Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    Bern se levantou, cerrando os punhos, o rosto vermelho de raiva.

    “Ethan!” Ele gritou.

    Ele lançou um soco, enquanto eu só conseguia encará-lo sem saber o que fazer. Eu tinha acertado antes porque ele estava desprevenido, mas em uma luta justa… eu perderia. Ele sabia lutar, enquanto eu? Só conhecia luta por TV ou mangá, nunca tinha treinado de verdade.

    Cerrei os dentes, me preparando para receber o golpe.

    ‘Eu tô ferrado!’

    Mas algo estranho aconteceu. Eu conseguia ver seus movimentos claramente, como se estivessem em câmera lenta. Sem desperdiçar a chance, desviei para o lado no último instante, antes que o soco atingisse meu rosto.

    Ele ficou surpreso por eu ter desviado. Perdeu o equilíbrio por um momento e se virou para mim, irritado.

    Enquanto isso, eu entendi o que estava acontecendo.

    ‘Parece que, depois de virar um demônio, meus sentidos ficaram mais aguçados do que os de um humano comum.’

    Voltei a encará-lo com determinação.

    ‘Observação.’

    [Usando a Habilidade Observação.]

    [Nome: Bern Fullhorn]
    [Idade: 18]
    [Nível: 3]
    [Raça: Humano]
    [PV: 70/100]
    [PM: 23/23]

    Notei que o nível dele era maior que o meu, mas seu PV estava bem mais baixo. Cerrei os punhos.

    ‘Eu posso vencer.’

    Ele desferiu um chute contra mim. Assim como antes, consegui ver o movimento com clareza. Em vez de desviar, apartei o chute com a mão. Quando seu pé bateu na minha mão, achei que seria pesado… mas não foi tão ruim. Era como rebater um saque de vôlei.

    Em seguida, varri sua perna com um chute, derrubando-o.

    [Você causou 15 de dano a um humano.]

    ‘Consegui!’

    Comemorei por dentro. Quando ele ainda namorava a Celia, vivia zombando do meu corpo magro. Sempre dizia que eu era fraco.

    Ele se levantou de novo e avançou contra mim, tentando me derrubar com o corpo. Girei para o lado, desviei e agarrei um de seus braços, torcendo-o para trás.

    [Você causou 5 de dano a um humano.]

    Apertei mais forte.

    “Arghhh!!” Ele gritou de dor.

    [Você causou 8 de dano a um humano.]

    O braço não quebrou, mas pelo menos torceu feio.

    “Sai daqui agora, ou eu chamo a polícia!” Berrei.

    Ele me lançou um olhar irritado e tentou se soltar algumas vezes, mas eu não cedi. Continuei segurando sem esforço algum, como se estivesse lidando com uma criança birrenta.

    A expressão dele mudou para choque ao perceber a diferença de força entre nós. Soltei quando tive certeza de que ele não queria continuar a briga.

    Ele ajeitou as roupas, ainda me encarando com raiva.

    “Tsc! Vou deixar passar dessa vez!” Disse, antes de sair, arrastando os pés.

    ‘Idiota… quem tá deixando passar sou eu.’

    Uma mensagem surgiu novamente diante dos meus olhos.

    Ting!

    [O inimigo fugiu.]
    [Parabéns! Você venceu sua primeira luta!]
    [Você ganhou EXP!]
    [Você obteve um novo título: Lutador Iniciante. O primeiro passo como combatente começou! FOR +1 AGI +1 SAB +1.]

    ‘Hã? Também dá pra ganhar EXP lutando?’

    “Irmão, o que você tá fazendo?” A voz da Celia trouxe minha atenção de volta. Ela estava de pé, me olhando com uma mistura de confusão e choque. Eu não a culpava — eu também estava surpreso comigo mesmo.

    Aproximei-me dela.

    “Celia, você tá bem?” perguntei, preocupado.

    – Plak!

    Celia de repente me deu um tapa no rosto. Mesmo tendo visto o movimento, não consegui desviar, pois fui pego de surpresa. Por que ela tinha me batido?

