O caminho de volta pareceu mais longo do que antes. A rua permanecia silenciosa, e apenas o som de seus passos e o eco distante de tiros quebravam a quietude. Arthur avançava atento a cada sombra entre os veículos abandonados, mas nada surgiu. Quando alcançou o carro, entrou e seguiu em direção à saída da cidade.

    A roça estava a cerca de quinze quilômetros. Em qualquer outra noite, bastaria pegar a estrada de terra na saída do bairro e seguir por alguns minutos. Agora, porém, cada rua vazia, cada esquina sem luz e cada carro abandonado parecia uma ameaça.

    Arthur deixou as últimas casas para trás e pegou a estrada, mas não avançou muito antes de notar algo estranho no alcance dos faróis. O caminho continuava à frente, os arbustos baixos ainda se espalhavam pelas margens e a poeira suspensa no ar brilhava sob a luz amarelada. Mesmo assim, havia uma ondulação no ar, como se o espaço tremesse diante dele. 

    Ele pisou no freio, e o veículo parou no meio da estrada com um solavanco leve. Arthur permaneceu imóvel atrás do volante, encarando a distorção diante dos faróis. Então desligou o motor, pegou o sabre no banco ao lado e desceu.

    Do lado de fora, a ondulação parecia ainda mais estranha. Ela atravessava a estrada de um lado ao outro, subindo em uma curvatura suave até se perder no céu escuro. Arthur se aproximou devagar. Do outro lado, tudo parecia levemente distorcido, como se estivesse observando através de água em movimento. Quando ergueu os olhos e acompanhou a curvatura se estendendo sobre a cidade, franziu o cenho. Aquilo não bloqueava apenas a estrada. Era a borda do domo que havia visto se formar no início daquela noite.

    Com os olhos fixos na distorção, Arthur pegou uma pedra caída perto de seus pés e a arremessou. Esperava algum impacto, talvez uma ondulação, mas a pedra atravessou como se nada existisse ali e caiu do outro lado, rolando pela terra. Arthur piscou. Aproximou-se alguns passos, ainda observando a ondulação. Havia algo ali, embora nada parecesse impedir a passagem. Arthur ergueu a mão. 

    Antes que pudesse tocar a superfície, um chiado irritante rasgou a escuridão. Do outro lado do domo, um goblin surgiu entre os arbustos e avançou contra Arthur. Por um instante, pareceu que o alcançaria sem dificuldade, mas seu corpo se chocou contra a superfície invisível e ricocheteou para trás. A criatura caiu na terra seca, mas se levantou quase imediatamente, rosnando. Investiu outra vez, e o resultado foi o mesmo. Suas mãos bateram contra a barreira, raspando o vazio com as unhas.

    Arthur recuou um passo enquanto observava. 

    O vento soprou e levantou a poeira seca das margens, empurrando-a contra a superfície invisível. Por um instante, os grãos pareceram brilhar sob a luz dos faróis antes de atravessarem o domo sem qualquer resistência. Ainda assim, o goblin permanecia do outro lado, rosnando contra uma parede que só parecia existir para ele.  

    “É por isso que a cidade ainda não foi tomada?”

    Tentando compreender melhor a situação, Arthur concentrou o olhar na barreira e usou Inspeção. No mesmo instante, uma dor aguda atravessou sua cabeça, como se algo pressionasse seus olhos por dentro. Ele recuou um passo e interrompeu a habilidade, levando a mão à testa.

    — Droga…

    O goblin do outro lado havia parado de tentar atravessar e agora apenas o observava, respirando pesado. Ainda agressivo, mas menos impulsivo. Arthur se abaixou outra vez e pegou uma segunda pedra. Os olhos vermelhos da criatura seguiram o movimento. Quando ele ergueu o braço, ela soltou um chiado quase debochado, como se já tivesse entendido que nada lançado dali poderia alcançá-la. 

