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    『 Tradutor: Crimson 』


    “Quem é você…?” A voz de Erlius cortou o salão como uma lâmina, fria e letal. “E o que está fazendo no meu palácio?”

    Só então a verdade se assentou em seu peito como uma pedra.

    O Marquês Vein havia traído todos eles.

    Não havia outra explicação. O Palácio Imperial era uma fortaleza protegida por inúmeras camadas — barreiras, matrizes, guardiões. Nenhum estranho deveria ser capaz de entrar ali com tanta facilidade.

    E ainda assim… ali estava um desconhecido.

    “Eu sou Tasman Everlasting, Rei do Reino Eterno.”

    A voz do homem era calma — calma demais. Carregava uma quietude inquietante, como se tudo ao redor fosse insignificante. Seus olhos se fixaram em Erlius, inabaláveis.

    “Uma calamidade está vindo. Uma que engolirá este mundo por completo.” Uma breve pausa antes de continuar: “Vim lhe oferecer uma escolha… Submeta-se. Junte-se ao Reino de Sangue.”

    O ar pareceu ficar mais pesado.

    Os lábios de Erlius se curvaram, seu olhar se tornando rígido. “Você fala como se já estivéssemos encurralados.” Sua aura se agitou, afiada e desafiadora. “Meu reino resistirá. Não precisamos de ninguém.”

    Um suspiro baixo escapou dos lábios de Tasman.

    “Então o Reino de Sangue…” Seus olhos escureceram levemente. “… apenas tomará de volta o que concedeu.”

    Por um instante,

    Silêncio.

    Então—

    –BOOM!!

    O teto explodiu.

    Uma explosão ensurdecedora rasgou o palácio enquanto uma força avassaladora despencava do alto. Toda a estrutura tremeu violentamente, pilares rangendo, paredes se partindo.

    O teto havia desabado.

    A pedra gritou ao se romper. Enormes blocos despencaram, arrastando nuvens de poeira e destroços consigo.

    O chão tremeu. O ar uivou.

    Erlius e os outros saltaram de seus lugares, suas auras irrompendo instintivamente, destruindo os destroços antes que pudessem esmagá-los. A fúria queimava em suas veias.

    Um ataque ao Palácio Imperial.

    Imperdoável.

    E então, uma voz ecoou.

    Suave. Reverente. Tremendo de excitação.

    “Ah… o Senhor do Reino do Reino de Sangue chegou…”

    Marquês Vein.

    Seus olhos brilhavam com um fervor fanático enquanto encarava o céu.

    “Finalmente… testemunharei sua majestade.”

    Senhor do Reino…?

    As palavras ecoaram como uma onda.

    Erlius e os outros ergueram a cabeça.

    Através do vazio aberto onde o teto antes existia, algo obscurecia o céu.

    Uma sombra.

    Vasta. Sufocante.

    Uma hidra colossal descia, suas nove cabeças se contorcendo como tempestades vivas. Cada movimento carregava um peso esmagador, como se o próprio espaço se curvasse diante de sua presença. Suas escamas brilhavam escuras, metálicas e impenetráveis, refletindo a luz como lâminas polidas.

    O ar se tornou denso, pesado — difícil de respirar.

    Mesmo sem liberar todo o seu poder, o mero resquício de sua aura pressionava tudo como um oceano invisível.

    As pupilas de Erlius se contraíram.

    ’Quinto estágio avançado.’

    Um monstro que jamais deveria aparecer ali.

    Sobre a cabeça central da hidra estava um homem.

    Uma figura humanoide, envolta por escuridão e luz radiante que se entrelaçavam ao redor de seu corpo como entidades vivas. Sua presença era… errada.

    Antinatural.

    Como algo que não pertencia àquele mundo.

    Um arrepio percorreu suas espinhas.

    “Isso… é o Senhor do Reino…?” Alguém murmurou, com a voz instável.

    Todos os olhares se fixaram nele.

    Ele estava acima da hidra.

    O que significava que a dominava.

    E ainda assim…

    A testa de Erlius se franziu.

    Algo não batia.

    A aura daquela figura estava apenas no quinto estágio inicial.

    Era evidente.

