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Capítulo 189 — A Arena das Árvores
Enquanto o estrondo da arena vulcânica passava, os lances de degraus que levavam a última das três arenas foram vencidos.
O silêncio só dava espaço ao som de passos arrastados, respirações irregulares, e corpos sustentados mais pela obstinação do que pela força. Quando enfim ultrapassaram o topo da escadaria, a mudança sensorial foi imediata.
O ar, que antes não se decidia entre quente escaldante ou frio congelante, se estabilizou em uma onda quente, pesada e húmida.
A terceira arena se abriu diante deles como mais um mundo criado para testa-los até os limites.
Árvores colossais se erguiam em todas as direções, troncos grossos como torres, raízes expostas serpenteando pelo solo escuro e encharcado como um pântano. As copas se entrelaçavam tão densamente que a luz mal conseguia atravessar, filtrada em feixes esverdeados que pareciam sempre em movimento. Folhas largas pingavam água de forma constante, criando um som contínuo, quase sufocante.
Era uma floresta fechada. Que se mantinha viva e opressiva graças a magia ali investida a gerações atrás.
O chão afundava levemente sob os pés, coberto por musgo espesso e lama pegajosa. O cheiro de terra molhada e seiva tomaram suas narinas. Sons de animais vinham de lá de dentro. Cigarras-Borboletas e grilos louvadores cantavam em uma canção que parecia advertir os desafiantes antes de entrarem de vez naquele espaço.
Calor e umidade grudavam na pele e nas armaduras como uma segunda camada, se misturando a seus suores.
Ninguém comentou nada de imediato.
Não havia energia para isso.
A arena anterior ainda ecoava nos corpos de todos. O plano de pouparem suas forças teve que ser abandonado quando a disputa de Morgan e Celsio fez com que o vulcão fosse destruído e passasse a jorrar lava e rochas de fogo para todos os lados. Eles tiveram suas manas drenadas até o limite durante a corrida de sobrevivência. Os músculos em estado de exaustão, ferimentos causados pelos destroços vulcânicos improvisadamente contidos.
E haviam se esforçado tanto apenas para fugirem da batalha mortal que parecia ter se encerrado a pouco tempo na arena a baixo.
Alguns se apoiaram nos joelhos. Outros encostaram em troncos próximos, sentindo a aspereza da casca contra a pele quente.
Os príncipes de Lyberion estavam em meio a esse grupo que sobreviveram a arena sendo destruída pelo combate do Pilar da Força e o IronFist.
Foi então que Helick franziu o cenho.
Ele que se apoiava nos joelhos para descansar brevemente olhou para dentro da mata fechada.
Cassian que, estava sentado com os braços e a cabeça para trás, fez o mesmo quase no mesmo instante.
— …Você sentiu isso? — murmurou Helick, a voz baixa, quase engolida pelo som constante da floresta.
Cassian não respondeu de imediato. Seus olhos percorreram o emaranhado de árvores, atentos demais para alguém naquele estado de cansaço extremo.
Sentia.
E sentia com clareza.
Entre as árvores, profundamente enterradas na floresta, manas grandiosas pulsavam.
— Não é só uma — disse Cassian por fim. — São várias.
Helick engoliu em seco.
— Parece que o restante dos desafiados estão todos aqui.
Cassian desabou no chão se deitando e olhando seus arredores.
Redgar estava repleto de suor. Seus cabelos pretos lisos pingavam a frente de sua face enquanto ele mantinha seu semblante sério de costume, mas seus olhos pareciam agitados de frente para a floresta.
Marco estava com um semblante decepcionado. Em sua cabeça provavelmente estava passando a ideia de que tipo de poder ele poderia ter copiado de Fahrenheit. Mas ao mesmo tempo ele parecia ter noção do nível dos desafiados que aguardavam dentro da floresta.
Tály olhava para trás como se mesmo sem o dom natural de sensibilidade mágica tentasse sentir a mana de Morgan.
Os demais que seguiam Isaac pareciam se reunir ao redor do auto proclamado líder. O grupo havia sido reduzido a no máximo trinta pessoas, isso contando com o grupo dos príncipes.
Cassian ouviu eles conversando sobre algum tipo de ideia de entrar de qualquer forma na floresta, que não podiam ficar parados ali.
— Estamos fodidos se entrarmos na floresta neste estado. — Ele falou interrompendo o grupo que conversava entre si.
Um homem de estatura mediana, com fios que saiam de uma cápsula metálica quadrada de suas costas até uma máscara em sua boca deu um passo a frente.
— Tinha que ser um lyberiano. As coisas apertam e já quer dar pra trás.
Isaac, em um movimento rápido com seu ARGUEM, deu um golpe na face do homem que havia proferido aquelas palavras.
Sangue esguichou do nariz quebrado do homem.
Um silêncio hesitante de todos tomou o local.
Isaac nunca havia sido agressivo daquela forma enquanto estava com eles.
— Isaac…?!
— Mais respeito, Bane. — Isaac falou duro. — Ele não está errado. Fiquei sabendo que a ThunderBlade foi desafiada para essa arena, sem contar vários da elite da Cidade de Ferro que foram, loucamente, desafiados.
— Realmente. — Gustoo, um dos homens que mais se mantinha perto de Isaac, falou. — É uma loucura pensar que tantos guerreiros poderosos foram desafiados de uma só vez. Até o Fahrenheit estava aqui.
— Mas o que importa de verdade agora, — Cassian falou se sentando — é termos um plano para não sermos varridos dessa arena.
Helick piscou uma vez ao ver a postura tomada pelo irmão. Cassian havia tomado a frente e falado abertamente sobre elaborar um plano. Isso não era algo comum para ele. Talvez toda a pressão e sensação de impotência na arena anterior tivessem finalmente mudado algo nele.
— Você está certo, príncipe. — Isaac falou, mas sua voz se manteve firme. — Mas, por acaso, você teria um plano? Se ficarmos aqui para descansar seremos alvos fáceis enquanto eles tem a camuflagem natural da floresta. E se entrarmos cansados eles podem nos emboscar entre as árvores e acabar conosco mais fácil ainda. Parece que estamos em um beco sem saída.
— Realmente. Estamos em uma posição difícil, mas… — Cassian ergueu o rosto para o céu e então abriu um sorriso. — Eu tenho um plano.
Todos olharam para ele curiosos, seus companheiros lyberianos olharam incrédulos.
— Plano?! — Eles repetiram em descrença.
Cassian se levantou por fim, seu semblante se tornando mais sério.
— Ouçam com atenção.

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