

    A lâmina caiu da mão.

    Os joelhos cederam.

    E ele desabou no chão.

    Silêncio.

    Pesado.

    Definitivo.

    No campo restavam—

    San Ryoshi.

    Karaku Sabito.

    Sander Shimo.

    E Ryuji…

    fora da arena.

    Derrotado.

    Silêncio.

    O campo inteiro parecia segurar a respiração.

    Tsubasa Hayashi permanecia caído, o corpo marcado por múltiplos disparos, a lâmina largada a poucos metros de distância.

    Ryuji Arata estava além da linha final.

    Zona de Eliminação.

    Kaede Shizuma e Naki Senrou ainda no chão, derrotados desde antes.

    E no centro da arena—

    o time adversário permanecia de pé.

    San Ryoshi.

    Karaku Sabito.

    Sander Shimo.

    E Renji Asakura…

    mesmo inconsciente, ainda contava como peça ativa até o encerramento oficial.

    A presença deles dominava o cenário inteiro.

    Não havia dúvida.

    Não havia discussão.

    A voz do juiz ecoou.

    Fria.

    Imparcial.

    Absoluta.

    — Fim do Primeiro Round.

    O som atravessou a arena como uma sentença.

    — Vitória do time de San Ryoshi, Karaku Sabito, Sander Shimo e Renji Asakura.

    Pausa.

    Pesada.

    — Resultado do round:

    — Dominação absoluta.

    O silêncio aumentou.

    Até o vento pareceu recuar.

    — Placar atual:

    — 1 a 0.

    Nenhuma comemoração veio do lado vencedor.

    San Ryoshi apenas virou de costas.

    Como se aquilo…

    fosse o esperado.

    Karaku guardou a arma sem emoção.

    Sander soltou um riso curto, estalando o pescoço.

    Renji, desacordado, era carregado por membros da equipe médica.

    Do outro lado—

    os derrotados começaram a retornar.

    As luzes do campo mudaram.

    Protocolos de recuperação ativados.

    Ryuji foi trazido de volta da zona de eliminação, tossindo sangue e respirando pesado, mas consciente.

    Tsubasa se ergueu devagar, ainda sentindo o corpo falhar em alguns pontos.

    Naki já estava sentado, silencioso.

    Kaede se levantou de uma vez, arrancando faíscas vermelhas do próprio corpo no processo.

    Irritado.

    Violento.

    Vivo.

    Os quatro se reuniram numa área lateral da arena.

    Ninguém falou de imediato.

    A derrota ainda estava ali.

    Entre eles.

    Pesada.

    Ryuji quebrou o silêncio primeiro.

    — Se continuar assim…

    A voz saiu rouca.

    Mas firme.

    — A gente perde nos próximos rounds também.

    Kaede desviou o olhar.

    Tsubasa cruzou os braços.

    Naki permaneceu quieto.

    Ryuji continuou:

    — Eles são mais fortes individualmente.

    — Mais organizados.

    — E punem qualquer erro.

    Pausa.

    Os olhos dele subiram.

    Direto pros três.

    — Então só tem um jeito.

    Silêncio.

    — Lutar juntos.

    Tsubasa assentiu na hora.

    — Concordo.

    — O único momento em que derrubamos alguém foi coordenando ataque.

    Naki fechou os olhos por um instante.

    Depois falou:

    — Se cada um insistir no próprio duelo…

    — a gente vai cair um por um.

    Kaede soltou uma risada seca.

    Sem humor.

    Sem paciência.

    — Que lindo.

    Ele deu um passo à frente.

    Aura vermelha oscilando ao redor.

    — Plano de time.

    — Trabalho em grupo.

    — Mão dada e amizade.

    Ryuji franziu o cenho.

    — Não começa.

    Kaede apontou pra ele.

    — Eu comecei?

    Outro passo.

    — Eu fui o único que caiu porque enfrentei aquele maluco sozinho?

    Ele apontou pro campo.

    — Naki caiu sozinho.

    — Tsubasa caiu sozinho.

    — Você foi chutado pra fora igual lixo.

    Silêncio.

    Pesado.

    Kaede abriu um sorriso torto.

    Raivoso.

    — Então para de bancar o capitão agora.

    A aura dele subiu mais.

    — Eu não vou lutar colado em ninguém.

    — No próximo round…

    Ele estalou o pescoço.

    Os olhos brilhando em vermelho.

    — Eu vou por conta própria.

    Naki ergueu o olhar.

    — Isso é burrice.

    Kaede respondeu sem hesitar:

    — Não.

    Pausa.

    — Isso é orgulho.

    Tsubasa soltou o ar pelo nariz.

    Irritado.

    — Orgulho perde luta.

    Kaede virou o rosto pra ele.

    — Técnica também.

    O clima pesou.

    De novo.

    Como se o round anterior nunca tivesse acabado.

    Ryuji observava em silêncio.

    Respiração funda.

    Pensando.

    Porque agora…

    não era só vencer San Ryoshi.

    Era impedir que o próprio time quebrasse antes.

    Do outro lado da arena—

    San Ryoshi observava tudo à distância.

    Sem ouvir as palavras.

    Mas entendendo o cenário.

    Um leve sorriso surgiu.

    — Eles ainda estão lutando entre si.

    Karaku ajustou os óculos.

    — Melhor pra nós.

    San Ryoshi cruzou os braços.

    Os olhos fixos em Ryuji.

    — Talvez.

    Pausa.

    — Ou talvez…

    — seja agora que eles começam a ficar perigosos.

    O aviso sonoro ecoou pela arena.

    Próximo round em preparação.

    E dessa vez—

    a verdadeira guerra mental começava.

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