Capítulo 133: Solução a curto prazo
Uma barreira havia se formado ao nosso redor. Invisível, e perigosa. Como fios de alta tensão. Eu podia sentir naquele momento, que se eu ousasse tentar desafiar os limites da barreira, seria o meu fim.
— Campo elétrico? Conta outra! Eu vou atravessar isso, e é agora!!!
Zernen correu como se fosse um pássaro livre, que nem aqueles que pousavam nos fios elétricos. Ele estava sorrindo enquanto corria para os braços da liberdade ou… do choque elétrico.
— Ei, Zernen, tome cuidado! Isso pode ser demais até para você!
Theresa estava certa. Zernen havia entrado em sobrecarga quando recebeu aquele ataque em larga escala do dragão. Nesse sentido, seria bastante arriscado, mas…
— Eu posso sentir, essa carga elétrica é a mesma que a dos peixes!
Peixes? Demorou um segundo para eu lembrar dos peixes da prova do rei dos bandidos. De fato, se ele conseguiu suportar a intensidade dos raios daqueles peixes, então isso não seria problema para uma pessoa fora do comum como ele.
— Vai que é tua, Zernen!
Levantei um dos braços em torcida.
— Se o Zernen consegue, eu também consigo!
Meredith seguiu os passos deles. Com a espada na mão. Enquanto isso, aqueles dois estavam normais perante a aproximação daqueles dois. Estavam, na verdade, sorrindo com muita normalidade. São soldados rank A, então não podemos esperar que essa batalha se resolva de um jeito tão fácil quanto este.
Por outro lado, algo que me deixou preocupado foi ver o Rein caído de joelhos enquanto segurava sua cabeça fortemente. Ele não estava gritando, mas a tremedeira do seu corpo deixava claro que ele estava sofrendo com algo. Theresa o estava acolhendo neste exato momento com sua esfera de cura. A luz da sua mão pousava sobre sua cabeça.
— O que está acontecendo aqui? Ai, estou com medo!
Que inveja. Croma estava muito abraçada ao Handares. Com lágrimas nos olhos. Fazendo o típico drama daquelas princesinhas de Castelo, que clamavam numa torre bem alta por um príncipe heroico, daqueles dos contos de fadas.
Cerrei um dos punhos. Handares era um completo sortudo. Recuperou os pés. E ganhou de bônus um harém de duas moças, que estavam completamente caidinhas por ele.
Esse mundo é injusto. Deveria ser eu. Ah, quero chorar. Como quero chorar. Na verdade, o único mundo bom para mim é o mundo dos sonhos. Longe dessa realidade. Onde eu poderia ser o que quiser. Sempre pensei que a vida em outro mundo fosse assim… mas cai em uma falsa ilusão.
— Jarves!
Alguém estava mexendo no meu ombro enquanto eu continuava preso no meu monólogo interno. De olhos fechados. Era a voz desesperada de Theresa. Ela não deveria estar cuidando do Rein? Então o que estava acontecendo aqui? Por que tudo parecia estar silencioso demais? De modo que eu conseguia pensar em paz.
Quando abri os olhos, vi Theresa com cara de preocupação à primeira vista, e depois aquilo…
— Jarves!
Todo mundo estava deitado, inconsciente. Não havia nenhum arranhão em seus corpos e vestes. Havia sido rápido e silencioso. Apenas eu e Theresa estávamos de pé por um milagre que eu desconhecia. Olhando um para o outro.
Arregalei os olhos.
— O que aconteceu?
— Como esperado, os de baixa mana conseguiram escapar do choque cerebral. Por um lado, vocês são bem abençoados.
Entendi. Então eles podem mesmo fazer isso?
— Mas dois fracos como vocês não podem nada contra nós. Desistam. Ou preferem apagar com uma descarga elétrica. Garanto que não será leve e rápido como choque no cérebro.
Que droga. Eu não chamaria isso de sorte, mas de azar a dobrar. Eu preferia que esse choque tivesse me atingido, e não os outros. E agora…
— O que faremos?!
Theresa verbalizou a pergunta que pairava na minha mente.
— Eu é que pergunto. Você é quem tem solução para tudo. Você é que é um cérebro aqui.
— É sério que eu estou ouvindo isso de alguém que consegue ver o futuro?
— Mas ver o futuro não ajuda em nada, Theresa. Nem que eu veja os seus próximos movimentos, com o poder que temos não podemos fazer nada.
Eu apenas não queria tentar fazer alguma coisa, porque terminaria em fracasso. Eu realmente havia perdido minha motivação. Estava entristecido… talvez porque lembrar da desgraça me deixa muito baixo. É, eu estava passando por isso.
— É sério isso? — Theresa plantou as mãos nos meus ombros. Com aqueles olhos que pareciam atravessar o meu coração. — Você nos tirou das situações mais difíceis e nem precisou ter grandes poderes, nem mesmo usou seus poderes para isso.
