Capítulo 044 – Lança
Não demorou muito para que outros membros da academia aparecessem e Lucas mandou levarem Jason, que ficou inconsciente, para ser tratado.
— Aham… — ressoou Lucas, limpando a garganta. — Depois de toda essa bagunça que ELES causaram, declaro o Alexander o vencedor.
* Ding! *
[Missão concluída]
— Pelo que me lembro, ele foi o único que apostou na sua vitória — comentou ele, voltando-se para o criador daquela aposta, que estava quase chorando pelo dinheiro que havia perdido, como se quisesse confirmar o que dizia.
As palavras de Lucas “acordaram” os alunos do torpor e, assim que acordaram, começaram a olhar e reavaliar Alexander, que acabara de se levantar da arena.
Alguns estavam visivelmente surpresos, outros irritados por causa de suas perdas nas apostas, mas acima de tudo, havia muitos insatisfeitos por tal azarão aparecer do nada na Academia de Combates Gêmeos no mesmo ano que eles.
Como forma de consolo, eles puderam pelo menos alegrar-se com a desgraça de quem tentou enganá-los, porque no final foi ele quem mais perdeu.
— O prêmio para o vencedor que mencionei antes é uma arma de grau único do arsenal da academia — disse Lucas ao se virar para Alexander e lhe entregar o prêmio da aposta. — Quando você escolher o tipo de arma que deseja, me avise e mandarei buscar uma para você.
— Não preciso pensar mais, professor. Já sei qual arma eu quero — respondeu Alexander. — Mas talvez vocês não tenham uma como ela em seu arsenal.
Lucas franziu a testa com a resposta de Alexander, mas não pensou muito sobre isso e o incentivou a falar: — Então me diga que tipo de arma você quer e mandarei alguém verificar nosso arsenal.
Com o aval de Lucas, Alexander pegou um galho e começou a desenhar no chão de terra. — A arma que quero é uma lança de metal, com a ponta perfurante-cortante, que possa conduzir tanto minha energia quanto a mana, ser usada como cajado mágico, resistir à abrasão de venenos e que seja mais ou menos do tamanho desse desenho.
— Aqui está — desenhou ele. — Esse é o esboço de como ela deveria ser.
Alexander não escolheu sua arma aleatoriamente; ele já havia pensado muito em qual arma deveria usar. E depois de muito pensar nos prós e contras, optou por usar uma lança, mas uma personalizada.
Ele escolheu o comprimento de 1,95 m para criar e aumentar sua proficiência com uma lança, mas seu objetivo final era usar uma de 2,5 m.
A sua escolha por uma ponta laminar e perfurante foi para aumentar a variedade de golpes que poderia usar contra seus inimigos.
O toque final foram os parrying hooks (ganchos defensivos feitos para bloquear ou travar armas inimigas) posicionados próximo à ponta, pois irão ajudar a defender contra ataques. Como os desenhou ondulados e afiados, eles não devem atrapalhar muito nos casos em que a lança precise perfurar ou atravessar o alvo.
O problema de Alexander até aquele momento era que, embora quisesse tal lança, ele tinha que se abster de tentar comprá-la por uma lógica simples: se sua pequena adaga custou 4 pequenas moedas de ouro, quanto custaria uma lança feita de metais condutores e personalizada de acordo com suas especificações?
— Parece que você já pensou muito nisso — disse Lucas com um sorriso amargo ao ver o formato e o tamanho daquela lança. — Vou ver o que posso fazer, mas não posso prometer que terá todas as especificações que você mencionou.
— Quanto ao prêmio extra por não ser nobre, deixe-me ver… — ponderou Lucas, sem se preocupar em mostrar que não tinha nada específico planejado para esse caso. — Você pode usar uma das casas com pátio da academia enquanto estudar aqui.
— Obrigado, professor — disse Alexander sinceramente.
— Estão liberados da “aula” de hoje — disse Lucas aos outros alunos antes de voltar-se para Alexander. — Siga-me. Vou te mostrar onde fica a casa.
Enquanto caminhava, Alexander observava cuidadosamente os arredores para memorizar o caminho e descobrir o que mais essa academia tinha a oferecer.
Atento às mudanças, ele logo percebeu que quanto mais perto chegavam do centro da academia, mais densas se tornavam as energias no ambiente. Mas não teve muito tempo para especular sobre tal fenômeno, pois Lucas parou na frente dele e apontou para uma casa. — Aqui estamos… Não é muito grande, mas tem 1 sala, 2 quartos, 1 cozinha, 1 banheiro, 1 pátio privativo murado e é muito aconchegante por dentro.
— Ela me parece ótima. Muito obrigado, professor — disse Alexander, suavizando o tom, antes de continuar: — Mas acontece que eu tenho um familiar… Tem algum problema se ela ficar aqui comigo?
— Não vejo nenhum problema se você mantê-la sob controle — respondeu Lucas desinteressadamente.
