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    Capítulo 15 – Chupão


    『 Tradutor: Crimson 』


    “Damian? Por que você está aí de repente? Você não acabou de abrir a porta?” A voz de Mia dispersou meus pensamentos; a confusão era visível em seu rosto. Parecia que o efeito do feitiço de atordoamento havia desaparecido.

    O pânico tomou conta de mim, mas tentei manter a compostura e me aproximei dela.

    “Eu já abri a porta. O segurança disse que estávamos fazendo muito barulho,” falei, sentando ao lado dela.

    “Por que eu não vi você voltar?” Ela franziu a testa, confusa.

    Respondi à sua dúvida acariciando gentilmente seu cabelo.

    “Você estava atordoada quando voltei. Está tudo bem? Eu fui… muito bruto?”

    O rosto dela ficou vermelho ao lembrar do que acabamos de fazer, então desviou o olhar.

    “Acho que não… Talvez eu só esteja muito cansada depois do que aconteceu.”

    “Descanse um pouco. Vou pegar suas roupas.” Levantei e peguei nossas roupas espalhadas pelo chão.

    “Obrigada,” Ela disse, pegando as roupas da minha mão. Mas não as vestiu, apenas ficou olhando para elas em silêncio.

    “O que foi?” Perguntei.

    “Damian, o que você pensa de mim depois do que fizemos?”

    Franzi a testa, confuso. Eu sou um garoto de programa e ela minha cliente. Não deveria ser eu quem faria essa pergunta?

    “Desculpa, não entendi o que você quer dizer.”

    Ela aproximou o rosto de repente e me encarou seriamente, enquanto eu, por reflexo, me inclinei para trás, surpreso.

    “Quero dizer, é estranho fazer isso com uma lamia? Você já fez isso com outra lamia ou outros híbridos?” Ela perguntou em tom sério.

    Para ser sincero, fiquei surpreso com a atitude repentina dela.

    “Essa é a primeira vez que faço isso com uma besta híbrida.”

    “O que você acha?”

    “Eu realmente não entendo o que você quer dizer,” Respondi, com um sorriso sem jeito.

    As bochechas dela ficaram ainda mais vermelhas.

    “Quero dizer… é estranho?”

    “Estranho?”

    “Nossa anatomia é diferente da dos humanos… E nós enrolamos nossas caudas no parceiro quando fazemos isso. Você acha estranho?”

    Dei uma leve risada ao ouvir a pergunta. Não esperava que ela se preocupasse com algo tão pequeno.

    “Por que eu acharia estranho algo que é natural para uma lamia? Não é justamente isso que te torna diferente que te deixa mais bonita?”

    Ela ficou em silêncio por um momento, com o rosto corado, antes de falar novamente.

    “Você está dizendo a verdade? Ou só não quer machucar meus sentimentos?”

    “Não fui eu que pedi para você apertar mais forte? Você acha que eu estava mentindo?” Eu preciso admitir — mesmo que Damian estivesse no controle, Ethan também gostou.

    “Ah…” Ela se lembrou do que tinha acontecido e claramente recordou minha expressão.

    Minha mão acariciou seu rosto enquanto meus olhos a observavam com suavidade.

    “Tem algo te incomodando para você pensar assim?”

    Ela abaixou a cabeça por um momento antes de me encarar novamente. Dessa vez, pude ver claramente a tristeza em seus olhos.

    “Na verdade, eu queria fazer isso com meu namorado… Mas terminamos, e ele disse que não conseguia mais ficar comigo. Ele odiava quando eu o envolvia. Eu tentei me controlar, nem me importava quando ele me amarrava… Mas como eu poderia ir contra meus próprios instintos?” Seus olhos tremiam e começaram a se encher de lágrimas enquanto eu permanecia em silêncio, ouvindo.

    “Por fim, ele disse que eu não passava de uma vadia que precisava dormir com um homem todo mês. Disse que eu só estava usando-o… Eu não entendo… Eu realmente não entendo. Foi ele quem disse que me amava e que me aceitaria como eu sou.”

    Minha outra mão segurou o outro lado do rosto dela e acariciou lentamente, tentando confortá-la.

