Capítulo 330 – O Encerramento de Um Ciclo e o Início de Outro
Assim que a situação com Stella foi minimamente acertada e encaminhada, o trio conversou mais um pouco antes da jovem se despedir, deixando o casal a sós. Havia coisas sobre as quais precisavam conversar.
Ignorando tanto a noite quanto o horário, eles conversaram por horas a fio sobre tudo, trocando pensamentos, intenções, desejos e ambições. Alexander contou-lhe até que pretendia viajar em um futuro breve, após organizar algumas coisas; tanto para se livrar do assédio que viria pelo conhecimento que liberara, quanto para se ver com mais liberdade e poder testar algo… algo que desejava havia um bom tempo.
Assentindo, Diana revelou pensamentos parecidos, embora os seus não fossem originalmente de partir sozinha, como os dele.
Seu plano era aproveitar o bom momento e a estabilidade da família para dedicar-se um pouco mais aos estudos práticos e incisivos. Quem sabe, voltar à Academia dos Combates Gêmeos e frequentar algumas aulas práticas para treinar.
— A sua ideia é muito boa… Além disso, se você se tornou uma ótima parceira de treino para Stella, ela também deve ter se tornado, ao menos, uma boa parceira para você — apontou ele ao ponderar um pouco. — Não acho que seja o ideal, nem o que qualquer um de nós quer, mas chamamos muita atenção, ainda mais juntos… Eu vou até permanecer na minha forma humana para não ser reconhecido pela aparência da minha persona draconiana.
Bem ciente das nuances que seu noivo apontava, a demi entendeu seu ponto e não disse muito mais sobre o futuro, focando-se no presente. Talvez eles viessem a se separar por algum tempo devido às circunstâncias, mas, naquele momento, estavam juntos; e isso sim importava, naquela cama que partilharam para dormir.
Sem tempo a perder, para que pudesse organizar tudo adequadamente, logo cedo na manhã seguinte Alexander levantou voo com Diana até o centro do território.
Lá, conduziu e auxiliou o {Grifo da Tempestade} e os seus a se mudarem para a quarta ilha do arquipélago, sob proteção colaborativa da facção DragonSeal; desocupando assim a área estratégica do monte para seu próximo empreendimento.
Com aquela área liberada, uma nova reunião de capitães foi convocada.
Sua vontade e as diretrizes para o novo ano seriam ajustadas e estabelecidas ali.
Previamente informados sobre a reunião, todos os convocados dirigiram-se ao posto avançado da facção na cidade duplamente murada do arquipélago.
Assim que eles se acomodaram à mesa, Alexander iniciou os trabalhos: — Conforme informado na última reunião, estamos aqui hoje para definir nossas diretrizes e objetivos principais para este novo ano.
— Antes disso, no entanto, gostaria de delinear e ressaltar que o caçula de vocês, o capitão da 9ª divisão, foi mais rápido e ambicioso do que vocês; mesmo sendo mais novo — disse o dragonoid ao grupo com um sorriso mais que estranho. — Não bastasse se envolver com gêmeas, ele foi corajoso o bastante para levar ambas ao aniversário da minha noiva, a vice-líder de vocês, forçando-me a mostrar-lhes cara em nome da facção… Deveras um grande feito de coragem.
Completamente envergonhado, como se não soubesse onde enfiar a cara, Dave parecia querer afundar na cadeira enquanto todos os outros capitães e regentes administrativos presentes se voltavam para ele com olhares conhecedores.
— Diana? — inquiriu Alexander, subentendendo que pedia a história pregressa, já que ambos cresceram no mesmo ambiente até a juventude.
— Pelo que eu lembro, ele tem uma relação… complicada com elas desde que éramos crianças — apontou a demi, com um tom contrastante, quase como se estivesse em conflito entre achar graça ou algo quase errado. — Pode não parecer, mas, se há algo como errado nessa história, ele não é o único… Elas também parecem um tanto quanto complicadas e ambíguas na forma como se portam.
Assentindo como quem já esperava uma história daquelas, o dragonoid ajustou-se altivamente na cadeira e pronunciou-se: — Não me entendam mal. Não estou aqui para julgar a vida pessoal de nenhum de vocês; especialmente a dele.
