Capítulo 136: Explosão
Como disse Zernen: Nós não somos dos que retrocedem para trás. Mesmo diante de soldados rank A empunhando uma espada extremamente afiada que podia fatiar uma carne com muita facilidade. Nossa espada também podia fazer o mesmo. Meredith estava em prontidão.
Não era a única, Zernen batia o punho com a palma, liberando pequenas faíscas imbuídas em fumaça.
Quando um vento soprou e levantou uma pequena poeira, aqueles quatros sabiam o que fazer. Meredith pulou com a espada de encontro ao seu adversário, que a recebeu no vento após pegar um impulso de uma mão de terra, que o catapultou. O som metálico ecoou. Faíscas rolaram. Aqueles dois estavam se olhando, friccionando a espada na do outro enquanto estavam suspensos no ar.
Mas depois desceram ao chão ao mesmo tempo em que aqueles dois numa velocidade quase invisível entraram em contato. A espada transbordando de raio de Étora cortou o vento em direção ao pescoço do Zernen, mas ele se esquivou. Arrastou a cabeça para trás, a lâmina passando sobre seu peito. Enquanto ele arrastava seu pontapé contra a cintura de Étora, este recuou alguns passos para trás enquanto ajustava a postura.
Dei um assobio enquanto contemplava aqueles dois. Cada um com seu adversário. Enquanto nós não passávamos de meros espectadores com uma visão dessas. Parecia um espetáculo de chuva de fogos de artifício, jogados para ali e aqui.
— Vamos a isso… — Zernen lambeu os lábios, cerrando os punhos. Meredith semicerrou os olhos, a espada dela firme e reta como uma flecha certeira apontada para o alvo: — Prepare-se!
Quando outra rajada de vento bateu num típico cenário faroeste, meus olhos não conseguiam acompanhar direito os movimentos deles. Num instante, Zernen socava o vento e no outro ele apanhava. Seu corpo ia se cobrindo de cortes. Estava com roupas rasgadas e a pele coberta de sangue, mas ainda continuava com aquele sorriso de quem não ia desistir. Estava lambendo os lábios.
Por outro lado, Meredith cortava as mãos de barro que saiam da terra molhada, se aproximando a cada corte do seu oponente.
Mas quando conseguiu chegar o mais próximo possível, uma barreira se interpôs quando Charks ergueu a espada. Seus ataques foram engolidos e logo em seguida devolvidos. Meredith se limitou a cruzar os braços e endurecer a sua roupa de modo a não sofrer tanto dano. Ela recuou com feridas nos braços, mas com o restante do corpo a salvo.
— Magia do peso… Seria muito ruim para mim se você me acertasse com essa magia, sabe?
— Que bom. — Meredith apontou a espada para ele. — Nesse caso, receba.
Seus olhos arregalaram quando se viu envolvido numa expansão de mana. Os músculos do Charks haviam endurecido, veias extrapolavam a pele do seu rosto e braço. Charks deixou cair a espada.
— Você já domina essa arte? Caramba, eu a subestimei…
O peso que Charks sentia era o dobro de alguém que tinha uma camisa normal com o peso alterado, porque a armadura por si só já era pesada.
— Essa luta acabou… — Meredith começou a caminhar em direção àquele homem imóvel com a espada ainda levantada para cima. Agora estava muito perto dele, sua espada também… A poucos centímetros de transpassar seu pescoço.
— Ei, ei, quem disse que derrotar um soldado rank A é tão fácil assim?
No instante em que ele falou isso, Meredith se viu envolvida pela lama. Seus pés estavam afundando.
— Eu ainda posso te decapitar, sabe? É só avançar um milímetro a mais a espada, que sua cabeça sairá rolando antes mesmo que eu possa afundar completamente.
— Você não faria isso. Afinal, você não quer matar ninguém, não é mesmo?
Maldito, Charks! Estava usando isso para contra atacar Meredith.
— Mas eu acho que sua cabeça vai cair primeiro. — Logo atrás, Étora estava com a espada apontada para a cabeça da Meredith e Zernen estava caído no chão. Havia desviado os olhos por um segundo e ele já estava inconsciente, era isso? Eu preciso ajudar…
Mas atrás do Étora surgiu o Rein com a mão no seu ombro.
— Antes que você faça qualquer coisa, eu te teletransportei para o pico do monte Hefastos.
Vulgo o monte mais grande de Hengracia que ficava nas terras do norte. Em termos de altura, era mais ou menos equiparado ao Everest.
— Caramba… — Revirou um de seus olhos.
E assim estava a batalha que se pretendia feroz: um mar de ameaças.
— E então, como ficamos? — Meredith questionou.
— Nada feito.
Quando ele disse isso, dois deles feitos de barro aparaceram ali na árvore. Aquele instante de distração, foi o suficiente para o Étora virar com um tapa elétrico na bochecha do Rein. Ele saiu voando. Sangue flutuou das suas narinas e ele pousou no chão inconsciente.
Theresa foi ágil em saltar do golem e correr em direção a ele. Nesta altura Meredith não havia se dado conta, mas havia afundado baixo o suficiente que nem se quisesse teria como atravessar o pescoço dele. Tão pouco a parte de baixo, já que suas mãos já estavam coladas à lama.
Enquanto isso, o nosso cavalo, digo, Handares, agarrou o Étora como uma uma chave inglesa agarra um parafuso. Ele correu com ele alguns metros dali, e planejava correr mais não fosse ele ser eletrocutado.
Ele caiu sobre o peito do Étora. Este que estava deitado pela queda. Agora eu que havia me cansado de somente assistir, pulei de cima do golem que estava preso na lama e fui ajudar Meredith a sair dali. A única que havia sobrado naquela mão era croma, que também já estava descendo.
