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Capítulo 195 — Uma Batalha Desequilibrada
Gotículas de água saltaram das folhas no instante em que o galho foi decepado pela lâmina elétrica de Celina.
Enquanto despencava, Marco sentiu um alerta vibrar em seu subconsciente: aquela mulher
era uma ameaça que não podia ser ignorada. Estranhamente, ele não detectava
mana na espada dela, parecia ser apenas um ARGENTEC de alta performance, mas
ele tinha certeza de ter sentido uma poderosa mana vindo dela instantes antes.
Ela era perigosa. Ele sabia disso e decidiu que a neutralizaria ali mesmo, com um único
golpe.
Lá do alto, Celina mergulhava em sua direção, pronta para o xeque-mate. Marco
estabilizou o corpo no ar e apontou sua lâmina para cima.
— Magia Espelhada: Fenda de Ressonância… MUNDO PARTILHADO!
A convergência de mana foi instantânea. O ar entre os dois dissolveu-se em
vibrações violentas, como se a própria realidade estivesse sendo estraçalhada.
Em frações de segundo, Celina processou a cena toda em seu cérebro.
“Estamos em queda livre. Mesmo que eu não possa sentir mana, é óbvio que a pressão
acumulada na ponta daquela espada é absurda. Ele não me subestimou… quer
encerrar isso agora.”
Um sorriso imperceptível surgiu em seus lábios.
— Bem… que pena — disse ela, sua voz cortando o ar. — Fez bem em me levar a
sério desde o início, mas isso não vai ser suficiente.
Em um piscar de olhos, ela desapareceu.
— O quê?! — O choque paralisou Marco por um instante.
Mana.
Ele sentira um surto breve e violento emanar dela por uma fração de segundo.
— Bu.
A voz veio logo atrás dele, sussurrada contra o vento da queda.
Marco reagiu por puro instinto. Rapidamente ele cancelou a conjuração do ataque que
atingiria apenas o vazio e recolheu a lâmina para o flanco direito. O metal de
seu ARGUEM vibrou violentamente com o impacto da espada elétrica de Celina
enquanto refletia a imagem da mulher em suas lâmina espelhada. O som do choque
estalou no ar. Mesmo sendo defendido Marco conseguia sentir o choque vibrando
seu braço.
Mas ela não havia terminado.
Usando o impulso da colisão, Celina projetou o corpo para cima. Em um movimento
acrobático, ela girou sobre Marco, esticando a perna direita como um chicote. O
calçado amarelo em degradê verde, combinando perfeitamente com seus cabelos,
desceu com a rigidez do aço contra o estômago do adversário.
O impacto foi seco.
Marco soltou um gemido sufocado, o sangue saltando de sua boca no instante em que suas costas atingiram o solo com um estrondo.
Celina aterrissou pesadamente sobre ele. Sua lâmina, estalando em arcos elétricos, foi
apontada diretamente contra o peito do soldado.
— Você foi um bom aquecimento, Marco de Lyberion — disse ela, as botas pressionando o
brasão do leonzir na armadura dele. — Não cometeu o erro de me subestimar, e
tem crédito por isso. Como recompensa, permitirei que tente fugir… embora
minhas ordens sejam para eliminar os três guardas dos príncipes.
— O… o quê? — Marco balbuciou em meio à agonia. Cada respiração parecia um estilhaço
de ossos em suas costelas destruídas. — Quem… quem é você?
— Sou Celina ThunderBlade. E eu…
Ela não terminou. Uma sombra colossal a encobriu.
Bane
surgiu como um pesadelo atrás dela. Suas veias saltavam sobre os músculos
hipertrofiados, brilhando em um tom de negro neon. Com um rugido que fez o ar
vibrar, ele desferiu um golpe devastador.
O impacto reverberou, mas Celina sequer desviou o olhar.
Sem mover o corpo, ela apenas ergueu a espada, bloqueando o punho massivo de Bane
com a lateral da lâmina. Marco sentiu novamente: aquela pontada de mana
estranha, distorcida… errada.
— Mas que força…! Que força é essa?! — Bane grunhia, despejando cada grama de sua força
contra a resistência dela.
