Capítulo 1264 – Reino Bodam
『 Tradutor: Crimson 』
Grupo Mercante Tidal.
Uma organização de imensa influência por todas as Profundezas de Banquet, com alcance que se estendia até territórios distantes além dessas águas.
Eles não eram apenas comerciantes.
Eram uma força capaz de enfrentar de igual para igual os maiores poderes das Profundezas de Banquet.
O grupo era governado por três famílias dominantes: Casa Rulman, Clã Waterfield e o Clã Reinfir.
Juntas, controlavam as marés de poder, riqueza e informação em toda a região.
As três famílias governantes do Grupo Mercante Tidal estavam cada uma enraizada em diferentes nações.
A Casa Rulman residia na Nação Tarrant.
O Clã Waterfield tinha sua base no Reino Bodam.
E, por fim, o Clã Reinfir governava seu domínio a partir da República Crescente.
…
No dia seguinte, uma notícia chocante se espalhou por todas as Profundezas de Banquet.
O Reino Bodam havia declarado guerra à Nação Tarrant.
O motivo era simples — e explosivo: o Príncipe Herdeiro havia sido morto dentro do território de Tarrant.
A notícia gerou ondas de pânico e incredulidade entre a população.
“Guerra…?”
“O Príncipe Herdeiro do Reino Bodam morreu?”
“O que vamos fazer?”
Por um momento, a incerteza dominou as massas. Então, vozes de desafio começaram a surgir.
“Claro que vamos lutar! Já esqueceram quando o Clã Kraken tentou invadir a Casa Rulman?! Nós os repelimos antes — podemos fazer de novo!”
“Isso mesmo! Kras’ah está morto! É um monstro de quinto estágio avançado a menos do lado deles! O Conselho Supremo vai fazê-los pagar!”
A tensão aumentou rapidamente por toda a Nação Tarrant. Preparativos para a guerra tornaram-se visíveis em todos os lugares — movimentação de tropas, mobilização de recursos e crescente atividade marcial.
O Conselho Supremo não perdeu tempo. Dezenas de milhares de especialistas foram mobilizados rapidamente e enviados às fronteiras.
A Casa Rulman foi inevitavelmente arrastada para o conflito. Como um dos membros do Conselho Supremo, a participação de Freida era esperada. Ordens logo chegaram, exigindo que a casa se preparasse para a guerra.
Sem espaço para recusa, a Casa Rulman enviou quatro anciãos juntamente com um contingente de guerreiros de elite.
Ainda assim, sob essa obediência, crescia uma inquietação.
Eles sabiam que era apenas questão de tempo até que outros percebessem que algo estava errado.
Freida estava desaparecida.
E, em tempos de guerra, sua ausência não passaria despercebida por muito tempo.
…
A guerra entre as duas nações havia começado.
A primeira colisão envolveu cinco especialistas na Sétima Algema e centenas de lutadores de Rank SSS. A fronteira da Nação Tarrant foi devastada, transformada em um campo de batalha tomado pela destruição.
À medida que o conflito se intensificava, ambos os lados continuavam a enviar forças para a linha de frente. A cada dia, o número de mortos aumentava.
Inúmeros civis, em ambas as nações, viviam com medo — sem saber o que o amanhã traria, desejando desesperadamente que a guerra terminasse antes de consumir tudo. Até mesmo a República Crescente foi abalada pelo início repentino do conflito.
…
Reino Bodam, Palácio Imperial.
Erlius estava sentado em seu trono, com uma expressão carregada, ouvindo os relatórios apresentados por seus subordinados.
Após um longo silêncio, ele ergueu a mão e pressionou os dedos contra as têmporas antes de falar: “Continuem a ofensiva”, ordenou friamente e completou: “O Clã Waterfield atacará pela lateral. Assim que capturarmos a Cidade Boheim, poderemos atravessar a defesa e avançar mais fundo no território de Tarrant.”
Sua voz carregava autoridade, mas havia um traço de tensão escondido nela.
Erlius soltou um suspiro lento e percorreu o salão do trono com o olhar. Apenas três pessoas permaneciam ali. O restante já havia partido para o campo de batalha, cada um designado para comandar e estabilizar diferentes frentes.
Ele não tinha intenção de permitir falhas.
Por isso havia enviado seus subordinados mais fortes, garantindo controle absoluto sobre o andamento da guerra. Ao mesmo tempo, a presença deles no campo de batalha tinha outro propósito: servir como garantia contra interferências do Conselho Supremo. Se alguma dessas entidades decidisse intervir, suas forças estariam prontas para enfrentá-las diretamente.
Mesmo com a perda do Clã Kraken, Erlius ainda confiava em sua vitória contra a Nação Tarrant.
Ainda assim, não podia se dar ao luxo de baixar a guarda.
Os movimentos do Grupo Mercante Tidal e da República Crescente permaneciam incertos — variáveis capazes de mudar o rumo da guerra a qualquer momento.
‘Meu pai já foi até o Clã Waterfield… então esse lado deve estar seguro’, pensou Erlius.
Mesmo assim, uma leve inquietação persistia em sua mente.
Erlius sabia exatamente o quão perigoso era o Grupo Mercante Tidal. Opor-se a eles não era apenas uma questão de força — era um convite à ruína.
Então, sem aviso, um de seus subordinados se levantou.
O movimento foi lento… deliberado.
Marquês Vein.
Sua pele roxa parecia úmida sob a luz fraca, brilhando levemente como se algo abaixo dela estivesse respirando. As brânquias em seu pescoço se contraíam, abrindo e fechando em um ritmo constante, produzindo um som úmido e desagradável que ecoava pelo salão silencioso.