    A figura sobre a hidra possuía uma aura muito mais fraca — muito inferior ao monstro de quinto estágio avançado sob seus pés.

    Os olhos de Erlius vacilaram.

    ’Não me diga… Ele é como eu…’

    No Reino Bodam, ele era o rei — poderoso, temido — mas não o mais forte. Esse título pertencia a outro.

    Seu pai, o antigo rei.

    Uma realização fria se instalou em seu peito.

    Então—

    “ARGH!!”

    Um grito rasgou o salão.

    “O que é isso?!”

    “Dói!!”

    Um após o outro, as pessoas ao redor de Erlius caíram.

    Eles desabaram de joelhos, seus corpos convulsionando violentamente. Suas mãos agarravam o peito, a garganta, a cabeça — como se tentassem arrancar algo de dentro de si.

    Veias saltaram. Olhos ficaram vermelhos.

    Seus gritos se tornaram distorcidos, primais.

    Dor — mas não uma dor comum.

    Algo invasivo. Algo dentro deles.

    Era como se brocas invisíveis perfurassem seus órgãos, triturando carne e ossos.

    Demais… era demais.

    A respiração de Erlius falhou ao olhar ao redor, o choque estampado em seu rosto.

    “O que… está acontecendo…?”

    Seus subordinados leais — especialistas forjados em batalha — haviam sido reduzidos a figuras se contorcendo no chão, sua dignidade destruída em um instante.

    E ele nem conseguia entender o porquê.

    No instante seguinte, uma presença desceu.

    Lenta. Sem pressa.

    Do teto destruído, uma figura atravessou a poeira e os destroços que caíam.

    Era Souta.

    Ele pousou suavemente, como se não fosse afetado pelo caos ao redor. Seu olhar percorreu o salão antes de se fixar em Erlius e nos demais.

    Frio. Distante. Como um governante observando algo já inferior a ele.

    “Eles estão sob o meu controle.”

    Sua voz não era alta, mas atravessou os gritos sem esforço.

    “Submeta-se… ou morra.”

    O silêncio pareceu se solidificar sob suas palavras.

    Aquilo não era uma ameaça.

    Era uma sentença.

    A expressão de Souta não mudou.

    Na verdade, ele nunca foi alguém que provocava os outros sem motivo. Não buscava conflito. Se fosse deixado em paz, deixaria os outros em paz também.

    Mas isso era antes.

    Antes da calamidade na Terra da Luz de Fogo. Algo havia mudado. O mundo havia mostrado seus dentes — e agora, ele faria o mesmo.

    Se ninguém agisse…

    Então ele agiria.

    Mesmo sem ordens. Mesmo sem um propósito dado a ele.

    Ele tomaria o controle das Profundezas de Banquet. Expandiria, dominaria e se prepararia. Porque, da próxima vez, não seria pego desprevenido.

    Erlius cerrou os dentes, forçando-se a permanecer firme diante da pressão.

    “Por que… você está fazendo isso…?”

    Sua voz tremia — não de medo, mas de uma fúria contida com dificuldade.

    Souta inclinou levemente a cabeça.

    “Tasman já te disse… não foi?”

    A expressão de Erlius escureceu.

    Calamidade? Uma ameaça capaz de destruir o mundo? Não. Ele se recusava a aceitar algo tão vago — tão conveniente — como justificativa para aquilo.

    Isso não era salvação.

    Era conquista.

    E ele não se curvaria tão facilmente.

    O olhar de Erlius subiu, passando pelo teto destruído, além da poeira suspensa.

    A silhueta monstruosa do lado de fora.

    A hidra de nove cabeças dominava o céu, seus corpos massivos se contorcendo, cada cabeça se movendo com uma ameaça silenciosa.

    Então seus olhos voltaram para Souta.

    A aura que emanava dele era inconfundível.

    Quinto estágio inicial.

    E ainda assim, um frio percorreu a espinha de Erlius. Seus instintos gritavam perigo — não o tipo que podia ser medido por nível ou poder. Algo mais profundo. Algo que fazia até a hidra parecer… secundária.

    ’Ele não é mais fraco… Ele é apenas… diferente.’

    Os punhos de Erlius se fecharam.

