Após retirar o punho do chão, ele se sentou novamente e ficou olhando para a própria mão, que estava um pouco machucada, mas não a ponto de incomodá-lo.

    “É sério? Eu realmente consegui?…”

    E então, ele tentou fazer de novo.

    Após fechar os olhos e emanar o rai, ele imaginou como se toda a aura emanando em seu corpo fosse como ondas que iam para uma única direção, seu braço.

    E quando ele abriu os olhos, lá estava. Seu braço estava, novamente, coberto por rai. Seus olhos brilharam.

    “Uau… isso é…”

    E então, um barulho de chaves destrancando a porta pôde ser escutado. Luke empaliceu e dissipou seu rai. Era um soldado radiante?

    ‘Droga.’

    Luke não esperava uma visita agora, ele teria que matar um guarda e roubar suas roupas, chaves e DPJ, encontrar Sam e fugir a tempo. Mas, como ele faria isso agora? Ele nem tinha se preparado.

    ‘Deixa para a próxima.’

    Após o som de passos ficar mais alto, uma figura uniformizada com a farda do exército radiante apareceu ao lado de fora da cela. Era Eddie, o soldado que ele mais tinha visto até agora.

    “Já deve estar farto de ver meu rosto, não é?”

    Luke o encarou por alguns segundos com indiferença, e desviou o olhar, sua voz calma como sempre:

    “Eu vou ser executado também?”

    O soldado riu baixo, e enquanto andava lentamente em círculos, disse:

    “Bom, sim. Junto com sua amiga. Porém, a execução de vocês dois será um tanto quanto… especial.”

    Luke respirou fundo, e perguntou com certo nervosismo:

    “Ah, é? Por que seria especial? Somos tão pecadores assim?”

    O soldado pensou por um tempo e deu de ombros.

    “Olha, em tese, sim. Sua amiga cometeu o crime de heresia, e você, por ser amigo dela, é cúmplice. Então vocês dois terão que ser executados. Porém…”

    Ele fez uma pausa dramática, e após alguns segundos, prosseguiu:

    “Normalmente, todas as nossas execuções acontecem em lugares isolados e são bem rápidas. Só jogamos alguém no fogo e pronto, sem muitos espetáculos. Mas, acontece que… uma comandante estará nos visitando. E para mostrar serviço, capitão Yakov decidiu fazer com que suas execuções fossem públicas. Sabe como é, né? A comandante Alice é uma pessoa muito importante. Está acima até mesmo de Yakov. Então, se demonstrarmos para ela que não brincamos em serviço, ganharemos pontos. E quem sabe nós ganhamos um aumento na verba enviada para essa base?”

    Luke rangeu os dentes e apertou a mão. Porém, ele não disse nada. Do que adiantaria dizer algo?

    O soldado prosseguiu.

    “Bom, só passando para te avisar mesmo. A execução será daqui treze horas. Então… aproveite o seu tempo restante.”

    Ele virou as costas para a cela e caminhou rumo à saída, porém, ele parou, e olhou para trás através dos ombros.

    “Aliás, jovem… você realmente conhece Damian?”

    Luke respondeu, sem olhar para ele:

    “Minha amiga já disse tudo. Fomos encontrados por ele quando fomos abduzidos, ele nos acolheu por uma noite e nos levou até a cidade. Se ele estiver planejando fazer algo com vocês, nós não estamos envolvidos com isso.”

    O soldado ficou em silêncio por alguns minutos, pensativo, e então, assentiu lentamente e disse:

    “Entendo…”

    E se retirou.

    Luke ficou sozinho no corredor novamente, estava nervoso e apertava suas mãos com força.

    ‘Treze horas… eu preciso dar um jeito.’

    E então, ele olhou para as grades por um bom tempo.

    “Terei que matar alguém…”

    Ele bateu a mão em sua cabeça e se deixou cair de costas no chão, e então, ficou olhando para o teto escuro da cela, enquanto milhões de pensamentos e cenas invadiram sua mente. Imaginava como seria depois que ele matasse, o que sentiria, o lugar que ele atacaria, como ele faria isso…

    A sentimento de apenas pensar em fazer isso, o torturava. Se fosse Sam em seu lugar, ela provavelmente não hesitaria. Afinal, de acordo com ela, ela já até explodiu algumas pessoas em certo momento da vida.

