Índice de Capítulo

    Os olhos de Akira estavam fixos em Yoru, Hudson e Ben estavam também com um pouco de medo, pois o ar estava pesado, e tudo ao redor estava parado, parecia que estava prestes a acontecer algo

    — Olha, eu não quero falar sobre delinquentes, isso não faz mais parte do meu presente, eu quero paz agora, isso são águas passadas — ele disse seriamente, o Yoru disse:

    — Isso faz parte de quem é, e também, só queremos informações, apenas isso, é pedir muito? — ele falou em dúvida, o Akira assentiu

    — É muito, e muito mesmo, eu não posso sair dando informações para qualquer um, agora me deixem em paz, se voltarem a me procurar, terão um problema grande, eu vou expulsá-los por mal, e acho que não queriam isso né? — ele colocou o boné de volta e foi embora, deixando os garotos para trás

    — Cara, esse homem tem uma pressão absurda em volta dele… Nunca fiquei tão assustado assim, só meu mestre provocava isso em mim… Ele realmente está em outro nível em… — disse o Hudson com um tom de medo na voz

    “Status”

    [Aviso! É impossível medir a força do adversário no momento, a diferença de status é muito grande]

    — É… Ele é realmente muito forte, mas não vamos desistir, esse homem tem informações que mais ninguém tem — disse o Yoru com um olhar de determinação.

    — Tá, mas oque vamos fazer pra tentar conversar com ele mais uma vez e convencê-lo de nós ajudar com essas informações? — perguntou o Ben, o Yoru deu de ombros e disse;

    — Eu realmente não sei… Mas espero que amanhã agente consiga uma coisa positiva, por enquanto vamos encontrar um lugar pra passar a noite, eu estou um pouquinho cansado.

    Com isso, os três foram procurar um lugar pra dormir, e encontram um velho hotelzinho, onde pagaram pra passar a noite.

    [Sede principal da GHV]

    O Charles estava olhando a cidade pela janela, com um olhar frio, e com um copo de whisky com gelo nas mãos, atrás dele, estava uma silhueta de um homem bastante forte e grande.

    — Então… Você quer mesmo apagar as lendas da primeira geração? Isso é uma coisa muito difícil, mesmo todos estando fora de seus auges, você também está um pouco velho, e seus homens além da Yummi e da Yue, o resto é tudo descartável… Você também tinha a Kira, mas esqueceu de cortar as asas do seu gavião…

    [Beobunk — Geração zero]

    — Olha, Beobunk, você acha mesmo que vou mandar eles para fazer esse trabalho, está muito enganado, não quero que saibam que tenho um segredo tão enorme quanto esse, talvez a Yummi, mas a Yue não, estou com quase cem por cento de certeza que ela está quase se voltando pra mim… Assim como a Kira — disse ele tomando um gole do seu Whisky

    — Por que não a conforta? — perguntou o Beobunk em dúvida, o Charles sorriu

    — Eu não ligo para conspirações, logo, logo, ela vai se virar contra mim de qualquer jeito, e também, oque eu planejei já está sendo executado a bastante tempo, não tem como eu perder em nada, depois de bastante tempo nas sombras do Caprio, finalmente o Japão vai ficar nas minhas mãos pro completo, e assim vou poder fazer tudo aquilo que sempre quis

    — As vezes eu penso… Você é um lunático por poder

    — O poder é aquilo que qualquer homem deseja, controlar o mundo é a vontade oculta de qualquer criatura racional nesse planeta, eu só estou chegando mais perto e logo mais vou poder aproveitar desse momento que tanto esperei.

    — Hahaha, eu quero ver aonde isso vai dar… Tem minha ajuda nessa sua trajetória

    Na manhã seguinte, o céu ainda estava coberto por nuvens quando Yoru abriu os olhos. O pequeno quarto do hotel era silencioso, mas algo parecia diferente.

    Toc… Toc…

    Os três se entreolharam.

    — Quem será uma hora dessas…? — murmurou Ben.

    Hudson caminhou até a porta e a abriu lentamente.

    Do outro lado, estava Akira.

    Com o boné cobrindo parte do rosto e as mãos nos bolsos, ele permanecia em silêncio.

    — Vocês realmente não desistem… — disse ele calmamente.

    Yoru levantou-se imediatamente.

    — Então resolveu falar?

    Akira suspirou.

    — Só porque vocês insistiram. Entrem. Conheço um lugar onde ninguém vai nos ouvir.

    Minutos depois, os quatro estavam sentados em um velho galpão abandonado, longe do movimento da cidade.

    Akira permaneceu alguns segundos olhando para o chão antes de começar.

    — Primeiro… esqueçam tudo o que ouviram sobre Charles. A imagem que ele mostra ao mundo é falsa.

    Os três ficaram atentos.

    — O verdadeiro Charles nunca quis apenas controlar gangues. Isso sempre foi um meio para alcançar algo muito maior.

    Ele levantou lentamente a cabeça.

    — O objetivo dele é controlar todo o Japão. Não por dinheiro. Não por fama. Mas porque acredita que apenas uma pessoa deve decidir o destino de todos.

    O silêncio dominou o ambiente.