    [Você recebeu 1 de dano físico.]

    Ignorei a mensagem diante dos meus olhos e voltei meu olhar para ela, confuso.

    “Celia?”

    Ela me encarava com uma expressão irritada.

    “Você estragou meu plano.” A insatisfação estava clara em seu tom.

    “Do que você está falando?”

    Ela caminhou até a mesa e pegou o celular que estava escondido atrás de um vaso de flores. Mexeu nele por alguns instantes, sua expressão ficando ainda mais irritada.

    “Tsc! Esse vídeo não serve mais,” Murmurou, frustrada.

    Aproximei-me, irritado. Eu tinha acabado de salvá-la daquele idiota… e ela me deu um tapa? Isso era inaceitável!

    “Celia! O que exatamente aconteceu?!”

    Ela me ignorou e continuou mexendo no celular.

    Segurei seu braço, impedindo-a de continuar.

    “Me explica!”

    Sem querer, acabei vendo a tela do celular. Era um vídeo gravado. Nele, Celia era quem seduzia Bern primeiro… antes de ele tentar forçá-la.

    “O que significa isso?” Perguntei, olhando para ela.

    Ela soltou um suspiro e me encarou com irritação.

    “Fui eu que chamei o Bern.”

    “O quê?” Eu queria acreditar que tinha ouvido errado. Lembrei que tiveram uma briga feia quando terminaram, três meses atrás, e foi ela quem terminou com ele, mesmo com ele implorando. Para ser sincero, eu também nunca aprovei aquele relacionamento — sempre achei que ele a tratava mal.

    “Sim, fui eu que chamei ele,” Ela repetiu.

    “M-Mas por quê?”

    “Ele me ofereceu dinheiro se eu fizesse isso com ele. Eu aceitei e pedi para ele vir aqui. Eu ia armar uma armadilha, gravar tudo e depois exigir dinheiro… ou entregaria o vídeo como prova para a polícia. Mas você estragou tudo.”

    Minha raiva chegou ao limite ao ouvir aquilo.

    “Por que você faria uma coisa dessas?!” Explodi.

    “Porque eu não tive escolha!” Ela gritou. Virou o rosto, mas eu conseguia ver claramente a tristeza em seus olhos.

    “Minha prova é semana que vem. Eu não vou poder fazer se não pagar a mensalidade,” Disse, agora com a voz mais baixa.

    Olhei para baixo e percebi que ela tentava esconder as mãos trêmulas. Eu sabia que ela estava com medo. Sabia que estava desesperada — por isso tomou uma decisão tão imprudente. Bern era muito mais forte que ela… poderia facilmente machucá-la.

    Sem pensar, puxei-a para um abraço apertado. Ela se assustou com meu gesto repentino.

    “Por que você é tão teimosa? Eu não te disse que ia cuidar das despesas da casa?”

    “Eu sei que você está se esforçando… mas não precisa se forçar assim. Acho melhor eu largar a escola e começar a trabalhar,” Disse, com a voz fraca.

    “Eu já paguei sua mensalidade e as contas da casa.”

    Ela se afastou e me olhou, incrédula.

    “Você está mentindo, né?”

    Tirei alguns comprovantes do bolso e coloquei sobre a mesa.

    “Não estou mentindo. Já paguei tudo… e também transferi dinheiro para a sua conta.”

    Ela pegou os comprovantes e analisou. Em um instante, seu rosto se iluminou. Enquanto isso, fui até a entrada pegar minha bolsa e as compras que ainda estavam no chão.

    “De onde você tirou tanto dinheiro?” Ela perguntou.

    “Consegui um emprego… e me pagaram adiantado,” Menti. Coloquei as compras sobre a mesa.

    “Comprei isso pra te ajudar a estudar essa semana. Foca na sua prova… não se preocupa com o resto.” Dei um leve afago em sua cabeça e passei por ela em direção às escadas.

    “Irmão.”

    A voz dela me fez parar.

    “Obrigado…” Ela disse.

    Um sorriso surgiu em meus lábios.

    “De nada,” Respondi, voltando a andar.

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