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    Morgan não avançou.

    Seus pés permaneceram cravados na pedra congelada, o corpo ereto, os braços erguidos à frente como pilares. A aura dourada que o envolvia não se expandiu ou explodiu. Não… ela se contraiu.

    O ar diante de seus punhos afundou.

    E então o espaço começou a ceder.

    Sem que Morgan desse um único passo, feixes de luz surgiram à sua frente em uma sucessão ininterrupta, rasgando o vazio em linhas retas e precisas. Vinham de todas as direções, provocando colapsos abruptos e devastadores de mana. Não havia qualquer deslocamento de seu corpo, apenas a repetição de golpes impossíveis de acompanhar, como se inúmeros socos fossem desferidos simultaneamente de todos os ângulos à sua frente.

    Os feixes não paravam.

    Nas arquibancadas, o impacto chegou antes do som.

    O ar vibrou como se uma força colossal tivesse atravessado a arena. Alguns espectadores simplesmente desfaleceram diante da pressão mágica; outros, mesmo sentados, perderam o equilíbrio, mas permaneceram conscientes, testemunhando uma técnica que, sem dúvida, pertencia ao nível da Cidade Central.

    — O que… — alguém murmurou, a voz falhando. — Ele nem está se movendo…

    Cada linha de colapso avançava como um eixo absoluto, esmagando o espaço à frente de Morgan em sucessões tão rápidas que o ar simplesmente deixava de se recompor entre um impacto e outro.

    Celsio se moveu.

    Mas ele não recuou, ele se movimentava lendo cada um dos milhares de golpes disparados um a um.

    Seus olhos acompanharam os feixes, não como quem tenta desviar, mas como quem analisa uma técnica no auge. A espada descreveu arcos curtos e precisos, interceptando algumas das linhas douradas no instante exato em que se formavam.

    Cada choque fazia o ar gritar.

    Onde a lâmina tocava o colapso, a luz se partia em fragmentos instáveis, dissipando-se em faíscas douradas congeladas no ar. Ao mesmo tempo, a temperatura ao redor de Celsio despencou abruptamente.

    O azul de sua aura se aprofundou.

    Os feixes começaram a perder velocidade.

    Não porque Morgan enfraquecera, mas porque o próprio Celsio estava forçando o mundo ao redor a desacelerar, drenando o calor e a energia do impacto para criar janelas mínimas de movimento.

    Ele avançou.

    Nas escadarias espirais que levavam à próxima arena, os combatentes que haviam conseguido avançar pararam ao mesmo tempo.

    Alguns se apoiaram no corrimão. Outros simplesmente se sentaram nos degraus, suando frio.

    Cassian e Helick ficaram atônitos perante tanto poder vindo dos dois lados do combate.

    — Então aquele é o nível mais alto da humanidade atualmente… — Cassian falou para si mesmo.

    Cada passo de Celsio esmagava o chão, a espada rasgando o ar em cortes que partiam colapsos no meio, desviavam outros por centímetros impossíveis. O Pilar da Força avançava contra a tempestade de colapsos, o corpo já coberto por fissuras de gelo e queimaduras douradas que se abriam e se fechavam a cada segundo.

    — NÃO É SUFICIENTE! — ele rugiu, investindo com tudo.

    Morgan sentiu.

    Não com os olhos, com a mana.

    O avanço de Celsio era real. Brutal. Se ele chegasse mais perto, o colapso se quebraria.

    A voz de Sue explodiu pelos amplificadores mágicos, mais alta e menos controlada do que nunca.

    — P-PELOS QUATRO DEUSES…! — ela gritou, a empolgação cedendo lugar ao puro choque. — ISSO NÃO É UMA TROCA DE GOLPES COMUM!

    Houve uma pausa curta, e então sua voz voltou, mais urgente do que nunca:

    — TODOS OS ESPECTADORES ABAIXO DO NÍVEL CENTRAL, RETIREM-SE IMEDIATAMENTE PELOS ELEVADORES DE EMERGÊNCIA! SUBAM PARA A PRÓXIMA ARENA AGORA MESMO OU VÃO EMBORA! NÃO É SEGURO ESTAR NA PRESENÇA DE TANTO PODER!

