Capítulo 264 - Ōtsu (11)
Depois de tudo, os reis olharam friamente para a Kira, como se ela fosse culpada por todos aqueles acontecimentos, ela, estava com um papel nas mãos, o maldito documento que causou tudo aquilo
— Você não vai a lugar nenhum, criança maldita — disse Akira, com um ódio estampado na sua cara, os oito reis estavam exalando ódio da garota, por ela derrotar o Raiga
— Olha, vocês acham que eu sou culpada por isso. Eu só fiz meu trabalho, e agora estou metendo o pé, o Chaejin já está morto, e eu já estou com o documento que preciso. Não tem mais motivos para conflitos — ela disse virando as costas, mas ao se virar, percebeu que o Renjiro estava impedindo sua passagem
— Você não vai a lugar nenhum… — disse Mayato com uma fúria no seu olhar
— E quem vai me pegar? — ela saiu com uma velocidade extrema
— Eu. — Aiko apareceu na frente dela e tentou acertar um soco decente na mesma, mas a Kira desviou por pouco, e saiu mais rápido ainda
“Se esse soco pegasse, meu crânio se partiria em dois instantaneamente” ela disse soando frio
O Yuki estava olhando para o céu enquanto a Kira vinha em sua direção, a mesma se preparou para o atacar, mas percebeu que ele estava voando nas nuvens e passou por ele sem fazer nada
— EI SEU IMBECIL! PEGA ELA! — gritou o Akira, o Yuki voltou e olhou para trás, vendo a garota correr
— Cara, mas você é um idiota mesmo, como alguém como você sempre está atoa no mundo, era pra pegar a garota — o Mayato falou bastante bravo com o Yuki, enquanto a Kira já estava indo longe
— Ah cara… Desculpa, estava pensando no que iria comer mais tarde, mas era pra pegar aquela garota? Isso é fácil.
Ele simplesmente sumiu da visão de todos instantaneamente, como um flash de luz, e no mesmo instante, já estava “voando” atrás da Kira
— É só pegar. — ele tentou puxar ela pela blusa, mas a mesma deu uma acelerada a mais para fugir dele — Ué…
O Yuki disse decepcionado
“Caralho, esse cara estava muito distante de mim, como ele simplesmente apareceu nas minhas costas do nada… É primeiro geração, na próxima vez que nós encontramos, irei por um fim em cada um de vocês, ambos são um perigo para meus planos futuros. E Yuki… Você é o principal que vai por água abaixo” a Kira foi embora, deixando o rastro de destruição para trás
A batalha daquele dia, tinha acabado, finalmente, tudo tinha se “resolvido”, mas ainda tinha um ar de arrependimento naquele lugar. Chaejin tinha morrido, mas também, boa parte das crianças também, sobrando duas, o Raiga tinha sido derrotado, e Kira, tinha levado o documento que iria por Charles no fundo do poço
Os reis estavam tristes com tudo isso, mas todos seguiram seus rumos, menos Mayato e Akira, que ficou lá com os garotos, Neom e Vini, ambos no pé do seu mestre
— Será que ele vai ficar bem? — perguntou Vini ao Akira, o mesmo assentiu, e disse;
— Ele é um homem muito mais forte do que imagina, garoto, ele vai ficar muito bem, mais rápido do que imagina, é só ter fé. E por enquanto, vamos para um local seguro, já,já vai ter bastante polícia aqui
— Certo
…
Uma semana depois, Raiga tinha acordado, de um pesadelo, ele tinha visto seu mestre, Gan, chamando ele para ir treinar, ele pós a mão no coração, e deu um suspiro, Raiga, ainda sentia culpa pela morte do seu mestre, ele nunca tinha superado isso
— Mestre! — Neom pulou no Raiga e lhe deu um abraço caloroso, tirando um sorriso dele, Vini apareceu na porta, com um sorriso no rosto, feliz de está vendo seu mestre em pé novamente
— Onde estamos? — ele perguntou em dúvida, Vini disse;
— Estamos na colina, perto da praia, a uns 8 quilômetros da cidade, foi o lugar mais seguro que o Akira achou para você repousar tranquilo sem qualquer ameaça — disse o Vini, o Raiga se levantou, e foi para fora, pegar um pouco de ar fresco
— Olha crianças… Vocês devem sair da cidade e me deixar para trás, não perguntem nada, só vão, vão para qualquer distrito nordeste daqui, lá, vivam em paz, eu tenho conhecidos lá, digam que são meus alunos, serão bem tratados
— Mas por que não vem conosco mestre!? — perguntou Vini
— Tenho coisas para resolver aqui, se resolver… Eu vou atrás de vocês, só por favor, se cuidem, digo isso para o bem de ambos
— Mas mestre… — Neom tentou dizer algo, mas o Raiga se levantou e afagou a cabeça de ambos
— Garotos, eu acredito que daqui a pouco tempo, vocês vão ser fortes, vão resolver esses problemas das gangues do Japão junto com o tal salvador, dessa história eu já não faço mais parte, e minha última ajuda vai ser essa, dar liberdade para vocês crescerem e ver um pouco do mundo, mas sem mim. Espero que não fiquem com raiva de mim…
— Nunca vamos… Te amamos. — os garotinhos abraçaram o seu mestre, e ele deu um sorriso confiante
— Muito bom garotos, bem, vamos comprar alguma coisa
O pequeno mercadinho perto da praia era simples, com placas antigas balançando por causa do vento do mar e um cheiro forte de peixe grelhado vindo da rua ao lado. Raiga caminhava devagar entre as prateleiras enquanto Neom e Vini observavam tudo ao redor.
