Capítulo 075 – Pequena ilha
Alexander tinha uma grande vantagem sobre a esmagadora maioria das pessoas que queriam aprender a técnica do tomo [Fluxo Ascendente da Água Luminosa], pois ele era capaz de ficar em cima da água para aprender com o fluxo dela graças à técnica de combate |Combate Aquático|. Mas mesmo ele não conseguiu nada depois de praticar por 1 semana inteira.
Como o terreno do Império Vermilion era mais plano do que irregular, o fluxo do rio era razoavelmente manso, o que não era um problema. O problema era que ele sentia que havia algo fundamentalmente errado com sua técnica.
Ao tirar um dia para ler e revisar o tomo, Alexander, que normalmente não fazia isso, parou para pensar na história daquela técnica.
Segundo o tomo, a versão original desta técnica foi criada por um especialista ao analisar os movimentos de uma serpente mística de afinidade com a água e a luz que por algumas razões o salvou e o treinou.
Ao pensar e repensar sobre essa história, Alexander acabou correlacionando-a com uma criatura mítica descrita na Terra e teve um momento de inspiração.
Seguindo sua inspiração, Alexander foi até o ponto onde o rio ficava profundo e usou |Combate Aquático| para praticar a sua técnica embaixo da água.
A inspiração de Alexander mostrou-se correta. Com menos de 1 hora de prática subaquática, um aviso apareceu para ele.
* Ding! *
[Tentativa de técnica identificada. Você deseja gastar (1) ponto de crescimento para aprender a habilidade de proficiência |Fluxo Ascendente|?]
Alexander não pensou nenhum pouco antes de concordar em gastar seu último ponto de crescimento. Ele até ficou com um certo medo de que se demorasse muito a notificação desaparecesse, pois aquela era a técnica que ele teve mais dificuldade em aprender até aquele momento.
Assim que as informações da habilidade |Fluxo Ascendente| entraram na mente de Alexander, ele entendeu por que não tinha sido capaz de aprendê-la antes.
— É exatamente como imaginei. Essa técnica foi transcrita com um erro em sua essência — ponderou Alexander. — Por se tratar de uma técnica baseada em uma criatura semelhante a um dragão de inundação, que vive debaixo d’água, o seu nome correto deve, ou deveria, ser “Fluxo Ascendente na Água Luminosa”, e não “Fluxo Ascendente da Água Luminosa”.
Esse parecia ser um simples erro de transcrição, mas na verdade era um erro gigantesco que afetou a própria essência da técnica. Uma coisa era tentar se mover como a água, outra coisa, bem diferente, era tentar se mover como se estivesse criando e usando o fluxo da água para se impulsionar.
Feliz por finalmente ter aprendido sua técnica de movimentação, Alexander decidiu continuar treinando ao longo do rio até chegar mais perto da Cidade Gêmea. E como ele não precisava mais usar a habilidade |Asura| para sincronizar os movimentos da habilidade |Fluxo Ascendente|, ele passou a usá-la para voltar a treinar com a sua lança.
Depois de 2 dias descendo o rio treinando, só parando para comer e descansar, Alexander chegou a uma bifurcação e viu algo que parecia surreal à primeira vista, até para aquele mundo. — O afluente superior leva a uma ilha flutuante?
Alexander analisou diversas vezes o que estava vendo, mas isso não mudou a realidade. A ilha continuava lá, verdejante e flutuando no ar com o seu “tapete de boas-vindas” de água que subia diagonalmente.
— Será que consigo subir lá usando essa “rampa” de água? — perguntou-se Alexander.
Ao se aproximar do “tapete de boas-vindas” da ilha, Alexander percebeu que uma parte da água do rio subia e a outra permanecia correndo por baixo. Mas mais do que isso, a água que subia também descia do outro lado “flutuando” pelo ar.
— Essa região parece estar sendo afetada por aquela ilha… Ou por algo que está nela — ponderou Alexander ao analisar a água. — É essa interferência que está criando a anomalia que possibilita a ilha, bem como as rampas d’água, flutuarem.