    “Se ele não consegue aceitar quem você realmente é, então ele não merece ficar com você.”

    “Nos últimos 4 anos, eu troquei de parceiro mais de dez vezes e, no final, todos disseram a mesma coisa. Eles não conseguiam me aceitar como lamia. Enquanto isso, as outras pessoas me julgavam e diziam que eu era uma garota fácil que gostava de trocar de parceiro.” As lágrimas em seus olhos estavam prestes a cair, mas ela tentava se conter.

    Vê-la segurando o choro fez meu coração doer. Meus braços se moveram para abraçá-la, enterrando seu rosto em meu peito. Eu sabia que ela estava tentando ser forte, mas todo mundo tem seus momentos de fraqueza.

    “Se quiser chorar, tudo bem… Eu estou aqui. Pode chorar o quanto quiser,” Eu disse suavemente, enquanto minhas mãos acariciavam seu cabelo.

    Os braços dela me abraçaram com força; aos poucos, senti suas lágrimas molharem minha roupa.

    “Damian… sniff, sniff… Eu estou realmente cansada. Cansada de dar chances a pessoas que não me valorizam… Eu valorizo os sentimentos deles, mas não fazem o mesmo por mim. Isso é tão injusto!” Sua voz soava abatida.

    Eu entendia sua dificuldade. As lamias eram bestas híbridas que raramente viajavam para longe de seu território — o Reino Serpente de Rocha, um pequeno reino no Continente Vihrasil. Eu nunca soube o motivo disso, mas agora entendia: era por evitarem o julgamento negativo das pessoas por causa do período de acasalamento.

    “Descanse. Espere até estar pronta para aceitar um novo amor. Não precisa se forçar. Não se machuque novamente…” Falei com sinceridade. Eu nunca imaginei que Mia, que sempre parecia tão apaixonada pela vida, carregasse um problema assim.

    O silêncio tomou conta do quarto por alguns instantes. Apenas o som dos nossos corações batendo.

    “Você está certo… Talvez eu tenha me forçado demais.” Notei um leve sorriso surgindo em seu rosto enquanto ela afastava o corpo do meu.

    “Damian… Você estaria disposto a fazer isso novamente comigo no próximo mês?”

    Fiquei sem palavras, confuso com o que ela disse. Ela não podia simplesmente me chamar a qualquer momento? Só consegui pensar que talvez fosse a primeira vez que ela fazia isso com alguém além do namorado.

    O rosto dela corou de vergonha e nervosismo.

    “Q-Quero dizer… Como não quero namorar ninguém por um tempo, pelo menos preciso de alguém para aliviar meu período de acasalamento.”

    “Você pode me chamar sempre que quiser fazer isso,” Eu disse, enxugando as lágrimas do rosto dela. Um segundo depois que minhas palavras saíram, um aviso apareceu.

    Ting

    [Parabéns! Você conseguiu uma parceira!]

    [Mia Ashelis – Besta híbrida (24)]

    [Medidor de Amor 1/10 – Estou tão animada para te ver de novo.]

    ‘Hein?! Ela é minha parceira agora?’

    Sem terminar de processar minha surpresa, ela segurou minha mão que estava em seu rosto e a moveu, limpando o próprio rosto lentamente. Pela expressão dela, parecia confortável comigo.

    “Obrigada, Damian.”

    Beep Beep Beep

    O som do alarme eletrônico interrompeu nossa intimidade. Fui até ele e pressionei o botão vermelho para desligar o som. Um aviso apareceu na tela do alarme.

    “Você tem apenas 10 minutos restantes. Deseja estender sua estadia? Sim / Não”

    Virei-me para Mia.

    “Você quer ficar mais tempo?”

    “Não. Vamos sair em breve.” As mãos dela começaram a se mover para vestir as roupas.

    “Certo.” Me virei e pressionei “não” na tela. A mensagem mudou.

    “Obrigado por se hospedar em nosso hotel.”

    Me virei e vesti minhas roupas.

    “Aliás, você ainda não me disse suas tarifas,” Ela se aproximou com o celular na mão.

