Capítulo 79 - Rápida Reunião
— Chegamos… Que fome. — Verion abriu a porta do restaurante e um pequeno sino soou, anunciando sua chegada. — Queria que suco de melancia matasse a fome.
— O que será que vendem aqui? — Jean veio logo atrás, cansado por ter andado tanto.
Elemenope deu um puxão na manga da roupa de Verion para chamar sua atenção, e apontou para Jeremiah que estava conversando em uma das mesas do local. Foi mais fácil encontrá-lo do que esperavam.
— Jeremiah, você tá aqui! — Verion correu até a mesa. — Não desaparece assim do nada sem avisar…
— Chegou o assunto. — Charlotte levantou da mesa e apontou para o Velgo, antes de se apresentar para todos.
Nos minutos seguintes, todos se reuniram ao redor da mesma mesa. Verion, Elemenope, Jean, Jon, Jeremiah e Charlotte.
A filha de Karl Cettuwals agradeceu a Verion por ter influenciado Jeremiah a ir à Raptra antes do que ele próprio planejava, já que ainda não se achava apto para cumprir a promessa que tinha feito.
— Até o Jon está por aqui, isso é uma surpresa na verdade. — Ela tapou o rosto com o cardápio. — Não imaginei que você pisaria nessa cidade com tanta frequência.
— Apenas coisas do acaso, não vamos transformar em assunto meus problemas aqui.
— Tudo bem.
— Você conhece ela? — Verion questionou o guia.
— Sim… já trabalhei para a família dela no passado. Somos só conhecidos, não acho que algum de nós tenha pensado nisso como uma amizade.
Conversaram sobre alguns assuntos. Charlotte explicou para Jon sua ligação com Jeremiah, apenas citando que salvou sua vida, sem entrar em maiores detalhes por ainda não confiar nele. Posteriormente, Charlotte perguntou o quão confiável era Verion e se ele não acabaria tentando sabotar as coisas da organização que ela fazia parte.
— Bem, o Verion quer encontrar o irmão dele porque precisa muito de ajuda. Acho que tá de boa, não é? — indagou Jeremiah, enquanto olhava para o amigo.
Charlotte resmungou que o Jon era muito certinho e pediu para ele sair do restaurante e esperar do lado de fora para que pudessem conversar. Ele aceitou, apesar de nada animado com a ideia de ser colocado para fora do estabelecimento. Charlotte explicou que não gostaria do envolvimento de Jon por ele ter sido ligado ao governo de Raptra anteriormente.
— Se conseguir convencer o senhor certinho a ficar do nosso lado de algum jeito, vamos deixar ele saber das coisas. — Ela apontou para a porta.
— Tudo bem, acho que eu consigo fazer ele aceitar… apesar de que ele talvez vá surtar um pouquinho — disse Verion antes de sorrir de leve.
Saiu pela porta da frente do restaurante e olhou ao redor. Jon estava encostado na parede do lado de fora, olhando para o céu.
— Ei, nós conversamos um pouco e a Charlotte não quer você envolvido sem ter certeza de que você não vai acabar falando demais.
— Vão fazer algo tão absurdo assim pra terem esse medo todo de me envolver?
— Olha… se eu conseguir te pagar muito mais dinheiro do que já ganhou hoje, você toparia entrar em qualquer situação por mais absurda que fosse?
Jon olhou para a maleta de dinheiro que tinha ganhado no começo da tarde. Ele estava segurando aquela coisa o tempo inteiro. Ele respirou fundo e olhou para Verion e para a maleta algumas vezes.
“Ele é ganancioso mesmo.”
“Que ótimo, isso facilita as coisas!”
— Isso envolve matar alguém?
— O Assassino da Fronteira, o assunto é que estamos nos organizando para encontrar ele e matar. Obviamente, não vai ser algo fácil resolver isso, até porque ninguém conseguiu até hoje. Nós vamos fazer algumas coisas estranhas para chegar nesse objetivo, por isso ficamos preocupados com você falar demais.
— Aceito. — Ele estendeu a mão para Verion sem qualquer cerimônia.
— F-Fácil assim?