Intrigado com a ilha flutuante e o que ela continha, Alexander usou a habilidade |Combate Aquático| e tentou subir até ela através da água flutuante. Mas depois dele subir apenas alguns metros, a água abaixo dele se desestabilizou e ele caiu.
Frustrado por mal atingir 10 dos 50 metros de altura da ilha, Alexander mudou para sua forma de goblin e tentou de novo. Mas para sua surpresa, assim que atingiu cerca de 20m de altura, aconteceu a mesma coisa de antes e ele caiu.
Mesmo frustrado e um pouco dolorido por causa de suas quedas, Alexander não desistiu e usou |Combate Aquático| em conjunto com |Fluxo Ascendente| para tentar subir. Mas ainda assim caiu na marca dos 30m.
Sem se dar por vencido, Alexander usou o poder mental da habilidade |Asura| para integrar |Combate Aquático| e |Fluxo Ascendente| como uma e tentou subir de novo. Mas mesmo assim ele caiu por volta da marca dos 35m de altura.
Quedas daquelas alturas eram significativas. Se ele não tivesse caído na água, Alexander teria ficado gravemente ferido.
Ao se levantar e olhar desafiadoramente para o fluxo de água que corria sobre a sua cabeça, Alexander sacou a sua lança e fez daquele local seu novo campo de treinamento. Ele não iria embora até chegar a àquela ilha.
Depois de mais 2 dias de treinamento com sua lança enquanto tentava subir até a ilha, Alexander finalmente conseguiu aumentar sua proficiência com a lança.
* Ding! *
[|Maestria com Lanças (Intermediário)| subiu de nível para |Maestria com Lanças (Avançado)|]
Mesmo depois de aumentar a sua proficiência com a lança, Alexander continuou a praticar diligentemente. A cada dia ele ficava um pouquinho melhor no uso da lança, bem como alcançava uma altura ainda maior do que a do dia anterior.
Após mais 7 dias de treinos simultâneos e diversas quedas, Alexander conseguiu melhorar sua técnica de movimentação, muito pela prática que já havia acumulado com os movimentos dela anteriormente, e finalmente chegou à ilha flutuante.
* Ding! *
[|Fluxo Ascendente (Iniciante)| subiu de nível para |Fluxo Ascendente (Intermediário)|]
Ao chegar na parte de cima da ilha, Alexander confirmou que ela não tinha uma circunferência muito grande, medindo menos de 10km de diâmetro, mas que era muito verdejante e arborizada. E como não havia muito o que ver além da bela e privilegiada vista, ele seguiu o rio na direção de onde a anomalia de mana se intensificava.
Chegando no centro da ilha flutuante, Alexander viu algo que lhe lembrou muito um mito da Terra. Ali, bem no centro da ilha, havia uma grande espada cravada numa pedra que dividia o curso do rio ao meio.
Achando aquilo tudo muito curioso, Alexander se aproximou da espada e tentou retirá-la da pedra, mas um poder estranho saiu dela e o rejeitou.
Alexander não esperava conseguir tirar a espada da pedra, pois haviam pessoas e criaturas que podiam voar neste mundo e a espada ainda estava lá. Mas ele não esperava que a espada, por vontade própria, o rejeitasse.
Ainda mais intrigado e curioso sobre a espada, Alexander usou |Avaliar| para ver as informações dela.
Para sua surpresa, isso se revelou inútil e ele não conseguiu ver nenhuma informação sobre ela.
— Isso está ficando bem interessante — sorriu Alexander. — Essa espada deve ter, ou ser, algo muito especial para resistir ao meu |Avaliar|.
Não querendo desistir tão facilmente da espada, Alexander segurou o cabo dela e usou o novo meio de avaliação de |Avaliar|, obtido quando a habilidade subiu para o nível (Auge): sentir sensações sobre o alvo da avaliação.
— Essa sensação me é um pouco familiar, mas não consigo me lembrar de onde… — ponderou Alexander. — Onde será que encontrei algo assim antes?