— Então por que você também não pensa em um plano? Você também tem cabeça.
— Aí, que grosso. — Deu um suspiro aborrecido, retirando as mãos dos meus ombros. — O que deu em você de repente?
Ela estava certa. Eu estava sendo bobo. Depois, eu iria querer me arrepender. Mas ao invés de um bate boca comigo, Theresa se limitou a balançar a cabeça negativamente e então continuou.
— Você sabia, Jarves? Que cada um tem uma área em que é bom. E eu vou ser sincera consigo. Eu me sinto orgulhosa quando sou reconhecida por minha magia de cura, de tal modo que se chegar uma outra pessoa melhor do que eu, eu sentirei inveja!
— E o que isso tem a ver? Tá tentando me motivar, não é?
— Você também odeia perder, não é? Vou te contar uma coisa. Você pode não ser o mais inteligente do grupo, mas você é o mais esperto. Você é tão esperto que faz a inteligência de todo mundo parecer nada. Nisso ninguém te supera.
Olhando para o que eu fiz no passado, eu podia me considerar esperto sim. Muito esperto. Foi assim que acabei chegando nessa situação.
— Mas a esperteza só funciona a curto prazo. Ela é problemática.
— Mas não é isso que queremos agora?Emergências exigem soluções a curto prazo.
Arregalei os olhos, me lembrando do dia em que eu coloquei um palito para segurar um disjuntor que sempre caia sem me dar conta do que realmente estava fazendo. Naquele dia, eu estava feliz porque minha mãe havia me elogiado. Eu era seu eletricista. Havia feito um trabalho que prestava. No entanto, minha esperteza quase queimou a casa quando aquilo explodiu.
Embora as consequências tenham vindo a longo prazo, minha mãe e eu pudemos assistir nossa programação favorita.
A alegria de pobre durou pouco.
Ah, sim. Isso me lembrou de algo. Quando os eletricistas vieram em casa, me deram uma boa aula sobre isso para que eu não fizesse nada imprudente novamente. Naquele dia, eu saí com uma lição para vida, justo eu que tinha estudado tanto física e me perguntava onde eu iria usar aquilo.
— Professor de física, eu odeio admitir, mas você tem razão… Eu estou prestes a usar agora esses negócios que eu ainda não entendo muito bem.
— Professor de física?
Theresa questionou, erguendo uma de suas sobrancelhas, confusa.
— O que você pensa que vai fazer, hã? — Charks disse com os olhos entreabertos. — Pelo que vejo, você é um completo inútil. Mas ainda assim, minha intuição me diz que subestimar uma pessoa como você não é uma boa ideia.
— Que nada, Charks. Esse aí só se garante na manipulação! É a única coisa que sabe fazer! Mas… — Balançou seu dedo. — Não vai resultar. Essa barreira limita qualquer ataque psíquico, então o melhor é se render.
— Jarves, você teve uma ideia, não é?
Se for isso, use agora!
Dei um sorriso em resposta. — Theresa, se afaste.
Theresa recuou. Eu fiz aparecer uma esfera na minha mão. Brilhante e amarela. Sua luz resplandecia no meu rosto como o sol da tarde.
— Vai mesmo tentar algo? Vejo que terei que fazer descer a descarga sobre você!
— Você sabe qual é a fraqueza do seu poder?
Depois que a esfera cresceu, amassei o meu punho. A energia desceu sobre os meus músculos. Uma aura amarela havia tomado conta do braço direito.
— Fraqueza? Esse poder não tem nenhuma fraqueza… Pelo menos não uma que vocês possam ultrapassar.
— Ah, é mesmo? Nesse caso, me deixe mostrar a fraqueza. A razão pela qual estou nesse mundo…
No mesmo momento em que ele baixou a mão, fazendo multidão de raios me atacarem, eu baixei o meu punho. A terra não resistiu ao meu maior e melhor ataque. Esse soco era quase equiparado ao auge de quando lutei contra a mulher das cavernas. Havia concentrado toda minha energia em um único ponto. Se essa solução a curto prazo não resultasse, então eu não sei mais o que faria.
Bom, na verdade, eu teria razão. E nunca mais acreditaria na física.
— Aterramentoooo!
O buraco que eu havia aberto, sugou todos os raios. Recuei um pouco para longe daquela chuva de raios. Todos os raios que compunham a barreira estavam indo direto para o buraco, ignorando a minha pessoa e a Teresa para o espanto daqueles dois.
— Parece que mesmo nesse mundo mágico, a física ainda faz sentido…
Levantei o punho e mostrei a língua em homenagem a um grande físico. Theresa sorriu maravilhada pela solução a curto prazo. Ao passo que a lamentação daqueles dois era música para os meus ouvidos.
— Impossível… A minha barreira se desfez?
— Tse! Maldito charlatão manipulador! Manipulou até a natureza!
Então olhei para o céu.
— Odeio admitir, mas você tem razão, professor.

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