    Arthur arremessou a pedra e a criatura nem tentou se esquivar; apenas encarou o projétil, confiante demais naquela proteção invisível. A confiança durou pouco. A pedra atravessou a barreira sem resistência e acertou seu nariz em cheio. 

    TAC!

    A cabeça do goblin foi jogada para trás. Ele cambaleou, levando as mãos ao nariz e soltou um grito agudo de dor, mais surpreso do que ferido. Arthur não conteve um sorriso curto.

    — É… eu também achei engraçado. 

    O goblin arreganhou os dentes, os olhos tomados por uma fúria quase humana. Agarrou a pedra caída e ergueu o braço para arremessá-la de volta. Mas antes que completasse o movimento, Arthur avançou. O sabre atravessou a barreira como se ela não existisse, e a lâmina entrou no peito da criatura com uma estocada seca. O goblin arregalou os olhos, ainda segurando a pedra na mão, enquanto sangue escorria pela lâmina de osso e o brilho desaparecia de seus olhos. 

    Arthur puxou a arma, e o corpo veio junto, empalado pela lâmina, atravessando o domo sem qualquer dificuldade até cair do lado de dentro da barreira. Ele respirou fundo. Pedra passava. Vento passava. Até o corpo do goblin atravessou depois de morto. Talvez a barreira só funcionasse contra criaturas vivas. 

    Aproximou-se devagar. A mão subiu até a altura do peito, mas parou antes de tocar a ondulação. O goblin não parecia ter se ferido. Não era possível que com ele acontecesse algo pior. Arthur respirou fundo e avançou os dedos. Nada aconteceu. Seus dedos atravessaram sem frio, calor ou pressão. Ele avançou mais alguns centímetros, depois o braço inteiro, e ainda assim não encontrou resistência. Só então deu um passo adiante, e seu corpo passou pelo domo como se nada existisse ali.

    Do lado de fora, Arthur parou. 

    A noite parecia diferente. Dentro da cidade, o céu era apenas uma escuridão opaca, sem lua ou estrelas. Ali, porém, elas continuavam visíveis acima dele, frias e distantes, como se o fim do mundo ainda não tivesse alcançado o céu. 

    Arthur olhou para trás e atravessou o domo novamente, sem encontrar qualquer resistência. A sensação continuava estranha, mas ele não podia perder mais tempo tentando entender aquilo. Ele voltou para o carro, ligou o motor e passou pela barreira mais uma vez. A cidade ficou para trás enquanto ele seguia, ainda inquieto.

    Arthur pisou fundo no acelerador. O carro avançou pela estrada de terra, sacudindo a cada buraco, enquanto os faróis tremiam sobre o caminho estreito. A poeira subia em nuvens amareladas ao redor do veículo, engolindo parte da visão pelo retrovisor. Estava rápido demais para aquela estrada, mas não conseguiu reduzir.

    Não demorou para que os primeiros goblins surgissem pelo caminho. Alguns correram atrás do carro, guinchando em fúria, mas foram engolidos pela poeira em poucos segundos. Outros estavam ocupados demais arrastando pedaços de carcaças para dentro do mato. Cercas arrebentadas, marcas de sangue e rastros fundos na terra passavam pelos faróis como fragmentos de um pesadelo. A estrada continuou se desenhando à frente em meio à poeira até que, de repente, os faróis deixaram de encontrar terra. Arthur pisou no freio com força. O carro derrapou sobre a areia e parou a poucos metros de uma ponte. Ou do que restava dela.

    A estrutura havia cedido no meio, deixando um rasgo escuro entre as duas margens. Parte do concreto estava quebrada, e pedaços de ferragem retorcida se projetavam para fora como ossos expostos. Abaixo, o leito seco do riacho mergulhava em sombras irregulares. Não havia como atravessar de carro.

    — Merda… 

    Arthur bateu a mão contra o volante. O som seco atravessou o interior do carro, mas não aliviou a pressão em seu peito. 