    — Durante décadas ele permaneceu escondido atrás da sombra de Caprio, aprendendo tudo, esperando o momento certo para agir. Enquanto todos olhavam para outros inimigos, ele construía aliados, infiltrava pessoas e eliminava qualquer obstáculo sem deixar rastros.

    Yoru franziu a testa.

    — Então… ele já planejava isso há anos?

    — Há muito mais tempo do que vocês imaginam.

    Akira fechou os olhos por um instante.

    — E o pior… vocês ainda nem conhecem o verdadeiro problema.

    Ben arregalou os olhos.

    — Existe alguém pior que Charles?

    — Não pior… mas tão perigoso quanto.

    Os três aguardaram a resposta.

    — O atual Rei de Tokyo.

    O ambiente pareceu ficar mais pesado.

    — Enquanto Charles controla as sombras, aquele homem controla a própria cidade. Ninguém sabe exatamente o quanto ele é forte. Pouquíssimas pessoas já o enfrentaram… e menos ainda sobreviveram para contar.

    Hudson respirou fundo.

    — Então vamos ter que lutar contra ele também?

    Akira balançou a cabeça.

    — Se continuarem nesse caminho… inevitavelmente.

    Yoru permaneceu em silêncio.

    Akira então olhou diretamente para ele.

    — Mas escute uma coisa. Não pensem que podem enfrentá-los agora.

    Ele sorriu de forma amarga.

    — Nem eu posso.

    Os três ficaram surpresos.

    — O quê…? — perguntou Ben.

    — Meu corpo já não é o mesmo de antes. Os anos passaram. As batalhas cobraram seu preço. A força que um dia tive ficou no passado.

    Ele fechou a mão lentamente.

    — Se fosse o Akira de vinte anos atrás… talvez eu pudesse impedir Charles sozinho.

    Seu olhar ficou distante.

    — Hoje… não.

    Yoru percebeu um raro sentimento de frustração na voz daquele homem.

    Akira então voltou a encará-los.

    — Mas ainda posso mostrar o caminho.

    Os três prestaram atenção.

    — Vocês precisarão despertar um Domínio.

    Hudson cruzou os braços.

    — Domínio…?

    — Sim.

    Akira pegou um pequeno pedaço de madeira no chão e o partiu apenas apertando os dedos.

    — Existem vários caminhos para alcançar esse nível. Alguns dominam a força. Outros, a velocidade. Outros desenvolvem uma resistência absurda. Não importa qual seja.

    Ele jogou os pedaços da madeira no chão.

    — O importante é dominar alguma coisa completamente.

    Yoru permaneceu em silêncio.

    Akira continuou.

    — Não tentem copiar os outros. Descubram aquilo em que vocês realmente podem superar qualquer pessoa.

    Seu olhar ficou ainda mais sério.

    — E existe outra coisa.

    — O quê? — perguntou Ben.

    — Criem uma técnica que pertença apenas a vocês.

    Os três demonstraram curiosidade.

    — As pessoas mais perigosas da história nunca venceram apenas porque eram fortes.

    Akira apontou para Yoru.

    — Elas possuíam algo que ninguém conseguia compreender.

    Depois apontou para Hudson.

    — Um golpe.

    Olhou para Ben.

    — Um estilo.

    Por fim cruzou os braços.

    — Uma assinatura.

    — Quando alguém vê essa técnica… já sabe quem está lutando.

    Yoru abaixou a cabeça, refletindo.

    Akira sorriu discretamente.

    — A força abre portas.

    — O Domínio mantém essas portas abertas.

    — Mas uma técnica única… muda completamente uma batalha.

    Os três absorveram cada palavra.

    Depois de alguns segundos, Akira caminhou em direção à saída.

    — Foi tudo o que posso dizer.

    Yoru deu um passo à frente.

    — Espere… ainda existem muitas perguntas.

    Akira parou sem olhar para trás.

    — Eu sei.

    — Mas algumas respostas vocês precisam encontrar sozinhos.

    Ele colocou novamente o boné.

    — Se eu continuar ajudando… Charles perceberá.

    Yoru perguntou pela última vez.

    — Nós vamos conseguir?

    Akira permaneceu alguns segundos em silêncio.

    Então respondeu apenas uma frase.

    — Se continuarem sendo quem são hoje… não.

    Os três sentiram o peso daquelas palavras.

    — Mas… se sobreviverem ao que está prestes a acontecer…

    Akira virou parcialmente o rosto, revelando um leve sorriso.

    — Talvez vocês se tornem a geração capaz de mudar este país.

    Ele desapareceu entre as ruas.

    Yoru permaneceu parado observando o horizonte.

    Naquele momento, pela primeira vez, ele teve certeza de que a verdadeira guerra ainda nem havia começado.

    Enquanto isso…

    Em algum lugar de Tokyo…

    Uma figura observava um enorme mapa da cidade.

    Vários nomes estavam riscados de vermelho.

    Outros possuíam apenas um círculo preto.

    Quando seus olhos chegaram ao nome de Yoru, um sorriso surgiu lentamente.

    — Então… você finalmente começou a se mover.

    O homem fechou o mapa.

    — Espero que sobreviva tempo suficiente…

    — Porque eu quero derrotá-lo pessoalmente.

    O verdadeiro jogo havia começado.

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