    ’Meu pai está no Clã Waterfield… Meus subordinados estão incapacitados…’

    Seu maxilar se contraiu.

    ’Só resta eu.’

    Seus olhos se afiaram enquanto encarava Souta, tentando compreender o desconhecido.

    Ele ainda não entendia.

    Aquela força invisível — aquilo que havia levado seus subordinados ao chão, se contorcendo como marionetes quebradas.

    Uma habilidade? Uma maldição? Ou algo muito pior?

    “Parece…” A voz de Souta interrompeu seus pensamentos, calma e despreocupada. “… que você não tem intenção de se submeter.”

    Ele ergueu lentamente a mão — e então parou.

    “… Hmm?”

    Seus olhos se moveram levemente, como se focassem em algo invisível.

    Por um breve momento, o silêncio se estendeu.

    Então, um lampejo de compreensão.

    Finalmente.

    Uma janela de sistema surgiu diante dele, invisível para todos os outros.

    [Missão Desencadeada!!]

    [Submissão: Faça o Rei do Reino Bodam reconhecê-lo como o Verdadeiro Rei.]

    [Recompensas: 10 Pontos de Habilidade, 15 Pontos de Atributos Livre, 1 Carta Aleatória]

    ’Uma missão…’

    Os lábios de Souta se curvaram levemente.

    ’Depois de todo esse tempo…’

    Desde que chegou às Profundezas de Banquet, nada havia respondido — nenhuma missão, nenhuma orientação.

    Até agora.

    Uma excitação silenciosa surgiu sob sua aparência calma.

    Finalmente, algo que valia a pena.

    Seu olhar voltou para Erlius.

    Um leve sorriso permanecia em seu rosto.

    “Rei do Reino Bodam…” Sua voz suavizou, mas o peso por trás dela apenas aumentou. “Vou te dar uma chance.”

    Ele fez uma breve pausa.

    “Lute comigo.”

    O ar pareceu se contrair.

    “Vou te mostrar a diferença entre nós.”

    Ele deu um passo à frente, o chão se rachando levemente sob seu pé.

    “O Reino Bodam já está acabado.”

    Outra pausa, deliberada.

    “E os ‘Segredos da Imortalidade’ que você descobriu…” Seus olhos brilharam levemente. “… vieram de mim. Eu sou a origem.”

    As palavras caíram como um golpe.

    “O motivo pelo qual seus subordinados estão no chão agora…” Ele inclinou levemente a cabeça. “… é por causa disso.”

    As pupilas de Erlius se contraíram.

    O choque o atingiu como uma onda esmagadora.

    ’Impossível…’

    Aquela descoberta — o tesouro que acreditavam elevar seu reino — vinha dele?

    Não. Era pior.

    Isso significava que tudo havia sido planejado.

    Desde o começo.

    Aquele monstro…

    Já havia estendido suas mãos sobre o Reino Bodam muito antes daquele dia.

    Souta moveu o pulso.

    Instantaneamente, a pressão invisível desapareceu.

    Os gritos cessaram.

    Os corpos que se contorciam pararam… e então desabaram, ofegantes.

    A dor sumiu — assim, de repente.

    O salão mergulhou em um silêncio sufocante.

    Nobres e generais estavam espalhados pelo chão, cobertos de suor, seus rostos pálidos ainda marcados pelo terror.

    Todos haviam ouvido.

    Cada palavra.

    Suas vidas… nunca foram realmente deles.

    Um único pensamento ecoava em suas mentes:

    ’Estamos à mercê dele.’

    O leve sorriso de Souta permaneceu enquanto ele olhava para Erlius.

    “Então…” ele deu um passo à frente e perguntou: “Qual é a sua resposta?”

    Erlius soltou um longo suspiro antes de se levantar. Erguendo-se de seu trono, seus movimentos eram firmes, apesar da tempestade em seu interior.

    “Está bem.”

    Sua voz era firme. Resoluta.

    “Espero que você cumpra sua palavra.”

    Seus olhos se fixaram em Souta, ardendo em desafio.

    “Porque eu vou te derrotar.”

    Ele deu um passo à frente, descendo de seu trono, permanecendo ereto diante dele.

    Rei contra rei.

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