Índice de Capítulo

    Adão está terminando de sair do navio quando repara que Sarah não está por perto. Ao avistar Marcos, ele o indaga sobre o paradeiro dela. Apontando o dedo para a escadaria e para o castelo, ele explica o curto recado que ela deixou.

    — “Sinceramente…” — Com um leve sorriso no rosto ele já a imagina se enfiando em qualquer buraco que encontrar por aí.

    — Ei Adão!! Me ajuda a carregar algumas mercadorias lá para o mercado? — Giuseppe está empurrando um carrinho de mão todo de madeira com dificuldade enquanto se esforça para falar.

    — Ajudo sim! — Adão já vai pegando um outro carrinho e enchendo ele até a uma altura onde ele se esconde do próprio sol. O olhar de Giuseppe brilha com a visão. Marcos que está ali observando, até pensa em oferecer um emprego para aquele sujeito diferenciado.

    Eles já começam a caminhar em direção a uma das pontes que ligam os anéis. Pontes estreitas e arcadas para cima para não atrapalhar o tráfego dos navios.

    — Será que tem maçãs e maracujás em algum lugar??? — Adão indaga ao vento enquanto lança um rápido olhar para um navio que vem passando por debaixo da ponte onde estão.

    — Oh meu caro felino! Tem muito mais do que frutas por aqui. Muito mais. — Giuseppe o responde de queixo erguido e dando uma fungada com o nariz, em busca de sentir os aromas que os espera.

    Nesse momento Adão acelera a passada, quase largando o pobre coitado para trás.

    — Eeeei, você vai se perder por aí viu! — Forçadas palavras, porém inúteis, saem da boca de Giuseppe, para não ser abandonado.

    Após vários minutos empurrando aqueles carrinhos enquanto desviam de imponentes animais montados por humanos, que mal olham para baixo. Eles se separam ao chegarem na parte externa do último anel pelo lado Sul. Ali eles rapidamente começam a encontrar galpões onde podem fazer negócios com os comerciantes locais.

    Depois de andar um pouco pelo local, Adão está terrivelmente tentando barganhar alguns atuns pescados na costa antes de entrar no continente. Mas o mercador é casca grossa, seu tapa olho, e a variedade de peixes que possui disponivel, fazem os atuns se tornarem mais comuns do que realmente são.

    — Rumrumrumrummm!!!!! Nessas águas que você pegou esses peixes, eu pescava com a mão meu caro. — Uma voz grossa e rouca surge do homem de pele morena com lenço preto amarrado na cabeça. Ele está atrás de um balcão que exibe as mais variadas formas e cores de peixes.

    — Mas olha o tamanho deles! Nenhum dos expostos aqui tem esse tamanho!! — Adão insiste.

    — As pessoas não buscam tamanho meu jovem, não! Elas buscam beleza, Sim! E se houver tamanho com beleza, aí sim você tem uma mercadoria de verdade!! — Ele pronuncia essas falas enquanto observa a feiura dos atuns ao mesmo tempo que termina de cortar um peixe todo avermelhado como o sangue com desenhos em formato de rajadas na cor preta.

    — Mas você não vai comprá-los só por que não são belos?? — Adão exclama apontando para um atum pendurado no carrinho de mão. — Não tem valor nenhum??

    — Só porque você me parece um jovem honesto, e demonstrou sua persistência, oh sim!! Eu vou comprá-las, mas em troca te darei essa cesta com 50 laranjas.

    — O que eu vou fazer com laranjas??? — Adão observa a cesta com uma lev expressão de indignação.

    — Um suco horas, ah sim!! Dá para fazer muito mais que um suco meu jovem!

    — Exatamente! Se você souber onde levá-las, rapidamente pode conseguir maravilhas nesse mundo! — Uma voz jovem, feminina, suave como uma brisa e ao mesmo tempo saudosa, sorrateiramente entra pelos ouvidos de Adão.

    Os olhos do vendedor se arregalam, enquanto ele tenta manter a compostura.

    — Boa tarde, oh sim!! Boa tarde, Orpheus!! — Um peixe grande apareceu diante dele.

    — Boa tarde Korvim — Orpheus retribui a cordialidade.

    Adão que está pegando um dos atuns. Ao escutar a voz e em seguida o nome, sente todos seus pelos se arrepiarem. Sua calda se espicha e balança. Suas orelhas prontamente ficam em pé. No mesmo instante que ele se vira, um par de braços o agarra fortemente. Um abraço terno e quente, aconchegante e nostálgico. Seus braços automaticamente se levantam para retribuir, os fechando em volta de um corpo forte e cheio de penas.

     “A quanto tempo não sinto esse sentimento tão reconfortante???”  Adão se questiona sobre o que está sentindo. — Já tinha me esquecido de como é estar em casa!

    — Bem-vindo de volta Adão!! — Orpheus com a voz um pouco emotiva solta palavras ao ar enquanto encara a face dele.

