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    Quarto no alto da torre.

    — Ei Sarah, vem ver. — Shymphony mal consegue tirar os olhos do lado de fora.

    — O q… — Sarah chega a abrir a boca de leve.

    — Bonito né? — Um pequeno sorriso surge na face de Shymphony. — Os humanos conseguem fazer tantas coisas incríveis.

    — É mais antigo do que os relatos contam.

    — O quê? — Shymphony a indaga enquanto passa a ponta dos dedos na cabeça de Sirin que está em forma de coruja em cima da janela.

    — Esses balões. No futuro ainda fazem isso em alguns lugares do mundo.

    — Que bom! — O olhar violeta dela, se perde em meio aos pontos brilhantes na escuridão infinita.

    — Qual o motivo de fazerem isso? — Sarah olha de relance para ela e retoma para a paisagem. — Alguns lugares fazem para comemorar o ano novo, ou melhor, a passagem das quatro estações. Outros fazem para festejar uma data especial. E tem um lugar, diz os relatos, que soltam balões para comemorar o nascimento de um novo dragão. Mas é raro.

    — Dragões. — Shymphony passa a observar Sirin com um sorriso, vendo-o ficar todo molenga com o cafuné. — O mundo no futuro, parece ter se virado bem sem nós.

    Sarah fica em silêncio com o olhar ainda contemplativo.

    — Aqui, nós fazemos isso para honrar e homenagear aqueles que lutaram e vão lutar em Atlás. E também marca a contagem regressiva para o início das lutas dessa primavera.

    Ela volta seu olhar para os balões que ainda estão lá no alto.

    — Dizem que a distância que o balão percorre é igual à força de quem o fez.

    — É verdade? — Sarah até encara Shymphony nesse momento.

    — Acredito que não, até porque os meus nunca vão tão longe.

    — Me ensina a fazer? — Sarah volta a olhar para eles já distantes.

    — Vem comigo. — Shymphony vai se distanciando da janela.

    Sirin continua a observar cada segundo do voo deles.

    Quase uma hora depois

    Sarah e Shymphony estão à beira do jardim de margaridas.

    Cada uma segura um pequeno balão de papel.

    O silêncio do local, só é cortado por alguns grilos que esperam grandes acontecimentos essa noite.

    Méter até pode sentir o pulsar diferente do coração delas.

    Mas o que ela mais sente é a coruja em um de seus galhos.

    — No momento que for soltar, faça um pedido. — Shymphony fala de olhos fechados e já colocando uma pequena vela no encaixe.

    Sarah a observa e concorda em silêncio.

    Então também faz o encaixe e fecha os olhos.

    — Pronto. — Shymphony observa seu balão ser guiado calmamente pelo vento.

    Sarah também solta o dela e o admira ganhar velocidade conforme vai se afastando. Não demora e ele passa o de Shymphony e abre vantagem.

    — Você viu isso mãe? — Ela até abre a boca enquanto aponta para o balão de Sarah, e olha para a arvore com indignação.

    — Bobinha. — Nesse momento a brisa ganha força e se torna um pequeno vendaval.

    — Você…

    — E lá vamos nós outra vez. — Méter fala apenas para Sirin.

    Sarah ainda tentando entender, vê que Shymphony começa a caminhar de forma pesada, e vai acelerando até virar uma corrida. A princípio ela está correndo atrás do nada. Mas logo o vento vai tomando forma junto de um punhado de água que vai subindo do solo.

    Sylphie levita enquanto ri.

    Shymphony dispara algumas ondas na direção dela.

    Sarah sorri conforme vai se aproximando da árvore.

    Mesmo estando de noite, a luz da lua é tão forte, que a árvore projeta uma suave por ali.

    — Por que ela ficou brava do nada? — Sarah coloca a mão no tronco da árvore para escorar, e observa às duas.

    — Ela finalmente percebeu. — Méter a responde.

    — Sylphie esteve sabotando o balão dela por todo esse tempo. — Agora quem fala é Sirin já em forma humana, sentado no galho. Ele também observa às duas com sorriso no rosto.

    Sarah prefere o silêncio no momento.

    — Méter… Posso te chamar assim?

    Sara olha para o tronco.

    — Pode sim.

    — Você gosta de alguma coisa em específico?

    — Como assim?

    — Algum presente, alimento, ou algo que te faça se sentir bem.

    — Minha criança, tudo que eu posso sentir fisicamente no momento, é o que uma árvore pode. Mas eu sempre fico mentalmente feliz quando coisas boas e belas acontecem, assim como fico triste quando as ruis acontecem.