O líder da Família Lawroush.
Uma família conhecida não por domínio, mas por necessidade. Seus artefatos alimentavam as ambições dos poderosos. Suas criações armavam guerras.
E, por isso… eram tolerados.
Temidos, até.
“Sua Majestade…” A voz de Vein era suave — suave demais.
Ela deslizou pelo salão do trono, em vez de ecoar.
“Tenho uma proposta.”
O olhar de Erlius se voltou para ele imediatamente, afiado e frio.
“Fale.”
Vein inclinou levemente a cabeça. Seu sorriso surgiu devagar, de forma antinatural, como se seu rosto não estivesse acostumado com aquele movimento.
“Existe uma forma…” disse ele, sua voz caindo para quase um sussurro, “… De esmagar a Nação Tarrant sem esforço.”
Uma pausa.
“De encerrar esta guerra antes mesmo que ela realmente comece.”
O ar ficou mais pesado.
“Um caminho…”, continuou Vein, suas brânquias tremulando mais rápido agora, “… que tornaria até mesmo a República Crescente… irrelevante.”
A expressão de Erlius se aprofundou. Um fio fino de intenção assassina infiltrou-se em sua voz.
“O que você está insinuando?” O sorriso de Vein se alargou.
Amplo demais.
“O Senhor do Reino do Reino de Sangue…” disse ele, quase com reverência, “… está prestes a descer sobre este mundo.”
A temperatura da sala pareceu cair.
“Se nos ajoelharmos…” continuou Vein, sua voz tremendo — não de medo, mas de algo perigosamente próximo da excitação, “… não apenas venceremos esta guerra…”
Seus olhos brilharam.
“Nós reivindicaremos todas as Profundezas de Banquet.”
Silêncio…
Então ele se quebrou.
Boom.
Auras explodiram.
Erlius e os outros liberaram seu poder ao mesmo tempo, e o salão do trono gemeu sob a pressão. O ar se tornou denso, violento, esmagando tudo como um oceano invisível.
–BANG!!
O Marquês Vein foi forçado de joelhos.
O impacto rachou o chão sob ele, fissuras se espalhando enquanto poeira explodia no ar. Seus ossos rangeram audivelmente sob o peso, seu corpo tremendo — e ainda assim… ele sorria.
“O que… você acabou de dizer?”
A voz de Erlius não era mais apenas fria. Era letal.
“Explique-se”, disse ele, cada palavra pressionando como uma lâmina ates de o ameaçar: “Ou eu vou te despedaçar onde está ajoelhado.”
“Quem é esse ‘Senhor do Reino do Reino de Sangue’?!” gritou um dos outros, sua voz rugindo com poder.
“Marquês!!” Outro bradou, a fúria misturada com incredulidade antes de questionar: “Você enlouqueceu ou escolheu traição?!”
Suas vozes sacudiram o salão, carregadas com força suficiente para matar qualquer ser comum ali mesmo.
Mas Vein…
Vein soltou uma respiração baixa e irregular.
Suas brânquias tremularam freneticamente e, apesar da pressão esmagadora que ameaçava triturá-lo contra o chão, ele riu.
Um som úmido, quebrado.
Fanático.
Aterrador.
“Hahahaha!!!”
Ele ergueu a cabeça.
O movimento foi antinatural, forçado — como se algo dentro dele se recusasse a se curvar. Seu pescoço se tensionou. As brânquias em seus lados se abriram de forma irregular, liberando filetes escuros de fluido que escorriam por sua pele.
Então ele olhou diretamente para Erlius… e sorriu.
“Sua Majestade…” Ele murmurou, sua voz úmida e instável, mas carregada de uma calma perturbadora antes de continuar: “O senhor ainda não entende.”
Um leve riso escapou de seus lábios.
“Já estamos sob a misericórdia dele.”
Seus olhos brilhavam com um fervor febril.
“Não existe ‘lutar’ contra ele.”
“Existe apenas… se teremos permissão para viver.”
Uma onda de raiva explodiu pelo salão.
“Que absurdo você está dizendo, Marquês?!” Um deles disparou.
“Você perdeu completamente a sanidade?!” Outro gritou.
“Você ousa falar em submissão diante de Sua Majestade?!” Um terceiro rugiu.
“Isso é traição!”
O ar tremia com a fúria deles.
Cada um ali possuía poder igual ou superior ao de Marquês Vein. Embora as forças principais do reino já tivessem sido enviadas ao campo de batalha, aqueles que restavam estavam longe de serem fracos. Todos no salão estavam no Rank Herói — seres capazes de devastar regiões inteiras com facilidade.
E ainda assim, nenhum deles conseguia ignorar o desconforto que surgia por baixo da raiva.
Erlius permaneceu em silêncio.
Seu olhar perfurava Vein, afiado e investigativo, como se quisesse arrancar sua carne e ver o que havia por baixo.
Não havia histeria nos olhos do homem.
Nenhuma loucura. Apenas certeza.
E isso… era o que o tornava perigoso.
Erlius abriu os lábios, prestes a falar, quando—
Creeeak…
As enormes portas do salão do trono se abriram lentamente.
Todas as cabeças se voltaram.
O ar mudou.
Um homem entrou.
Ele era alto, sua pele morena contrastando com a luz fria do salão. Seus traços eram marcantes, emoldurados por uma barba e bigode bem cuidados. Cada passo que dava ecoava com peso silencioso — sua presença por si só já era suficiente para perturbar o fluxo de energia no ambiente.
No momento em que Erlius e os outros pousaram os olhos nele, entenderam.
Aquele homem não era nativo do oceano.

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