Índice de Capítulo

    A aura ainda vibrava no campo.

    Pesada. Vermelha. Viva.

    Renji Asakura não esperou.

    No exato instante em que a fumaça desapareceu por completo—
    ele avançou.

    Não foi movimento.

    Foi ruptura.

    O chão explodiu sob os pés dele, fragmentos sendo lançados para trás enquanto o corpo avançava em linha reta, sem curva, sem ajuste, sem leitura aparente—

    Mas rápido demais.

    Errado demais.

    Tsubasa Hayashi reagiu no reflexo.

    O corpo dele se deslocou para o lado no último instante, a lâmina já vindo em contra-ataque, precisa, cirúrgica, mirando o ponto exato onde o pescoço de Renji estaria—

    Mas não estava.

    Renji inclinou o corpo de forma antinatural no meio do avanço, desviando por um ângulo impossível enquanto a garra direita subia de baixo pra cima—

    Rasgando o ar.

    Tsubasa bloqueou.

    Mas não completamente.

    O impacto veio bruto.

    A lâmina segurou parte da força…
    mas o resto passou.

    O corpo dele foi lançado para trás, os pés arrastando no chão enquanto ele forçava estabilidade, criando sulcos profundos na arena até conseguir parar.

    Silêncio.

    Curto.

    Pesado.

    Tsubasa ergueu o olhar lentamente.

    Os olhos… mais atentos.

    Mais sérios.

    — …entendi.

    Renji não respondeu.

    Ele não estava ouvindo.

    A respiração dele era irregular, pesada, quase animal. O peito subia e descia de forma descontrolada, enquanto a aura pulsava como um coração fora do ritmo.

    Os olhos vermelhos travaram em Tsubasa.

    E o sorriso… abriu mais.

    — some.

    E ele desapareceu.

    Não havia transição.

    Não havia deslocamento visível.

    Só ausência.

    Tsubasa reagiu.

    Tarde.

    Renji surgiu já dentro da guarda.

    Garra descendo direto.

    Sem técnica.

    Sem ajuste.

    Só destruição.

    Tsubasa cruzou a lâmina na frente do corpo—

    Impacto.

    O som ecoou como metal sendo esmagado.

    A pressão foi absurda.

    O chão abaixo dos pés de Tsubasa cedeu, formando uma pequena cratera enquanto ele era forçado para baixo, o corpo travando inteiro pra não quebrar naquele instante.

    — …força aumentou mais do que o esperado—

    A análise veio.

    Rápida.

    Mas quase inútil.

    Porque Renji não parou.

    Outra garra veio.

    Depois outra.

    Depois mais.

    Uma sequência caótica de ataques, cada um vindo de um ângulo diferente, sem padrão, sem repetição, sem lógica aparente—

    Mas todos letais.

    Tsubasa recuou.

    Primeiro um passo.

    Depois dois.

    Depois três.

    A lâmina dele se movia em alta velocidade, bloqueando, desviando, redirecionando—

    Mas estava sendo pressionado.

    — Ele não tá lutando…

    Um golpe passou raspando o rosto.

    Outro acertou de leve o ombro.

    Sangue.

    — …ele tá atacando.

    Tsubasa girou o corpo, desviando por milímetros de uma investida frontal e criando espaço com um corte diagonal—

    Acertou.

    O peito de Renji abriu.

    Um corte limpo.

    Profundo.

    Sangue espirrou.

    Mas—

    Renji não parou.

    Nem sequer diminuiu.

    Ele avançou através do próprio dano, ignorando completamente o ferimento enquanto a garra vinha de novo, ainda mais rápida.

    Tsubasa estreitou os olhos.

    — Ignora dor…?

    Ele se abaixou no último instante, sentindo o ar rasgar acima da cabeça, e respondeu com uma sequência precisa—

    Um corte na perna.

    Outro no braço.

    Um terceiro no tronco.

    Todos conectaram.

    Todos limpos.

    Todos perfeitos.

    E ainda assim—

    Renji continuou.

    Como se nada tivesse acontecido.

    Como se o corpo não importasse.

    Como se só existisse uma coisa.

    Destruir.

    O sorriso dele cresceu.

    — mais…

    A voz saiu distorcida.

    — MAIS.

    Ele explodiu de novo.

    Agora mais rápido.

    Mais pesado.

    Mais violento.

    O campo começou a rachar ao redor dos dois, cada impacto deixando marcas mais profundas, cada movimento carregando uma pressão que já começava a afetar o ambiente ao redor.

