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    A ausência de som perturbadora da floresta havia dado espaço a gritos e a explosões igualmente chocantes.

    E Cassian ouvia cada um desses sons enquanto se movia junto de seu grupo.

    Gustoo ia na frente, usando de sua mana de detecção terrestre para saber onde exatamente cada peça estava naquele grande tabuleiro em formato de floresta. Mas de repente ele parou, e todos do grupo pararam atrás dele.

    — É aqui! — Gustoo falou convicto. — Aqui estamos no centro, a mesma distância de onde todos os outros estão.

    Cassian assentiu enquanto uma leve gota de suor escorria de sua testa. Seu semblante deixava em dúvida se era por causa da velocidade que se movimentavam na floresta ou se era de preocupação.

    — Perfeito, bem a tempo! — Ele exclamou. — Lyrien, o que você ouve?

    A mulher de cabelos lilases levou as mãos ao ARGENTEC em seus ouvidos e fechou os olhos.

    Ela ouvia a vibração de mana de tudo o que acontecia nos quilômetros próximos. Em seu subconsciente linhas de todas as cores eram traçadas, como um arco íris de presenças.

    As cores mais frias e azuladas eram relacionadas as manas mais fracas no ambiente enquanto as mais questões e próximas do vermelho se referiam as mais fortes.

    Em meio a sua audição lúdica ela viu uma linha vermelha como sangue rubro envolta de linhas azuis menores. Pela quantidade de indivíduos reunidos ela sabia que era o grupo de Tály.

    — O grupo de Tály chegou até a besta.

    Cassian respirou fundo antes de continuar a indagar:

    — E o grupo de Isaac?

    Gustoo levou um joelho ao chão e encostou a mão no solo. As vibrações na terra deram a resposta.

    — Ele permanece oculto ainda, mas próximo ao grupo de Tály na distância que você solicitou.

    — As linhas… — Lyrien começou a falar, sua voz levemente aflita.

    — As linhas que você enxerga? O que tem elas? Mais alguma presença poderosa no local? — Cassian se sobressaltou por um breve momento.

    Mas Lyrien acenou que não com a cabeça.

    — As linhas estão desaparecendo.

    Cassian sabia o que aquilo significava. Pessoas estavam perdendo a vida com seu plano.

    Um sentimento estranho e incômodo tomou seu peito. Mesmo sem conhecer aquelas pessoas, ele sentia a responsabilidade daquelas vidas que estavam sendo perdidas.

    Cassian cerrou os punhos enquanto suas pernas ameaçavam fraquejar. Pessoas estavam morrendo seguindo suas instruções.

    “Então esse é o peso de liderar?”  — Ele pensou enquanto um sentimento de culpa ameaçava a ocupar um espaço em seu peito onde somente a certeza deveria ocupar.

    “Esse é o peso que me aguarda em meu destino como herdeiro?”

    Mas Helick, que estava calado apenas observando enquanto Cassian tomava a dianteira, levou a mão ao ombro esquerdo do irmão.

    — Se acalme. — Falou ele tentando tranquilizar o irmão. — Todos sabiam do risco.

    — Eles… eles estão caindo seguindo meu plano… — A voz dele parecia começar a querer a falhar.

    Mas Brakka, o homem de corpo de pele negra que parecia blindada por de trás das roupas de combate de couro, o puxou para si e segurou pelo colarinho da blusa vermelha carmesim.

    — Então se acalme e faça que não tenha sido em vão. — rosnou, com os olhos ardendo em convicção. — Siga a merda do seu plano e nos guie para a Cidade de Ferro. Foi nisso que todos nós pensamos e apostamos quando topamos essa merda de plano suicida.

    Ele o soltou com um empurrão breve, mas suficiente.

    Por um instante, Cassian respirou fundo. Quando ergueu o rosto, o herdeiro já não parecia à beira do colapso — havia foco em seus olhos.

    — Certo! — declarou. — Vamos continuar fechando o cerco ao redor da Pantera-Chicote.

    — Pantera-Chicote? — Brakka parecia confuso. — Como você sabe que é uma dessas? Ninguém nunca viu a criatura, apenas seus grunhidos e sons de seus ataques camuflados na floresta.

    Cassian respirou fundo, a mente já funcionando com mais frieza.

    — De acordo com os relatos dos participantes que assistiram à Corrida de Ascensão em edições anteriores, trata-se de uma fera que se esconde na mata e ataca com “chicotes negros que parecem vir de todas as direções”. Também foi dito que ela não escolhe alvos aleatórios, ela ataca sempre os mais fortes, aqueles com maiores chances de vencer a ascensão. — Seus olhos percorreram o ambiente ao redor, analisando cada sombra entre as árvores. — Considerando o terreno, a descrição dos golpes e o padrão de escolha das presas… só pode ser uma Pantera-Chicote.

    Pela primeira vez, Helick sentiu o que Cassian tantas vezes demonstrava ao ouvi-lo discursar sobre estratégias, tratados e jogos de poder em Lyberion. A mesma segurança técnica. A mesma lógica implacável.

    E ele sorriu.

    — Então vamos seguir com o plano. Pronto, Helys?

    Ao ouvir o apelido, Helick abriu um sorriso confiante, quase desafiador, enquanto sacava a espada com um movimento limpo e preciso. O aço reluziu sob a luz filtrada pelas copas densas da floresta.

    — Pronto.

    Cassian voltou-se aos demais integrantes, os olhos firmes, a postura novamente ereta como a de um herdeiro que assumia o peso das próprias decisões.

    — A função do nosso grupo de cinco termina aqui. Juntem-se ao grupo de Redgar, Tály e Isaac, agora. — Sua voz recuperara confiança plena, sem vestígios da hesitação anterior. — Avisem a todos que a segunda fase finalmente começou. Não parem, não olhem para trás.

    Os quatro assentiram e partiram rapidamente entre as árvores, desaparecendo na mata fechada, atentos a cada som estranho. Em poucos segundos, restaram apenas os dois irmãos, cercados pelo silêncio tenso da floresta.

    O vento soprou baixo, balançando galhos e folhas.

    — Agora, Helys. — Cassian falou, sacando também sua espada. O som metálico ecoou curto e seco.

    Eles se posicionaram lado a lado, ombro quase encostado em ombro, como haviam treinado inúmeras vezes. Então começaram a reunir o máximo de mana que podiam em seu interior, puxando-a das profundezas de seus núcleos.

    Helick sentia o frio de sua essência se espalhar pelos braços, descendo até os dedos como lâminas de gelo correndo sob a pele. Sua respiração tornava-se visível no ar, condensando-se em pequenas nuvens brancas enquanto seus olhos castanhos tomavam tons azulados.

    Cassian, por sua vez, sentia o completo oposto.

    O calor intenso de sua vontade queimando nas veias, expandindo-se pelo peito como uma fornalha prestes a transbordar. Seu coração batia forte, ritmado, alimentando as chamas invisíveis que vibravam ao seu redor.

    A energia começou a distorcer levemente o espaço à volta deles. Folhas se ergueram do chão, galhos estalaram, e o ar tornou-se denso, carregado.

    E, com um grito conjunto começaram a expelir a mana, transformando-se em um grande chamariz. Como um farol pulsante em meio àquele labirinto de árvores e sombras, irradiavam poder bruto, chamando para si a atenção daquilo que caçava os mais fortes.

    Eles não estavam se escondendo.

    Estavam convidando a fera.

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