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    E junto da voz, uma brisa começa a circundar o ambiente, e trilhas de água surgem do chão.

    Sylphie se materializa ao lado de Sarah, mais próxima do que de costume.

    — Está atrasada. — Shymphony a encara.

    — Eu estava ajudando um pescador que acabou colocando a mão em um peixe-pedra. — Ela se aproxima ainda mais de Sarah. — Como ainda pode ter pessoas burras ao ponto de colocar a mão em algo que nem conhecem?

    Nesse momento alguns olhares se voltam para Adão que já está cabisbaixo e deprimido.

    As risadas são inevitáveis.

    — Por que estão rindo? — Sylphie olha ao seu redor com estranheza.

    Sarah, ainda tentando conter a risada, olha para Sylphie e então seu semblante fica mais sério e pálido.

    — Ela esqueceu no quarto. — Symphony a entrega e rapidamente se esconde atrás de mais uma caneca.

    — Se você esperar, eu vou lá buscar e já volto. — Sarah começa a se levantar.

    — Tudo bem! Vou ali conversar com a mãe um pouco. — Sylphie desliza suave com a brisa enquanto se distância.

    — Eu posso ir com você? — Helvetia a indaga de repente, ainda encarando a mesa.

    — Pode sim. — Sarah já vai se distanciando.

    Helvetia se apressa para segui-la.

    Shymphony se levante a vai até perto de Méter, junto de Sylphie.

    — Você tem certeza? — Após perguntar, ela foca seu olhar violeta no tronco branco e depois em sua irmã.

    — Eu só perguntei por curiosidade. — Sylphie até levita um pouco mais baixo que o normal. — Eu sei que o deserto não é um bom lugar para mim. — Ela se vira para Shymphony e deixa uma brisa tocar o cabelo dela, o fazendo esvoaçar. — Mas você pode.

    Shymphony não responde, apenas desvia o olhar de sua irmã em direção ao horizonte.

    — Algum dia, todos os filhos devem sair do ninho. — Méter ecoa pelas duas.

    O punho de Shymphony se fecha.

    — Você é a mais humana de nós. — Sylphie toca o ombro dela.

    — Eu sei disso. — Então ela relaxa os ombros. — Você acha que eu estou pronta?

    — Você é a que mais está pronta. — Sylphie fala antes de qualquer outro.

    Shymphony volta seu olhar para sua mãe, que fica em silêncio.

    — Desde aquele dia, eu tenho medo de perder novamente. — Uma lágrima escorre pela pele cor de pêssego.

    — Minha criança, você nunca vai me perder, não enquanto me carregar em seu coração. — A voz de Méter soa mais humana que de costume.

    — E aquela mulher, parece mesmo determinada a ir até lá. — Sylphie vira seu olhar para o castelo e para o quarto no alto.

    — Bom…  Acho que realmente chegou a hora de dar um passo além. — Symphony vai se recompondo, e busca mais uma vez o horizonte.

    — Agora faltam três. — O tom sarcástico de Méter não passa batido.

    — Então é assim? — Sylphie projeta uma correnteza de ar que vem de baixo e joga algumas folhas para o alto e até balança o ovo.

    — Calma, calma. Tudo no seu tempo. — Os ecos de sua voz até vão mais longe e chamam a atenção de Adão.

    Ele sorri ao vê-las.

    Uma cutucada surge na lateral da barriga dele.

    — O que é esse sorriso bobo aí? — Orpheus o encara de canto olho.

    — Nada não. — Ele abaixa o olhar ainda com um pequeno sorriso.

    — Sabe, eu acho que você deveria ir. — Orpheus o encara diretamente.

    — Por que diz isso? — Adão não pode deixar de admirar os fios brancos esvoaçarem com uma briga.

    — Você ficou muito tempo longe. Se reconectar com as pessoas, pode ser uma boa. — Ela dá uma coçada de leve em seu chifre.

    Nesse momento ele tem o olhar vago e distante.

    — Mas se aparecer alguma gatuna por aí, você vai ver. — Ela faz um bico com a boca de leve e desvia o olhar para o lado.

    Ele até volta a si e a olha de canto com um sutil riso.

    — Gatunas eu não sei. Mas eu tenho visto algumas humanas bem bonitas ultimamente.

    No momento que ele fala isso, ela se vira com olhar sério. Sem tempo de dizer nada, ele a puxa para perto, envolvendo o braço direito por trás e a mão na cintura. Então ele deita a cabeça dele na dela.

    O coração dispara.

    O ar some.

    A visão desfoca.

    E ela só se entrega sem luta, e fecha os olhos com tranquilidade.

    Segurança.

    Esse é o sentimento que ela não sentia a tanto tempo.

    Não uma segurança qualquer.

    É aquela que protege e aquece a alma.

    A brisa volta a tocar o rosto dos dois, só que agora mais forte.

    — Foram necessários vários séculos separados para se assumirem. — Sylphie sussurra entre os dois.

    Adão e Orpheus tem a mesma reação de retomarem a compostura.

    — Quem diria que esse lerdo, um dia iria tomar a iniciativa. — Shymphony já está sentada e pronta para virar mais uma caneca.

    — Olha só quem fala. — Orpheus olha para a coruja que repousa sobre a cabeça dela. — A única vez que ele cantou na vida, foi para fazer aquela declaração para você.

    — Sério? Ele cantou? — Adão também olha para coruja, que ao se ver alvo desses olhares, se esconde na nuca dela por debaixo do cabelo.

    — Sim, você tinha que ver a cara dela de bebê chorão. — Sylphie não perde a oportunidade.

    Shymphony cerra o olhar na direção dela, e não demora muito, e lá está ela novamente correndo atrás do vento.

    Quarto no alto da torre

    Sarah está revirando sua mochila com empenho.

    Helvetia encostada perto de uma das janelas observa o horizonte.

    — Você realmente quer ir? — Helvetia indaga para o vento em um tom um pouco vago.

    — Sim, por que não? — Sarah a responde sem olhar.

    — Pode ser que você morra. — Helvetia se vira e vê ela virando sua mochila de ponta cabeça e sacudindo ela.

    Sarah para e respira fundo, e se vira na direção dela.

    — Eu vou sobreviver. Pode ficar tranquila. — O olhar calmo e o semblante de paz de Sarah, contagia Helvetia.

    — Eu só queria confirmar. — Helvetia se aproxima dela. — Ficou nítido que você é forte. Só queria saber se tinha a coragem para tal.

    Ela estende a mão e oferece um pequeno frasco comprido de vidro com uma rolha na ponta.

    — Oxe? — Sarah encara o frasco por um momento, então o pega.

    — Estava em cima da cama, você quase sentou nele mais cedo. — Helvetia sorri ao ver a expressão de vergonha dela.

    Naquele momento,

    um tremor quase imperceptível atravessa Atlântis.

    Apenas três sentiram.

    Sob as areias do Deserto da Criação,

    rachaduras se abrem no fundo de uma toca intocada.

    Despertando mais do que deveriam.


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