    Lembrei que não tinha dito, mas achava 1000 Creds por hora caro demais. Não queria me aproveitar dessa situação.

    “Que tal o mesmo preço do Davin?”

    “Ok, qual é o número da sua conta?”

    Peguei meu celular novo na bolsa e mostrei o código. Ela escaneou e digitou alguns números.

    Beep

    Uma notificação apareceu na tela do meu celular.

    “A conta virtual XXX-XXXX-XXXX acabou de enviar 1.200 Creds para você.”

    Meus olhos se arregalaram de surpresa.

    ‘1.200 Creds? O preço de um acompanhante é tão alto assim?’

    Sinceramente, eu não sabia nada sobre esse mundo, nem quanto eram os valores médios. Só considerei 1.000 Creds caro com base na minha realidade.

    Ela percebeu minha expressão.

    “Não é o suficiente?”

    “Claro que é. Obrigado por usar meus serviços,” Eu disse, fazendo uma leve reverência.

    “Não esqueça de salvar meu número. Com certeza vou entrar em contato novamente.”

    Respondi com um aceno de cabeça.


    Soltei um suspiro enquanto me sentava no trem rápido para voltar para casa. No momento, eu já havia desativado minha forma de íncubo e vestia meu moletom para cobrir meu corpo magro. Depois que saímos do hotel, ofereci acompanhá-la até a estação, mas ela recusou. Então nos despedimos na frente do hotel.

    Minha mente voltou ao incidente anterior, quando minha consciência foi engolida pelo instinto demoníaco. Mesmo podendo ver e sentir tudo, eu não era eu…

    Havia medo quando descobri que esse sistema havia criado outro eu, mas também me deu um grande poder. O poder de lutar contra demônios e proteger quem eu amo. Por isso, eu tentaria ao máximo controlá-lo. Não existe poder sem um preço, certo?

    ‘Status.’

    Usei o tempo da viagem para verificar meu progresso.

    [Status]
    [Nome: Damian Lucio] [Idade: 18]
    [Nível 5] [Exp: 85.78%]
    [Raça: Demônio – Íncubo] [Título: Lutador de Ferro]
    [PV: 184/220] [PD: 118/120]
    [FOR: 32] [VIT: 22]
    [AGI: 28] [SOR: 16]
    [INT: 21] [SAB: 12]
    [Parceiras – 2]
    [Camila Creststream – Humana (35)]
    [Mia Ashelis – Besta Híbrida (24)]
    [Pontos de atributos não usados – 10]

    Só então percebi que ainda tinha pontos não utilizados.

    ‘Haaa! Eu deveria ter colocado isso em SAB antes de fazer aquilo com a Mia.’

    Com mais SAB, eu poderia usar mais habilidades, já que não sabia quando encontraria outros demônios ou o quão fortes seriam. Mas, no desespero e na confusão ao ver Mia naquela situação, também não podia me culpar.

    O trem parou e um anúncio foi ouvido.

    Ding Dong

    “Atenção, chegamos à Cidade Sombra de Ferro.”

    Desci do trem e saí da estação enquanto continuava a analisar minhas telas de status e habilidades.

    ‘Ainda tenho 1 ponto de habilidade restante. Acho que vou usá-lo para aumentar minha energia demoníaca.’

    Um toque no meu ombro me surpreendeu.

    “Ethan, você acabou de voltar do trabalho?” Uma voz feminina disse.

    Me virei e vi uma lamia sorrindo enquanto caminhava ao meu lado.

    “Mi – Quer dizer, Srta. Mia, você também acabou de voltar do trabalho?” Meu coração disparou. Era estranho — depois do que fizemos antes, nos encontrarmos novamente e eu ter que agir como se nada tivesse acontecido entre nós.

    “Não, eu acabei de voltar da loja de conveniência,” Ela disse, me mostrando as compras. Agora eu entendi por que ela não foi direto para a estação depois que saiu.

    “Ah…” Ela pareceu notar algo; seus olhos se focaram e me observaram com atenção.

    ‘Será que ela percebeu que eu sou o Damian?’ Comecei a entrar em pânico com o olhar dela.