    Os dois soldados que estavam os perseguindo, e os outros, Luke não conhecia. Ela apenas disse que ambos não foram as primeiras pessoas.

    ‘Que tipo de vida essa maluca levava?…’

    Depois de matar o soldado, Luke teria que procurar Sam pela base, e também teria que ir atrás de seus itens confiscados. Sua bolsa de perna, sua capa e seu DPJ. Claro que ele poderia usar qualquer DPJ, mas aquele era, de fato, importante para ele.

    Então, se lembrando de sua bolsa de perna, Luke congelou.

    ‘O broche!’

    Ele se lembrou do broche prateado e velho que encontrara na torre de prata e guardou para si. Se eles revistassem seus itens em sua bolsa e encontrassem aquilo, o que aconteceria com ele?

    ‘Droga… mas se bem que, eu já fui sentenciado à morte mesmo… que se dane.’

    Algumas horas se passaram, e Luke estava andando em círculos pela cela, quando finalmente, escutou um barulho de chaves abrindo a porta do corredor.

    Ele se assustou, embora já esperasse por isso. E então, ele se apressou, afinal, ele tinha apenas alguns segundos.

    Ele respirou fundo e segurou a Presa Negra com força.

    “Vamos lá…”

    E então, levou a lâmina até seu rosto, e lentamente executou um corte no mesmo, começando da bochecha e parando no pescoço.

    Ele grunhiu de dor, mesmo sabendo que esse corte não seria fatal, ele se assustou com a quantidade de sangue. Porém, rapidamente espalhou o sangue pelo resto de seu pescoço e até de seu rosto. Logo após, ele se deitou em uma posição desengonçada e manteve os olhos abertos e vazios, sem focar em nada, e prendeu a respiração.

    E obviamente, deixou a Presa Negra escondida debaixo de sua mão e de seu braço. Seria impossível vê-la, já que ele fez questão de se fingir de morto em um canto mais escuro da cela.

    Os passos do soldado radiante estavam se aproximando cada vez mais, e a cada passo, Luke ficava cada vez mais ansioso. Seu coração estava disparado, ele estava tentando ao máximo controlar o tremor em seu corpo. E lágrimas lentamente se formavam em seus olhos.

    ‘Matar alguém… eu vou ter que matar alguém…’

    E quanto mais pensava, mais se lembrava da imagem de sua mãe… da última vez que a viu, quando estava morta no chão de sua própria casa, caída em uma poça do seu próprio sangue.

    ‘Não! Para de pensar isso!’

    As lágrimas rolavam cada vez mais.

    ‘É por ela! Por ela! Por ela! Por ela!’

    Mais uma imagem… o homem que a matou, tendo sua prisão anunciada na TV, e seu rosto despreocupado.

    ‘Eu não sou um assassino! Não sou ele! Não sou! Me perdoa, mãe!’

    E logo se lembrou de Sam dizendo:

    “Ou matamos eles, ou eles nos matam, e matam nossos sonhos. A vida deles vale tanto quanto seu sonho, Luke?!”

    Lágrimas rolavam cada vez mais, sangue escorria cada vez mais de seu rosto. A morte… a morte se aproximava, cada vez mais… Tudo que passava pela sua mente, eram memórias sangrentas.

    Tudo era sangue.

    ‘Eu não… não sou igual…’

    E então, uma silhueta surgiu em frente à cela, segurando uma marmita pequena em suas mãos, que logo deixou cair no chão ao ver Luke aparentemente…. morto. Seu corpo no chão, sangue escorrendo de seu rosto, seu pescoço parecia ter sido cortado, seus olhos estavam abertos e imóveis, banhados em lágrimas de desespero.

    “Puta merda, que diabos?!…”

    E então, o soldado rapidamente abriu o cadeado da cela e entrou.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (1 votos)

    Nota