— Desde que o nomeei o ||Espírito Indomável|| da facção, endossei que você pode, quase deve, ser mais rápido e ambicioso que seus companheiros capitães — afirmou com a seriedade de um líder. — Mas isso também significa ter a hombridade de assumir o dobro do dever e da responsabilidade. Então, escolha logo uma e faça as coisas da forma convencional, ou crie coragem para pedir a mão de ambas e lidar com as complexidades e implicações disso.
Colocado contra a parede, Dave caiu em pensamentos profundos, como se um peso imenso lhe fosse tirado das costas apenas para ser substituído por outro.
O Império, enquanto instituição nacional, não proibia a poligamia, nem a via como regalia exclusiva da nobreza. Plebeus podiam casar-se como desejassem, contanto que tivessem condições de arcar com os custos para receber a aceitação da família de suas mulheres.
O grande problema, porém, era que a aristocracia era notoriamente recheada de pessoas mesquinhas; especialmente dentre aqueles pretensos nobres que não tinham talento e viviam à sombra de sua família e outros parentes.
Um nobre amargurado que havia desistido e não lutava para subir, ao topar com um plebeu com uma mulher bonita, já poderia significar problema. Imagine deparar-se com um plebeu feliz e próspero, com mais de uma esposa bonita.
Sorrindo, como se lesse as dúvidas do jovem capitão, Alexander prontamente se pronunciou: — Busque uma verdadeira certeza do que está fazendo, garanta a felicidade no seu lar e torne-se mais forte. Se você fizer isso, ou mesmo os demais, eu lhes asseguro ao menos o direito de lutar pela sua casa, independentemente de título… Agora, se seus respectivos parceiros escolherem ir embora, não esperem que eu me envolva, pois só significará que vocês mesmos escolheram mal ou estiveram em falta com seus pretendentes.
Encerrado o assunto após a última colocação, o dragonoid não apenas calou alguns dos burburinhos internos, como também explicou aos seus capitães por que a mesa de Dave foi servida integralmente no aniversário de Diana: era basicamente ele, como líder, dando cara a um possível cortejo de casamento de seu capitão para ambas as famílias presentes do trio.
— Novo tópico: Uma vez que a situação está se equalizando e não precisamos mais despender tanto capital e recursos humanos da facção no arquipélago, chegou a hora de construirmos a cidade que será o coração do território e da facção — declarou o jovem líder do grupo, com a solenidade de um grande ancião. — Sei que ainda há outros assuntos sendo resolvidos em paralelo, e reconheço a capacidade de vocês de lidarem com isso, mas, como sabem, já até desloquei os grifos que ocupavam o monte que vamos ocupar…
— Pode ser cansativo, mas o trabalho não pode parar. Somos a principal fonte de empregos e circulação de moeda do território ao consumir recursos e construir nossa infraestrutura — concluiu com um toque inflamado em meio à sua seriedade, para instigar os capitães a se prontificarem.
Sem ouvir qualquer contestação e recebendo apenas o interesse silencioso de todos, Alexander retirou um esboço do que possivelmente viria a ser a nova cidade e chocou os presentes. Eles teriam que aplanar e planificar o cume do monte quase pela metade.
O projeto era erguer a segunda maior cidade do Protetorado do Mar Imperial de forma amplamente planejada, com drenagem, esgoto, vegetação e até canais hídricos. Aparentemente, seu chefe megalomaníaco iria fazer alguma espécie de rio fluir do próprio coração da cidade.
— Bom, ideias assim são o ônus de trabalhar para mim — sorriu o dragonoid, como se estivesse se divertindo com o espanto das pessoas na reunião. — Agora vamos falar do bônus de trabalhar para mim, pois eu pretendo começar a deixar todo mundo nessa sala rico, muito rico.