    “Tem algo errado comigo?”

    Ela apontou para a marca no meu ombro, perto do pescoço.

    “Você acabou de sair com sua namorada?”

    Imediatamente cobri a marca com a mão, em pânico.

    “Eu não tenho namorada,” Respondi rapidamente.

    Um sorriso provocador surgiu em seu rosto enquanto seus olhos me encaravam com descrença.

    “Hoo~? Sério? Então quem é a dona dessa marca de amor? Fiquei curiosa~”

    Um sorriso sem jeito apareceu nos meus lábios, já que eu não podia dizer que era dela.

    “Ethan, ainda estou esperando sua resposta~” Ela provocou mais uma vez.

    “Er… Isso é… De… Uma…” Meu pânico estava claramente visível no meu rosto.

    Uma risadinha escapou dela ao ver minha reação.

    “Deixa pra lá, se você não quiser me contar, tudo bem. Mas, se você gosta dela, precisa cuidar bem dela. Não a faça chorar, ok?”

    “Ok,” Respondi simplesmente. Aquilo estava ficando realmente constrangedor para mim.

    Alguns segundos depois, chegamos em frente à nossa casa.

    “Até amanhã, Ethan.”

    “Até amanhã, Srta. Mia.” Entrei no quintal e destranquei a porta.

    “Celia, cheguei,” Falei ao entrar em casa e tirar os sapatos.

    “Você não costuma chegar tão tarde,” Disse Celia, sentada tranquilamente em frente à TV.

    “Eu tive que resolver algumas coisas hoje,” Respondi, tirando o moletom e colocando-o no sofá junto com a bolsa.

    “Você já jantou?”

    Ela me encarou por alguns instantes antes de responder.

    “Já… Também fiz jantar pra você.”

    “Sério? Obrigado,” Falei animado. Já fazia tempo desde a última vez que provei a comida dela; ela nunca mais cozinhou para mim depois que nosso pai morreu. Caminhei até a sala de jantar e encontrei meu arroz frito favorito.

    Eu estava prestes a me sentar, mas Celia puxou minha camisa por trás várias vezes.

    “O que foi?” Perguntei, virando o rosto para ela.

    Ela me olhou com um olhar melancólico.

    “O Bern fez alguma coisa com você?” Perguntei, preocupado. Nunca imaginei que ele ainda teria coragem de incomodá-la depois de eu ter batido nele ontem.

    Ela balançou a cabeça.

    “Irmão… Você também vai me deixar como a mamãe?”

    Franzi a testa, confuso com a pergunta.

    “Claro que não. O que te fez pensar isso?”

    “Você vai ir embora com a mulher que te deu essa marca?” Ela disse, apontando para a marca no meu ombro.

    Puxei a gola da camiseta para cobrir.

    “Claro que não.” Segurei seus ombros.

    “Celia, me escuta. Eu não vou te deixar sozinha. Eu prometo.” Meus olhos a encararam com seriedade.

    “Então você se importa se eu apagar essa marca?”

    “Apagar?”

    “Fica parado.” Ela soltou minhas mãos e aproximou o rosto do meu ombro. Eu podia sentir o corpo dela pressionando contra o meu através da roupa de dormir.

    “Celia, o que você — nggh…” Me encolhi ao sentir uma mordida acompanhada de sucção no mesmo lugar da marca no meu ombro. De repente, meu coração começou a bater rápido; eu conseguia ouvi-lo claramente nos meus ouvidos.

    Ela se afastou de mim, enquanto eu ainda estava paralisado pelo choque da atitude dela.

    “Agora essa marca é minha. Porque você pertence apenas à Celia.” Eu vi seu rosto corar enquanto um sorriso tímido surgia em seus lábios.

    “Boa noite, irmão.” Então ela se virou e foi embora.

    Encostei as costas na parede, tentando me acalmar — meu coração e, principalmente, minha mente estavam ficando fora de controle. Uma das minhas mãos cobriu meu rosto, que estava vermelho de vergonha, enquanto a outra tocava a marca da mordida no meu ombro.

    ‘Celia… Eu sou seu irmão… O que você está pensando…’

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