    Os mecanismos de suporte das arquibancadas rugiram ao som das engrenagens que começaram a trabalhar a todo vapor, subindo a arquibancada para cima e descendo elevadores abarrotados de gente.

    Então Morgan fez a única coisa que ainda podia.

    Ele parou de sustentar múltiplos colapsos.

    E os puxou para um só.

    O espaço à frente de seus punhos se dobrou violentamente, todos os eixos convergindo em um único ponto luminoso. O ar implodiu antes de explodir, formando uma rajada concentrada, densa demais para ser chamada de feixe.

    Era um colapso absoluto. Morgan então rugiu:

    — COLAPSO SINGULAR! — Sua voz rasgou o ar e foi rapidamente calada pelo estrondo que veio logo depois.

    Celsio sentiu o impacto atravessar tudo.

    Foi lançado para trás dezenas de metros, rasgando a arena como um projétil, o chão sendo triturado sob seus pés até ele fincar a espada com ambas as mãos para não ser varrido.

    — Tch… — ele cuspiu sangue.

    A aura azul do Fahrenheit quebrou.

    No lugar dela, o vermelho reacendeu.

    A espada incendiou.

    Celsio ergueu a lâmina acima da cabeça e golpeou com tudo o que tinha.

    O corte não foi apenas calor, foi pressão. Fogo comprimido ao ponto de rasgar o próprio ar. O impacto contra a rajada dourada explodiu em um clarão cegante, uma onda de choque que varreu a arena e fez as arquibancadas gemerem sob o impacto.

    E então… Silêncio.

    Quando a poeira assentou, Morgan caiu de lado, o corpo finalmente cedendo, a mana completamente exaurida.

    Celsio ainda estava de pé.

    Ou quase.

    Ele respirava pesado, um joelho encostado no chão. O corpo marcado por incontáveis cortes, hematomas, queimaduras e fissuras de gelo. A espada cravada no chão o sustentava como um pilar quebrado, mas ereto.

    Ele olhou para Morgan.

    E sorriu.

    Não de escárnio.

    De reconhecimento.

    — …Então é isso. — murmurou. — Um dia… talvez… sim. Esse poder pode me superar.

    Ele respirou fundo, sentindo a dor se espalhar pelos músculos e ossos.

    — Mas hoje… — ergueu o rosto, a aura vermelha ainda pulsando. — Hoje, eu ainda sou o mais forte de Ossuia.

    Celsio fechou os olhos por um breve instante.

    Ele ainda podia lutar mais que qualquer um.

    Ele ainda podia destruir mais que qualquer um.

    Ele ainda podia… mais do que qualquer um…

    Ser o Pilar da Força.

    Então uma voz feminina roçou os ouvidos de Celsio.

    — Espero que agora tenha entendido… — disse Rhyssara, baixa e firme — que Ossuia ainda precisa de você como Pilar da Força.

    O vermelho de seus cabelos tomou o campo de visão de Celsio quando a Imperatriz passou por ele, caminhando sem pressa até o corpo imóvel de Morgan.

    — Você é realmente cruel. — disse Celsio, a voz controlada, mas dura. — Arriscou perder um dos seus seguidores mais leais só para me provar um ponto?

    Rhyssara parou diante de Morgan.

    Por um instante, apenas o observou.

    Então se agachou e o tomou nos braços com cuidado, um gesto que contrastava com tudo o que havia feito até ali.

    — Eu arrisquei porque sabia que ele sobreviveria. — respondeu, sem olhar para Celsio. — E porque sabia que você também.

    Ela se levantou, sustentando o peso de Morgan como se fosse algo natural.

    — Um império não se mantém apenas com força, mesmo que ela ainda se torne indispensável. — continuou. — Quem carrega uma coroa na cabeça tem que saber sacrificar algumas peças para fortalecer seu tabuleiro.

    Rhyssara lançou um breve olhar por cima do ombro.

    — E Ossuia ainda precisa de seu Pilar da Força.

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