— Aqui — disse ele ao jogar as chaves da casa e um brasão adornado com relâmpagos para Alexander. — Apresente este brasão na entrada e eles deixarão você passar com seu familiar.
Lucas foi embora assim que entregou as chaves e o brasão para Alexander. Ele parecia ainda mais feliz do que qualquer estudante, mesmo os da Terra, com o fim das suas “obrigações acadêmicas”.
— A casa é simples, mas parece muito aconchegante — analisou Alexander ao entrar na casa. — O melhor de tudo é que é gratuita e segura. Porque duvido muito que haja alguém louco o suficiente para tentar violar essa academia.
Após verificar toda a casa, ele voltou para seu quarto na Guilda, onde Ocean o esperava, e leu o glossário até começar a escurecer.
Com a chegada do anoitecer, Alexander fez sua última refeição já paga na Guilda, pois estava pagando por diária, e foi se despedir de Mary enquanto devolvia a chave do quarto.
— Não fique assim — “pediu” ele a Mary, que fingia estar um pouco chateada. — Não vou mudar de cidade. Só estou indo para a academia.
— Entendo… — respondeu Mary, tentando parecer insatisfeita.
Quando Alexander voltou à academia e tentou entrar com Ocean, o guarda o impediu. Mas assim que ele mostrou o brasão que Lucas lhe deu e explicou a situação, o guarda o deixou passar com um suspiro exasperado.
Ao perceber que ainda lhe restava algum tempo depois de colocar suas poucas coisas no lugar, Alexander começou a praticar suas habilidades de proficiência que envolviam controle.
Ele acabou ficando tão focado em suas habilidades que não percebeu que sua energia estava se esgotando até que ele já estava perto da exaustão. — Droga, eu forcei demais.
Enquanto descansava para se recuperar, Alexander lembrou-se de que tinha uma habilidade perfeita para testar nessa situação: — |Conversão de Energias|.
Assim que usou |Conversão de Energias|, ele sentiu que os seus núcleos ressoaram para transformar sua mana em energia. Mas o processo foi tão estranho que não tinha ideia de como isso acontecia dentro de seu corpo.
Sentindo-se muito melhor depois de algum tempo recuperando suas energias, Alexander começou a se recuperar do desconforto causado pelo rebote da falta de energia, o que era bom, mas ele também achou que valia a pena fazer um lembrete mental de que a recuperação energética não funcionou para parar a fadiga mental.
PDV Lucas
— Não foi minha culpa, professor — protestou Lucas. — Quem imaginaria que aqueles dois fariam algo assim?
— Não tente mentir para mim, Lucas. Conheço-o muito bem — respondeu seu professor. — Você provavelmente armou para eles se enfrentarem, mas acabou perdendo o controle da situação.
— Droga. Fui descoberto — suspirou Lucas internamente, bastante exasperado. Mas ainda assim ele não ousou dizer uma palavra.
— Hump. Você pelo menos teve a decência de não continuar mentindo na minha cara — disse o professor, repreendendo Lucas. Mas depois de refletir um pouco, ele continuou: — Me conte, como foi essa luta?
Vendo a oportunidade de mudar de assunto, Lucas fez um relato completo e bem detalhado da luta em todos os seus aspectos.
— Pelo menos a bagunça que você criou, DESTA VEZ, gerou algo de bom, já que nós encontramos outra muda boa — suspirou o professor. — Ele até conseguiu ficar em pé de igualdade com o menino dos Azurre, que se estima não estar muito longe de ter um poder de combate próximo, ou igual, a alguém do 2º ano.
— Para ser exato, Jason ainda pode ser considerado um pouco mais poderoso que ele — explicou Lucas. — Mas é justamente porque ele conseguiu vencer alguém mais poderoso que eu o achei interessante.
— Ele é calculista e tem instintos afiados — acrescentou ele. — Tenho quase certeza de que ele antecipou que a explosão os expulsaria da arena e enfiou sua adaga no chão para se segurar enquanto lançava um feitiço para se proteger.
— Ele realmente parece ser uma boa muda — comentou o professor, que estava ficando cada vez mais animado. — Só é uma pena que a afinidade mágica dele não seja Raio — lamentou o professor ao imaginar o quão grande Alexander poderia se tornar no futuro se pudesse ser totalmente guiado por ele.
— Mas não é como se tudo estivesse perdido — disse o professor com um brilho competitivo nos olhos. — Se os dois continuarem melhorando como esperado, em alguns anos há uma chance de um deles derrubar os novos aprendizes daqueles velhos idiotas e vencer o Torneio Imperial, como você.
Assim que mencionou Lucas, o professor se lembrou de algo e disse: — Já ia me esquecendo. Você vai ser o responsável pelo evento de integração entre os estilos de combate esse ano.
Depois de pensar um pouco mais, ele acrescentou: — Você também pagará pelos reparos na arena e para forjar a melhor lança de grau (Único) possível que siga as especificações dele. Nem pense nos recursos da academia.
— #*%@ — pensou Lucas enquanto lamentava, mas sem ousar responder.
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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