    Ele apagou os faróis e deixou apenas o motor ligado por mais alguns segundos, ouvindo a noite ao redor. Não havia nenhum chiado ou movimento imediato entre os arbustos. Ainda assim, não podia simplesmente abandonar o carro no meio da estrada. Arthur manobrou devagar até encontrar uma entrada estreita na lateral da estrada, parcialmente escondida por arbustos secos e galhos baixos. Forçou o carro para dentro o máximo que pôde, tomando cuidado para não atolar, e desligou o motor. 

    O silêncio que veio depois parecia sufocante.

    Com o sabre em mãos, ele saiu do carro e arrancou alguns galhos secos para cobrir o veículo. Não era uma camuflagem perfeita, mas na escuridão talvez bastasse. Quando terminou, deu um último olhar para a estrada bloqueada pela ponte quebrada. Dali em diante, teria que seguir a pé.

    A ausência do motor tornou a noite mais pesada. Sem o ronco do carro para abafar o mundo ao redor, tudo chegava com mais clareza. O atrito das botas contra a terra seca, o farfalhar dos arbustos, o estalo de algum galho distante. Arthur avançou pela estrada por alguns minutos, mas logo percebeu que seguir pelo caminho principal talvez fosse uma péssima ideia. A estrada dava voltas demais. Ele não tinha esse tempo. Ele olhou na direção aproximada da roça e avançou em linha reta, cortando pela vegetação. 

    Seus primeiros passos foram cautelosos, afastando os galhos com o braço livre e os olhos atentos ao chão. No escuro, as pedras e raízes deveriam tornar cada passo incerto, mas os obstáculos surgiam e ficavam para trás antes que realmente o atrasassem. Mesmo o solo irregular parecia apenas um pequeno incômodo. 

    Arthur não parou para pensar. Acelerou. 

    O mato seco raspava em suas pernas, os galhos batiam em seus ombros, e ele continuou aumentando o ritmo. Antes que percebesse, estava correndo, e a mata, que deveria ser um obstáculo, virou apenas um borrão passando rápido dos dois lados. Seus pulmões não queimavam, suas pernas não falhavam, e cada impulso o lançava alguns metros adiante, como se o chão mal conseguisse segurá-lo. Por um instante, sentiu a liberdade de ter um corpo que respondia sem reclamar, sem cobrar, sem lembrá-lo o quanto havia sido fraco. A confiança cresceu, e ele forçou ainda mais o ritmo, até que ouviu algo. 

    Não era alto. Não de início. Apenas um ruído distante, quase perdido entre seus próprios passos, mas havia algo errado nele. Algo pesado. Arthur reduziu sem perceber, os sentidos voltados para a mata à frente. 

    O som continuou, vindo de algum ponto além da vegetação, arrastado pela noite. Passos. Grunhidos. Metal batendo contra metal. A sensação de perigo desceu por sua espinha como água gelada, e ele parou de uma vez, quase escorregando na terra. Fincou os pés no chão, abaixou o corpo por instinto e permaneceu imóvel, tentando controlar a respiração. 

    O som estava longe, e isso aliviou parte da pressão em seu peito, mas não o bastante para fazê-lo relaxar.

    Arthur se moveu em silêncio, procurando um ponto mais alto, até encontrar um morro baixo coberto por capim seco e algumas árvores retorcidas. Ele subiu com cuidado, evitando pisar em galhos soltos. Ao alcançar o topo, deitou-se entre a vegetação e afastou algumas folhas apenas o suficiente para observar a planície abaixo. 

    O ar pareceu sumir de seus pulmões.

    Sob a luz fria da lua, centenas de silhuetas se moviam pela planície. Talvez mais. Muitas mais. Goblins marchavam em grupos desordenados, alguns carregando lanças, outros facas, pedaços de madeira, ossos usados como armas. Entre eles, ratos gigantes avançavam com os corpos baixos, farejando o chão, enquanto pequenas figuras verdes caminhavam ao lado ou montadas sobre suas costas. Arthur não conseguia ver onde o grupo começava ou terminava. A massa se espalhava pela escuridão como uma mancha viva, rangendo, chiando, respirando em conjunto.