Quando cheguei ali, Charks já estava mexendo o braço que segurava a espada. Lento, mas estava mexendo. Depois de tanto esforço, conseguiu erguer em direção ao céu.
O que ele mais pretendia fazer na situação em que se encontrava?
Não procurei saber, me limitei a puxar Meredith dali usando toda minha força. Entrelacei as minhas mãos debaixo das suas axilas. Haviam concentrado mana sobre os meus músculos. Ela estava saindo. Lento como Charks havia movido o braço, mas estava saindo. Acredito que apesar da composição de diferentes, essas duas técnicas possuíam mesma força.
Ao passo que enquanto eu puxava Meredith, Étora já estava levantado com a espada erguida para o céu. O que esses dois estavam tentando fazer? Puxar Meredith era prioridade, mas eu estava com medo disso… Talvez porque quando duas pessoas fazem isso é porque vão evidentemente fazer um ataque em conjunto. O heroi e a Meredith já haviam feito uma pose similar.
— Eu disse, não disse? Que quando a gente sacasse a espada, seria o fim, não é mesmo?
Seus olhos baixaram para mim com a coluna curvada. E para ela que se deixava ser puxada.
— O que você está planejando fazer? Vai mesmo tentar nos matar?
— Se não desistirem…
Era um blefe, mais uma vez. Eu havia me dado conta. Desde sempre esses caras nunca pretendiam lutar a sério….
— Você precisa de nós vivos, você sabe disso, não sabe? Não dá para julgar mortos, não é mesmo?
Meredith tinha razão. Um alívio momentâneo tomou conta do meu coração.
— Se acha que estou brincando, então aqui vai…
Uma aura azul banhou sua espada e cresceu uniformemente, como um laser, chocando uma nuvem. A espada do Étora também fazia o mesmo. Com uma aura mais azul. Azul escuro. Não sei o que esses dois estão fazendo, mas havia trovões e relâmpagos no céu. As nuvens negras se iluminavam e o estrondo gritava a fúria.
Todos os olhos de quem ainda podia ver estavam lançados contra o céu onde os espetáculos de luzes se reuniam… E se reuniam… Até formar dois dragões em forma de serpente feitos de raios, que estavam nadando nas nuvens. Aquilo sim era de dar medo. Agora eles estavam se perseguindo em círculos no céu como se estivessem querendo comer a cauda um do outro… Até que não conseguíamos mais identificar mais nada deles, senão uma argola de raio, que formava raios no seu centro.
Quando eles desceram a espada, uma quantidade de raios incontáveis desceu…
Loucura.
Eles também seriam afetados. Ah, acabei de lembrar que na maioria dos casos os donos de ataques normalmente não são afetados.
É, estávamos ferrados.
Foi o que pensei. Mas segundos antes da queda, Zernen se posicionou no centro daqueles raios com as mãos levantadas para cima: como se dissesse boas vindas. Venha me transformar em carvão. Nem havia visto ele levantar….
Quem eu também não havia visto levantar era o Rein que agora colocava as mãos no ombro da Meredith. Desapareceu com ela num zás. Depois voltou no mesmo instante para levar Theresa, Croma com o baú, Gaia miniatura, Handares, o cocheiro e o cavalo inconsciente…
Mas quando chegou a vez do Zernen, ele balançou a cabeça negativamente e continuou com as mãos no céu. Havia sussurrado algo que eu não ouvi, mas que eu tinha certeza que tinha a ver com sacrifício. Era como se ele tivesse dito: vou me explodir com eles.
Essa era uma fala futura dele.
— Zernen, seu idiota! — Estiquei uma das mãos e corri em direção a aquele idiota, tentando o impedir. Mas no meio do caminho me deparei com a mão do Rein no meu ombro. Revirei um dos olhos arregalados. E antes que eu pudesse dizer ‘espera, havia sido teleportado.
Estávamos mais próximos de algumas casas, mas ainda no ambiente desértico com algumas árvores secas e outras com a polpa vívida, acompanhadas de sua moita.
— Rein!!! Tira o Zernen de lá agora!
Quando coloquei as mãos nos ombros dele, era tarde. Ao longe, vi uma grande explosão ecoar segundos depois que aqueles raios caíram na terra. Era tão grande que parecia uma bomba atómica. A rajada de vento quente foi capaz de chegar aqui, nos transpassando.
Uma névoa cobriu tudo aquilo. Névoa de fumaça e poeira.
Todo mundo ficou boquiaberto.
— Rein!!! Por que?!!!
Eu estava gritando com lágrimas nos olhos.
— Ele disse que tinha um plano… Que iria sair vivo…. — Rei falou num tom desanimado como alguém que estava arrependido por ouvir o Zernen.
— Eu vou para lá!!!
Quando Meredith tentou correr, uma sombra pairou sobre nós. Olhamos para ali em cima de um pedregulho queimado, mas flutuante. Estavam aqueles dois cuspindo fumaça. Tinham o cabelo afro e queimado. Seu rosto também estava preto. Estavam pintados de alcatrão.
Mas não foi isso que verdadeiramente chamou nossa atenção, foi o momento em que Étora lançou o corpo do Zernen no chão. Não… Será mesmo que eu ainda podia chamar aquilo de corpo? Ou mesmo de Zernen… Estava tudo queimado quando tombou na terra. Era um completo carvão. Não havia roupa, nem cabelo, mais parecia um cadáver nu carbonizado.
Meu coração acelerou a mil diante daquela imagem irreconhecível do meu sócio de negócios.
— Acabou a festa, hora de se render…— disse Charks.
Eu não parava de respirar freneticamente enquanto agarrava o peito. Enquanto caia de joelhos. Naquele momento, eu só pude gritar das entranhas do meu coração…. Com lágrimas escorrendo minhas bochechas.
— Zernennnnn!

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