    Tsubasa travou por um instante.

    Não fisicamente.

    Mentalmente.

    — …isso não é só aumento de poder.

    Outro ataque veio.

    Ele desviou.

    Por pouco.

    — Ele sacrificou o controle.

    Mais um.

    Bloqueio.

    O braço tremeu.

    — Em troca de—

    Impacto direto.

    Dessa vez não deu tempo.

    A garra acertou.

    Rasgou.

    O corte atravessou o lado do corpo de Tsubasa, abrindo a pele e lançando sangue no ar enquanto o impacto o empurrava vários metros para trás.

    O corpo dele girou no ar antes de tocar o chão e deslizar, parando de joelhos.

    Silêncio.

    A respiração dele saiu mais pesada agora.

    Mas os olhos…

    mais afiados do que nunca.

    Renji caminhava.

    Lento.

    Pesado.

    Cada passo afundando levemente o chão.

    A aura ainda explodindo ao redor dele.

    Selvagem.

    Instável.

    Perigosa.

    — Você que queria brincar…

    A voz saiu baixa.

    Carregada.

    — então aguenta.

    Tsubasa cuspiu um pouco de sangue de lado.

    E então—

    sorriu.

    Pequeno.

    Mas real.

    — Agora sim…

    Ele se levantou.

    Devagar.

    A lâmina girou levemente na mão dele, ajustando o ângulo.

    A postura mudou.

    Mais baixa.

    Mais focada.

    Mais… afiada.

    — Agora ficou interessante.

    Silêncio.

    O ar entre os dois… ficou mais fino.

    Mais tenso.

    Mais mortal.

    Tsubasa deu um passo à frente.

    E naquele instante—

    algo mudou.

    Não no corpo.

    Mas na percepção.

    O campo desacelerou.

    Os movimentos de Renji…

    já não eram caos puro.

    Eram padrões quebrados.

    Mas ainda padrões.

    — Eu entendi.

    A voz saiu baixa.

    Quase um sussurro.

    Renji inclinou a cabeça.

    Confuso.

    Por um segundo.

    Erro.

    Tsubasa sumiu.

    Dessa vez—

    foi ele.

    O deslocamento veio limpo.

    Perfeito.

    Sem desperdício.

    Ele apareceu no ponto cego.

    Atrás.

    A lâmina já no movimento.

    Sem hesitação.

    Sem aviso.

    — Você não ficou mais forte…

    O corte desceu.

    Preciso.

    Letal.

    — Você só ficou mais fácil de ler.

    Impacto.

    O campo tremia.

    Não pelo impacto.

    Mas pela frequência.

    Raios cortavam o ar em todas as direções, se cruzando, se chocando, explodindo em faíscas que desapareciam antes mesmo de tocar o chão. O espaço entre Kaede Shizuma e Sander Shimo já não era estável — era um território em colapso constante.

    Mas naquele instante—

    Kaede estava vencendo.

    — SOME!

    O avanço veio brutal.

    Sem cálculo.

    Sem contenção.

    Só pressão.

    O corpo de Kaede desapareceu num disparo vermelho, os raios ao redor dele pulsando em ritmo descontrolado enquanto ele surgia na frente de Sander com um golpe direto, carregado de pura destruição.

    Impacto.

    Sander bloqueou—

    Tarde.

    O choque atravessou a defesa, o corpo dele sendo lançado para trás enquanto o chão explodia sob o impacto. Ele deslizou vários metros, os pés rasgando o campo até conseguir parar.

    Silêncio.

    Curto.

    Kaede não parou.

    Já estava em cima.

    Outro avanço.

    Outro golpe.

    Outro impacto.

    Sander tentou reagir—

    Não conseguiu.

    Um soco atravessou a guarda.

    Outro veio logo em seguida.

    E mais um.

    Cada golpe de Kaede carregava mais força que o anterior, os raios vermelhos ao redor dele crescendo, se tornando mais densos, mais violentos, como se o próprio corpo estivesse entrando em colapso junto com o poder.

    — Eu não vou perder de novo!

    A voz saiu rasgada.

    Carregada.

    Outro golpe acertou.

    Direto.

    Sander foi lançado contra o chão dessa vez, uma cratera se formando ao redor dele no momento do impacto.

    Poeira subiu.

    Fragmentos voaram.

    E por um instante—

    silêncio.

    Kaede respirava pesado.

    O corpo inteiro vibrando.