Ainda mais interessados e atentos a esse novo tópico, os presentes se voltaram para ele com uma predisposição renovada, enquanto ele explicava: — Como eu bem disse, a gente não pode parar. E para que isso aconteça, temos que nos preparar com antecedência… Por isso, quero que cada divisão aqui se especialize em uma parte do comércio que vou lhes apresentar, para que não fiquemos parados ou restritos a atividades civis desorganizadas (ou puramente logísticas ou bélicas); algo que deve encher os bolsos de todos aqui, a seu respectivo modo e participação nesse comércio.
— Hmm… Nós já não estamos divididos em especialidades? — indagou Bjorn com uma expressão estranha. — Não me entenda mal, entendo que estamos falando de segmentos diferentes; e a minha preocupação é justamente essa… Isso não vai criar uma instabilidade ou falta de coesão interna?
— Você entendeu a questão, mas errou o ponto… e foi justamente por isso que falei que ia deixar as pessoas aqui ricas, não as divisões ou a facção como um todo — disse Alexander calmamente. — Eu entendo claramente que a função primária deve ser sólida e instituída na cabeça de cada membro. O que estou pontuando é que vou delegar a cada capitão de divisão uma atribuição no comércio, pois cada capitão, seja vocês ou seus sucessores, vai ficar responsável por organizar sua família ou membros afiliados; não a divisão inteira…
Ao entenderem a ideia central, nua e crua, de que a operação comercial seria focada nos capitães das divisões (e não nas divisões em si), os próprios capitães o ouviram com interesse renovado por múltiplos motivos.
Os principais deles eram que aquilo se tratava de algo mais pessoal, um ramo de negócios sob seu controle direto; e que não precisava ser, necessariamente, eles; os negócios e as divisões ainda continuariam atrelados, caso fossem retirados do cargo por algum deslize grave.
Com os seus principais termos operacionais postos, o dragonoid passou a enumerar a função comercial prática atrelada a cada divisão, pois isso influenciaria no tipo de atividade que o capitão conseguiria exercer sem comprometer seu trabalho e função primária para a facção:
— Em primeiro lugar, valendo-se de sua posição administrativa, a 1ª Divisão atuará em parceria com a regência atuante do território e as finanças, usando sua vice-liderança para estabelecer e comandar nosso comércio de fato: gerir os recursos das outras divisões em lojas e associados, posteriormente redistribuindo o lucro.
— A 2ª Divisão será encarregada da captação de recursos marinhos em sua mais vasta amplitude possível, por ser a regente operacional da nossa futura frota.
— A 3ª e a 4ª Divisão, por si só, já serão bem ricas com a produção de itens e produtos de uso geral em demanda para as lojas e encomendas. Então, quero que se foquem na produção de insumos para artesãos, não só atraindo mais clientes, como também aumentando nosso poder sobre o mercado de artesanato.
— A 5ª e a 8ª Divisão ficarão encarregadas da produção de insumos de vestuário, tecidos, vestidos e ornamentos encantados, em conjunto com os artesãos dos quais eu sei que as capitãs Umbriel e Khamsa têm certo contato.
— A 6ª Divisão ficará encarregada da produção de papel, pois preciso de pessoal fisicamente robusto para manusear a matéria-prima pesada.
— A 7ª Divisão, nossa divisão de inteligência e estratégia, eu a quero na agricultura, estudando e identificando onde cada tipo de cultura é mais adequada e útil. Já estamos em superávit alimentar, por isso não precisamos focar apenas na produção de alimentos, mesmo que sejam semi-iguarias.
— A 9ª Divisão vai atuar no seu novo papel de logística para gerir e difundir a pecuária vinculada às nossas novas áreas de cultivo, em especial o gado imperial que obtive.
— A 10ª Divisão vai ficar responsável pelas produções especiais a serem difundidas e trabalhadas pelas outras divisões, como ervas raras, fios raros, e por aí vai.
— Por último, mas não menos importante, Sansy vai ficar responsável pelo nosso setor de entretenimento… Todo ele, não apenas o adulto, sua gatuna.
— O nosso foco este ano vai ser construir a cidade que será o coração do território, pelos meios que forem necessários. Mas no ano que vem, esses setores serão o nosso foco; então, formem seus núcleos e estudem sobre eles — concluiu o dragonoid.

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