— O Assassino da Fronteira fez muitos dos meus antigos alunos serem mortos, te disse isso no dia em que saímos de Harlon. Eu fui o capitão da Terceira Divisão da Guarda Real de Raptra, isso lá na época do pico de atividade da Estrelada Manhã, antes dela se romper em dois grupos diferentes. Por culpa desse desgraçado, acabei forçando meu corpo além dos meus limites e tive algumas sequelas que parecem irreversíveis.
— Ninguém com a Definição da Vitalidade conseguiu resolver esse problema? — Verion perguntou, preocupado.
Lembrou de imediato da situação que aconteceu na caverna durante o ataque de Circe. Jon conseguiu realizar um ataque surpreendente, mas logo depois acabou exausto e sem ar. Ficava óbvia a razão dele não estar mais envolvido no contexto militar.
— Tentei várias vezes, talvez até exista alguém que consiga resolver isso, mas não conheci até hoje. — Fixou-se nos olhos de Verion. — Vou ajudar vocês em qualquer plano maluco que tiverem, se isso significa derrubar o desgraçado que arruinou minha vida… vou até o inferno com vocês.
— Vamos dar um jeito nisso, pelo menos eu espero que sim. — Verion apertou a mão dele, firmando o acordo. — E você não iria querer tirar o olho da Lyria depois do que aconteceu, então fica com a gente.
— Depois me fale mais sobre ela, sinto que você não falou de tudo sobre Lyria e nem sobre você.
— …É, eu ocultei um monte de informações pra facilitar minha vida — admitiu, um pouco sem graça antes de soltar a mão dele. — Te conto mais coisas quando tivermos uma chance melhor de conversar.
Voltaram ao restaurante e passaram algum tempo sem tocar no assunto principal, apenas comeram e falaram sobre a cidade e outros tópicos da vida geral em Raptra.
Capital de Raptra, Rigel, 03/05/029, às 17:41.
O grupo seguia pelas ruas conforme a noite chegava. O clima estava um pouco mais tranquilo, porém essa calmaria foi embora no momento em que Charlotte decidiu abrir a boca.
— Certo, amanhã nós vamos para a base da Estrela da Manhã Sul encontrar o Vincent.
— E-Espera aí, que conversa é essa agora? — Jon elevou o tom de voz com aquele absurdo.
— Pensei que você ia falar disso logo naquela hora, Verion — disse Jeremiah, quase rindo da reação do guia.
Um breve silêncio veio com todos olhando par ele.
— Vincent é um assassino em série que caça os mais ricos da cidade! Charlotte, por que você se envolveria com alguém que iria querer matar o seu pai, um bilionário?!
Jeremiah e Charlotte se entreolharam e apontaram um para o rosto do outro antes de gritarem juntos: — MAL SABE ELE!
— Pelo menos me expliquem o que tá acontecendo… — Tinha uma expressão aborrecida.
— É minha culpa você não saber, não disse isso antes. — A filha do assassino parou na frente de Jon. — O Assassino da Fronteira é Karl Cettuwals, o meu pai. Jeremiah quase foi morto em um ataque organizado por ele, foi nesse contexto que salvei a vida dele.
— …Isso é mesmo verdade? — Ele olhou para Verion.
O garoto assentiu, confirmando aquela informação. Era especialmente revoltante, levando em conta que a divisão que comandava já trabalhou em nome da família de Karl por algum tempo antes da tragédia que arruinou tudo na vida dele.
— Mesmo assim… não sei se quero me envolver nessa situação com Vincent estando metido nela. — Mordeu o lábio inferior. — Esse homem é um psicopata que já cometeu tantos atos hediondos que nem consigo contar.
— Meu pai também, e se não nos livrarmos dele, mais desse caos vai continuar acontecendo na cidade por anos. Não estou pedindo para você amar Vincent, apenas aceite como as coisas estão até conseguirmos derrubar meu pai — pediu Charlotte, com a voz muito mais impositiva do que o normal.
— Argh… já estou nessa situação infernal, vou seguir com vocês então.
Verion agradeceu pela decisão dele e não ouviu uma única palavra do guia em resposta. Apesar de ter aceitado as condições bizarras em que se encontrava, parecia enojado com o nome de Vincent o tempo inteiro.
— Vou pagar um hotel de luxo para vocês com o dinheiro do maldito do meu pai. — Charlotte olhou para as próprias mãos cobertas pelas luvas elegantes. — Esse dinheiro imundo tem que servir para algo de bom uma vez ou outra, né?

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