    Os olhos… acesos.

    — Levanta…

    A voz saiu baixa.

    Ameaçadora.

    — Levanta, porra!

    A poeira começou a baixar.

    Lenta.

    Revelando.

    Sander Shimo.

    De pé.

    Intacto.

    Sem pressa.

    Sem expressão de dor.

    Só… olhando.

    Kaede travou por meio segundo.

    Não de medo.

    Mas de estranhamento.

    — …tá de sacanagem.

    Sander limpou levemente a poeira do ombro.

    Calmo.

    Como se nada tivesse acontecido.

    — Você bate bem.

    Pausa.

    Os olhos dele ergueram.

    Frio.

    Calculado.

    — Mas acabou?

    O ar mudou.

    Sutil.

    Mas real.

    Kaede franziu o cenho.

    — Que foi?

    Um passo.

    Só um.

    Mas o suficiente.

    Algo… respondeu.

    No chão.

    Sob os pés de Kaede.

    Um brilho.

    Escuro.

    Quase invisível no começo.

    Mas crescendo.

    Se formando.

    Linhas.

    Símbolos.

    Geometria perfeita.

    Um círculo.

    E dentro dele—

    um pentagrama.

    Negro.

    Vivo.

    Pulsando com energia densa.

    Errada.

    Kaede olhou pra baixo.

    Tarde.

    — Que porra é—

    Sander levantou a mão.

    Dois dedos.

    Apontando.

    — Cai.

    O céu respondeu.

    Não com luz.

    Mas com ruptura.

    As nuvens acima do campo se rasgaram em um único ponto, como se algo estivesse forçando passagem do outro lado. A pressão caiu instantaneamente, o ar ficando pesado demais—

    E então—

    veio.

    Um raio.

    Negro.

    Com veios vermelhos correndo por ele como sangue.

    Não era energia comum.

    Era condensação pura.

    Violenta.

    Irreal.

    Ele caiu.

    Direto.

    Sem desvio.

    Sem chance.

    Impacto.

    O som não foi um estrondo.

    Foi um colapso.

    O campo inteiro tremeu no instante em que o raio atingiu o centro do pentagrama, engolindo Kaede por completo. A luz escura explodiu para todos os lados, rachando o chão em múltiplas direções enquanto a energia se expandia e se retraía num único pulso devastador.

    E então—

    silêncio.

    A fumaça subiu.

    Densa.

    Pesada.

    Carregada de eletricidade residual que ainda dançava no ar como ecos do impacto.

    Sander manteve a mão erguida por mais um segundo.

    E então abaixou.

    Simples.

    Como se tivesse terminado algo trivial.

    A fumaça começou a se dissipar.

    Revelando.

    O centro.

    Kaede Shizuma.

    Parado.

    Por um instante.

    O corpo ainda de pé.

    Mas—

    quebrado.

    A aura vermelha… falhando.

    Instável.

    Os olhos… perdendo foco.

    Um passo.

    Falho.

    O corpo cedeu.

    E ele caiu.

    Sem reação.

    Sem resistência.

    Derrotado.

    Silêncio.

    Pesado.

    Definitivo.

    Sander observou.

    Sem emoção.

    Sem pressa.

    — Muito barulho…

    Pausa.

    O olhar dele desceu levemente.

    — …pra tão pouco resultado.

    O campo respondeu com um último estalo elétrico.

    E então—

    ficou quieto.

    O campo, naquele ponto…

    já não era campo.

    Era linha de tiro.

    Os disparos continuavam.

    Rápidos.

    Precisos.

    Implacáveis.

    Karaku Sabito não se movia.

    Não precisava.

    O braço estendido, a arma alinhada, o dedo pressionando o gatilho em intervalos quase perfeitos — cada tiro cortando o ar como uma sentença calculada.

    Do outro lado—

    Naki Senrou resistia.

    Chamas giravam ao redor dele.

    Ciano.

    Vivas.

    Inteligentes.

    Cada disparo que vinha—

    era interceptado.

    Absorvido.

    Redirecionado.

    Explodindo em pequenas colisões de energia antes de alcançar o corpo dele.

    Um passo pra esquerda.

    Defesa.

    Outro disparo.

    Barreira.

    Mais um.

    Desvio.

    O ritmo era absurdo.

    Mas Naki… estava acompanhando.

    — Já entendi o padrão…

    A voz saiu baixa.

    Controlada.

