Capítulo 101: Ressonância
No instante seguinte a vibração, Shymphony pausa sua perseguição por um momento e olha primeiro para Pietro que já está olhando para ela. Em seguida os dois olham disfarçadamente para Méter.
— O que foi, já cansou? — Uma rajada de ar extremamente húmida acerta a face se Shymphony.
— Agora é para valer. — Ela sussurra enquanto passa a mão no rosto para secá-lo.
A vibração começa a tomar conta do ar entre às duas. Primeiro, Shymphony desaparece e aparece exatamente no lugar que Sylphie está já desferindo um soco. Quando ela está prestes a ser atingida, se desfaz em ar e água. A vibração espalha as gotas pelo arredor.
— Então é assim? — A voz de Sylphie ecoa do alto e atrás dela.
Quando Shymphony se vira já colocando os punhos cruzados na frente do rosto para se defender. Uma grande quantidade de água enlameada surge repentinamente do chão, trazendo com sigo até algumas margaridas.
Sem conseguir reagir, Shymphony puxa o ar e prende o fôlego de forma apressada enquanto fecha os olhos. Em menos de três segundos ela já está presa em uma grande capsula de água.
Sylphie sorri de leve e começa a fazer a água rotacionar na vertical. E a cada segundo a intensidade vai aumentando.
Shymphony força todo seu corpo para frente, contra a correnteza ali dentro. E aos poucos vai começando a vibrar seu corpo como um todo.
De repente.
A direção da água muda.
Quando Shymphony se dá conta, já está sem base e prestes a começar a girar junto com a correnteza.
Nesse momento, Sylphie sente a água vibrar dentro da capsula. E depois o ar ao redor. Se preparando para o que vem a seguir, ela levita para longe e para o alto.
Uma explosão joga a água a vários metros de distância. E a ressonância ecoa pelo ar um pouco além.
Shymphony cai de joelhos no chão enquanto tosse e busca por ar.
Sylphie observa sua mão que está se desfazendo sem sua permissão, enquanto vem levitando de volta para o chão. Ela fecha os olhos e se concentra, então consegue materializá-la novamente.
— Da próxima não será só a mão. — Shymphony já se recompondo, direciona o olhar para ela.
— Mal posso esperar! — Sylphie fala em um tom baixo e com o olhar convicto.
Helvetia e Sarah se aproximam das duas.
Quando as irmãs reparam nelas, começam a rir de leve.
— Poxa! Agora vou ter que me lavar de novo… — Helvetia resmunga enquanto ainda tira um pouco de lama do rosto.
Sarah vai escorrendo a mão pelo cabelo molhado e tirando algumas pétalas de margaridas emaranhadas ali.
— Me desculpem, eu não percebi que estavam por perto. — Shymphony ainda ri enquanto fala.
— Hm… Esse aroma adocicado… — Sylphie nem termina a fala e já está colada com a Sarah.
Ela levanta a mão e oferece o frasco tão desejado.
— Eu conheço uma casa de banho excelente no anel intermediário. — Shymphony vem se aproximando das duas.
— Qual? — Helvetia agora passa a mãos pelos braços.
— É uma bem pequena com algumas cerejeiras em volta de uma piscina pequena. — Shymphony explana enquanto vai torcendo seu cabelo.
— Nunca ouvi falar dessa. — Helvetia olha vagamente para o chão molhado entre algumas margaridas.
Sarah em silêncio, observa Sylphie se distanciar em direção a mesa.
— O dono de lá não faz questão nenhuma de divulgar. — Shymphony observa de canto de olho os braços torneados de Helvetia.
— Eu conheço aquela que a dona é uma mulher bem jovem. — Helvetia joga seu cabelo para frente e o sacode com a mão.
— Ah! Sei qual é! — Shymphony agora olha mais diretamente para a pele morena dela. — A menina herdou o lugar dos pais que morreram em um acidente primavera passada.
— Qual acidente? — Helvetia retoma a compostura ainda mexendo no cabelo, mas agora olhando para Shymphony.
— Aquele que uma carroça se soltou e derrubou quatro pessoas na água.
— Ah! Eu me lembro desse. — Helvetia até olha com olhar vago para frente. — Mesmo se soubessem nadar, seria difícil sobreviver ali.
— Porquê? — Sarah as questiona enquanto torce a barra da toga.
— A correnteza que circula entre os anéis é bem forte. E por causa dos canais submersos que foram feitos na diagonal para circular a água. Quem cai ali, acaba sendo puxado para dentro. — Shymphony explica enquanto se aproxima mais de Helvetia.
— Acho que nem segurando a respiração por muito tempo dá para aguentar. — Helvetia observa Shymphony se aproximar.
— Posso? — Helvetia até consegue sentir a vibração da mão dela que está bem próxima de seu cabelo.
— Aproveita, é muito bom. — Sarah se aproxima um pouco mais enquanto fala.
Helvetia acena positivamente com a cabeça.
Shymphony coloca a mão na cabeça dela e a vibração vai se espalhando pelo cabelo, fazendo ele se assentar.
Sarah sorri ao ver a expressão de felicidade no rosto dela.
— Eita! — Helvetia até suspira ainda de olhos fechados.
— Tá bom! Vem cá! — Shymphony não consegue negar ao olhar para a cara de coitada que a Sarah está fazendo.
Helvetia quem sorri agora ao ver a cena.