    De seus olhos escorrem lagrimas que percorrem sua face e param em pequenas garras encostadas na altura da bochecha. Levemente as garras vão subindo e diminuído, até chegarem aos olhos lacrimejados já em forma de dedos suaves que vão secando as gotas que ali estão. E no fundo do olhar de Adão, ela consegue ver seu próprio reflexo.

    Do pescoço até o nariz, pele humana cor de chocolate. Lábios carnudos em uma tonalidade mais escura. Acima do nariz, penas que misturam a cor cinza com o preto e branco, começam perto dos olhos e correm para fora, e vão se afastando para a lateral da cabeça. Entre os olhos e por cima do nariz, as penas correm para cima e para os lados. E conforme vão para as laterais por cima dos olhos e por cima da cabeça, elas vão caindo para traz como se fossem cabelo até passarem levemente da altura dos ombros. Penas longas que balançam com a leve brisa que circunda o local. Seus olhos amarelos e levemente fechados realçam o negro de suas pupilas totalmente focadas em Adão.

     “Adão??? Aquele Adão??? Interessante, ah sim!” Korvim repara que o jovem a sua frente é uma figura proeminente da comunidade de Atlântis.

    Orpheus se afasta um pouco dele enquanto dá uma boa olhada de baixo acima.

    “Aiii meu deus, ele continua em forma como sempre, ahhhhh!”  O olhar dela inspeciona cada centímetro dele.

    — Você continua em forma como sempre em Orpheus. Anda caçando muito pelo jeito! — Adão exclama a elogiando enquanto observa seu corpo penoso e forte. Até repara que as garras das patas estão maiores — OOOOOH!!! Isso deve causar um belo estrago. Ele se abaixa e começa a cheirar a pata dela.

    Enquanto Adão se abaixa, Orpheus repara de cima que a calda dele que sai por baixo da roupa, está balançando de um lado para o outro.

     “Ele está feliz em me ver… Ele está me cheirando!!”  Ela fica sem ar por um instante, então abre seus braços e junto deles, asas grandes e cheias. Assim como quase todo o resto de seu corpo, as penas são negras com pequenos pontos cinzas.

    Adão olha para cima para ver de onde vem aquela repentina ventania.

    — Eii… Por que você está me olhando desta forma??? — As orelhas dele se abaixam pressentindo o pior.

    — Está na hora de caçar um felino!!! — A voz de Orpheus sai firme e entonada.

    — Oque!?!? Quem!?!? Eu!??? — Ele vai começando a se transformar em fera rapidamente enquanto seus instintos ressoam por todo o corpo como um alerta de perigo.

    Ele rapidamente se desfaz das vestimentas e dá um salto para trás na tentativa de sair em disparada, mas logo sente o peso de Orpheus nas suas costas. Os dois começam a rolar e a se entranhar. Suas garras estão levemente recolhidas. Para todo lado, rugidos e pios, penas e pelos se soltam deles. De repente um monte de água começa a se acumular envolta dos dois e em instantes eles se vem presos em uma bolha que logo se desfaz fazendo a água começar a escorrer de volta para o rio.

    Adão volta para sua forma humana em instantes a procura de respostas, ainda ajoelhado no chão. Então ele busca Orpheus com o olhar, e a observa com a feição de medo. Os olhos dela estão direcionados para trás e para acima dele. Ele sente um calafrio subir a espinha. E logo uma leve sombra recai sobre ele, junto de uma brisa gelada.

    — Orpheus!!!! Oque deu em você para fazer essa bagunça toda?????? — Uma voz forte e gentil com tons de leve irritação surge as costas de Adão.

    — Desculpa. — A voz de Orpheus sai baixa e tímida.

    — E você arruacei… — Ao olhar para ele com suas orelhas baixas, cauda enrolada, todo encolhido com olhar amedrontado voltado para si. Suas pupilas se dilatam, é como se uma cena a muito esquecida voltasse a acontecer. Orpheus e um humano meio felino molhados por sua causa.

    — Sylphie. — Adão com a voz baixa rapidamente a reconhece. — “Amedrontadora como sempre” — Ele relembra de vários momentos do passado.

    — Um gatuno bagunceiro e um passarinho safado, espalhando pena e pelos por toda parte. — Ela termina sua fala já abraçando Adão e o afundando em seu corpo.

    Ele não resiste somente se deixa ser levado pela água quente e gentil do corpo dela. Ali ele sente verdadeiramente que está em casa, acolhido e não mais sozinho.

    Do nada, Adão sente um abraço físico dentro de Sylphie, e abre levemente os olhos para ver o que fora que aconteceu. E um monte de penas cobre sua face, os três ali ocupando o mesmo espaço, juntos como um.

    Repentinamente os dois são expulsos de dentro dela.

    — Vai vestir algo Adão!!! — Sylphie dá um ultimato para ele que já cai sobre suas roupas. Orpheus dá uma sacolejada ao mesmo tempo que Adão na tentativa de se secarem, mas continuam molhados. Sylphie não vê alternativa a não ser dar um banho de vento nos dois, que deixa seus pelos e penas arrepiadas.

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