    Os olhos dele se moviam rápido, analisando cada micro ajuste na postura de Karaku, cada leve alteração na mira, cada intervalo entre os tiros.

    — Você calcula…

    Outro disparo veio.

    Ele desviou.

    Sem dificuldade.

    — Mas ainda é humano.

    Silêncio.

    Karaku observava.

    Sem emoção.

    Sem pressa.

    — …é?

    A arma abaixou.

    Por um segundo.

    Curto.

    Mas suficiente.

    O campo pareceu travar.

    Naki franziu o cenho.

    Algo… mudou.

    Não na energia.

    Mas na intenção.

    Karaku levou a mão livre até o rosto.

    Dois dedos tocaram levemente a lateral do olho.

    E então—

    os olhos abriram.

    Diferentes.

    Mais profundos.

    Mais… distorcidos.

    Como se não estivessem olhando só o presente.

    Mas atravessando ele.

    — Então tenta acompanhar isso.

    O mundo mudou.

    Não visivelmente.

    Mas dentro da percepção—

    sim.

    Karaku ergueu a arma novamente.

    E atirou.

    O disparo veio.

    Naki reagiu.

    Desviou com precisão.

    Mas—

    o tiro não era pra ali.

    Outro disparo veio.

    Antes mesmo do primeiro completar o trajeto.

    E outro.

    E mais um.

    Uma sequência absurda.

    Sem padrão.

    Sem lógica aparente.

    Naki respondeu.

    Movimento perfeito.

    Chamas reagindo.

    Desvios limpos.

    Mas então—

    o primeiro impacto aconteceu.

    Direto.

    No ombro.

    O corpo dele travou por meio segundo.

    — …?!

    Ele nem viu.

    Nem sentiu vindo.

    Só aconteceu.

    Outro tiro.

    Perna.

    Impacto seco.

    Mais um.

    Costela.

    Agora ele sentiu.

    O corpo reagiu.

    Tarde.

    — Que…?

    Outro disparo.

    Mais rápido.

    Mais preciso.

    Outro acerto.

    E mais um.

    E outro.

    E outro.

    Agora não era troca.

    Era execução.

    Os tiros vinham—

    não onde Naki estava.

    Mas onde ele ia estar.

    Cada movimento dele…

    já estava sendo punido antes de acontecer.

    Ele tentou mudar o ritmo.

    Erro.

    Tentou quebrar o padrão.

    Erro.

    Tentou parar.

    Erro.

    Porque até isso—

    já estava previsto.

    — …isso não é leitura…

    Mais um tiro atravessou a defesa.

    Sangue.

    — É previsão…

    Karaku não respondeu.

    Só atirou.

    De novo.

    E de novo.

    E de novo.

    Os disparos agora eram constantes, atravessando as chamas, ignorando barreiras, encontrando brechas que… ainda não existiam.

    Mas iam existir.

    Naki tentou levantar mais fogo.

    Mais defesa.

    Mais pressão.

    Mas o corpo…

    já não respondia igual.

    O dano acumulava.

    Rápido demais.

    Um tiro no braço.

    Outro no lado.

    Mais um no abdômen.

    As pernas falharam por um instante.

    E isso foi o suficiente.

    Um disparo final veio.

    Limpo.

    Direto.

    Centro.

    Impacto.

    O corpo de Naki travou.

    Os olhos perderam o foco.

    A aura falhou.

    As chamas… se apagaram.

    E então—

    ele caiu.

    De costas.

    Pesado.

    Sem reação.

    Silêncio.

    O eco dos tiros morreu.

    Lento.

    Até desaparecer.

    Karaku abaixou a arma.

    Calmo.

    Como se tivesse terminado um cálculo simples.

    — A diferença…

    Pausa.

    Os olhos dele ainda carregavam aquele brilho estranho.

    — é que eu já vi você perder.

    O campo respondeu com o vento.

    Fraco.

    Carregando o cheiro de energia queimada.

    E agora—

    o cenário estava claro.

    Kaede… derrotado.

    Naki… no chão.

    Do outro lado—

    San Ryoshi.

    Karaku Sabito.

    Sander Shimo.

    E Renji Asakura.

    Quatro.

    De pé.

    Intactos.

    E do lado oposto—

    Ryuji Arata.

    Ainda firme.

    E Tsubasa Hayashi.

    Ainda lutando.

    Silêncio.

    Pesado.

    Inevitável.

    2 contra 4.

    A guerra…

    Acabou de virar um massacre.

    Continua…

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