Pollos enquanto gesticula e fala, repara nas três se aproximando e sorrindo.
— Estranho né? — Nova fala baixo perto dele. — De um jeito positivo. — Ela sorri a over a mesma cena que ele.
— Sim. Quem diria que elas iriam se conhecer algum dia. — Ele vai agarrando a caneca a sua frente com rapidez.
Nova também pega a sua com um movimento ligeiro.
Pietro e Apollo olham os dois com estranheza, mas ao repararem que sua irmã vem vindo, também puxam suas canecas para perto.
— Nova, a gente vai em uma casa de banho mais tarde. Quer vir junto? — Shymphony a convida enquanto percorre o olhar pela mesa.
— Qual? — Nova a indaga.
Enquanto Shymphony se senta ao lado e começa a explicar. Orpheus vem se aproximando com duas canecas cheias. Entrega uma para Shymphony quase chora de felicidade, e se senta junto deles enquanto bebe.
Adão e Sylphie não ficam de lado. Sarah e Helvetia vem voltando de onde antes tinha uma fogueira. Sarah traz uma bandeja prateada cheia de carne, batatas e mais alguns acompanhamentos. Helvetia vem com uma tábua de madeira repleta de peixes picados de forma organizada.
— Minhas deusas. — Orpheus nem termina de falar e já está com um pedaço de peixe na boca.
Às duas sorriem e se juntam a eles na conversa que perdura por vários minutos.
— Então está combinado? — Helvetia indaga olhando para Adão.
Ele estende a mão.
— Sim, serei seu guia. — Eles apertam a mão para fechar o compromisso.
— Só não vai sair correndo quando ver algum bicho saindo da areia em. — Shymphony fala enquanto vai virando a caneca.
— Olha só quem diz! Mais fácil você desmaiar quando alguma cobra rastejar pelos seus pés. — Ele aponta o dedo de leve para ela.
— Que pena que vou perder isso. — Sirin aparece de repente atrás de Shymphony.
Helvetia olha para ele e para ao arredor da mesa.
— Ele era a coruja que estava lá na árvore. — Sarah sussurra para Helvetia.
— Ah! Ele que é o namorado? — Ela sussurra de volta enquanto olha para ele sacudindo todo o cabelo dela.
— Poxa! Sinto que estou perdendo uma baita aventura. — Orpheus murmura encarando o fundo da caneca vazia.
— Infelizmente você já deu sua palavra. — Sylphie que ainda tenta se recuperar da bebedeira. Está em meio a uma poça d’água com o corpo materializado pela metade.
— Vamos? — Pollos se levanta após dar um último gole.
— Sim, aquelas armaduras não vão ser amaciadas sozinhas. — Nova o acompanha na despedida.
— Depois eu passo lá para pegar meu escudo em. — Shymphony grita para eles que já estão se distanciando. Os dois levantam o polegar sem se virar.
Sarah ainda está finalizando uma batata, quando escuta a fala de Symphony e fica com o olhar vago e distante.
Adão também sorri enquanto se perde em pensamentos.
— Bom, eu também vou indo. — Orpheus se transforma em uma grande águia branca com chifres, e sai voando em direção ao castelo.
Sarah e Helvetia olham aquele pássaro majestoso de boca aberta. Adão esboça um sorriso de boca fechada.
— Acho que consigo ir também. — Sylphie acaba de retomar a compostura. — Prometi ajudar Orpheus nas decorações pela cidade. — Então ela começa a sumir junto de uma brisa húmida.
— Vou ali me despedir da mãe. — Symphony também se levanta.
— Vou com você. — Pietro a acompanha.
— Te espero lá no túnel. — Apollo fala enquanto já está se distanciando.
— É sempre assim? — Helvetia olha para Sarah, e depois para a coruja bicando uns pedaços de carne que ficaram para trás em cima da mesa.
— Eu ainda estou tentando me acostumar. — Sarah a responde com o olhar direcionado para a árvore.
— Faz quanto tempo desde a última vez? — Pietro indaga ao ar enquanto caminha.
— Muitas primaveras, nem me lembro ao certo. — O olhar de Shymphony vagueia pelo chão e pela grama.
— Esse com certeza foi mais forte. — Ele continua.
— Se bem que, se for comparar com aqueles que a mãe descreveu. Não foi nada. — Shymphony olha para ele e depois para Méter.
— Verdade. — Ele relaxa o ombro.
— Esse tremor foi bem mais forte que os últimos. — Méter ecoa pelos dois.
— Sério? — Shymphony esboça uma expressão de estranheza.
— Nas minhas raízes mais profundas, eu pude sentir isso.
— Faz sentido, esse deve ter vindo bem lá do fundo. — Pietro faz uma leve cara de preocupação.
— Tá com medo dos chifrinhos? — Shymphony cutuca ele com o dedo na lateral.
Ele não reage. Por alguns segundo, fica paralisado.
— Sem graça. — Ela resmunga.
— Bom, se eles aparecerem, acho que agora posso dar conta de alguns. — Ele relaxa os ombros e coloca a mão atrás da cabeça.
— Mãe, eles realmente existem? — Shymphony para bem próximo do tronco.
— Sim, eles existem. — A voz dela até sai meio intercalada.
— E por que nunca falou sobre? — Pietro a indaga.
Após alguns segundos de silêncio.
— Vocês ainda não estão prontos para a verdade.

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