    — Você gostou quando a Shymphony te sacolejou daquela vez.

    — Ah! Entendi… faz sentido.

    — Amanhã, vamos fazer uma festa para comemorar a volta de Sirin. E eu pensei em faze-la aqui. Podemos?

    Sirin sorri discretamente enquanto observa Shymphony se aproximar toda descabelada e molhada.

    — Eu ficaria extremamente feliz. — Méter até chacoalha um pouco os seus galhos, e pega Sirin de surpresa.

    — O que vocês tão conversando? — Sylphie vem levitando do alto e aparece ali do lado deles.

    — Você vai ver, essa primavera você me paga. — Shymphony até faz uma pausa para pegar um pouco de ar.

    — Eles vão dar uma festa amanhã, e vão fazê-la aqui. — Méter a responde.

    — Vai ter mais daquela água? — Sylphie até senti o gosto só de lembrar.

    — Ainda tem um pouco, eu posso trazer.

    — Podem contar comigo para o que precisar. — O vento até fica mais intenso no local.

    — O fia, dá uma maneirada aí. — Shymphony chega perto deles enquanto murmura. E do nada eles fazem silêncio enquanto olham para ela.

    Então todos ali sorriem discretamente ao ver seu cabelo todo arrepiado.

    Shymphony usa as mãos e um pouco de vibração para colocar os fios de volta no lugar.

    — Vou chamar Pietro e Apollo também. — Sylphie se empolga.

    — Pode sossegar o facho, eles já sabem. — Shymphony vai passando pela árvore quanto fala, e se aproxima da beirada que tem vista para Atlás. — Eles realmente estão se dedicando.

    Ali de cima é possível ver vultos incandescentes salpicando pela arena.

    — O que deu neles para quererem tanto lutar? — Sirin indaga a quem puder responder, ainda sentado em um galho.

    — Desde que viram do que a Sarah é capaz de fazer. Perceberam que tudo vai evoluir muito. E não querem ficar para trás. — Méter explana e fica em silêncio por um momento enquanto também sente os dois tirando o x1 mais lendário da vida deles em meio a arena.

    — E eles vão lutar em Atlás nessa primavera. Pela primeira vez. — Sylphie também se aproxima da beirada para observá-los.

    — É a primeira vez que os quatro lutaram na mesma primavera. — Méter até pode sentir a vibração de Shymphony.

    Sarah senta e encosta no tronco da árvore. Então dá uma profunda suspirada.

    — Eu te entendo um pouco. — Sirin se joga lá de cima, e também senta ali do lado. — Mesmo para nós, filhos de segunda geração, é raro vencê-los. Estão em outro nível. — Após falar, ele até esvazia o ar do peito enquanto encara as margaridas que estão por perto.

    — Adão e Ivr…

    Sarah é interrompida

    — Não fala alto, elas vão escut…

    Agora Sirin que é interrompido com uma bufa de ar no rosto.

    — O que tem aquela raposa pilantra? — Sylphie brota ali do nada.

    — É, o que tem ela? — Agora quem surge é Shymphony, olhando de cima os dois com seu olhar violeta incandescente.

    — Eu… só estava dizendo que ela e o Adão conseguiram ganhar de vocês.

    — Isso foi há muito tempo. — O olhar de Shymphony se incendeia ainda mais. — Hoje eu amassaria eles com meu escudo novo. Assim como vou amassar todos vocês. — Ela até estica o braço para bater no escudo, mas acaba batendo só na pele mesmo.

     — Eu acho que sonhei com ela um tempo atrás. — Sarah fala mais alto que gostaria.

    — Coitada, deve ter sido um pesadelo e tanto. — Sylphie até joga um pouco de ar na direção dela.

    Sarah permanece em silêncio com o rosto levemente corado e olhando para baixo.

    — Bom, eu vou dormir, por que diferente de vocês, minha beleza precisa de descanso. — Shymphony já vai se virando em direção do castelo.

    — Até logo! — Tudo que sobra de Sylphie, sãos os ecos de sua fala e uma brisa húmida que rapidamente se desfaz.

    Sarah se levanta e vai seguindo o mesmo caminho dela.

    Sirin já está voando em forma de coruja, e só para quando pousa na cabeça de Shymphony.

    Méter vai sentindo-os se distanciarem. Então do nada o ovo ali, dá uma leve chacoalhada e para.

    — Eu realmente quero sentir mais. — Méter se confessa para o relento da noite.

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