Incapaz de se lembrar onde sentiu algo semelhante àquela espada, Alexander decidiu usar a “força bruta”.
Ele então colocou o seu [Anel do Deus Ladrão] em contato direto com a espada. Era a vez do anel mostrar seu poder de grau (Superior).
O problema foi que assim que o anel a tocou, a espada liberou uma rajada de vento crescente, tentando afastar Alexander dela, e a ilha começou a descer.
Ao ver que ele não seria capaz de absorvê-la com o seu [Anel do Deus Ladrão], Alexander soltou o cabo da espada para parar a reação dela contra ele. Mas suas complicações não acabaram por aí.
Guardas imperiais, que ele nem sabia que estavam naquela ilha, dirigiram-se em direção à espada quando sentiram a estranha reação que ela causou e o viram antes que ele pudesse fugir.
Se antes os guardas não tinham por que vigiar de perto uma espada que ninguém conseguia sequer fazer reagir, muito menos puxar, por anos, as ações dele lhes deram um motivo real para agir.
Assustado, Alexander usou |Ocultação| e |Esgueirar-se| e afastou-se da região o mais rápido que pôde. Mas, como era de se esperar, ele não tinha uma maneira eficiente de sair daquela ilha sem ser notado.
Sem boas opções e incapaz de permanecer invisível para sempre, Alexander desceu o quanto pôde pelo lado da ilha, para diminuir a distância dele até o rio, e então se deixou cair.
Querendo causar a menor agitação possível, Alexander, quando se aproximou da água, jogou sua adaga para quebrar a tensão superficial da água e usou seus pés unidos como ponta de lança, bem como manteve seus braços cruzados.
Essa medida ajudou a diminuir a perturbação que Alexander causou na água, mas a força da queda foi tão grande que os seus pés atravessaram a água e não pararam até colidirem com o fundo do rio.
Sem tempo para se permitir sentir a dor, Alexander voltou à sua forma humana, trocou sua roupa pelo uniforme da academia e voltou a praticar debaixo d’água, pois sabia que era muito provável que os guardas imperiais da ilha investigassem qualquer distúrbio na água, mesmo que fosse menor do que o esperado.
Assim como Alexander imaginou, não demorou muito para que duas presenças pairassem sobre ele, ordenando-lhe que saísse do rio: — Seja você quem for, saia agora do rio e identifique-se perante a guarda imperial.
Ao ser intimado pelos guardas, Alexander saiu do rio tentando parecer surpreso e se apresentou: — Sou Alexander Ocean. Um aventureiro que atualmente está estudando sob a tutela da Academia dos Combates Gêmeos.
Um dos guardas imperiais, um demi humano do tipo homem-pássaro, avaliou a identificação e as roupas de Alexander, mas foi o outro guarda que estava com ele, um humano, quem deu o veredicto: — Eu sou da Cidade Gêmea. As roupas são autênticas.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou o guarda homem-pássaro, sério.
— Treinando — respondeu Alexander sem hesitação. Mas depois de pensar um pouco, ele também mostrou o brasão que Lucas lhe deu. — O professor Lucas permitiu que eu saísse da academia para treinar em um fluxo de água corrente.
A simples apresentação do brasão diminuiu muito a hostilidade dos guardas. Mas a hostilidade só desapareceu mesmo depois que o guarda humano o analisou com cuidado e atestou a veracidade. — Parece que ele está dizendo a verdade…
— Então mande ele de volta para a sua academia agora — respondeu o guarda homem-pássaro, bem sério. — Essa área vai entrar em um completo isolamento. Nós TEMOS que encontrar aquele indivíduo.
Obs 1: Contribuição arrecadada para lançamento de capítulo extra: (00,00 R$ / 20,00 R$).
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Ps: Para finalizar, volto a reiterar que as publicações seguiram normais e recorrentes no ritmo mencionado mesmo que, por ventura, haja a publicação de capítulos adicionais.

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