Fazia tempo desde a última vez que os três estavam juntos daquele jeito.
Sem luta.
Sem sangue.
Sem medo.
Só silêncio… e paz.
— Mestre, posso pegar isso aqui? — perguntou Neom, segurando um pacote enorme de doces.
Raiga olhou o pacote por alguns segundos.
— Isso aí não é doce, é uma arma química.
Vini acabou rindo baixo, e Neom fez uma expressão indignada.
— Vocês não entendem arte.
Raiga pegou o pacote mesmo assim e colocou na cesta.
— Hoje pode.
Os olhos do garoto brilharam.
Depois de comprarem algumas coisas, eles foram até a areia da praia. O céu começava a ficar alaranjado, e as ondas quebravam calmamente perto das pedras da colina.
Vini ajudou a montar uma pequena fogueira enquanto Raiga preparava os espetinhos que tinham comprado. Neom ficou encarregado das bebidas, embora tivesse derrubado metade delas na areia antes mesmo de abrir.
— Você seria um péssimo garçom — comentou Raiga.
— Mas seria um ótimo guerreiro.
— Isso é verdade.
Os três começaram a comer em silêncio por alguns instantes. O fogo iluminava os rostos deles enquanto o vento passava lentamente.
Raiga observou os dois sem dizer nada.
Neom estava sorrindo enquanto falava sobre como um dia pisaria em todas as gangues do Japão. Vini escutava quieto, mas corrigia cada exagero do amigo. Era quase impossível imaginar que aquelas duas crianças tinham passado por tanta coisa.
Então Raiga falou baixo:
— Quando encontrei vocês… achei que morreriam rápido.
Os dois olharam para ele.
— Vocês eram fracos. Assustados. Não sabiam lutar, não sabiam sobreviver… mas mesmo assim continuavam andando.
Neom abaixou um pouco o olhar.
— Porque o senhor apareceu.
Raiga ficou em silêncio por alguns segundos.
— Não. Porque vocês escolheram continuar vivos.
O vento soprou mais forte.
— Mestre… — Vini falou com certa hesitação. — O senhor parece… cansado.
Raiga sorriu de canto.
— Talvez eu esteja.
— Então deixa a gente ajudar.
Aquelas palavras fizeram o olhar dele vacilar por um instante.
Gan havia dito algo parecido anos atrás.
“Você não precisa carregar tudo sozinho.”
Raiga apertou levemente a própria mão, lembrando do rosto do mestre.
— Existem pesos que não podem ser divididos.
— Isso é mentira — respondeu Neom imediatamente. — Se não pudesse dividir, então por que o senhor treinou a gente?
Raiga ficou calado.
Neom continuou:
— O senhor sempre carregou nossas dores também.
As chamas da fogueira refletiram nos olhos dele.
Pela primeira vez em muito tempo… Raiga não conseguiu responder.
Então apenas puxou os dois para perto com um braço em volta dos ombros deles.
— Vocês ficaram muito grandes… seus pirralhos.
Neom começou a reclamar imediatamente.
— Eu ainda vou ficar mais alto que o senhor!
— Impossível — respondeu Raiga.
— Aposta?!
Vini apenas riu baixo enquanto observava o mar.
Mais tarde naquele mesmo dia, durante a madrugada, Raiga foi para a praia, lá, ele estava aproveitando a brisa do mar levantando seus cabelos negros e sedosos, ele estava com uma âncora amarrada no pescoço
“Acho que já suportei demais essa vida… Mas logo agora que talvez aconteça algo tão legal para a história. Mas já estou farto, e os garotos não precisam de mais nada meu, Adeus meninos…” ele começou a entrar para dentro do mar, devagarinho, e quando entrou de uma vez, a âncora foi lançada, e ele afundou
“Queria ter tido mais experiências, queria ver mais vidas, mas eu simplesmente não tenho mais forças…”
Ele deu seu último sorriso, e depois, soltou um grito que foi abafado pela água , aquele pedido de socorro não podia ser escutado na superfície, nunca mais….

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