    No meio daquela multidão, algumas figuras maiores se destacavam. Hobgoblins. Mesmo à distância, era impossível confundi-los. Eram mais altos, mais largos, e se moviam com uma firmeza diferente dos goblins comuns. Não pareciam apenas seguir a marcha. Pareciam conduzi-la. Alguns carregavam clavas pesadas sobre os ombros. Outros caminhavam em silêncio, cercados por grupos menores que mantinham distância, como animais evitando irritar predadores maiores. Ver vários deles misturados àquela horda fez sua mão apertar o sabre com tanta força que os dedos doeram.

    Se aquilo estivesse indo para a cidade…

    O pensamento ficou inacabado. Arthur olhou para trás, na direção distante de Guanambi. O domo já não era visível dali, encoberto pelas irregularidades do terreno e pela distância, mas ele se lembrou do goblin preso do lado de fora. Era um alívio saber que a barreira protegia a cidade. Mas ela seria capaz de resistir a uma horda daquele tamanho? 

    Arthur acompanhou a marcha por mais alguns instantes, até entender que as criaturas não seguiam para lá. Tentou descobrir para onde iam, mas a noite escondia demais. 

    Um dos hobgoblins parou de repente. Arthur prendeu a respiração. A criatura virou a cabeça devagar, como se tivesse percebido algo no vento. Mesmo à distância, ele sentiu o peso daquele gesto. Ficou imóvel entre o capim, o corpo pressionado contra a terra, cada músculo travado. Aqueles olhos poderiam encontrá-lo no escuro.

    O hobgoblin permaneceu parado por um instante. Depois soltou um grunhido baixo e voltou a marchar.

    Arthur só respirou quando a criatura se afastou com o restante do grupo. Esperou mais um pouco, até o rumor da horda diminuir o suficiente para se misturar ao vento. Então recuou devagar, sem se levantar de imediato, afastando-se do topo do morro antes de ficar de pé. O coração ainda batia forte, mas ele não podia ficar ali. Seus pais continuavam lá fora. 

    Ele contornou pelo sentido oposto ao deslocamento da horda, mantendo distância suficiente para não ser detectado. O terreno aberto dava lugar a uma vegetação mais densa conforme avançava, e ele seguiu entre as árvores, atento a cada som. Não havia mais rumores de passos ou metal. Apenas o vento e o capim seco dobrando sob seus pés. Logo avistou uma fazenda. Não era grande. Uma casa simples, algumas estruturas de madeira e, mais ao fundo, um estábulo de onde vinha um barulho abafado. 

    Arthur parou. 

    Ele se aproximou devagar e espiou pela fresta da porta.

    Havia cavalos mortos espalhados pelo chão do estábulo. Três goblins avançavam em direção ao único que ainda estava vivo, encurralado contra a parede do fundo. Dois outros goblins jaziam imóveis próximos ao animal, os corpos marcados por cascos. O cavalo havia se defendido, e havia se defendido bem. Mas ainda estava em desvantagem.

    Arthur queria ir embora. Não podia perder mais tempo. Não agora. Cada segundo ali podia custar caro. O mundo havia mudado, e não dava para salvar todos pelo caminho. Mas então o cavalo virou a cabeça, e seus olhos encontraram os de Arthur. Havia algo naquele olhar que ele não sabia nomear. Não era o pânico cego de um animal acuado. Era outra coisa. Um desejo claro e silencioso de continuar vivo.

    — Merda — murmurou Arthur, já empurrando a porta.

    Os goblins estavam focados demais no cavalo para notar sua entrada. Ele avançou rápido, e o sabre caiu duas vezes antes que as criaturas tivessem chance de reagir. O terceiro goblin se virou no mesmo instante, mas naquele momento de distração o cavalo avançou. O casco desceu com uma violência brutal sobre a cabeça da criatura, e o goblin caiu. O animal pisoteou mais uma vez, e o corpo ficou imóvel.