— Minha intenção era matar apenas os guardas para traumatizar os príncipes, forçando-os
a despertar o potencial que carregam — Celina finalmente virou o rosto para
Bane, os olhos frios. — Mas já que você se pôs no caminho…
— Não! — O grito melancólico veio de longe.
Redgar avançava a toda velocidade, lágrimas escorrendo por seu rosto enquanto a Sombra
da Tristeza ainda dominava sua mana.
— Choque de Relâmpagos! — exclamou Celina.
Com um movimento seco do polegar, ela pressionou um pequeno gatilho no cabo da arma.
Os raios condensados que formavam a lâmina se soltaram em uma descarga
violenta. O relâmpago atingiu Bane à queima-roupa, incinerando sua pele e
estraçalhando seu punho em um clarão ofuscante.
— ARRRRGGGH!!! — O urro de dor de Bane ecoou por toda a floresta.
O corpo incinerado de Bane desabou no chão como um pedaço de carne queimada.
— Bane…! — Marco balbuciou, o horror travando sua garganta.
Redgar estancou. Seus olhos, arregalados e incrédulos, transbordavam. O volume das lágrimas aumentou até que ele rompeu em um grito inconsolável.
— AAAAAAAAHH! — Ele levava as mãos aos cabelos negros, puxando-os com força. — NÃAAAAAAO!!! ISSO É TÃO…
Ao observar a cena, Marco sentiu o sangue fugir do rosto. Ele conhecia aquele sinal: a Sombra da Tristeza havia rompido as barreiras de
controle. Aproveitando que a atenção de Celina agora estava totalmente voltada
para o colapso de Redgar, Marco forçou o corpo a sentar.
A dor nas costelas era agoniante, fazendo pontos brancos dançarem em sua visão, mas ele persistiu. Com um esforço máximo de vontade,
conjurou uma torrente de vento que envolveu Vell e Yssa, arrastando-os para perto de si. Celina não perdeu um único movimento, mas ignorou o resgate; para ela, os três feridos não eram mais a prioridade. Seu foco estava no homem que
gritava como um louco melancólico.
— Marco… — Yssa sussurrou quando o vento a depositou ao lado do soldado.
Marco já começava a flutuar, usando o que restava de sua mana para carregar o grupo e o corpo chamuscado de Bane para longe dali.
— Marco, o que está acontecendo com o Redgar?! — Vell completou, a voz trêmula.
— Não consigo falar e manter a magia nesse estado! — Marco rosnou entre dentes. — Apenas saibam que precisamos sair daqui agora!
Quando ele canalizou a mana levando-os para longe, Marco começou a sentir outras manas se aproximando.
“Droga! Agora não!”
De relance, Marco olhou para trás. Redgar afundava cada vez mais em uma psicose absoluta. Seu rosto estava distorcido, um sorriso maníaco contrastando com o fluxo ininterrupto de lágrimas. Era uma imagem de puro
desespero.
— ISSO É TÃO TRISTE!!! — O grito de Redgar soou alterado.
— EU ADORO ISSO! — A voz que emergiu não era mais a dele. Era a de Tristana, a própria Sombra da Tristeza. — SOFRA MAIS!
Celina franziu o cenho, confusa por um breve instante, até que o mundo ao seu redor foi engolido por um breu absoluto.
— O que é isso? — Sua voz ecoou no vazio, retornando para seus próprios ouvidos de forma opressiva. — Onde estou?
Os ecos se sobrepuseram em repetições infinitas que martelavam sua mente. De repente, uma imagem surgiu na escuridão: uma trilha de
terra que serpenteava até um vilarejo distante. Ao longe, os muros altos de Ossuia se erguiam imponentes.
“Não é possível… Eu não piso fora do Império desde os meus quatorze anos”, pensou, tentando recuar.
Seu corpo não respondeu. Ela estava presa na própria mente.
Enquanto tentava entender a paralisia, um Corcel Sem Rédeas surgiu no horizonte, levantando poeira no solo arenoso. Aquele veículo tinha um
nome que ela jamais esquecera: o “Último Abraço”. O transporte que recolhia as crianças
das muralhas dos corajosos e adiante após o desmame, arrancando-as de seus pais para levá-las aos Vilarejos de Formação além das muralhas.
O frio subiu pela espinha de Celina.
Aquilo não era uma ilusão.
Era uma memória.

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