    Arthur baixou o sabre e olhou para o cavalo.

    O animal havia agido rápido demais. Talvez tivesse sido ele quem matou os outros goblins que já estavam caídos. E se os animais também pudessem evoluir? Antes que pudesse pensar melhor sobre aquilo, o cavalo se aproximou. Devagar, sem receio, até que sua cabeça encostou no peito de Arthur com uma leveza quase deliberada. O animal ficou imóvel, respirando fundo.

    Arthur passou a mão pelo pescoço dele sem pensar.

    — Você é mais esperto do que parece — disse, em voz baixa.

    O cavalo ergueu levemente a cabeça, como se tivesse entendido. Arthur soltou um suspiro e olhou para a porta aberta do estábulo.

    — Você está livre — disse, como se fizesse algum sentido para o animal. — Evite as estradas e o campo aberto. E não vá nessa direção — apontou para onde a horda havia seguido. — É perigoso.

    O cavalo acompanhou o gesto com os olhos.

    Arthur sacudiu a cabeça e se virou para sair, resignado. Como se não bastassem as loucuras que havia feito aquela noite, agora estava até falando com os animais. Qual seria o próximo passo? Jogar pedras nos outros por aí? Um sorriso autodepreciativo surgiu em seu rosto ao se lembrar da pedra que havia atirado no goblin.

    Seus pensamentos foram interrompidos quando o cavalo atravessou sua frente. Não foi um movimento brusco. Apenas um passo calmo, colocando o corpo entre Arthur e a saída. O animal ficou parado, olhando para ele por cima do ombro, com uma paciência quase irritante. Era impossível. Aquilo parecia um convite. 

    Arthur fitou o cavalo por um longo momento.

    — Você tá falando sério?

    O cavalo relinchou em resposta.

    Arthur olhou para os arredores, depois para a distância que ainda tinha pela frente. Soltou o ar pelos dentes e colocou a mão sobre o dorso do cavalo. O animal ficou completamente imóvel enquanto ele subia. Quando se acomodou, o cavalo saiu do estábulo sem esperar comando.

    O trote era firme e constante, muito mais rápido do que seus próprios passos. Sem precisar escolher onde pisar, Arthur finalmente conseguiu levantar os olhos do chão e prestar atenção ao que havia ao redor. A noite ainda escondia a maior parte da zona rural, mas pelo menos agora ele podia vê-la com alguma calma. Não demorou muito para que as primeiras cercas do sítio surgissem à frente.

    Ele conhecia cada detalhe daquele lugar. A cerca de madeira velha, o terreiro de terra batida, a casa simples com a varanda estreita. Havia passado finais de semana ali desde criança. Agora, porém, tudo parecia diferente sob a escuridão. Menor. Mais vulnerável.

    A porta da frente estava entreaberta. 

    Arthur sentiu o sangue gelar. Desceu do cavalo em silêncio, o coração batendo forte nos tímpanos. O terreiro estava vazio. A casa, escura. Nenhuma voz vinha de dentro, nenhum movimento. Apenas o ranger lento da porta sendo empurrada pelo vento. Durante todo o caminho, havia se convencido de que encontraria luz nas janelas, cheiro de comida, a voz da mãe vindo de algum cômodo. Agora, diante daquele silêncio, aquela certeza desmoronava. 

    — Mãe? — chamou.

    Nada.

    Ele deu um passo. Depois outro. Então sentiu o cheiro.

    Sangue.

    A mão tremia quando empurrou a porta. Seus olhos desceram para o chão da sala e a respiração travou. Os dedos abriram sozinhos, e o sabre caiu sem que ele percebesse. Marcas vermelhas se espalhavam pelo piso, partindo de algum ponto no fundo da casa em direção à entrada. Antes que conseguisse processar aquilo, algo se moveu no escuro.


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